Lothar Matthäus

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Lothar Matthäus
Lothar Matthaeus 2002.jpg
Matthäus em 2002, quando era treinador do Rapid Viena
Informações pessoais
Nome completo Lothar Herbert Matthäus
Data de nasc. 21 de março de 1961 (53 anos)
Local de nasc. Erlangen, Alemanha Ocidental
Destro
Informações profissionais
Clube atual Aposentado
Posição Meio-campista
Clubes de juventude
Alemanha Herzogenaurach
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
1979–1984
1984–1988
1988–1992
1992–2001
2000
Alemanha Borussia Mönchengladbach
Alemanha Bayern de Munique
Itália Internazionale
Alemanha Bayern Munique
Estados Unidos New York Red Bulls
162 000(36)
113 000(57)
115 000(40)
189 000(28)
016 0000(0)
Seleção nacional
1979–1983
1979–1981
1980–2000
Alemanha Alemanha Ocidental Sub-21
Alemanha Alemanha Ocidental B
Alemanha Alemanha
015 0000(2)
004 0000(1)
150 000(23)
Times que treinou
2001–2002
2002–2003
2003–2005
2006
2006–2007
2008–2009
2010–2011
Áustria Rapid Viena
Sérvia e Montenegro Partizan
Hungria Hungria
Brasil Atlético Paranaense
Áustria Red Bull Salzburg
Israel Maccabi Netanya
Bulgária Bulgária

Lothar Herbert Matthäus (Erlangen, 21 de março de 1961) é um ex-futebolista e ex- treinador alemão. Atuava como meio-campista e conquistou o prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA em 1991. Atualmente, está desempregado.

Matthäus (Pronuncia alemã: ˈloːtaɐ̯ maˈtɛːʊs) marcou época por sua alta eficiência, sua assumida obsessão nos gramados,[1] bem como por sua técnica e seus famosos recordes: além de ser quem mais vestiu a camisa da Seleção Alemã (somando-se as aparições pelas Alemanhas Ocidental e reunificada),[1] é um dos dois únicos jogadores a participarem de cinco Copas do Mundo, ao lado do mexicano Antonio Carbajal e do italiano Gianluigi Buffon. Também foi quem mais jogou partidas do torneio, do qual foi campeão na edição de 1990, em um total de 25 partidas.[1] .

Por outro lado, assim pelo bom futebol e pelos recordes, outra característica de Matthäus é seu lado encrenqueiro, tendo proferido inúmeras declarações fortes.[2] Como jogador, se envolvia facilmente em discussões onde não media as palavras, ficando com fama de polêmico, egocêntrico e apegado aos holofotes.[2] Como correspondia em campo com boas atuações, o peso de seu temperamento só veio à tona quando iniciou a carreira de treinador,[2] onde ainda não obteve grandes sucessos e onde coleciona desafetos e portas fechadas em seu país.[2]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Como futebolista[editar | editar código-fonte]

Início, na Alemanha Ocidental[editar | editar código-fonte]

Após iniciar a carreira nos juvenis do Herzogenaurach, debutou profissionalmente em 1979 no Borussia Mönchengladbach, um dos mais vitoriosos clubes alemães dos anos 70. Já demonstrando sua característica categoria, não tardou a ser chamado para defender a Alemanha Ocidental, nas seleções de base e na principal. Em sua primeira temporada, foi vice-campeão da Copa da UEFA. O M'Gladbach, decadente, começava uma incômoda carência de títulos.

Matthäus permaneceria no Borussia até 1984. Depois de ser vice da Copa da Alemanha, rumou justamente para o arquirrival do seu clube na década anterior: o Bayern Munique. Ali sucedeu líderes antigos, como Paul Breitner e Karl-Heinz Rummenigge. Campeão da Bundesliga logo na primeira temporada, a de 1984/85, Matthäus e o Bayern emendariam outros dois títulos seguidos na Bundes, que fizeram o clube tornar-se o maior vencedor do campeonato nacional, superando marca que pertencia ao também bávaro e decadente Nuremberg.[3] Matthäus e o Bayern ganharam ainda a Copa da Alemanha em 1986 e foram vice-campeão da Copa dos Campeões da UEFA.

A temporada 1987/88 foi a primeira de Matthäus sem títulos no Bayern. Mal acostumados, torcida e dirigentes desgastaram o ídolo,[1] que aceitou proposta do futebol italiano, transferindo-se para a Internazionale ao lado do colega de clube e Seleção Andreas Brehme.

