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Alexandria (Rio Grande do Norte)

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Município de Alexandria
"Terra da Barriguda"
Visão panorâmica de Alexandria.

Visão panorâmica de Alexandria.
Bandeira de Alexandria
Brasão de Alexandria
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 7 de novembro de 1930 (85 anos)
Gentílico alexandrinense
Prefeito(a) Nei M. Rossato de Medeiros (PSB) 2013 / 2015

Raimundo Ferreira de Andrade (PSD) 2016 / em exercício
(2013–2016)

Localização
Localização de Alexandria
Localização de Alexandria no Rio Grande do Norte
Alexandria está localizado em: Brasil
Alexandria
Localização de Alexandria no Brasil
06° 24' 46" S 38° 00' 57" O06° 24' 46" S 38° 00' 57" O
Unidade federativa  Rio Grande do Norte
Mesorregião Oeste Potiguar IBGE/2008[1]
Microrregião Pau dos Ferros IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Norte: Pilões e Antônio Martins;
Sul: Estado da Paraíba (Santa Cruz, Bom Sucesso e Brejo dos Santos);
Leste: João Dias;
Oeste: Marcelino Vieira e Tenente Ananias.
Distância até a capital 380 km
Características geográficas
Área 381,205 km² [2]
População 13 852 hab. (RN: 42º) –  IBGE/2015[3]
Densidade 36,34 hab./km²
Altitude 319 m (RN: 22º)[4]
Clima Semiárido Bsh
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,606 (RN: 91º) – médio PNUD/2010[5]
PIB R$ 55 400,392 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 3 921,60 IBGE/2008[6]
Página oficial
Prefeitura www.alexandria.rn.gov.br

Alexandria é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte, na Região Nordeste do país. Situa-se na microrregião de Pau dos Ferros e mesorregião do Oeste Potiguar, distante 380 quilômetros a oeste da capital do estado, Natal. Ocupa uma área de aproximadamente 381 km² e sua população, no censo de 2010, era de 13 507 habitantes, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sendo então o 39º mais populoso do estado (em 167 municípios).

Alexandria foi emancipado de Martins na década de 1930. O nome do município é uma referência a Alexandrina Barreto Ferreira Chaves, mulher de Joaquim Ferreira Chaves, que foi senador e governador do Rio Grande do Norte. Desde a sua emancipação, desmembraram-se de seu território os municípios de Tenente Ananias (1962), João Dias e Pilões (os dois últimos em 1963).

Sua principal atração turística é a Serra Barriguda, que é atualmente é uma das sete maravilhas do Rio Grande do Norte e tem formato semelhante ao de uma mulher grávida. Considerado um centro de zona do Brasil, Alexandria ainda conta um rico artesanato e realiza uma quantidade diversa de eventos todos os anos, como o Carnaval Tradição, um dos melhores do Rio Grande do Norte.

História[editar | editar código-fonte]

Segundo o documento Tombo de Demarcação, datado de 26 de setembro de 1759 e descoberto nos anos 1950 pelo historiador Antonio Fernandes Mousinho, a primeira denominação do município de Alexandria foi Barriguda, em referência à Serra Barriguda, onde se localizava a fazenda de mesmo nome, ponto de origem fundamental ao surgimento do município. Conforme o mesmo documento, o senhor José da Costa, sua principal testemunha, com a mão direita em cima da Bíblia, jurou falar a verdade ao afirmar que tinha 63 anos de idade e era morador da fazenda. Outra versão, não oficial, refere-se a uma árvore, chamada "Pé de Barriguda", que existia na nascente de um curso de água perene no pé da Serra Barriguda, em que viajantes paravam para descansar e usufruíam desta água.[7]

Em 1913, a Câmara Municipal de Martins mudou o nome povoado para "Alexandria" em homenagem à Alexandrina Barreto Ferreira Chaves, filha da terra e esposa de Joaquim Ferreira Chaves, ex-governador do Rio Grande do Norte e senador pelo mesmo estado. A lei estadual 572, de 3 de dezembro de 1923, elevou o povoado à categoria de vila. Em 7 de novembro de 1930, através do decreto estadual nº 10, sancionado por Irineu Joffily, o distrito passou à condição de novo município do Rio Grande do Norte, desmembrado de Martins e Pau dos Ferros, com a denominação João Pessoa, em referência a João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, líder político assassinado em Recife, por João Duarte Dantas, em 26 de julho daquele ano. A instalação do novo município ocorreu no dia 15 de novembro de 1930, com a posse de Noé Arnaud Muniz como primeiro prefeito. Seis anos mais tarde, em 24 de outubro de 1936, por força a lei estadual nº 19, o nome do município é alterado para Alexandria, como prevalece até os dias atuais, para que se pudesse evitar confusão com João Pessoa, capital da Paraíba.[7]

