Enzo Francescoli

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Enzo Francescoli
Enzo Francescoli 2011.jpg
Informações pessoais
Nome completo Enzo Francescoli Uriarte
Data de nasc. 12 de Novembro de 1961 (52 anos)
Local de nasc. Montevidéu, Uruguai
Altura 1,81 m
Apelido El Príncipe
Informações profissionais
Clube atual Aposentado
Posição Meia
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos/gols)
19801982
19831986
19861989
19891990
19901993
19931994
19941997
Uruguai Montevideo Wanderers
Argentina River Plate
França Racing Paris/Matra Racing
França Olympique de Marseille
Itália Cagliari
Itália Torino
Argentina River Plate
0074 000(20)
0113 000(68)
0089 000(32)
0028 000(11)
0098 000(17)
0024 0000(3)
0084 000(47)
Seleção nacional
19821997 Flag of Uruguay.svg Uruguai 0073 000(17)

Enzo Francescoli Uriarte (Montevidéu, 12 de novembro de 1961) é um ex-futebolista uruguaio que atuava como meia ofensivo. Destacou-se como um dos maiores jogadores do Uruguai, sendo talvez o maior deles que jamais jogou pelos dois maiores clubes de seu país: o Nacional e o Peñarol.[1] Era conhecido, por seu estilo clássico e elegante, como El Príncipe, em referência a Aníbal Ciocca, antigo craque uruguaio dos anos 30 e 40.[2] Foi o único uruguaio incluído por Pelé no FIFA 100, e foi escolhido pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol o sexto maior jogador de seu país e o 24º da América do Sul no Século XX.[3]

É considerado um craque solitário em uma época decadente da Celeste.[2] Ele esteve em duas Copas do Mundo, 1986 e 1990, em que o Uruguai pouco brilhou: em ambas, sua seleção caiu nas oitavas-de-final (contra a rival e futura campeã Argentina e a anfitriã Itália, respectivamente), para a qual só havia chegado, nos dois casos, como uma das melhores terceiras colocadas na primeira fase.[4] [5] Com ele já veterano, os uruguaios não se classificaram para os mundiais de 1994 e 1998.[6] [7] Ao todo, disputou oito partidas de Copa do Mundo, vencendo somente uma - contra a então pouquíssimo expressiva Coreia do Sul, e por apenas 1 x 0.[8]

Seus maiores triunfos com a camisa celeste ficaram guardados para as Copa América.[9] Francescoli disputou cinco edições, chegando às finais das quatro em que atuou em campo e vencendo três dessas, perdendo apenas a de 1989, contra o Brasil, que jogava em casa.[2] Foi nas edições do torneio, por sinal, que ele marcou o seu primeiro e o seu último gol pela seleção.[8]

Francescoli foi ídolo até na rival Argentina, onde sente-se mais querido até do que na própria terra natal, onde nem seus três títulos na Copa América o livram para muitos compatriotas de uma imagem de quem não ganhou nada por lá.[10] No país vizinho, onde vive atualmente,[10] brilhou em duas passagens pelo River Plate,[2] sendo um dos maiores ídolos deste clube, do qual é o estrangeiro que mais marcou gols e condutor da segunda (e última) conquista do clube na Taça Libertadores da América, tendo faturado ainda cinco títulos argentinos nos somados seis anos em que atuou pela equipe.[11] Também fez sucesso nas duas equipes em que jogou na França, apesar dos maus resultados de uma (Racing Paris) e de sua passagem efêmera pela outra (Olympique de Marseille).

Carreira em clubes[editar | editar código-fonte]

O garoto Francescoli em foto 3 x 4 de sua carteirinha de jogador juvenil do Montevideo Wanderers, primeiro clube de sua carreira e o único que defendeu em seu país natal.

Montevideo Wanderers[editar | editar código-fonte]

Torcedor do Peñarol, Francescoli poderia ter começado a carreira na equipe aurinegra, onde chegou a ser bem cotado após um teste. Todavia, desencantou-se com a condução das peneiras carboneras, onde passava mais tempo observando os outros do que jogando, e desistiu do clube. Ele, futuramente uma das maiores figuras do River Plate, poderia curiosamente também ter começado no River Plate uruguaio, onde foi aprovado, mas optou por seguir na equipe de futebol do Colégio Salesiano em que estudava, pela qual fora campeão por cinco anos seguidos em competições colegiais.[10]

No último ano do colegial, então, recebeu oferta do Montevideo Wanderers (curiosamente, rival do River Plate que ele recusara [12] ), após ser observado por olheiros deste clube em partida de bairro onde atuou ao lado de colega que já estava nas categorias de base da equipe. Angariou respeito logo, a ponto da equipe juvenil iniciar jogando com dez em campo quando ele, por conta de compromissos escolares, se atrasava alguns minutos.[10] Em 1980, ele estreou na equipe principal e os bohemios conseguiram seu melhor resultado desde seu quarto e último título nacional, em 1931 (ainda na fase amadora do futebol local [13] ): o vice-campeonato, atrás apenas do grande time do Nacional,[14] campeão também da Libertadores e da Copa Intercontinental daquele ano.[15] Além da elegância, que o faria ser conhecido como El Príncipe (alcunha herdada de Aníbal Ciocca,[2] ex-jogador do Wanderers), outro hábito que já demonstrava ali era o de mascar chicletes durante os jogos; o exercício lhe estimulava a salivar, o que evitava ressecamentos na boca. Afirmou que tornou-se tão dependente do hábito que não se sentia bem quando não dispunha de algum chiclete antes das partidas.[10]

O vice-campeonato, que rendeu ao jovem comparações também com Juan Alberto Schiaffino admitidas por este próprio,[16] porém, não levou os alvinegros para a Taça Libertadores da América de 1981: a segunda vaga uruguaia foi definida pelo vencedor da liguilla pre-Libertadores, torneio disputado pelos times que ficavam entre o segundo e o sétimo lugares no campeonato. Na de 1980, o clube ficou em terceiro e de fora da competição continental.[17] Na Primera División Uruguaya de 1981, a equipe de Francescoli fez nova boa campanha, terminando atrás apenas da dupla Nacional e Peñarol,[14] mas novamente sucumbiu no minitorneio.[17] Mesmo assim, meses depois, em fevereiro de 1982, fazia seu debute pela Seleção Uruguaia.[8] A classificação para a Libertadores pela liguilla finalmente veio neste ano,[17] ironicamente depois da pior campanha do Wanderers com Francescoli no campeonato nacional - um quinto lugar.[14]