Na Internazionale, "Rei de Milão"[editar | editar código-fonte]

Não demorou a se tornar um ídolo nerazzurro: em um campeonato fortíssimo com o Napoli de Diego Maradona e Careca e o Milan de Ruud Gullit, Marco van Basten e Frank Rijkaard, a Inter não era a favorita para a edição 1988/89 da Serie A.[4]

Enquanto Milan e também a Juventus decepcionavam,[4] a Inter manteve-se na ponta do início ao fim, liderando todas as 34 rodadas.[4] Apenas o Napoli continuou na luta, até os milaneses garantirem o título em um confronto direto em Milão a quatro rodadas do fim.[4] A vitória que decretou o scudetto foi de virada, 2 x 1, com Matthäus marcando o gol que garantiu a conquista,[4] encerrando um jejum de nove anos para a Inter. Naquele ano, venceu ainda a Supercopa Italiana.[5]

Para a temporada seguinte, enquanto o rival Milan seguia com o seu trio neerlandês (Gullit-Rijkaard-Van Basten), a Internazionale apostou em um alemão: Brehme e Matthäus receberam a companhia de Jürgen Klinsmann. Um novo título demoraria dois anos para vir: seria a Copa da UEFA de 1990/91, com Matthäus marcando, de pênalti, o primeiro gol na vitória por 2 x 0 na decisão contra a Roma. Apontado como o "Rei de Milão"[1] , foi eleito ao final daquele ano o melhor jogador do mundo pela FIFA, na primeira ocasião em que a entidade realizou a premiação.

Porém, a trajetória na Inter acabou interrompida por uma séria lesão no joelho.[1] Matthäus não pôde ir à Eurocopa 1992[6] e decidiu voltar ao Bayern Munique, para tentar realizar uma recuperação desacreditada.[1]

Volta à Alemanha e ao Bayern[editar | editar código-fonte]

No antigo clube, passou a jogar mais recuado, como líbero, posição exercida com maestria por Franz Beckenbauer vinte anos antes no clube, do qual era então técnico, o mesmo Beckenbauer que já o conhecia quando treinou a Alemanha Ocidental. Matthäus ganhou a Bundesliga em 1993/94, garantindo seu lugar na Copa do Mundo de 1994.

Todavia, as lesões no joelho continuavam a lhe perseguir. Em 1995, realizou duas operações no tendão de aquiles, novamente ameaçando-lhe a encerrar a carreira.[1] Logo voltou à velha forma, porém, conseguindo participar da campanha vitoriosa na Copa da UEFA de 1995/96. Mesmo assim, acabou perdendo nova Eurocopa, desta vez a de 1996,[6] realizada ao fim daquela temporada. O torneio, por sinal, fez estremecer sua relação com Jürgen Klinsmann, que era seu colega no Bayern desde 1995. Klinsmann não teria gostado de saber uma pressão para que não fosse convocado para a Euro fosse feita por aquele que fora seu amigo na Inter de Milão e na Seleção.[7]

Matthäus declararia em autobiografia que lançou em 1997 que era Klinsmann quem fazia intrigas para prejudicá-lo.[2] Seu ódio pelo atacante era tamanho que o líbero chegou a ponto de apostar com o treinador de que o atacante não faria mais de 15 gols na temporada.[2] Mesmo com a briga de suas maiores estrelas, o Bayern terminou campeão na temporada 1996/97, mas Klinsmann deixou o clube, que seguiu liderado por Matthäus. O clube, por dois pontos, foi vice da Bundes em 1997/98 para o surpreendente Kaiserslautern, mas o veterano conseguiu lugar em sua quinta Copa do Mundo. Depois, em 1998/99, foi novamente campeão alemão pelo Bayern. O desafeto da vez no clube, de acordo com a imprensa, seria Stefan Effenberg.[8]

Em 1999, também esteve perto do único título que lhe faltava: a da Liga dos Campeões da UEFA. O Bayern vencia por 1 x 0 o Manchester United e aos 40 minutos Matthäus foi substituído. Veria do banco o seu time sofrer uma inimaginável virada nos descontos do segundo tempo e perder o troféu que estava quase assegurado. Beckenbauer teria dito que não foi Matthäus quem não teve a honra de erguer o troféu da Liga dos Campeões, e sim o troféu que não teve a honra de ser erguido por Matthäus.