Em 1953, Alexandria, que era formado apenas pelo distrito-sede, passou a ser formado por dois distritos: Alexandria e Tenente Ananias Gomes. Nove mais tarde, outros distritos foram sendo criados e anexados ao município de Alexandria: João Dias e Pilões. No ano seguinte, em 26 de março de 1963, o distrito de Tenente Ananias Gomes foi emancipado e se tornou município, cujo nome foi posteriormente alterado para Tenente Ananias. Em 2 de agosto de mesmo ano, foi emancipado e elevado à categoria de município o distrito de João Dias e, dezoito dias mais tarde, o distrito de Pilões. Até os dias atuais, o município de Alexandria é formado apenas pelo distrito sede.[8]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Mapa político de Alexandria com os municípios limítrofes.

Alexandria está localizado no Alto Oeste do estado do Rio Grande do Norte, na Mesorregião do Oeste Potiguar e Microrregião de Pau dos Ferros.[9] Ocupa uma área e 381,205 quilômetros quadrados, e está distante 380 km de Natal, capital estadual,[10] e 1 864 km de Brasília, capital federal.[11] Limita-se com Pilões e Antônio Martins a norte; Brejo dos Santos, Bom Sucesso e Santa Cruz, todos na Paraíba, a sul; João Dias a leste e Tenente Ananias e Marcelino Vieira a oeste.[9]

O relevo do município, com altitudes variando entre 200 e 400 metros, está inserido na Depressão Sertaneja-São Francisco, que abriga uma série de terrenos de transição entre o Planalto da Borborema e a Chapada do Apodi, e é também formado por várias serras: Baixas, Barriguda, Batalhão, Boa Vista, Boiada, Brejo, Cajueiro, Cafunga, Covas, Croatá, Cumbe, Frade, Mata Pasto, Prensa e Santana, além do Serrote da Ilha. Alexandria está situado em área de abrangência de rochas metamórficas que formam o embasamento cristalino, provenientes do período Pré-Cambriano médio, com idade entre um bilhão e 2,5 bilhões de anos. Geomorfologicamente predominam formas de relevos tabulares, separados por vales de fundo plano. O município abriga ainda dois sítios arqueológicos (Fidalgo e Santana) e a Lagoa de Lajes, que abrange uma série de tanques com fósseis de mamíferos, hoje submersos.[9]

O tipo de solo predominante é o podzólico vermelho amarelo equivalente eutrófico, caracterizado pelo seu alto nível de fertilidade e textura média, com drenagem acentuada.[9] Há também o luvissolo (também chamado de "bruno não cálcico") e o litossolo (solos litólicos).[12]

Situado na bacia hidrográfica do rio Apodi/Mossoró, o município é cortado pelo Rio Alexandria, além dos riachos da Mata e do Meio. Os principais reservatórios, com capacidade igual ou superior a cem mil metros cúbicos de água (m³), são Pulgas (3 300 000 m³), do Meio (1 610 880 m³) e Bananeira (750 000 m³).[9]

A vegetação é formada pela caatinga hiperxerófila, sem folhas na estação seca, com plantas de pequeno porte e predominância de cactáceas, além da floresta caducifólia, cujas espécies possuem folhas pequenas e caducas. Entre as espécies mais encontradas estão o facheiro (Pilosocereus pachycladus), o faveleiro (Cnidoscolus quercifolius), a jurema-preta (Mimosa hostilis), o marmeleiro (Cydonia oblonga), o mufumbo (Combretum leprosum) e o xique-xique (Pilosocereus polygonus).[9]

Clima[editar | editar código-fonte]

