Gabriel Batistuta

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Gabriel Batistuta
Gabriel batistuta.jpg
Informações pessoais
Nome completo Gabriel Omar Batistuta
Data de nasc. 1 de fevereiro de 1969 (45 anos)
Local de nasc. Reconquista,  Argentina
Altura 1,85 m
Destro
Apelido Batigol, Bati, El Rey León
Informações profissionais
Clube atual Aposentado
Posição Atacante
Clubes de juventude
Argentina Newell's Old Boys
Clubes profissionais1
Anos Clubes Jogos (golos/gols)
1988-1989
1989-1990
1990-1991
1991-2000
2000-2002
2002-2003
2003-2005
Argentina Newell's Old Boys
Argentina River Plate
Argentina Boca Juniors
Itália Fiorentina
Itália Roma
Itália Internazionale (emp.)
Catar Al-Arabi Doha
24 0000(7)
21 0000(4)
34 0000(13)
332 000(202)
63 0000(30)
12 0000(2)
22 0000(30)
Seleção nacional3
1989-2002 Flag of Argentina.svg Argentina 78 0000(56)


1 Partidas e gols pelo clube profissional
contam apenas partidas das ligas nacionais,
atualizados até 2005.


3 Partidas e gols da seleção nacional estão atualizados
até 2002.

Gabriel Omar Batistuta (Reconquista, 1 de Fevereiro de 1969), é um ex-futebolista argentino que atuava como atacante.

Batistuta era um grande cabeceador, chutava forte com as duas pernas,em curto espaço tinha uma ótima arrancada e caracterizava-se também por sua raça e oportunismo, e um certo individualismo.[1] Teve o seu auge no futebol italiano, tanto na Fiorentina quanto na Roma. É o maior goleador da história da Seleção Argentina, com 56 gols em 78 partidas.[2]

Atualmente, Batistuta é secretário técnico do Colón, de Santa Fé.[3] .

Início, na Argentina[editar | editar código-fonte]

Batistuta apareceu já muito tarde no futebol, pois só aos dezessete anos deixou o basquetebol para dedicar-se à modalidade onde fez carreira como goleador, inspirado pela Copa do Mundo de 1986, vencida pela Argentina.[4] Ele debutou no Newell's Old Boys, em 1988; o técnico Marcelo Bielsa o integrou no time para substituir Abel Balbo,[5] recém-vendido ao River Plate, após o Ñuls ter conseguido faturar o campeonato argentino de 1987/88.

Em seu primeiro semestre no time de Rosário, Batistuta chegou à final da Taça Libertadores da América. O clube chegou a vencer por 1 x 0 o jogo de ida, mas o título ficou com o Nacional, que ganhou por 3 x 0 no Uruguai.[6] Na liga argentina, a equipe terminaria 1988/89 apenas em 12º.[7]

O clube seguiu entre os postulantes para vaga na Libertadores seguinte, por meio da liguilla pre-Libertadores; após a eliminação do Newell's, Batistuta, que vinha fazendo gols importantes no minitorneio (incluindo dois em um 5 x 3 sobre o arquirrival Rosario Central), foi contratado pelo River Plate (que curiosamente havia vendido o mesmo Abel Balbo[5] ), pelo qual disputou a final da mesma liguilla. Chegou bem, marcando o único gol na decisão contra o San Lorenzo que deu o título e a vaga na Libertadores aos millonarios.[7]

O início promissor, porém, não teve continuidade. O River chegou às semifinais da Libertadores de 1990 (caindo apenas nos pênaltis [8] ) e faturou o campeonato argentino de 1989/90,[1] mas sem contribuição efetiva do jovem: ele não teria espaço com o técnico Daniel Passarella e ficaria apenas aquela temporada em Núñez.[9] Trocaria o clube pelo arquirrival Boca Juniors.

Começando a consagrar-se[editar | editar código-fonte]

A temporada 1990/91 marcaria a introdução do sistema Apertura e Clausura, dividindo o campeonato. No Apertura, o Boca não foi bem e terminou apenas em oitavo. Seria no Clausura que Batistuta, vindo em baixa do River, enfim começaria a demonstrar sua melhor forma, marcando cinco vezes nos três primeiros jogos.[10] Em grande e invicta campanha, com treze vitórias e seis empates, 32 gols (vinte dos quais marcados pela dupla Batistuta e Diego Latorre) e favor e apenas seis contra, o Boca faturou a segunda metade do campeonato.[10]