Disputando a edição de 1983 da Libertadores, Enzo e sua equipe - na qual também eram figuras Jorge Barrios, Luis Alberto Acosta, Raúl Esnal (que iriam com ele à Copa América de 1983;[18] Barrios também iria à Copa do Mundo de 1986, onde seria o mais jovem capitão do mundial [4] ) e Ariel Krasouski (que integrou com Barrios o elenco celeste vencedor do Mundialito de 1980 [19] ) [20] - fizeram campanha respeitável: terminaram seu grupo na liderança, empatados com o tradicional Nacional, e só foram eliminados ali porque apenas uma das quatro equipes de cada chave avançava para as semifinais - os tricolores venceram o play-off que decidiu com quem ficaria com a vaga única.[21]


Primeira passagem pelo River Plate[editar | editar código-fonte]

Em 1983, o River Plate, após vê-lo brilhar na Copa América daquele ano, o contratou por 310 mil dólares, no que seria um de seus melhores negócios.[11] Seu início ali, porém, seria irregular.[11] A equipe terminou o Campeonato Metropolitano (o campeonato argentino era desde 1969 dividido em dois torneios, Nacional e Metropolitano, que, apesar do nome, era mais valorizado [22] ) em penúltimo [23] e só não terminou rebaixada por manobra política criada dois anos antes por conta da comoção gerada pelo rebaixamento de outro dos cinco grandes times argentinos, o San Lorenzo, mas que só se tornaria válida justamente naquele campeonato: a partir dele, as equipes a sofrerem o descenso seriam as que ficassem nas duas últimas colocações em uma tabela de pontuação das médias de cada clube no campeonato disputado juntamente com os dois anteriores. Por este método, aplicado até os dias atuais, o time de Francescoli ficou duas posições acima dos rebaixados; ironicamente, a medida, criada para proteger os grandes times, fez com que outro deles (o Racing) caísse no lugar do River.[24]

No ano seguinte, Francescoli já passou a demonstrar seu potencial com mais constância, após ter alternado longos momentos de apatia, sem participar de uma jogada sequer, com lances geniais.[16] No primeiro semestre, quando disputava-se o Campeonato Nacional (em que o sistema era de mata-matas), a equipe chegou à final, mas foi derrotada pelo Ferro Carril Oeste, chegando a perder por 0 x 3 na partida de ida, em pleno Monumental de Núñez.[23] No Metropolitano (disputado em pontos corridos), o uruguaio terminou artilheiro com 24 gols,[25] mas os millonarios ficaram apenas em quarto e onze pontos atrás do campeão Argentinos Juniors.[23]

Ainda assim, Francescoli, parte de certa legião uruguaia daquele River (ali jogou com Nelson Gutiérrez, Antonio Alzamendi, Jorge Villazán e Carlos Berrueta, dentre outros), foi eleito o melhor futebolista sul-americano de 1984.[26] Recebeu oferta do América de Cali, que, bancado pelo Cartel de Cali (que usava o clube para lavar dinheiro), montaria bons times na época [27] - seria trivice-campeão seguido da Taça Libertadores da América entre 1985 e 1987 [15] -, mas, desejoso em triunfar no River, Francescoli optou por ficar em Núñez.[10]

Mesmo com a equipe ficando pelo caminho no Nacional de 1985,[23] Francescoli foi eleito oficialmente o melhor jogador na Argentina, sendo inclusive o primeiro estrangeiro a receber tal premiação.[28] O título argentino finalmente viria no campeonato seguinte, o de 1985/86 (que instituiu um único torneio, nos moldes das temporadas europeias, para o campeonato argentino),[29] e com ele terminando novamente na artilharia (agora com 25 gols, três deles em um frenético 5 a 4 no Argentinos Juniors, então campeão da Taça Libertadores da América [30] ).[23] Em janeiro de 1986, na pausa do campeonato, o uruguaio marcou seu mais famoso gol, em uma bicicleta na vitória de 5 x 4 (com três gols obtidos nos últimos sete minutos, incluindo outro dele) sobre a então respeitada Seleção Polonesa,[31] que participava do torneio amistoso que os cinco grandes clubes argentinos organizam no verão.[32] Humilde, declarou que apreciou mais o outro gol que fez naquela partida, "porque foi um gol de equipe, nos cansamos de fazer tabelas".[33]

Após o título argentino, garantido com cinco rodadas de antecedência, sucedeu-se a Copa do Mundo de 1986.[16] Depois do mundial, o uruguaio foi contratado pelo futebol europeu, pelo Racing Paris, clube recém-promovido da Ligue 2.[34] Ele poderia ter ido para a França antes mesmo do torneio: o Nantes se dispôs a pagar 2,5 milhões de dólares por seu passe, mas o então presidente riverplatense, Hugo Santilli, preferiu apostar que a estrela teria cotação maior após a Copa.[35]

Na França[editar | editar código-fonte]

A nova equipe de Francescoli era era o clube mais tradicional de Paris, mas enfrentava decadência desde a década de 1950 e passara a recentemente rivalizar com a crescente ascensão do novato vizinho Paris Saint-Germain [36] (fundado em 1970), que, por sinal, havia conquistado na temporada anterior o seu primeiro título francês.[37] Mesmo assim, a Matra resolveu patrocinar o time, que passou inclusive a chamar-se Matra Racing em 1987. Buscando formar um grande elenco que vencesse também a Ligue 1 e, até 1993, a Copa dos Campeões da UEFA,[38] a empresa automobilística do magnata Jean-Luc Lagardère forneceu uma injeção financeira que permitiu as contratações também de Luis Fernández (ídolo do próprio rival PSG [39] ), Maxime Bossis, Thierry Tusseau, Pierre Littbarski, David Ginola, Sonny Silooy, Eugène Ekéké e até de outro uruguaio, Rubén Paz.[40] Mas, na primeira temporada, o clube da capital francesa brigou contra o rebaixamento, conseguindo terminar em 13º em boa parte devido aos 14 gols de Francescoli, artilheiro do elenco e com o dobro de gols do vice.[41]

Francescoli, naquele time, tornou-se ídolo,[2] sendo eleito em 1987 o melhor jogador estrangeiro na França.[42] Para a temporada de 1987/88, o técnico português Artur Jorge, treinador do Porto que acabara de vencer surpreendentemente a Copa dos Campeões da UEFA, foi trazido ao time.[39] Jorge seria o melhor técnico de Francescoli, na opinião do próprio.[10] O Matra vinha conseguindo lutar pelas primeiras posições, alternando-se entre o terceiro e o segundo lugares a partir da segunda metade do certame. Porém, um incrível jejum de vitórias nas doze rodadas finais deixou o time apenas na sétima colocação, onze pontos atrás do campeão Monaco, e fora de competições europeias. Francescoli marcou oito vezes, sendo outra vez o artilheiro do Racing na liga.[43] O uruguaio chegou a receber proposta da Juventus de Turim, na época carente de um comandante desde a aposentadoria de Michel Platini em 1987, mas a recusou.[2] Após o campeonato de 1988/89, em que foi outra vez o artilheiro do time em campanha que livrou por pouco o clube do rebaixamento [44] (a equipe terminou na última posição antes dos três rebaixados, escapando apenas por ter justamente melhor saldo de gols que o antepenúltimo),[37] [38] foi contratado pelo campeão dobrado, o Olympique de Marseille (que havia vencido tanto o campeonato quanto a Copa da França).[37] [45]