Maiores acumulados de precipitação em 24 horas registrados em Alexandria
por meses (EMPARN, 1930-1991, 1993-2008 e 2013-presente)[13] [14]
Mês Acumulado Data Ref Mês Acumulado Data Ref
Janeiro 108 mm 22/01/1947 [15] Julho 33 mm 15/07/1998 [16]
Fevereiro 122 mm 27/02/1963 [17] Agosto 43 mm 27/08/1972 [18]
Março 145 mm 04/03/1980 [19] Setembro 21,6 mm 14/09/1971 [20]
Abril 110 mm 13/04/1954 [21] Outubro 61 mm 25/10/1939 [22]
Maio 118 mm 04/05/1977 [23] Novembro 52 mm 27/11/1954 [24]
Junho 74,5 mm 15/06/2005 [25] Dezembro 147 mm 14/12/1951 [26]

Alexandria possui clima semiárido quente (do tipo Bsh na classificação climática de Köppen-Geiger),[9] [27] com temperatura média anual de 25,8 °C e precipitação média de 854 milímetros (mm) anuais, concentrados entre os meses de fevereiro e maio, sendo março o mês de maior precipitação (225 mm).[28] O tempo médio de insolação é de aproximadamente 2 700 horas anuais, com umidade relativa do ar de 66%.[9]

Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), o maior acumulado de precipitação em 24 horas registrado em Alexandria, entre 1936 e 1991, 1993 e 2008 e a partir de 2013, foi de 147 mm em 14 de dezembro de 1951.[26] Outros grandes acumulados foram 145 mm em 4 de março de 1980,[19] 122 mm em 27 de fevereiro de 1963,[17] 119 mm em 23 de fevereiro de 1956,[29] 118 mm em 4 de maio de 1977,[23] 113,2 mm em 4 de maio de 1967,[30] 110 mm em 13 de abril de 1954,[21] 108,1 mm em 21 de abril de 1967,[31] 108 mm em 22 de janeiro de 1947,[15] 107 mm em 1º de março de 1950,[32] 106 mm em 4 de maio de 1978,[33] 105 mm em 1º de março de 1957,[34] 104 mm em 14 de março de 1988,[35] 100,3 mm em 27 de março de 1967[36] e 100 mm em 22 de março de 1959.[37] O maior acumulado mensal foi de 519,2 mm em abril de 1985.[38]

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Alexandria Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 32 31,2 30,2 29,7 29,3 29,2 29,5 30,6 31,8 32,5 32,6 32,6 30,9
Temperatura média (°C) 26,8 26,4 25,8 25,4 24,9 24,4 24,2 24,9 25,9 26,5 26,8 27,1 25,8
Temperatura mínima média (°C) 21,6 21,6 21,5 21,2 20,6 19,6 19 19,2 20 20,6 21,1 21,6 20,6
Precipitação (mm) 75 142 225 195 102 40 23 5 4 7 8 28 854
Fonte: Climate Data.[28]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional
Censo Pop.
1970 13 252
1980 14 337 8,2%
1991 14 580 1,7%
2000 13 772 -5,5%
2010 13 507 -1,9%
Est. 2015 13 852 [3] 0,6%

A população de Alexandria no censo demográfico de 2010 era de 13 507 habitantes, sendo o 39º município mais populoso do Rio Grande do Norte, apresentando uma densidade populacional de 35,43 km².[40] Desse total, 9 189 habitantes viviam na zona urbana (68,03%) e 4 318 na zona rural (31,97%). Ao mesmo tempo, 6 891 eram do sexo feminino (51,02%) e 6 616 do sexo masculino (48,98%), tendo uma razão de sexo de 96,01.[41] [42] Quanto à faixa etária, 8 787 habitantes tinham entre 15 e 64 anos (65,06%), 3 225 menos de quinze anos (23,88%) e 1 495 65 anos ou mais (11,07%).[43] Ainda segundo o mesmo censo, a população era formada por 7 145 pardos (52,9%), 5 582 brancos (41,33%), 550 pretos (4,07%), 218 amarelos (1,61%) e treze indígenas (0,09%).[44]

Levando-se em conta a nacionalidade da população, todos os habitantes eram brasileiros natos.[45] Em relação à região de nascimento, 13 240 eram nascidos na Região Nordeste (98,02%), 226 no Sudeste (1,67%), vinte no Centro-Oeste (0,15%) e onze no Norte (0,08%), além de dez sem especificação (0,07%). 11 672 habitantes eram naturais do Rio Grande do Norte (86,41%) e, desse total, 10 495 nascidos em Alexandria (77,7%). Entre os naturais de outras unidades da federação, havia 1 372 paraibanos (10,16%), 213 paulistas (1,57%), 104 cearenses (0,77%), 44 baianos (0,32%), 34 pernambucanos (0,25%), quatorze brasilienses (0,11%), treze mineiros (0,1%), nove alagoanos (0,07%), seis roraimenses (0,04%), cinco piauienses (0,04%) e cinco paraenses (0,04%).[46] [47] Para 2015, a estimativa populacional é de 13 852 habitantes.[3]