Para Batistuta, nem um pênalti perdido contra o antigo clube do River atrapalhou:[10] naquela campanha, ele conseguiu suas primeiras chances na Seleção Argentina. E contra o próprio arquirrival ele se recuperou, tornando-se um anti-River, tornando-se parte da equipe que iniciaria um memorável período de domínio auriazul nos Superclásicos:[9] os dois clubes se enfrentaram duas vezes na Taça Libertadores da América, naquele semestre, e Batigol marcou os dois gols da vitória por 2 x 0 na Bombonera, após o Boca ter conseguido vencer, por 4 x 3, também no Monumental. O Boca ainda passou pelos brasileiros Corinthians e Flamengo no mata-mata, mas o sonho do título continental parou nas semifinais, contra os eventuais campeões do Colo Colo.[11]

A convocação de Batistuta para a Seleção acabaria atrapalhando, na verdade, o próprio Boca: o campeão argentino seria determinado em uma final reunindo o vencedor do Apertura (o Newell's) e o Clausura. Batistuta (sendo susbstituído pelo Brasileiro Gaúcho que jogava no Flamengo) não pôde participar, pois os jogos seriam disputados no período da realização da Copa América de 1991, para a qual ele foi chamado.[10] Após vitórias por 1 x 0 para cada lado, os xeneizes perderiam o título nos pênaltis, em plena Bombonera.[10] Ironicamente, determinou-se que a partir da temporada seguinte os times que vencessem o Apertura e o Clausura seriam considerados campeões conjuntamente.[12]

Batistuta não ficaria: após a Copa América, vencida pela Argentina com ele como artilheiro, foi transferido para o futebol italiano, contratado pela Fiorentina. Sua passagem efêmera e sem títulos oficiais não o impediria de ser considerado, todavia, como um dos maiores ídolos da história do Boca Juniors.[9] [13]

Fiorentina[editar | editar código-fonte]

Depois de algumas dificuldades de adaptação, Batistuta impôs-se definitivamente na equipe Viola. Na primeira temporada, já marcou 13 vezes no defensivo futebol italiano. Na segunda, foram 16 em 27 jogos; contudo, a Fiorentina, mesmo apenas 16 pontos atrás do campeão Milan, acabou descendo de divisão. Apesar do rebaixamento, Batistuta manteve-se fiel à equipe e, com seus gols, ajudou o clube a retornar à Serie A na temporada seguinte. Regressou à divisão principal do campeonato italiano em 1994/1995 e, logo nessa temporada, foi o artilheiro da competição com 26 gols, quebrando um recorde de gols no campeonato.[1] Outra marca que ele superou na Bota foi o de gols em jogos consecutivos, marcando 13 vezes em 11 partidas.[1]

Apesar de já ser considerado um dos melhores atacantes do mundo e de ter muitas propostas de clubes de topo europeus, Batistuta optou por permanecer diversas temporadas na Fiorentina, clube mediano em nível europeu. Essa fidelidade valeu-lhe uma estátua oferecida pelos tifosi gigliati.[1] Durante seus muitos anos de Fiorentina, teve grandes jogadores como companheiros de equipe, como o meio-campo português Rui Costa, o alemão Stefan Effenberg, o dinamarquês Brian Laudrup, o sueco Stefan Schwarz, o russo Andrey Kanchelskis, os selecionáveis italianos Michele Serena, Stefano Borgonovo, Sandro Cois e Angelo Di Livio e cinco brasileiros: os tetracampeões mundiais de 1994 Dunga, Mazinho e Márcio Santos, Edmundo e Luís Oliveira (naturalizado belga). Outra dupla ofensiva foi, curiosamente, o mesmo Abel Balbo de quem era sombra no início da carreira.[5]

Se garantiu a idolatria em Florença com sua fidelidade à Fiorentina, por outro lado não conseguiu muitos títulos; no Campeonato Italiano, o máximo que conseguiu foi um terceiro lugar na temporada 1998/99 (em que ele foi vice-artilheiro, com 21 gols), o que credenciou a equipe para a Liga dos Campeões da UEFA. A Fiorentina esteve bastante próxima de chegar às quartas-de-final; todavia, em casa, na última rodada da segunda fase de grupos, sofreu um empate nos acréscimos do jogo contra o Bordeaux e acabou eliminada. Além da Serie B de 1994 e de pequenos torneios amistosos, o único título de Batistuta pela Fiorentina foi a Copa da Itália de 1996, com ele marcando nos dois jogos da decisão contra a Atalanta.

Em 2001, após dez anos como jogador da Fiorentina - tendo marcado 40% dos gols da equipe no período[1] -, foi vendido para a Roma, protagonizando a até então segunda mais cara transferência da história do futebol mundial.