A má fase do Matra, de fato, não o impedia de ser visto como um astro mundial: Francescoli integrou, ainda como jogador deste clube, a Seleção do Resto do Mundo que jogou contra a Seleção Brasileira no amistoso que marcou a despedida de Zico pelo Brasil,[46] em março de 1989, inclusive marcando um dos gols da vitória por 2 x 1.[47] Mas o time vinha decepcionando também na Copa da França: nos três anos em que esteve nos pingouins, Francescoli não conheceu sequer as oitavas-de-final do torneio, com eliminações frente equipes de divisões inferiores como Créteil e Rennes e perdendo para ambos tanto fora quanto dentro do Parc des Princes.[45] Insatisfeita com os resultados, Lagardère e sua Matra acabaram por também deixar o Racing em 1989.[39] [48] O clube não demoraria a enfrentar uma falência e a sair das primeiras divisões francesas, perdendo de vez na década de 1990 o posto de grande representante da capital para o Paris Saint-Germain.[36] Hoje, é mais proeminente no rugby union.[49] [50]

Em Marselha, Francescoli acabou por ficar apenas uma temporada, marcante o suficiente para encantar um torcedor em especial: Zinédine Zidane. O futuro Zizou batizaria um de seus filhos de Enzo em homenagem ao uruguaio,[51] que naquela edição de 1989/90 da Ligue 1 foi um dos principais nomes que deram o segundo título francês seguido aos ciels et blancs.[37] A importância de Francescoli foi sentida na sua ex-equipe do Racing, que não se livrou do rebaixamento sem ele naquela temporada.[37] Ironicamente, os dois times se enfrentaram nas semifinais da Copa da França e quem levou a melhor foram justamente os parisienses que ele deixara.[45] O OM caiu nas semifinais também da Copa dos Campeões da UEFA, sendo eliminado pelo Benfica pelo critério dos gols marcados fora de casa - os encarnados venceram no Estádio da Luz por 1 x 0 depois de terem perdido por 1 x 2 no Vélodrome.[52] O detalhe é que o gol benfiquista, feito a oito minutos do fim, foi marcado com a mão, mas a irregularidade não foi invalidada, tirando da final o elenco de Francescoli, Jean-Pierre Papin, Chris Waddle e Jean Tigana.[53]

Na Itália[editar | editar código-fonte]

Após a Copa do Mundo de 1990, realizada na Itália, em que chegou a enfrentar os próprios anfitriões no torneio,[5] Francescoli foi finalmente jogar neste país. Juntamente com os compatriotas José Óscar Herrera e Daniel Fonseca, transferiu-se para o pequeno Cagliari, onde voltou a conviver com lutas contra o rebaixamento em suas duas primeiras temporadas no novo clube, nas quais ele somou apenas quatro (1990/91) e seis gols (1991/92) no campeonato italiano.[54] [55] Nelas, a equipe da Sardenha também não se saiu bem na Copa da Itália, sendo eliminada logo no primeiro confronto em ambas.[56]

A terceira temporada de Enzo foi a sua melhor nos rossoblù: na Copa, ele marcaria seus únicos gols (três) no torneio, com a eliminação só vindo nas quartas-de-final, contra o Milan.[56] Na Serie A, a equipe conseguiu uma surpreendente sexta colocação, com vaga na Copa da UEFA seguinte e com ele marcando sete vezes, seus melhores números em uma única temporada no calcio.[57] Desta vez, Francescoli não recusou as ofertas que vinham de Turim e desembarcou na cidade. Não na Juventus, que lhe quisera anos antes, mas no rival Torino, recém-campeão da Copa da Itália.[56]

Com Francescoli, o clube chegou perto de repetir o título, mas o Ancona surpreendeu e levou a melhor nas semifinais.[56] A campanha na Serie A, por sua vez, foi dúbia, em um campeonato bastante disputado: o Toro fugia do rebaixamento assim como aspirava à vaga na Copa da UEFA; o clube ficou quatro pontos acima do primeiro rebaixado e apenas dois atrás do último classificado para o torneio europeu.[58] Já na Recopa Europeia, em que os granato estavam classificados como os campeões da Copa da Itália de 1993, o time caiu nas quartas-de-final, contra o futuro campeão Arsenal.[59]

A Supercopa Italiana (tirateima entre os vencedores do Campeonato e da Copa nacionais) de 1993, o troféu mais próximo que ele esteve de vencer na Itália, foi perdida para o Milan.[60] Também não teve no Torino um bom desempenho no que se refere a gols, tendo marcado seu número mais baixo nas quatro edições da liga italiana que disputou: apenas três.[58]

A consagração no River[editar | editar código-fonte]

Já com 33 anos, após passagem não tão boa pelo Torino e mal visto em seu país por atuar na Europa, resolveu voltar ao River Plate. Apesar da idade, demonstrou grande fôlego no time campeão do Apertura naquele ano (a temporada argentina voltara a ser dividida em dois campeonatos distintos, agora chamados Apertura e Clausura, a partir de 1990/91), sendo ele, pela terceira vez, seu artilheiro,[25] além de um espelho para os mais jovens. Ali, o River foi também campeão nacional invicto pela primeira vez.[61]

O time teve um ano menos empolgante em 1995: terminou em décimo no Clausura e em sétimo no Apertura,[62] caindo nos pênaltis em pleno Monumental nas semifinais da Taça Libertadores da América contra os colombianos do Atlético Nacional.[63] Também nos pênaltis em semifinais, os millonarios foram eliminados pelo futuro campeão Independiente na Supercopa Libertadores, na qual Francescoli foi artilheiro.[64] Os troféus dele naquele ano vieram com o Uruguai, sendo eleito o futebolista sul-americano do ano.[26] A falta de conquistas clubísticas naquele 1995 não o impediu de ser eleito também o melhor jogador do futebol argentino, dez anos após ter recebido a mesma premiação.[28]

No ano seguinte, com ele aposentado da Celeste para dedicar-se apenas ao River,[65] as taças voltariam a Núñez. A primeira foi a mais importante: Francescoli liderou um conjunto jovem do River (dentre os quais, Ariel Ortega, Matías Almeyda, Juan Pablo Sorín, Hernán Crespo, Marcelo Gallardo), ao título da Taça Libertadores da América de 1996 - a segunda da história da instituição, igualando momentaneamente o arquirrival Boca Juniors [15] -, amenizando uma antiga frustração: dez anos antes, ele transferira-se para a França e justamente naquele segundo semestre de 1986 o clube, já sem ele, fora campeão da Libertadores e da Intercontinental ("Saldei uma dívida comigo mesmo", declarou sobre [11] ). Até 2013, foi a última vez em que o melhor time da fase de grupos conseguiu terminar o torneio como campeão.[66] A conquista - curiosamente, contra o mesmo América de Cali que o clube derrotara na final continental de 1986 - é tida por ele, juntamente com a da Copa América de 1995, como o melhor momento da carreira.[10] O ano de 1996 prosseguiu dourado para os millonarios, que encerraram uma série de campanhas ruins no campeonato argentino, faturando no segundo semestre o Apertura com nove pontos de vantagem sobre o segundo colocado após terem ficado apenas em 14º no Clausura, no primeiro semestre.[2]