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é considerado médio, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era de 0,606, sendo o 87º maior do Rio Grande do Norte (PNUD) e o 3 999 º do Brasil. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é de 0,779, o valor do índice de renda é de 0,581 e o de educação é de 0,491.[5] De 2000 a 2010, o índice de Gini caiu de 0,56 para 0,53 e a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até R$ 140 passou de 60,3% para 39,6%, apresentando uma redução de 34,4%. Em 2010, 60,4% da população vivia acima da linha de pobreza, 21,6% abaixo da linha de indigência e 17,9% entre as linhas de indigência e de pobreza. No mesmo ano, os 20% mais ricos eram responsáveis por 56,3% do rendimento total municipal, valor quase 26 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de apenas 2,2%.[43] [48]

Religião[editar | editar código-fonte]

Conforme divisão oficial da Igreja Católica, o município está inserido na Diocese de Mossoró, Zonal do Alto Oeste, e é sede da paróquia Nossa Senhora da Conceição, que foi criada em 25 de outubro de 1936 e geograficamente, abrange os municípios de Alexandria, João Dias e Pilões.[49] No censo de 2010 o catolicismo romano era a religião da maioria da população, com 12 205 adeptos, ou 90,36% dos habitantes.[50]

Alexandria também possui alguns credos protestantes ou reformados. Em 2010, 1 018 habitantes se declararam evangélicos (7,54%), sendo que 678 pertenciam às evangélicas de origem pentecostal (5,02%), 213 às de missão (1,58%) e 127 a evangélicas não determinadas (0,94%). Das igrejas pentecostais, 383 pertenciam à Assembleia de Deus (1,88%), 131 à igreja "Deus é Amor" (0,97%), 96 à Igreja Universal do Reino de Deus (0,71%), 28 à igreja "O Brasil Para Cristo" (0,2%), cinco à Congregação Cristã do Brasil (0,04%) e 35 a outras categorias (0,26%). Em relação às evangélicas de missão, 192 eram presbiterianos (1,42%) e 21 batistas (1,02%).[50]

Além do catolicismo romano e do protestantismo, também existiam 54 testemunhas de Jeová (0,4%), dezoito espíritas (0,14%) e seis budistas (0,14%). Outros 176 não tinham religião (1,3%), entre os quais cinco ateus (0,04%) e cinco agnósticos (0,03%), e 24 possuíam religiosidade não determinada e/ou pertenciam a múltiplas religiões (0,18%).[50]

Política[editar | editar código-fonte]

Prefeitura de Alexandria, sede do poder executivo municipal.

O poder executivo do município de Alexandria é representado pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários, em conformidade ao modelo proposto pela Constituição Federal.[51] O primeiro prefeito do município foi Noé Muniz Arnaud, em 1930, de 15 de novembro a 3 de dezembro daquele ano, e o atual, desde 1° de janeiro de 2013, é Nei Moacir Rossato de Medeiros, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que também exerceu o cargo de 1989 a 1992 e 2001 a 2004, sendo novamente eleito em 2012 com 51,24% dos votos válidos,[52] [53] tendo como vice Francisco Edilberto de Oliveira (PSC).[54]

O poder legislativo é representado pela câmara municipal, composta por nove vereadores eleitos para cargos de quatro anos e está composta da seguinte forma: três cadeiras do Partido Social Democrático (PSD), uma do Partido Verde (PV), uma do Partido Social Cristão (PSC), uma do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), uma do Partido Popular Socialista (PPS), uma do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e uma do Democratas (DEM).[55] Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento municipal (conhecido como Lei de Diretrizes Orçamentárias).[51]

Existem também alguns conselhos municipais atualmente em atividade: Alimentação Escolar, da Criança e do Adolescente, FUNDEB, Meio Ambiente e Saúde.[9] Alexandria se rege por sua lei orgânica, promulgada em 1990,[56] e abriga uma comarca do poder judiciário estadual, de segunda entrância, cujos termos são João Dias e Pilões.[57] De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, Alexandria possuía, em dezembro de 2014, 10 102 eleitores, o que representa 0,417% dos eleitores do Rio Grande do Norte.[58]

Palácio Manoel Matias, onde funciona a Câmara Municipal de Alexandria.