Matthäus jogou no Bayern por mais uma temporada, ganhando pela sétima vez a Bundes com o clube e garantindo aos 39 anos presença na Eurocopa 2000. O título alemão marcou sua despedida do time. O que era para ser um fim glorioso terminou manchado: o clube lhe ofereceu um amistoso comemorativo com vários astros do futebol da década de 1990 e, mesmo assim, Matthäus acionou judicialmente o clube, cobrando 500 mil euros.[2] Após longa batalha judicial, recebeu apenas 7,5 mil e antipatia geral.[2] Na época, o diretor Uli Hoeneß declarou que, enquanto trabalhasse no Bayern, Matthäus não voltaria à equipe "nem como jardineiro".[2]

Brigado com o clube bávaro, Matthäus esticou a carreira na equipe estadunidense do MetroStars, onde aposentou-se ao final daquele ano. Mesmo não tendo vencido uma Liga dos Campeões ele e um dos 3 jogadores a disputar 5 copas do mundo e o único alemão sendo um dos maiores jogadores alemães de todos os tempos.

Seleção Alemã[editar | editar código-fonte]

Matthäus estreou pela equipe principal da então Alemanha Ocidental na Eurocopa 1980. Seu debute foi bastante desastrado: a Mannschaft vencia os Países Baixos por 3 x 0 e, em seu primeiro lance, Matthäus cometeu um pênalti. Os neerlandeses converteram e se animaram, chegando a diminuir para 3 x 2. O jovem meia reconheceu sua má partida: "Não acertei nada e, se perdêssemos o título, não sei o que seria da minha carreira".[1] Em função da estreia vergonhosa, acabou vendo do banco seu país ser campeão daquela Euro.

Sua regularidade no Borussia Mönchengladbach, no entanto, o manteve na Seleção Alemã-Ocidental. Mas continuaria a ser um discreto reserva por um tempo: no elenco vice-campeão da Copa do Mundo de 1982, pouco entrou em campo e também não jogou a final. Quatro anos depois, a história era outra: líder e vitorioso no Bayern Munique, já era um dos principais nomes do time na Copa do Mundo de 1986. Nas oitavas-de-final, marcou o único gol da partida contra o Marrocos a três minutos do fim. Teve também frieza para converter sua cobrança na decisão por pênaltis contra o anfitrião México, nas quartas.

Os alemães ainda passaram pela rival França nas semifinais e, na decisão, conseguiram buscar o empate a dez minutos do fim após derrota parcial por 0 x 2 para a Argentina. Os sul-americanos, porém, conseguiram marcar seu terceiro gol três minutos depois do empate e Matthäus e a Alemanha Ocidental novamente amargou um vice-campeonato.

Dois anos depois, nova decepção: após uma temporada sem títulos no Bayern, Matthäus participou da Eurocopa 1988, sediada na Alemanha Ocidental. Todavia, os anfitriões foram eliminados nas semifinais para os Países Baixos, de virada, em partida em que ele marcou de pênalti o gol alemão. O troco viria depois de outros dois anos, na Copa do Mundo de 1990: os dois países se enfrentaram nas oitavas e na ocasião, os 2 x 1 foram em favor dos alemães.

Matthäus marca de pênalti pela Alemanha contra a Bulgária nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1994, abrindo o placar. No entanto, os búlgaros virariam a partida e eliminariam os detentores do título.

Na Copa da Itália, Matthäus, ídolo da Internazionale, sentia-se em casa. Já havia marcado três vezes na primeira fase (dois contra a Iugoslávia e outro contra os Emirados Árabes) e sua frieza e eficiência característica foram determinantes no caminho à final: nas quartas, acertou a cobrança de pênalti que resultou no único gol da partida contra a Tchecoslováquia; nas semifinais, cobrou e acertou nova penalidade, na decisão por pênaltis contra a rival Inglaterra.

Na decisão, os alemães puderam vingar-se de outra seleção, a Argentina, que lhes venceram quatro anos antes no México. Andreas Brehme marcou de pênalti no final da partida, e Matthäus, como capitão, ergueu a Copa, marcando o tricampeonato da Alemanha Ocidental. As comemorações foram maiores pois combinaram-se com o festejado processo de reunificação do país, concluído meses depois do torneio. O título lhe valeu, entre outras premiações individuais, a Bola de Ouro da France Football como melhor jogador europeu naquele ano.