No final do ano, em que ele foi requisitado para voltar a defender o Uruguai,[65] o River enfrentou a Juventus na Copa Intercontinental, tendo a chance de superar os boquenses (que ainda tinham apenas um título no torneio [67] ) entre os vencedores do troféu, mas perdeu para os italianos. Curiosamente, na equipe adversária estava o famoso fã de Francescoli, Zinédine Zidane. "Quando vi Francescoli jogar, ele era o jogador que eu queria ser. Ele era o jogador que eu via e admirava no Olympique de Marseille - meu ídolo. Joguei contra ele quando estava na Juventus. Quando você joga com o cara que você adorou a vida toda, é aí que percebe que se tornou grande. Enzo é como um deus", declarou o francês,[68] que também afirmou em uma visita em 2008 ao Brasil que "O vi jogar muitas vezes. Dizem que temos a mesma movimentação e, observando as imagens, reconheço semelhanças entre nossos estilos.".[69]

A decepção com a perda da Intercontinental e com a eliminação precoce nos pênaltis para o Racing no Monumental nas oitavas-de-final da Libertadores seguinte [63] foi superada nos outros torneios que se seguiram, com o River emendando um tricampeonato nacional consecutivo, sendo campeão tanto do Clausura quanto do Apertura de 1997 e também da Supercopa Libertadores neste ano. Francescoli anunciou o encerramento da carreira no início de 1998 - o Uruguai não se classificara para a Copa do Mundo daquele ano -, recusando oferta de um milhão de dólares para continuar,[2] mesmo sentindo que poderia jogar mais um ano.[10] Noites mal-dormidas causadas pelo estresse advindo da rotina de jogador fizeram com que ele fosse buscar terapia desde 1996 ("errava um pênalti e ficava três dias mal, sentia que todos me olhavam por ter errado", explicou).[10] Seu rosto já estava junto ao de Ángel Labruna, Alfredo Di Stéfano e outros mitos do River em bandeiras dos torcedores.[2] O técnico Ramón Díaz também sentia a ascendência do uruguaio no ambiente do clube; o treinador não tinha bom relacionamento com seus jogadores e ficaria marcado por ter vencido disputas com outros ídolos no elenco riverplatense, mandados embora, como Gabriel Cedrés, Germán Burgos, Hernán Díaz, Leonardo Astrada e Sergio Berti, mas não conseguira se sobrepor a Francescoli.[10]

Seus dois últimos jogos oficiais pelos millonarios foram históricos: ambos, em intervalo de quatro dias, valeram títulos, que foram conquistados. O primeiro deles, na quarta-feira de 17 de dezembro de 1997, foi o jogo de volta da decisão da Supercopa Libertadores, contra o São Paulo. Era a última edição do torneio, e o River jamais o havia conquistado, o que dava uma sensação de "agora ou nunca".[70] Os brasileiros, com quem haviam empatado fora de casa, foram batidos por 1 x 2 no Monumental de Núñez. No domingo de 21 de dezembro, o River empatou no Estádio José Amalfitani em 1 x 1 com o Argentinos Juniors e sagrou-se campeão do Apertura 1997, concluindo o tricampeonato argentino seguido (a equipe havia faturado o Apertura 1996 e o Clausura 1997 previamente), desbancando o arquirrival Boca Juniors (de Diego Maradona, que também aposentou-se ali), o outro concorrente ao título - e que só havia sofrido uma derrota no campeonato. As duas voltas olímpicas em quatro dias ainda são uma marca recordista do River no futebol argentino,[71] e a proximidade delas com o natal só aumentou as boas recordações para os torcedores.[70]

Em 1 de agosto de 1999, retornou ao Monumental para um amistoso de despedida. 65 mil espectadores, dentre os quais o presidente da Argentina, Carlos Menem, e do Uruguai, Julio María Sanguinetti, foram ver a partida,[11] assim como alguns torcedores do próprio arquirrival Boca Juniors, tamanho o seu carisma geral.[10] O jogo reuniu os amigos de Enzo no River contra o clube que torcia na infância, o Peñarol, vencido por 0 x 4 com dois gols dele.[11] Outro foi marcado em conjunto com seus pequenos filhos, que entraram em campo nos minutos finais, com Enzo entregando para Marco repassar para Bruno acertar as redes.[72]

Outro ídolo riverplatense que viera do Uruguai, Walter Gómez, deu o pontapé inicial.[11] Quando se aproximava o dia da partida, o compositor argentino Ignacio Copani lhe dedicou a música "Inmenzo" (um trocadilho com o prenome de Francescoli), tida como uma das canções-homenagem mais emotivas a um jogador, encerrando-se com o pedido "quiero verte una vez más querido Inmenzo, quiero verte una vez más, te lo suplico".[73] Copani também cantou a música no amistoso de despedida.[72]

Desde que o U-ru-guayo, como era saudado pela torcida,[2] parou de jogar, o River Plate conseguiu êxitos apenas locais, deixando de impor o mesmo respeito internacional de antes,[2] e posteriormente entrando em crise também doméstica que culminaria em um inédito rebaixamento em 2011 - por ironia, no mesmo dia em que se completavam quinze anos da conquista da Libertadores de 1996.[74] Francescoli ainda é o sétimo maior artilheiro do time, com 115 gols em 198 partidas, e está em terceiro entre os goleadores estrangeiros na Argentina, só atrás dos paraguaios Arsenio Erico e Delfín Benítez Cáceres.[11]


Seleção Uruguaia[editar | editar código-fonte]

Em 1981, um ano após o debute profissional, integrou a Seleção Uruguaia que venceu o Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub-20,[75] sendo eleito inclusive o melhor da competição.[2] Participou também do mundial da categoria naquele ano, onde o Uruguai caiu nas quartas-de-final.[76] Estreou pela seleção principal em 1982, em um torneio amistoso que o país disputou na Índia.[8] No ano seguinte, já integrava o plantel charrúa na Copa América de 1983, onde foi decisivo: ele fez o primeiro gol na vitória por 2 x 0 sobre o Brasil, no jogo de ida da decisão (então em duas partidas),[2] gol este tido por ele como um de seus mais bonitos; acertou as redes de Leão em cobrança de falta,[10] no que foi o primeiro gol dele pela seleção principal e a primeira vez em que atuava por ela dentro de seu país, em Montevidéu, depois de seis partidas iniciais jogadas todas no exterior.[8]