Economia[editar | editar código-fonte]

Em 2012, segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do município de Alexandria era de R$ 77 897 mil, dos quais 62 243 mil do setor terciário, R$ 6 559 mil do setor secundário, R$ 5 112 mil de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e R$ 3 982 mil do setor primário. O PIB per capita era de R$ 5 784,26.[59]

Agência bancária do Banco do Brasil, no Centro, região mais movimentada da cidade.

Em 2013 o município possuía um rebanho de 10 150 galináceos (frangos, galinhas, galos e pintinhos), 8 450 bovinos, 4 465 ovinos, 3 193 caprinos, 925 suínos e 327 equinos.[60] Na lavoura temporária de 2013 foram produzidos tomate (75 t) e feijão (3 t),[61] e na lavoura permanente apenas a castanha de caju (1 t).[62] Ainda no mesmo ano o município também produziu 1 380 mil litros de leite de 2 060 vacas ordenhadas; 20 mil dúzias de ovos de galinha e 2 862 quilos de mel de abelha.[60]

Em 2010, considerando-se a população municipal com idade igual ou superior a dezoito anos, 48,8% eram economicamente ativas ocupadas, 39,9% economicamente inativa e 11,3% economicamente ativa desocupada. Ainda no mesmo ano, levando-se em conta população ativa ocupada a mesma faixa etária, 41,84% trabalhavam no setor de serviços, 31,84% na agropecuária, 13,01% no comércio, 5,72% na construção civil, 4,1% em indústrias de transformação, 1,76% na utilidade pública e 0,23% em indústrias de extração.[43] Conforme a Estatística do Cadastral de Empresas de 2013, Alexandria possuía 223 unidades (empresas) locais, 219 delas atuantes. Salários juntamente com outras remunerações somavam 12 097 mil reais e o salário médio mensal de todo o município era de 1,5 salários mínimos.[63]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Escritório da SAAE de Alexandria, uma dos quatorze localidades do Rio Grande do Norte em que a CAERN não atua.

Alexandria possuía, em 2010, 3 925 domicílios, dos quais 2 727 na zona urbana (69,48%) e 1 198 na zona rural (30,52%). Desse total, 2 354 eram próprios (59,97%), sendo 2 315 quitados (58,98%) e 39 em processo de aquisição (0,99%); 784 eram alugados (19,97%) e 772 cedidos (19,67%), 228 por empregador (5,81%) e 544 de outra(s) maneira(s) (13,86%). Outros quinze eram ocupados sob uma outra condição (0,38%).[64]

O serviço de abastecimento de água no município é feito pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE).[65] Em 2010 3 054 domicílios eram abastecidos pela rede geral (77,81%); 551 através de poços (14,04%); 87 por meio de rio(s), açude(s), lago(s) ou igarapé(s) (0,79%); 73 por carro-pipa ou água da chuva (1,86%) e 160 de outra(s) forma(s) (4,08%).[66] A empresa responsável pelo abastecimento de energia elétrica é a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN).[67] A voltagem da rede é de 220 volts.[68] Do total de domicílios, 3 871 possuíam eletricidade (98,62%), dos quais 3 848 através da distribuidora (98,04%) e 23 de outra(s) fonte(s) (0,59%).[69] O lixo era coletado em 2 698 domicílios (68,74%), 1 785 por caçamba (45,48%) e 913 pelo serviço de limpeza (23,26%).[70]

O código de área (DDD) de Alexandria é 084[71] e o Código de Endereçamento Postal (CEP) é 59965-000.[72] No dia 10 de novembro de 2008 o município passou a ser servido pela portabilidade, juntamente com outras cidades de DDDs 33 e 38, em Minas Gerais; 44, no Paraná; 49, em Santa Catarina; além de outros municípios com código 84, no Rio Grande do Norte.[73] Conforme dados do censo de 2010, do total de domicílios, 2 590 tinham somente telefone celular (65,82%), 333 possuíam celular e fixo (8,45%) e 94 apenas telefone fixo (2,4%).[74] Em 2008, Alexandria sediava duas emissoras de rádio, sendo uma em modulação em amplitude (AM) e uma em modulação em frequência (FM) e ainda possuía uma agência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.[9]