Na primeira competição em que a Alemanha atuou reunificada, a Eurocopa 1992, porém, Matthäus não pôde estar presente, em função da lesão no joelho.[6] Sem ele, o país perdeu a final para a surpreendente Dinamarca. Vencendo o descrédito causado por suas lesões, conseguiu seu lugar entre os convocados para a Copa do Mundo de 1994, sua quarta Copa. O país realizava boa campanha e todos davam como certa a presença na semifinal, quando viu-se que enfrentariam a bem menos badalada Bulgária nas quartas. Matthäus, de pênalti, pôs os germânicos na frente, mas os búlgaros conseguiriam, surpreendentemente, a virada.

Na delegação alemã na Copa das Confederações de 1999. A Alemanha fez má campanha e caiu na primeira fase.

As cirurgias posteriores acabaram afastando-lhe da Seleção Alemã. Matthäus perdeu a Eurocopa 1996.[6] Beneficiado de certa forma pela lesão que aposentou o líbero titular e outro desafeto, Matthias Sammer (pela dura concorrência na posição na Mannschaft),[6] e com exibições regulares no Bayern, Matthäus foi chamado para a sua quinta Copa, igualando Antonio Carbajal. Usando uma envelhecida base da Copa de 1990 pouco fortalecida pelos jogadores mais novos, os alemães não foram tão imponentes na Copa do Mundo de 1998, embora tivessem chegado às quartas-de-final com favoritismo sobre a estreante Croácia. A Alemanha decepcionou e perdeu por 3x0.

Matthäus foi um dos poucos a se salvarem, demonstrando modéstia ao ser indagado se não era talentoso demais para estar em um time mais fraco: "Nunca fui um artista da bola ou jogador genial, apenas um obcecado pela eficiência".[1] Jogou pela Alemanha até 2000, participando de outros resultados negativos: eliminações nas primeiras fases da Copa das Confederações de 1999 e na Eurocopa 2000.

Como treinador[editar | editar código-fonte]

Após encerrar a carreira de jogador, iniciou a de treinador de futebol, ainda sem grandes sucessos. A primeira experiência, iniciada já em 2001, foi na equipe austríaca do Rapid Viena. O clube estava em uma de suas piores fases [2] e, com Matthäus no comando, terminou a temporada 2001/02 da Bundesliga austríaca, que reúne apenas dez clubes, na oitava colocação. O ex-jogador saíra ainda antes do fim da temporada, após oito meses de maus resultados.[2]

Em seguida, assinou com o clube iugoslavo do Partizan. Ali, saiu-se bem: na temporada 2002/03, faturou o campeonato servo-montenegrino e conheceria a nativa Marijana Kostić, que se tornaria sua terceira esposa. Empolgada, a Seleção Húngara o contratou. Porém, os insucessos voltaram: os magiares não conseguiram classificar-se para a Copa do Mundo de 2006, ficando atrás das classificadas Croácia e Suécia e também da Bulgária.

Nesse tempo, Rudi Völler deixou o comando da Seleção Alemã, onde fora colega de Matthäus, após a Eurocopa 2004. O ex-líbero fez grande pressão para substituir Völler, mas para o seu desgosto, a Federação Alemã escolheu para o lugar seu desafeto Klinsmann.[2] [9] Matthäus não digeriria bem, e suas críticas com alguma inveja aos resultados de Klinsmann manchariam sua imagem na Alemanha, onde não conseguira acertar com nenhum clube:[9] o Bayer Leverkusen e nem mesmo os decadentes Nuremberg, Colônia, Eintracht Frankfurt e Borussia Mönchengladbach, onde seu nome foi relacionado em boatos, lhe quiseram.[2] [9]

O Leverkusen, como para espantar um fantasma, logo tratou de desmentir o boato.[2] Torcedores do Nuremberg ameaçaram boicotar o clube e cancelar suas assinaturas de sócios se Matthäus viesse.[2] A rejeição partiu até de equipe onde ele não fora cogitado, como o Schalke 04: o então treinador Rudi Assauer, quando falou-se em Matthäus treinando a Alemanha, declarou contundentemente que "se ele assumir a seleção, vou colocar nosso time para jogar na liga neerlandesa".[2] O ex-líbero defendeu-se das más insinuações que lhe relacionavam ao cargo de Klinsmann ("Não posso estar frustrado quando estou satisfeito com a minha vida. É sabido que precisamos ter pessoas trabalhando pela gente na Federação Alemã para se conseguir algum cargo - e Jürgen tinha quem fizesse isso por ele. Fico contente por ele e torço para que tenha sucesso") e ressaltou o fundamento de suas críticas ferrenhas ("Os alemães têm um problema na defesa! (...) É a mais pura verdade, e não uma crítica. Acho melhor que todos critiquem e sejam honestos em vez de dizer que a Alemanha é favorita à conquista do título - e isso não é verdade").[10]