O Uruguai se classificou para a Copa do Mundo de 1986 depois de uma acirrada disputa contra o Chile no grupo formado também com o Peru (a vaga veio após vitória em confronto direto com os chilenos, que tinham a vantagem do empate, na última rodada, em Montevidéu).[77] Francescoli foi tido por críticos com potencial para ser o artista máximo da competição,[78] opinião seguida pelo próprio treinador uruguaio, Omar Borrás: "Todo mundo fala de Platini, de Maradona, de Elkjær... mas nosso Francescoli tem tudo para ser o grande destaque da Copa".[79]

A participação uruguaia no torneio, porém, foi pouco bem vistosa: a Celeste deixou o México sem ter vencido, com dois empates e duas derrotas,[4] uma delas nos famigerados 1 x 6 para a Dinamarca, justamente a partida em que ele marcou o que seria seu único gol em Copas.[8] Tal episódio é visto por ele como o mais vergonhoso da carreira. "Jamais nos demos conta de que estávamos fazendo um papelão. (...) Eu meto 1 x 2 (momentaneamente no placar) e saio correndo buscar a bola, dizendo 'vamos que empatamos'. Nos deram um baile e não nos demos conta. Nunca mais me aconteceu. É a única coisa que pediria perdão a todos os uruguaios", comentou.[10] O Uruguai só passou de fase como um dos melhores terceiros colocados, caindo nas oitavas-de-final contra a rival e futura campeã Argentina de Diego Maradona.[4]

A decepção foi amenizada no ano seguinte com novo título na Copa América. O Uruguai entrou já na semifinal, como detentor do título. Mesmo sem ter marcado, Francescoli brilhou ali, contra a anfitriã Argentina, no seu conhecido Monumental de Núñez (o estádio do River Plate).[2] A taça veio após vitória contra o Chile,[80] e aquela conquista isolou o Uruguai como o maior vencedor do torneio até então: foi a décima terceira vez que os celestes sagravam-se campeões dele, ultrapassando os argentinos, que tinham então doze.[81]

Dois anos depois, os uruguaios estiveram novamente no páreo. O torneio foi decidido entre eles e o anfitrião Brasil, curiosamente em circunstâncias similares às da Copa do Mundo de 1950: no mesmo Maracanã, no mesmo 16 de julho, com os brasileiros tendo outra vez a vantagem do empate em um confronto direto pela taça na última rodada de um quadrangular final.[82] Desta vez, porém, os anfitriões levaram a melhor. A seguir, iniciaram-se as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1990 e outra vez os uruguaios tiveram de se superar para obter a classificação: a Bolívia mostrou-se o maior adversário no grupo formado também com o Peru. Francescoli e colegas realizaram os dois últimos jogos da campanha com a obrigação de vencê-los, e conseguiram, assegurando lugar no mundial nos critérios de desempate contra os bolivianos.[83]

A segunda Copa de Enzo não foi muito melhor do que a primeira; apesar de considerado por alguns analistas como um dos favoritos pelos talentos que tinha em seu plantel,[84] o Uruguai novamente não se saiu muito bem, vencendo somente a Coreia do Sul (e por apenas 1 x 0) e outra vez avançou à segunda fase como um dos melhores terceiros colocados, voltando a cair nas oitavas-de-final, desta vez contra a anfitriã Itália.[5] Após o mundial, o técnico Óscar Tabárez foi substituído por Luis Cubilla, que já havia subaproveitado Francescoli quando treinara o River Plate, na época em que Enzo chegara ao clube.[75] Cubilla atendeu a um forte sentimento entre os fãs uruguaios na época, de ressentimento contra os atletas do país que atuavam na Europa, e inclusive insinuou que Francescoli e também Rubén Sosa, Carlos Alberto Aguilera e José Óscar Herrera seriam "dinheiristas". Revoltados, eles teriam se recusado a jogar se Cubilla não se retratasse; fato é que tais jogadores ficaram de fora da Copa América de 1991.[85]

Sem as estrelas "europeias", o Uruguai caiu na primeira fase.[86] Para a de 1993, eles já estavam de volta. Mesmo convocado por Cubilla,[87] porém, Enzo não foi utilizado no torneio [8] e o Uruguai caiu nas quartas-de-final.[86] Só em um amistoso após a Copa América de 1993 é que ele encerrou um hiato de mais de três anos sem jogar pela Celeste.[8] Nessas duas Copa América que ele não jogou, por sinal, a Argentina reverteu a situação e faturou ambas, reultrapassando o Uruguai como a maior vencedora da competição.[81]

Ainda contestado, ele foi utilizado nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994. Uruguai, Brasil e Bolívia chegaram à última rodada do grupo formado também com Equador e Venezuela como os postulantes às duas vagas ofertadas. Os três tinham dez pontos, e brasileiros e uruguaios fariam um confronto direto no Maracanã. Os adversários venceram por 2 x 0 e, como a Bolívia conseguiu um ponto ao empatar naquela rodada, os orientales ficaram em terceiro e de fora da Copa.[88] A desclassificação para o mundial dos Estados Unidos é tido por Francescoli como o episódio mais triste da carreira: "vinha sofrendo dois anos de luta com Cubilla e meio Uruguai. 'Tirem o passaporte desse traidor da pátria', me diziam. Por isso desabei em um canto do Maracanã a chorar".[10]

Um alento viria na Copa América de 1995, no seu Uruguai, já sob outro técnico, Héctor Núñez. Retornando ao torneio, Francescoli ergueu no Estádio Centenário uma última vez o troféu, em nova final contra o (recém-tetracampeão do mundo) Brasil. A conquista veio apenas nos pênaltis, com ele acertando a primeira cobrança celeste.[89] Este título, além de reigualar Uruguai e Argentina como os maiores vencedores da competição (o que foi mantido até 2011, quando seu país conseguiu isolar-se novamente ao obter o décimo quinto título), faria Enzo, que tivera um ano sem troféus no River Plate, ser eleito novamente o melhor jogador da América do Sul, já aos 34 anos, onze anos após ter recebido a mesma premiação.[26] No torneio, ele também marcou o que seria seu último gol pela seleção, contra o Paraguai.[8]

Francescoli havia optado por deixar a seleção após a conquista. Porém, nas eliminatórias para a para a Copa do Mundo de 1998, seus colegas acumularam insucessos e Enzo acabou por ser convencido a voltar pelo próprio presidente uruguaio, Julio María Sanguinetti,[65] reestreando em outubro de 1996. No período, voltou a ficar de fora de uma Copa América, se ausentando da de 1997. Seus dois últimos jogos pela Celeste, em julho e agosto daquele ano,[8] ocorreram após o torneio, disputado em junho.[90] Os uruguaios ainda tinham três compromissos antes do encerramento das eliminatórias sul-americanas, mas chegaram à última rodada já sem chances matemáticas de classificação, terminando em sétimo no grupo único da CONMEBOL.[91]