Saúde[editar | editar código-fonte]

A rede de saúde de Alexandria dispunha, em 2009, de quatorze estabelecimentos (nove públicos e cinco privados), com um total de 88 leitos para internação,[75] entre eles o Hospital Maternidade Guiomar Fernandes e o Hospital Maternidade Joaquina Queiroz, ambos privados e mantidos pela Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Alexandria (APAMI).[76] [77] Em 2014 foram registrados 23 óbitos nas unidades de saúde do município, dos quais dezoito por motivo de doença, dois por tumores (neoplasias), um durante a gravidez, um por lesão/envenenamento/causa externa e um por contato com serviços de saúde.[78]

Em 2010, a expectativa de vida ao nascer era de 71,71 anos, com índice de longevidade de 0,779, taxa de mortalidade infantil até um ano de idade de 21,8 por mil nascidos vivos e taxa de fecundidade de 2,3 filhos por mulher.[43] Em abril do mesmo ano, a rede profissional de saúde era constituída por 138 médicos, cinquenta auxiliares de enfermagem, treze cirurgiões-dentistas, dez enfermeiros, oito farmacêuticos, quatro fonoaudiólogos e um fisioterapeuta, totalizando 224 profissionais.[79] Segundo dados do Ministério da Saúde, de 2001 a 2012, foram notificados 773 casos de dengue e três de leishmaniose e, de 1990 a 2012, seis casos de AIDS foram registrados.[80] O município pertence à VI Unidade Regional de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (URSAP-RN), sediada em Pau dos Ferros.[81]

Educação[editar | editar código-fonte]

IDEB de Alexandria[82]
Ano Anos
iniciais
Anos
finais
2005 2,5 2,7
2007 2,8 2,7
2009 3,4 2,9
2011 3,7 3,6
2013 4,5 3,6

O fator "educação" do IDH no município atingiu em 2010 a marca de 0,491,[43] ao passo que a taxa de alfabetização da população acima dos dez anos indicada pelo último censo demográfico do mesmo ano foi de 69% (75,7% para as mulheres e 61,9% para os homens).[83] No mesmo ano, Alexandria possuía 8,74 anos esperados de estudo, valor abaixo da média estadual (9,54 anos).[43] A taxa de conclusão dos ensinos fundamental (15 a 17 anos) e médio (18 a 24 anos) era de 40,5% e 31,8%, respectivamente, e o percentual de alfabetização da população entre 15 e 24 anos era de 92%. Em 2014, a distorção idade-série entre alunos do ensino fundamental, ou seja, com idade superior à recomendada, era de 27,6% para os anos iniciais e 46,9% nos anos finais, enquanto no ensino médio essa defasagem era de 46,4%.[82]

Centro Educacional Avançado Dr. Gentil Paiva de Oliveira.

No censo de 2010, da população total, 4 331 frequentavam creches ou escolas, sendo 4 009 na rede pública de ensino (92,57%) e 322 em redes particulares (7,43%); 2 185 cursavam o regular do ensino fundamental (50,44%), 579 o regular do ensino médio (13,36%), 435 o pré-escolar (10,05%), 314 cursos superiores de graduação (7,26%), 252 a alfabetização de jovens de adultos (5,82%), 235 estavam em creches (5,43%), 151 na educação de jovens e adultos do ensino fundamental (3,49%), 48 a educação de jovens e adultos do ensino médio (1,11%), 33 na especialização de nível superior (0,77%) e três no mestrado (0,77%).[84] Levando-se em conta o nível de instrução da população com idade superior a dez anos, 8 031 não possuíam instrução e fundamental incompleto (69,98%), 1 529 tinham ensino médio completo e superior incompleto (13,32%), 1 458 com fundamental completo e médio incompleto (12,7%) e 458 com superior completo (3,99%).[85]

Em 2012 Alexandria possuía uma rede de dezesseis escolas de ensino fundamental (com 109 docentes), treze do pré-escolar (45 docentes) e uma de ensino médio (quatorze docentes).[86] No ensino superior, Alexandria possui um núcleo acadêmico da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), criado pela lei estadual n° 8 241, de 10 de outubro de 2002, oferecendo cursos de ciências contábeis e pedagogia.[87] [88] [89]

Transporte[editar | editar código-fonte]

Antiga estação ferroviária de Alexandria, da Estrada de Ferro Mossoró-Sousa, hoje desativada.