Depois de não se dar bem na Hungria, onde sua agonia o fez chegar a ponto de conversar com clubes intermediários da Escócia,[11] e no país natal, Matthäus veio, para surpresa geral, parar no Brasil, onde seu prestígio era intacto.[9]

Foi trazido ao Brasil pela empresa que administra sua carreira, a inglesa Stellar Group, para conhecer o escritório que ela abrira em São Paulo.[12] No país, manifestou desejo de conhecer a estrutura de alguns clubes. Foi levado para Curitiba, onde visitou o centro de treinamento e o estádio do Atlético Paranaense. Em jantar com a diretoria do clube, foi convidado para treiná-lo pelo diretor de marketing, Mauro Holzmann, e Márcio Bittencourt, representante da Stellar, acenou com a possibilidade em meio aos risos.[12] Matthäus então fechou com o Furacão por três milhões de reais, a serem pagos pela Stellar e pelo clube.[12]

A contratação logo gerou ganhos em marketing para o Atlético, com exposição que fez o clube ocupar nos jornais brasileiros um espaço que raramente desfrutava[2] e que, internacionalmente, com o time ganhando manchetes em publicações como a alemã Kicker, a italiana La Gazzetta dello Sport e a espanhola Marca,[2] , dentre outros, teria gerado dez milhões de reais.[12] A torcida logo se empolgou, recebendo o novo treinador com bandeiras alemães no estádio;[2] o clube também se mobilizou para atendê-lo, deflagrando uma operação para que ele se sentisse em casa: uma matrícula na Escola Internacional de Curitiba (que só aceita matrículas de alemães e descendentes) para a enteada, o oferecimento de um apartamento (recusado) em condomínio onde moravam alemães trabalhadores da Volkswagen, Audi e Siemens e dois carro Audi para ele e a esposa, com motorista à disposição, além de um óbvio intérprete para se comunicar com os jogadores, foram algumas das medidas tomadas.[2]

Aceitou treinar o clube antes mesmo de negociar as bases salariais, vibrando em entrevistas de que estava no "país pentacampeão do mundo".[13] Não demorou, contudo, a envolver-se em encrencas. A primeira foi em Foz do Iguaçu, onde foi obter visto de trabalho.[13] Seu intérprete lhe pediu para esticar a viagem à Ciudad del Este, onde queria fazer compras,[14] o que estressou Matthäus.[13] Por pedido de seu novo técnico, o Atlético demitiu o tradutor, que acionou o clube na Justiça do Trabalho.[13] Desentendeu-se também com jornalistas, sendo inclusive agredido por um.[13] Para completar, em um empate em 1 x 1 com o J. Malucelli, teve seus xingamentos em inglês ao bandeirinha compreendidos por este, que os registrou na súmula da partida.[13] Matthäus foi julgado e suspenso por 30 dias, mas obteve efeito suspensivo.[13]

No dia 6 de março, teve uma reunião dura com Márcio Bittencourt e o presidente atleticano, Mário Celso Petraglia. Para o alemão, seu salário estava atrasado. Para o clube, os primeiros trinta dias de trabalho ainda não haviam sido completados.[13] No dia seguinte, largou o treino da manhã no CT do Atlético e viajou para São Paulo, onde fez voo de conexão para Frankfurt am Main.[13] Deixou o Brasil, curiosamente, invicto, com seis vitórias e dois empates.[13]

Matthäus declarou que estava deprimido com a saudade da mulher, Marijana, e dos filhos, que permanceram na Hungria: "São milhares de quilômetros até Budapeste e umas 24 horas de avião. É muito cansativo. Não dá para fazer regularmente".[13] Há versões de que a própria esposa o teria pressionado, após rumores de que Matthäus teria se envolvido com uma jornalista curitibana.[14] Outro motivo para sua saída repentina teria sido a má situação do desafeto Klinsmann como treinador da Alemanha, ainda meses antes da Copa do Mundo de 2006. Matthäus estaria de olho no cargo de seu ex-colega, nem que fosse após a Copa.[15]

Após o torneio, em que Klinsmann saiu-se bem, acabou acertando uma volta à Áustria, agora para treinar o Red Bull Salzburg ao lado do italiano Giovanni Trapattoni. O Red Bull saiu-se bem na Bundes austríaca, terminando com 75 pontos, quase vinte à frente do segundo colocado. Sua próxima equipe foi a israelense Maccabi Netanya, onde foi bem recebido e trouxe empolgação à torcida, que não via o clube ser campeão nacional há 25 anos.[16] Todavia, o time terminou em quarto e Matthäus desligou-se do clube ao final da temporada 2008/09.