Ao todo, Francescoli realizou 73 partidas oficiais por seu país, com 37 vitórias, 18 empates e 18 derrotas e 17 gols marcados.[8] Despediu-se como o segundo jogador com mais partidas pelo Uruguai, apesar dos três anos em que esteve renegado e do outro em que ficou voluntariamente aposentado, estando apenas quatro jogos atrás do então recordista, o goleiro Rodolfo Rodríguez. Posteriormente, seria superado pelo também goleiro Fabián Carini e pelo atacante Diego Forlán.[92]

Jogos[editar | editar código-fonte]

A tabela abaixo resume as aparições de Enzo Francescoli pela Seleção Uruguaia.[8]

# Data Competição Local Adversário Placar Gols(s)
1 20 de fevereiro de 1982 Copa Nehru Calcutá Flag of South Korea.svg Coreia do Sul Symbol neutral vote.svg 2-2 0
2 22 de fevereiro de 1982 Copa Nehru Calcutá Flag of the People's Republic of China.svg China Symbol neutral vote.svg 0-0 0
3 25 de fevereiro de 1982 Copa Nehru Calcutá Flag of India.svg Índia Symbol support vote.svg 3-1 0
4 4 de março de 1982 Copa Nehru Calcutá Flag of the People's Republic of China.svg China Symbol support vote.svg 2-0 0
5 13 de outubro de 1983 Copa América de 1983 Lima Flag of Peru.svg Peru Symbol support vote.svg 1-0 0
6 20 de outubro de 1983 Copa América de 1983 Lima Flag of Peru.svg Peru Symbol neutral vote.svg 1-1 0
7 27 de outubro de 1983 Copa América de 1983 Montevidéu Flag of Brazil (1968-1992).svg Brasil Symbol support vote.svg 2-0 1
8 4 de novembro de 1983 Copa América de 1983 Salvador Flag of Brazil (1968-1992).svg Brasil Symbol neutral vote.svg 1-1 0
9 31 de outubro de 1984 Amistoso Montevidéu Flag of Mexico.svg México Symbol neutral vote.svg 1-1 0
10 29 de janeiro de 1985 Amistoso Montevidéu Flag of East Germany.svg Alemanha Oriental Symbol support vote.svg 3-0 1
11 3 de fevereiro de 1985 Copa Artigas Montevidéu Flag of Paraguay 1954.png Paraguai Symbol support vote.svg 1-0 1
12 6 de fevereiro de 1985 Amistoso Cochabamba Flag of Bolivia.svg Bolívia Symbol support vote.svg 1-0 1
13 10 de fevereiro de 1985 Copa Artigas Assunção Flag of Paraguay 1954.png Paraguai Symbol support vote.svg 3-1 0
14 24 de fevereiro de 1985 Amistoso Montevidéu Flag of Colombia.svg Colômbia Symbol support vote.svg 3-0 1
15 27 de fevereiro de 1985 Amistoso Montevidéu Flag of Peru.svg Peru Symbol neutral vote.svg 2-2 0
16 10 de março de 1985 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1986
Montevidéu Flag of Ecuador.svg Equador Symbol support vote.svg 2-1 0
17 10 de março de 1985 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1986
Santiago Flag of Chile.svg Chile Symbol oppose vote.svg 0-2 0
18 31 de março de 1985 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1986
Quito Flag of Ecuador.svg Equador Symbol support vote.svg 2-0 1
19 7 de abril de 1985 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1986
Montevidéu Flag of Chile.svg Chile Symbol support vote.svg 2-1 0
20 21 de agosto de 1985 Troféu Artemio Franchi Paris Flag of France.svg França Symbol oppose vote.svg 0-2 0
21 13 de abril de 1986 Amistoso Los Angeles Flag of Mexico.svg México Symbol support vote.svg 3-0 0
22 21 de abril de 1986 Amistoso Wrexham Flag of Wales 2.svg País de Gales Symbol neutral vote.svg 0-0 0
23 4 de junho de 1986 Copa do Mundo de 1986 Querétaro Flag of Germany.svg Alemanha Ocidental Symbol neutral vote.svg 1-1 0
24 8 de junho de 1986 Copa do Mundo de 1986 Nezahualcóyotl Flag of Denmark.svg Dinamarca Symbol oppose vote.svg 1-6 1
25 13 de junho de 1986 Copa do Mundo de 1986 Nezahualcóyotl Flag of Scotland.svg Escócia Symbol neutral vote.svg 0-0 0
26 16 de junho de 1986 Copa do Mundo de 1986 Puebla Flag of Argentina.svg Argentina Symbol oppose vote.svg 0-1 0
27 19 de junho de 1987 Amistoso Montevidéu Flag of Ecuador.svg Equador Symbol support vote.svg 2-1 0
28 23 de junho de 1987 Amistoso Montevidéu Flag of Bolivia.svg Bolívia Symbol support vote.svg 2-1 0
29 9 de julho de 1987 Copa América de 1987 Buenos Aires Flag of Argentina.svg Argentina Symbol support vote.svg 1-0 0
30 12 de julho de 1987 Copa América de 1987 Buenos Aires Flag of Chile.svg Chile Symbol support vote.svg 1-0 0
31 14 de dezembro de 1988 Copa MFUP Montevidéu Flag of Peru.svg Peru Symbol support vote.svg 3-1 2
32 22 de abril de 1989 Amistoso Verona Flag of Italy.svg Itália Symbol neutral vote.svg 1-1 0
33 6 de julho de 1989 Copa América de 1989 Goiânia Flag of Chile.svg Chile Symbol support vote.svg 3-0 1
34 8 de julho de 1989 Copa América de 1989 Goiânia Flag of Argentina.svg Argentina Symbol oppose vote.svg 0-1 0
35 12 de julho de 1989 Copa América de 1989 Rio de Janeiro Flag of Paraguay.svg Paraguai Symbol support vote.svg 3-0 1
36 14 de julho de 1989 Copa América de 1989 Rio de Janeiro Flag of Argentina.svg Argentina Symbol support vote.svg 2-0 0
37 16 de julho de 1989 Copa América de 1989 Rio de Janeiro Flag of Brazil (1968-1992).svg Brasil Symbol oppose vote.svg 0-1 0
38 27 de agosto de 1989 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1990
Lima Flag of Peru.svg Peru Symbol support vote.svg 2-0 0
39 3 de setembro de 1989 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1990
La Paz Flag of Bolivia.svg Bolívia Symbol oppose vote.svg 1-2 0
40 17 de setembro de 1989 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1990
Montevidéu Flag of Bolivia.svg Bolívia Symbol support vote.svg 2-0 1
41 18 de maio de 1990 Amistoso Belfast Ulster banner.svg Irlanda do Norte Symbol oppose vote.svg 0-1 0
42 22 de maio de 1990 Amistoso Londres Flag of England.svg Inglaterra Symbol support vote.svg 2-1 0
43 13 de junho de 1990 Copa do Mundo de 1990 Údine Flag of Spain.svg Espanha Symbol neutral vote.svg 0-0 0
44 17 de junho de 1990 Copa do Mundo de 1990 Verona Flag of Belgium (civil).svg Bélgica Symbol oppose vote.svg 1-3 0
45 21 de junho de 1990 Copa do Mundo de 1990 Údine Flag of South Korea.svg Coreia do Sul Symbol support vote.svg 1-0 0
46 25 de junho de 1990 Copa do Mundo de 1990 Roma Flag of Italy.svg Itália Symbol oppose vote.svg 0-2 0
47 17 de julho de 1993 Amistoso Montevidéu Flag of Peru.svg Peru Symbol support vote.svg 3-0 0
48 25 de julho de 1993 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1994
San Cristóbal Flag of Venezuela (1954-2006).svg Venezuela Symbol support vote.svg 1-0 0
49 1 de agosto de 1993 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1994
Montevidéu Flag of Ecuador.svg Equador Symbol neutral vote.svg 0-0 0
50 8 de agosto de 1993 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1994
La Paz Flag of Bolivia.svg Bolívia Symbol oppose vote.svg 1-3 1
51 15 de agosto de 1993 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1994
Montevidéu Flag of Brazil.svg Brasil Symbol neutral vote.svg 1-1 0
52 29 de agosto de 1993 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1994
Montevidéu Flag of Venezuela (1954-2006).svg Venezuela Symbol support vote.svg 4-0 0
53 5 de setembro de 1993 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1994
Guayaquil Flag of Ecuador.svg Equador Symbol support vote.svg 1-0 0
54 12 de setembro de 1993 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1994
Montevidéu Flag of Bolivia.svg Bolívia Symbol support vote.svg 2-1 1
55 19 de setembro de 1993 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1994
Rio de Janeiro Flag of Brazil.svg Brasil Symbol oppose vote.svg 0-2 0
56 18 de janeiro de 1995 Amistoso A Coruña Flag of Spain.svg Espanha Symbol neutral vote.svg 2-2 0
57 29 de março de 1995 Amistoso Londres Flag of England.svg Inglaterra Symbol neutral vote.svg 0-0 0
58 31 de março de 1995 Amistoso Belgrado Flag of FR Yugoslavia.svg Iugoslávia Symbol oppose vote.svg 0-1 0
59 28 de junho de 1995 Amistoso Rivera Flag of New Zealand.svg Nova Zelândia Symbol neutral vote.svg 2-2 1
60 5 de julho de 1995 Copa América de 1995 Montevidéu Flag of Venezuela (1954-2006).svg Venezuela Symbol support vote.svg 4-1 1
61 9 de julho de 1995 Copa América de 1995 Montevidéu Flag of Paraguay.svg Paraguai Symbol support vote.svg 1-0 1
62 16 de julho de 1995 Copa América de 1995 Montevidéu Flag of Bolivia.svg Bolívia Symbol support vote.svg 2-1 0
63 19 de julho de 1995 Copa América de 1995 Montevidéu Flag of Colombia.svg Colômbia Symbol support vote.svg 2-0 0
64 23 de julho de 1995 Copa América de 1995 Montevidéu Flag of Brazil.svg Brasil Symbol neutral vote.svg 1-1 0
65 8 de outubro de 1996 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1998
Montevidéu Flag of Bolivia.svg Bolívia Symbol support vote.svg 1-0 0
66 12 de novembro de 1996 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1998
Santiago Flag of Chile.svg Chile Symbol oppose vote.svg 0-1 0
67 15 de dezembro de 1996 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1998
Montevidéu Flag of Peru.svg Peru Symbol support vote.svg 2-0 0
68 12 de janeiro de 1997 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1998
Montevidéu Flag of Argentina.svg Argentina Symbol neutral vote.svg 0-0 0
69 12 de fevereiro de 1997 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1998
Quito Flag of Ecuador.svg Equador Symbol oppose vote.svg 0-4 0
70 2 de abril de 1997 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1998
Montevidéu Flag of Venezuela (1954-2006).svg Venezuela Symbol support vote.svg 3-1 0
71 30 de abril de 1997 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1998
Assunção Flag of Paraguay.svg Paraguai Symbol oppose vote.svg 1-3 0
72 20 de julho de 1997 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1998
La Paz Flag of Bolivia.svg Bolívia Symbol oppose vote.svg 0-1 0
73 20 de agosto de 1997 Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 1998
Montevidéu Flag of Chile.svg Chile Symbol support vote.svg 1-0 0
Total 17