A frota municipal em 2014 era de 1 905 motocicletas, 1 071 automóveis, 315 caminhonetes, 183 motonetas, 72 caminhões, 41 camionetas, 36 micro-ônibus, treze ônibus, sete utilitários, seis caminhões trator e 57 em outras categorias, totalizando 3 706 veículos.[90]

No transporte rodoviário, Alexandria é cortado por três rodovias, todas estaduais: a RN-075, que liga Alexandria a Pilões;[91] a RN-079, que liga Alexandria a Marcelino Vieira e ao estado da Paraíba;[92] e a RN-117, que começa em Mossoró e atravessa vários municípios da região oeste do estado, até se encontrar com a BR-405, depois de Paraná, ligando o município a Antônio Martins.[93]

No transporte ferroviário, o município é cortado pela ferrovia da Estrada de Ferro Mossoró-Sousa, inaugurada em 15 de março de 1915, ligando Mossoró a Porto Franco, atual Areia Branca, sendo prolongada com o passar dos anos até chegar a Alexandria em 1951 e a Sousa, na Paraíba, em 1958. Desde a década de 1980, a ferrovia foi desativada e seus trilhos desapareceram, contudo a antiga estação ferroviária do município ainda se encontra preservada.[94] [95]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Serra Barriguda, principal atração turística do município.

A Secretaria Municipal de Cultura, Meio Ambiente, Justiça, Turismo e Cidadania[96] é o órgão da prefeitura responsável pela área cultural do município de Alexandria, cabendo a ela a organização de atividades e projetos culturais. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte, Alexandria contava, em 2008, com três campos de futebol, uma biblioteca pública, uma livraria, dois clubes sociais, um centro cultural, dois estádios de futebol e duas quadras de esporte.[9]

A principal atração turística alexandrinense é a Serra Barriguda. Essa serra tem esse nome por se assemelhar ao formato de uma mulher grávida e é formada por granito. O local possui 310 metros de altura e se situa a uma altitude de 602 metros acima do nível do mar.[97] Em 2007, a Serra Barriguda foi eleita uma das sete maravilhas do estado do Rio Grande do Norte, na primeira colocação.[98] Além desta serra, destacam-se ainda a Capela de Santa Filomena, o Sítio Arqueológico e a Pedra do Sino.[9]

Espaço Cultural Antônio Bento Sobrinho, onde são realizados os principais atrativos culturais do município.

O Carnaval Tradição é um dos principais eventos culturais do município e um dos melhores carnavais do interior do Rio Grande do Norte, que consiste em alguns de folia, com animações de bandas musicais.[99] A festa da padroeira Nossa Senhora da Conceição, que acontece de 28 de novembro a 8 de dezembro, atrai milhares de fiéis de diversas localidades, contando também com uma programação sociocultural.[100] Outros importantes eventos são as festas juninas; o Alefolia, carnaval fora de época realizado em julho; a Semana Universitária; a Semana da Cultura e a festa de emancipação política, em 7 de novembro.[9] [99]

O artesanato é uma outra forma espontânea da expressão cultural alexandrinense, sendo possível encontrar, em várias partes do município, uma produção artesanal diferenciada, feita com matérias-primas regionais e criada de acordo com a cultura e o modo de vida local, destacando-se a produção de bolsas, bonecas de pano, cerâmicas, chapéus, utensílios domésticos, entre outros.[101] Normalmente essas peças são vendidas em feiras, exposições ou lojas de artesanato, como a Casa de Cultura Popular Dr. Antônio Fernando Mousinho, inaugurada em 2011 no prédio onde funcionava o antigo quartel, contando com espaços destinados à exposição de produtos artesanais.[102]

Feriados municipais[editar | editar código-fonte]

Segundo a Associação do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (AMPERN), em Alexandria há três feriados municipais. São eles: 28 de maio (dia da morte do coronel Manoel Emídio de Souza), 7 de novembro (dia da emancipação política do município, que se desmembrou de Martins e Pau dos Ferros em 1930) e 8 de dezembro (dia da padroeira do município, Nossa Senhora da Conceição).[103]

Referências

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