Final da carreira[editar | editar código-fonte]

Na capital italiana, foi jogar ao lado de grandes estrelas como Cafu, Vincenzo Montella, Marco Delvecchio e Francesco Totti. Logo no primeiro ano de clube, Batigol marcou 20 gols e a Roma foi campeã italiana, algo que já não acontecia desde a temporada 1982/1983, dos tempos de Falcão e Bruno Conti. O sabor foi ainda mais especial para a torcida romanista pois o clube respondera imediatamente ao título da arquirrival Lazio, que na temporada anterior havia sido a campeã, e igualando momentaneamente os giallorrossi com dois títulos italianos cada - agora, a Roma contava com três.[14]

O quarto título italiano quase veio na temporada seguinte, a de 2001/02. A Internazionale liderava até a última rodada, quando a Roma conseguiu ultrapassá-la em um ponto. Todavia, o campeão foi a Juventus, que ficou outro ponto acima. Se o título fosse conquistado, porém, ofuscaria uma má temporada de Batistuta, que não rendera tanto. Acabou emprestado à Inter na janela de transferências. A equipe de Milão, buscando substituir Ronaldo, trouxera os goleadores argentinos da capital: Batistuta chegou juntamente com Hernán Crespo, que era da Lazio.

Os nerazzurri terminariam a temporada 2002/03 em segundo, mas Batigol não ficou até o final. Com seu desempenho atrapalhado por lesões, saiu ainda no decorrer das disputas, atraído pela vantajosa proposta financeira do futebol do Qatar, que naquele 2003 seduzira também a Romário. No pequeno país do Oriente Médio, em uma liga bem menos técnica, foi campeão e artilheiro pelo Al-Arabi Doha, onde encerrou em 2005 a carreira, após não se conseguir um acerto com o Boca Juniors. Sua passagem pelo Qatar, posteriormente, faria com que fosse chamado para ser garoto-propaganda da vitoriosa campanha do país para ser sede da Copa do Mundo de 2022.[15]

Seleção Argentina[editar | editar código-fonte]

Após iniciar boa fase no Boca Juniors em 1991, recebeu suas primeiras convocações para defender a Albiceleste. Naquele ano, disputou a Copa América, sagrando-se artilheiro da competição, com seis gols, um deles sobre o Brasil, no quadrangular final que decidiu o torneio. Dois anos depois, na Copa América de 1993, foi novamente campeão. Embora tenha marcado apenas 3 vezes, dois desses gols foram decisivos: foram os dois na vitória por 2 x 1 sobre o México, na final, dando o 14º título continental à Argentina - que ficava isolada como a maior vencedora.

Paralelamente, contudo, a equipe quase ficou de fora da Copa do Mundo de 1994. Na última rodada das Eliminatórias, foi goleada por 0 x 5 pela Colômbia em Buenos Aires. Os colombianos ficaram com a única vaga direta do grupo de quatro países; a Argentina só foi à repescagem porque o Paraguai não saiu de um empate com o Peru, que até então não havia pontuado. Na repescagem, contando com a presença de Diego Maradona, os argentinos empataram com a Austrália em Sydney e garantiram lugar nos Estados Unidos após vencerem em casa por 1 x 0, com Batistuta marcando o gol.

Ele estreou com bastante gás na Copa, marcando três vezes nos 4 x 0 sobre a Grécia, na primeira rodada. A Argentina, que nos dois mundiais anteriores tinham em Maradona o craque solitário, encantavam com Batistuta, Maradona, Fernando Redondo, Claudio Caniggia e Ramón Medina Bello, vencendo de virada a Nigéria na segunda rodada. A mesma partida, porém, seria seguida pelo escândalo do doping de Maradona, expulso do torneio. Abalados, os argentinos perderam a última partida para a Bulgária e terminaram em terceiro no grupo, conseguindo a classificação justamente por serem um dos melhores terceiros colocados - sistema que vigorou apenas até aquela edição.

A eliminação viria frente outra surpreendente equipe do Leste Europeu, a Romênia. Batistuta marcou seu quarto gol, empatando parcialmente em 1 x 1, mas Ilie Dumitrescu - que já havia feito o primeiro - colocaria os europeus à frente dois minutos depois. O resultado final seria 3 x 2 para os romenos, que souberam se aproveitar do trauma ainda forte da exclusão de Maradona.[1] O ano seguinte também foi de decepções com a Seleção: na Copa América, eliminação nas semifinais frente ao Brasil e título para o Uruguai, que empatava em 14 a 14 em títulos com a Argentina no torneio; na futura Copa das Confederações, perda para a Dinamarca.