Além dos gramados[editar | editar código-fonte]

Francescoli é casado com Mariela Yern desde 1984 e com ela teve dois filhos, Bruno e Marco. Sua esposa é psicóloga,[10] no que teria sido de grande valia para o casal: a profissão a teria feito ser compreensiva com as emoções do marido, a quem chegou a entrevistar em um programa televisivo em 2000.[93] Bruno escolheu a advocacia, enquanto Marco tentou seguir os passos do pai, chegando a integrar os juvenis do Cagliari,[10] onde Francescoli atuou por três anos, e do Estudiantes La Plata, mas não obteve muita projeção.[94] A vontade de acompanhar o crescimento dos filhos, que estavam entrando na adolescência quando ele estava prestes a se aposentar, foi outro fator para que ele optasse por parar de jogar.[10] Filho de Ernesto Francescoli e Olga Uriarte,[75] seu prenome deveria ter sido Vincenzo, mas os pais optaram por batizá-lo com uma versão reduzida por conta do sobrenome já longo.[10] Enzo tem ainda dois irmãos, Luis Ernesto, dois anos mais velho, e Pablo, treze anos mais moço.[75]

Sua maneira de ser é, desde a infância, o de uma pessoa tímida, que pouco fala e, no que ele considera como uma virtude, muito observadora,[10] sendo tido por quem o conheceu como um fenômeno dentro e fora de campo.[95] [96] Foi embaixador uruguaio da Unicef até ser sucedido por Diego Forlán [97] e, em 2002, chegou a ir morar com a família em Miami, onde criaria com Paco Casal, seu antigo empresário, a emissora Gol TV. Os Francescoli regressaram a Buenos Aires, onde estavam acostumados a viver, cinco anos depois, embora Enzo costume ainda viajar mensalmente aos Estados Unidos por conta de suas atividades no canal.[10] Em 2010, liderou a equipe do Canal 7, a emissora estatal argentina, na transmissão da Copa do Mundo do ano.[98]

