Luis Cubilla

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Luis Cubilla
Cubilla 1966.jpg
Informações pessoais
Nome completo Luis Alberto Cubilla Almeida
Data de nasc. 23 de agosto de 1940
Local de nasc. Paysandú, Uruguai
Falecido em 3 de março de 2013 (72 anos)
Local da morte Assunção, Paraguai
Informações profissionais
Posição Ex-Treinador e Ponta
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
1957–1962
1962–1964
1964–1968
1969–1974
1975
1976
Uruguai Peñarol
Espanha Barcelona
Argentina River Plate
Uruguai Nacional
Chile Santiago Morning
Uruguai Defensor
Seleção nacional
1959–1974 Flag of Uruguay.svg Uruguai
Times que treinou
1979–1980
1980
1981
1982
1983
1984
1988–1990
1990-1993
1994
1995–2002
2003
2005
2007
2009
2010
Paraguai Olimpia
Argentina Newell's Old Boys
Uruguai Peñarol
Paraguai Olimpia
Colômbia Atlético Nacional
Argentina River Plate
Paraguai Olimpia
Flag of Uruguay.svg Uruguai
Argentina Racing
Paraguai Olimpia
Argentina Talleres
Guatemala Comunicaciones
Equador Barcelona
Peru Iquitos
Paraguai Olimpia

Luis Alberto Cubilla Almeida (Paysandú, 28 de março de 1940-Assunção, 3 de Março de 2013) foi um futebolista e treinador de futebol uruguaio que atuava como ponta.

Tido como um ponteiro imprevisível tanto técnica como emocionalmente [1] e tido como "asqueroso" por ser bastante irritante com os adversários, Cubilla, baixo e um tanto gordo (74 quilos para seu 1,69 metros de altura),[2] faz parte do seleto grupo de jogadores a terem sido ídolos nos dois grandes arquirrivais de seu país, Nacional e Peñarol, tendo inclusive vencido a Taça Libertadores da América e a Copa Intercontinental por cada um.

Também venceu ambos os torneios como técnico, treinando o Olimpia, fazendo deste a primeira equipe paraguaia a conquistá-los. Na Libertadores, foi ainda vice-campeão pelo River Plate, em 1966.

Carreira em clubes[editar | editar código-fonte]

O Peñarol campeão da Taça Libertadores da América de 1961. Cubilla é o primeiro jogador agachado, da esquerda para a direita.

Começou no Peñarol, onde debutou em 1957. Venceu campeonatos uruguaios consecutivos a seguir, entre 1958 e 1961,[3] além das duas primeiras edições da Libertadores, em 1960 e 1961, ano em que os carboneros conseguiram também a Copa Intercontinental.[4]

Teve destaque especial na primeira Libertadores, marcando a sete minutos do fim o gol de empate no Paraguai que garantiu o título contra o Olimpia - os paraguaios haviam sido previamente derrotados em Montevidéu.[5] Entre 1962 e 1964, jogou, sem tanto sucesso, no Barcelona, retornando à América do Sul como jogador do River Plate.

A equipe millonaria não conquistava títulos desde 1957, mas foi à Taça Libertadores da América de 1966, como vice-campeã argentina. Cubilla esteve perto de faturar pela terceira vez o troféu, justamente contra seus antigos colegas do Peñarol. Após duas vitórias para cada lado na decisão, os riverplatenses abriram 2 x 0 na finalíssima em campo neutro, mas perderiam de virada por 2 x 4 - derrota traumática que originou inclusive o pejorativo apelido gallinas, que ainda acompanha o clube.[6] A passagem pelo River, além de não lhe trazer troféus - o clube só terminaria seu jejum em 1975 -, tirou seu lugar na Copa do Mundo de 1966, em uma época onde as seleções sul-americanas não convocacam quem atuasse no exterior.