O técnico da Argentina já era Daniel Passarella, com quem já não se entendera no River Plate. Apesar da série regular de gols na Fiorentina, Batistuta chegaria a passar quase um ano afastado da Seleção por Passarella, que considerava o cabelo longo do atacante "inadequado",[1] mesmo motivo para o qual o treinador deixou de chamar a Redondo e Caniggia. Para ir à Copa do Mundo de 1998, Batistuta concordou em aparar seus fios e lançou até um perfume: Essenza di Campione.[1] Na França, marcou quatro gols na primeira fase, um contra o Japão e três na Jamaica.

Fez seu quinto gol na Copa nas oitavas-de-final, contra a rival Inglaterra, homenageando o filho recém-nascido na comemoração, embalando-o na imaginação tal como Bebeto fizera em 1994. A classificação viria nos pênaltis, e daria lugar à frustração nas quartas: com o jogo contra os Países Baixos ainda empatado em 1 x 1, Passarella resolveu substitui-lo. A atitulde acabaria inoportuna;[1] Batistuta, que era o artilheiro do mundial (o croata Davor Šuker só iria ultrapassá-lo, em um gol, na partida pelo terceiro lugar, dois jogos depois), veria no banco os neerlandeses marcando o gol da vitória no final da partida.

Já veterano e vindo de uma temporada não tão boa na Roma, mas com prestígio intacto na Seleção, foi ao seu terceiro mundial em 2002. Começou bem na Copa da Coreia e Japão, marcando o solitário gol da vitória sobre a Nigéria, na primeira rodada. Os argentinos, que chegaram à Ásia como um dos grandes favoritos, porém, seriam prematuramente eliminados na primeira fase, após derrota para a Inglaterra e empate contra a Suécia - que ficaram com as vagas do grupo. Batistuta chegou a perder pênalti contra os suecos, com o gol argentino saindo justamente no rebote. Seria seu último jogo pela Argentina,[2] da qual é o maior artilheiro em Copas (dez vezes) e no total de gols (56).[2]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Newell's Old Boys
River Plate
Fiorentina
Roma
Al-Arabi Doha
Seleção Argentina

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g h i j Super-herói goleador (novembro de 1999). Placar - Especial "Os Craques do Século". Editora Abril, p. 101
  2. a b c MAMRUD, Roberto (16/12/2008). Argentina - Record International Players. RSSSF. Página visitada em 09/03/2011.
  3. Globo Esporte - Agora dirigente, Batistuta é apresentado pelo Colón
  4. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas segunda
  5. a b c ANDREÃO, Renato (16 de julho de 2008). Precisamos de um '9' puro. Trivela. Página visitada em 09/03/2011.
  6. BALLESTEROS, Frank; STOKKERMANS, Karel (01/01/2005). Copa Libertadores de América 1988. RSSSF. Página visitada em 31/03/2011.
  7. a b c CIULLINI, Pablo (01/01/2005). Argentina 1988/89. RSSSF. Página visitada em 31/03/2011.
  8. BALLESTEROS, Frank; STOKKERMANS, Karel (04/10/2007). Copa Libertadores de América 1990. RSSSF. Página visitada em 31/03/2011.
  9. a b c Gabriel Batistuta (outubro de 2010). El Gráfico Especial n. 26 - "100 Ídolos de Boca", p. 27
  10. a b c d e DUER, Walter; FERRO, Gonzalo; GALCERÁN, Miguel; LODISE, Sergio; OTERO Horacio; RODRÍGUEZ, Héctor (2005). On the verge of a new championship. Boca - the book of xentenary, 1. ed. Buenos Aires: Planeta, pp. 214-215
  11. DUER, Walter; FERRO, Gonzalo; GALCERÁN, Miguel; LODISE, Sergio; OTERO Horacio; RODRÍGUEZ, Héctor (2005). An atypical Libertadores. Boca - the book of xentenary, 1. ed. Buenos Aires: Planeta, pp. 215-216
  12. DUER, Walter; FERRO, Gonzalo; GALCERÁN, Miguel; LODISE, Sergio; OTERO Horacio; RODRÍGUEZ, Héctor (2005). Second again. Boca - the book of xentenary, 1. ed. Buenos Aires: Planeta, pp. 216-217
  13. DUER, Walter; FERRO, Gonzalo; GALCERÁN, Miguel; LODISE, Sergio; OTERO Horacio; RODRÍGUEZ, Héctor (2005). Batistuta, Gabriel Omar (1990/91). Boca - the book of xentenary, 1. ed. Buenos Aires: Planeta, p. 277
  14. BERTOZZI, Leonardo (maio de 2009). Honra eterna. Trivela n. 39. Trivela Comunicações, pp. 52-56
  15. MORAES, Tiago Henrique de (02/12/2010). Batistuta comemora candidatura do Qatar para o Mundial de 2022. Futebol Portenho. Página visitada em 09/03/2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]