Desde que encerrou a carreira, só retornou aos gramados para jogos festivos, como os que celebraram as aposentadorias de Juan Pablo Sorín,[99] Víctor Aristizábal e Diego Maradona, considerado por ele o maior jogador que viu, além de amigo. Maradona só não teria participado da despedida do próprio Francescoli porque os torcedores do River Plate se posicionaram fortemente contra. "Não houve nenhum problema. Para mim há três coisas que não discuto nem com meus melhores amigos: religião, política e futebol, coisas em que a pessoa, equivocada ou não, defende uma causa", assegurou, embora ressalte que nunca se prendeu ao jogo: "jamais irás escutar eu dizendo 'sou do River e morro pelo clube', por mais que seja muito mais torcedor do que outros que dizem que são".[10]

O segundo maior jogador que viu, para ele, é Zinédine Zidane, opinião que ele admite ser bastante influenciada por razões emocionais. O francês é um grande fã de Francescoli, a ponto de ter batizado um dos filhos de Enzo. O uruguaio soube da homenagem pouco antes de enfrentar Zizou pela Copa Intercontinental de 1996, e por isso fez questão de trocar de camisas com o francês ao fim da partida.[10] A peça se tornou a favorita de Zidane para dormir.[51] Ele também chegou a viajar a Buenos Aires especialmente para divulgar ao lado do ídolo a nova camisa do River, em 2008.[100] Posteriormente, os dois chegariam a apresentar Football Cracks, um reality show que buscava descobrir novos talentos futebolísticos na Espanha.[101] A grande admiração de Zidane se estendeu aos demais franceses: Francescoli já contou que, por conta da relação, sente-se mais respeitado na França atualmente do que na época em que atuava no país.[10]

Outro famoso a ter sido batizado em homenagem a ele é o jogador argentino Enzo Pérez.[102] Ele também é relacionado a outro argentino, Diego Milito, embora por outras razões: este é um grande sósia de Francescoli, que já brincou dizendo que nem seus filhos se parecem tanto com ele, tanto na aparência física quanto na forma de andar.[10] Por causa da semelhança, Milito também ficou conhecido como El Príncipe.[103] Desde que deixou de atuar, Francescoli foi sondado diversas vezes para treinar o River, mas nunca demonstrou vontade de exercer a função de treinador; afirmou que se lhe convidassem para ser manager do clube, poderia aceitar, visto que poderia empregar ali os aprendizados que teve como empresário. Longe do futebol, aprecia também fumar, hábito que tem desde os 16 anos, e jogar golfe.[10]

Costumeiramente visto como o craque da uma época decadente do Uruguai, Francescoli já disse que o título do país na Copa do Mundo de 1950 rendeu uma certa pressão às gerações seguintes de jogadores, além de mitificar demasiadamente a garra uruguaia. "O Uruguai não ganhou no Maracanã por garra, ganhou porque jogava muito bem. Ghiggia, Schiaffino e Julio Pérez desequilibravam. Obdulio foi buscar a bola (após o Brasil ter aberto o placar naquela decisão) como eu contra a Dinamarca. E tomamos seis! Se nós terminássemos ganhando da Dinamarca, teriam dito: 'Como Enzo os motivou!' Não ganharam pela raça, ganharam porque jogavam bem de verdade, mas a fantasia perdurou pelo tempo", chegou a se posicionar sobre.[10]

Um dos fatores que, por outro lado, o impede de ter mais prestígio no Uruguai é a sua relação com Paco Casal. Rumores sobre o hiato na Celeste em que Enzo e outros dos principais jogadores uruguaios que jogavam na Europa atravessaram afirmavam que Casal os ordenara para não jogar por ela, em resposta a brigas que ele vinha enfrentando nos bastidores da Associação Uruguaia de Futebol.[85] Este é polêmico ali por ter grande controle sobre os clubes locais, sendo dono do vínculo dos principais jogadores uruguaios e da televisão que transmite os jogos,[12] por meio da Tenfield, empresa da qual Francescoli e o ex-colega de River e seleção Nelson Gutiérrez também fazem parte.[104] "O contrato com a empresa Tenfield SA (...) tem sido prejudicial ao futebol uruguaio. Os jogadores cada vez ganham salários menores, os clubes estão falidos, mas os empresários são cada vez mais ricos. Os únicos jornalistas que apóiam a relação contratual entre a AUF e a Tenfield são os que trabalham para a empresa, que tem o monopólio no país.", expressou um crítico.[105] Muitos vêem nos negócios de Casal a causa da decadência, inclusive doméstica, dos grandes times do país, Nacional e Peñarol,[12] que só começou a reerguer-se, voltando em 2011 a uma final de Taça Libertadores da América depois de 24 anos,[15] justamente após romper com o empresário.[106]

Francescoli defende Casal: "É o empresário mais importante do meu país, e construiu (seu poder) desde o nada. Se envolveu em coisas que geram paixão, como futebol e carnaval, e isso gera divisões (de opiniões). (...) É uma boa pessoa. Um homem que ajuda mais do que crêem", afirmou. "Paco não se levantou um dia e disse 'quero ser dono do futebol uruguaio'. Não. O futebol foi dado a Paco porque os dirigentes não foram aptos a vender os jogadores que criavam", completou. A relação fez com que Francescoli, ainda como jogador, se desentedesse com "nove dos dez jornalistas mais importantes do país", nas palavras do próprio.[10]


Títulos[editar | editar código-fonte]

River Plate
Olympique de Marseille
Seleção Uruguaia

Individuais[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

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  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s FONTENELLE, André (novembro de 1999). O Príncipe Uruguaio. Placar - Especial "Os Craques do Século". Editora Abril, p. 82
  3. STOKKERMANS, Karel (30/01/2000). IFFHS' Century Elections. RSSSF. Página visitada em 05/03/2011.
  4. a b c d World Cup 1986. RSSSF. Página visitada em 01/03/2011.
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  8. a b c d e f g h i j k l ALPUIN, Luis Fernando Passo (31/07/2008). Enzo Francescoli - International Appearances. RSSSF. Página visitada em 05/03/2011.
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  10. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab Palabra de ídolo. El Gráfico (19/09/2008). Página visitada em 01/03/2011.
  11. a b c d e f g h PERUGINO, Elías (novembro de 2010). Enzo Francescoli. El Gráfico Especial n. 27 - "100 Ídolos de River". Revistas Deportivas, pp. 34-35
  12. a b c LEAL, Ubiratan (março de 2008). O passado é hoje. Trivela n. 25. Trivela Comunicações, pp. 38-42
  13. STOKKERMANS, Karel (08/10/2010). Uruguay - List of Champions. RSSSF. Página visitada em 01/03/2011.
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  20. 1980. MWFC. Página visitada em 25/03/2011.
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  32. Sem negócio à vista (abril de 2009). FourFourTwo n. 6. Editora Cádiz, p. 81
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]