Em 1969, voltou ao Uruguai, contratado pelo Nacional. Nos tricolores, também venceria quatro vezes seguidas a liga uruguaia, a exemplo do que conseguira no Peñarol, entre aquele ano e 1972.[3] No período, faturou também as primeiras Libertadores e Intercontinental dos bolsos, no ano de 1971, dez anos depois de ter faturado os mesmos torneios, além do campeonato nacional, no arquirrival. O troféu continental veio sobre o Estudiantes de La Plata,[7] então tricampeão seguido do torneio.[8] O mesmo adversário já havia derrotado o próprio Nacional, já com Cubilla, na decisão da Libertadores de 1969.[9]

Cubilla deixou o Nacional em 1975, ano em que ficou na pequena equipe chilena do Santiago Morning. Já com 36 anos, encerrou a carreira novamente campeão uruguaio, pelo pequeno Defensor, em 1976.[3]

Seleção[editar | editar código-fonte]

Ele estreou pela Seleção Uruguaia em 1959. Após a Celeste ter ficado de fora da Copa do Mundo de 1958 - no que foi a primeira vez que ela deixou de disputar uma Copa por desclassificação -, os uruguaios bateram a Bolívia para se garantir na Copa de 1962, com providencial ajuda de Cubilla: foi dele o gol charrúa no empate obtido na altitude de La Paz.[10] Ele foi ao mundial do Chile justamente com Pedro Cubilla, seu irmão mais velho. Na estreia, os uruguaios foram surpreendidos por uma Colômbia, tida oficialmente como fraca no sorteio dos grupos,[11] a abrir o placar. Cubilla fez o gol que empatou a partida, que encerrou com vitória uruguaia de virada.[1]

Machucado, ele ficou de fora da segunda partida, o que fez com que os celestes perdessem força no ataque e saíssem derrotados por 1 x 3 pela Iugoslávia.[12] Acabaram indo à última rodada da primeira fase precisando vencer a União Soviética para não depender de resultados alheios. Empatavam a partida, mas sofreram um gol no último minuto e amargaram eliminação ainda na primeira fase.[13]

Entre 1962 e 1968, Cubilla atuou em clubes estrangeiros, o que lhe privou de um lugar na Copa do Mundo de 1966 (a Copa do Mundo de 1974 seria a primeira em que uruguaios no exterior foram convocados [14] ) e do título no Sul-Americano de 1967. De volta à altura das eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970, participou da campanha relativamente tranquila da seleção rumo ao México.[2] Na preparação, ele, anteriormente um ponta, era utilizado como único atacante em um esquema cauteloso.[15] Mostrou-se importante na segunda fase: nas quartas-de-final, aproveitou os últimos espaços do campo para realizar o cruzamento que terminou no gol de seu colega de Nacional, Víctor Espárrago, o único da partida contra a União Soviética.[16]

Já na semifinal, ele marcou o gol que abriu o placar contra o Brasil. Os uruguaios fecharam-se na defesa, mas sofreram a virada. Já com o placar em desfavor, Cubilla quase voltou a empatar, tendo seu cabeceio à queima-roupa defendido de forma considerada "milagrosa" por Félix. Os brasileiros ainda fariam mais um e conseguiram seu lugar na final.[17] Os celestes acabariam em quarto, sem muito entusiasmo no jogo pelo terceiro lugar contra a Alemanha Ocidental.[18]

Ele, já aos 34 anos, foi levado também para a Copa do Mundo de 1974, onde amargou nova eliminação uruguaia na primeira fase; após ser derrotada pela sensação Países Baixos e empatar com a Bulgária nos dois primeiros jogos, a Celeste precisava vencer a Suécia, mas deu vexame e perdeu por 0 x 3; Cubilla entrara neste jogo com o placar ainda em branco.[19] Foi a última de suas 38 partidas por seu país, com o qual marcou ao todo 11 gols.[20]

Como treinador[editar | editar código-fonte]

Cubilla treinou diversas equipes. Em 1981, faturou seu quinto título uruguaio no Peñarol, o primeiro e único na nova função. Obteve seus maiores sucessos no Olimpia. Sob o comando dele, a equipe faturou as Taças Libertadores de 1979 e 1990,[21] sendo até hoje o único clube paraguaio a vencer a competição.[8] Em 1979, após bater o então bicampeão seguido Boca Juniors na decisão, o Olimpia venceu também a Copa Intercontinental contra os suecos do Malmö. Onze anos depois, o forte Milan não permitiu que a conquista se repetisse.[22] Cubilla ganhou ainda oito campeonatos paraguaios, uma Supercopa Libertadores e duas Recopas Sul-Americanas com o Olimpia.