No final de 2009, foi anunciado como novo treinador da equipe argentina do Racing, mas acabou recusando a oferta através de uma de mensagem de texto.[17] [18] Em agosto de 2010, esteve perto de assumir a Seleção Camaronesa. Todavia, acabou preterido em razão de um escândalo extraconjugal de Kristina Liliana Chudinova, sua quarta esposa.[19]

Um mês após o escândalo, foi contratado para treinar a Bulgária, sua segunda seleção do Leste Europeu.[20] Mas em setembro de 2011, não teve seu contrato renovado.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Como futebolista[editar | editar código-fonte]

Bayern Munique
Internazionale
Seleção Alemã

Como treinador[editar | editar código-fonte]

Prêmios individuais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j O homem dos recordes (novembro de 1999). Placar - Especial "Os Craques do Século". Editora Abril, p. 33
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t KOHL, Frank (março de 2006). Dupla face. Placar n. 1292. Editora Abril, pp. 62-65
  3. FREITAS, Carlos Eduardo (fevereiro de 2006). Baviera - A terra dos campeões. Copa'06 n. 1. Pool Editora, pp. 34-37
  4. a b c d e LEAL, Ubiratan (29/09/2008). A Inter que venceu e convenceu. Trivela.com. Página visitada em 21/02/2010.
  5. RIBEIRETE, Mateus (10/08/2010). "Jogadores: Lothar Matthäus", Quattro Tratti. Quattro Tratti. Página visitada em 10/08/2010.
  6. a b c d e CATARINO, Luís Pedro (31/08/2006). Sammer: o cabeça-de-fósforo. Trivela.com. Página visitada em 21/02/2010.
  7. FREITAS, Carlos Eduardo (11/01/2008). Escolha inusitada. Trivela.com. Página visitada em 21/02/2010.
  8. "Élber: 'Nem daqui a 100 anos terá explicação!'", Renato Andreão, Trivela.com. Página visitada em 21 de fevereiro de 2010.
  9. a b c d FREITAS, Carlos Eduardo (11/01/2006). Caras novas e incógnitas. Trivela.com. Página visitada em 21/02/2010.
  10. FREITAS, Carlos Eduardo (fevereiro de 2006). "Falta alguém como eu nesse time alemão". Copa'06 n. 1. Pool Editora, pp. 38-41
  11. FREITAS, Carlos Eduardo (09/11/2005). Enfim alguém assumiu o clube. Trivela.com. Página visitada em 21/02/2010.
  12. a b c d BARROS, Maurício (fevereiro de 2006). E não é que ele veio?. Placar n. 1291. Editora Abril, p. 30
  13. a b c d e f g h i j k RIBEIRO, Arnaldo (abril de 2006). Matthäus, o breve. Placar n. 1293. Editora Abril, pp. 18-19
  14. a b RODRIGUES, Márcio Leonardo (abril de 2008). Dose exagerada. Trivela n. 26. Trivela Comunicações, pp. 30-33
  15. MARANHÃO, Rafael (abril de 2006). O drama dos anfitriões. Placar n. 1293, Editora Abril, pp. 36-37
  16. ANDREÃO, Renato (10/12/2008). Aventura na Terra Santa. Trivela.com. Página visitada em 21/02/2010.
  17. Lothar Matthäus está perto de acertar com o Racing na Argentina. GloboEsporte.com data=24/10/2009. Página visitada em 19/12/2009.
  18. Matthäus recusou oferta por intermédio de mensagem de texto, diz dirigente. GloboEsporte.com (28/10/2009). Página visitada em 19/12//2009.
  19. Traído pela esposa, Lothar Matthäus diz ser a vergonha dos pais. GloboEsporte.com (18/08/2010). Página visitada em 22/08/2010.
  20. Lothar Matthäus é o novo técnico da Bulgária. Trivela.com. Página visitada em 21/09/2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]