Como treinador, seu fracasso mais retumbante acabou sendo na direção de seu país. Cubilla foi contratado para treinar o Uruguai após a Copa do Mundo de 1990, ano em que suas conquistas no Olimpia o fizeram ser eleito o melhor técnico sul-americano daquele 1990.[23] Ficou marcado por desentender-se com os principais jogadores uruguaios daquele momento, que atuavam na Europa, insinuando que seriam meros dinheiristas, no que era apoiado por boa parte da população. Sem Enzo Francescoli, Rubén Sosa, Carlos Alberto Aguilera, José Óscar Herrera e outros, sofreu vergonhosa eliminação na primeira fase da Copa América de 1991.[24] Já com alguns deles trazidos de volta, não se saiu muito melhor na Copa América de 1993 e ainda perdeu a vaga na Copa do Mundo de 1994, perdendo lugar ainda no meio da campanha rumo aos EUA para Ildo Maneiro.

Referências

  1. a b GEHRINGER, Max (março de 2006). Nova geração. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 7 - 1962 Chile. Editora Abril, p. 26
  2. a b GEHRINGER, Max (maio de 2006). Nos cinco continentes. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 9 - 1970 México. Editora Abril, pp. 10-17
  3. a b c ABBINK, Dinnant; TABEIRA, Martín (12/02/2006). Uruguay - List of Final Tables 1900-2000 RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  4. GORGAZZI, Osvaldo José (12/04/1999). Intercontinental Club Cup 1961 RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  5. BEUKER, John; GORGAZZI, Osvaldo José (12/05/2002). Copa Libertadores de América 1960 RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  6. MELO, Tiago (20/05/2011). River Plate: quando os “millonarios” se transformaram em “gallinas” Futebol Portenho. Visitado em 05/08/2011.
  7. PIERREND, José Luis; STOKKERMANS, Karel (18/05/1999). Copa Libertadores de América 1971 RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  8. a b STOKKERMANS, Karel (15/07/2011). Copa Libertadores de América RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  9. BEUKER, John; PIERREND, José Luis; STOKKERMANS, Karel (28/04/1999). Copa Libertadores de América 1969 RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  10. GEHRINGER, Max (março de 2006). Todos querem ir ao Chile. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 7 - 1962 Chile. Editora Abril, pp. 10-13
  11. GEHRINGER, Max (março de 2006). O mundial, jogo a jogo. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 7 - 1962 Chile. Editora Abril, p. 26
  12. GEHRINGER, Max (março de 2006). O sarrafo comeu solto. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 7 - 1962 Chile. Editora Abril, p. 27
  13. GEHRINGER, Max (março de 2006). Ficou na vontade. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 7 - 1962 Chile. Editora Abril, p. 28
  14. TABEIRA, Martín (20/07/2010). Uruguayan Squads in the World Cup RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  15. GEHRINGER, Max (maio de 2006). Receita boa. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 9 - 1970 México. Editora Abril, p. 28
  16. GEHRINGER, Max (maio de 2006). Reserva pé-quente. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 9 - 1970 México. Editora Abril, p. 36
  17. GEHRINGER, Max (maio de 2006). 1950 às avessas. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 9 - 1970 México. Editora Abril, pp. 40-41
  18. GEHRINGER, Max (maio de 2006). Um recorde alemão. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 9 - 1970 México. Editora Abril, p. 41
  19. World Cup 1974 finals RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  20. ALPUIN, Luis Fernando Passo (21/04/2011). Uruguay - Record International Players RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  21. ANDRÉS, Juan Pablo (10/07/2004). Copa Libertadores - Winning Coaches RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  22. MAGNANI, Loris; STOKKERMANS, Karel (30/04/2005). Intercontinental Club Cup RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  23. PIERREND, José Luis (16/01/2009). South American Coach and Player of the Year RSSSF. Visitado em 05/02/2011.
  24. BRUM, Maurício (01/03/2011). Un poco más allá del césped: a Greve de 1992 Impedimento. Visitado em 05/08/2011.