Arrigo Sacchi

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Arrigo Sacchi
Arrigo Sacchi
Sacchi em 1989
Informações pessoais
Nome completo Arrigo Sacchi
Data de nasc. 1 de abril de 1946 (76 anos)
Local de nasc. Fusignano, Itália
Nacionalidade italiano
Altura 1,70 m
Informações profissionais
Clube atual aposentado
Função treinador
Times/clubes que treinou
1977–1982
1982–1983
1983–1984
1984–1985
1985–1987
1987–1991
1991–1996
1996–1997
1998–1999
2001
Cesena (cat. de base)
Rimini
Fiorentina (cat. de base)
Rimini
Parma
Milan
Itália
Milan
Atlético de Madrid
Parma

Arrigo Sacchi (Fusignano, 1 de abril de 1946) é um ex-treinador italiano. Foi vice-campeão mundial à frente da Itália na Copa do Mundo FIFA de 1994.[1]

Em setembro de 2007, o The Times o nomeou melhor treinador italiano de todos os tempos e 11º a nível mundial. Em 2019, figurou na 3ª posição da lista "Os 50 maiores treinadores de futebol de todos os tempos", da revista francesa France Football.[2]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Milan[editar | editar código-fonte]

Em 1987, Silvio Berlusconi completava um ano como presidente do Milan. Ambicioso e visando utilizar o clube como trampolim político, Berlusconi surpreendeu ao demitir o sueco Nils Liedholm a algumas rodadas do fim do campeonato e escolher um treinador praticamente desconhecido do grande público para comandar a dupla Ruud Gullit e Marco van Basten: o jovem Arrigo Sacchi. Aquele mesmo que havia sido notado na mesma Milão na temporada anterior, quando, pela Copa da Itália, seu Parma havia exigido do Milan de Liedholm uma disputa por pênaltis.

Àquela época, a maioria dos times da Serie A jogavam de um modo bastante tradicional, com dois centrais fixos, geralmente um líbero e dois meias externos. A posse de bola também era mais individual do que propriamente da equipe, já que os jogadores eram mais facilmente marcáveis. O Parma jogava num 4-4-2 bem ofensivo e cheio de movimentação, com ou sem a bola.[3] Uma "revolução copérnica", como chamaram os jornais da época, na estreia italiana do meio-campo a rombo, ou basicamente o meio em losango da forma como conhecemos no Brasil. No Milan, não recuou e peitou os críticos para colocar em prática seu esquema. Fez bem. Com os rossoneri, conseguiu seus melhores resultados e todos os títulos da carreira, contando inclusive com um sacrifício até então inesperado dos seus principais homens, sendo Carlo Ancelotti um dos grandes exemplos do trabalho.

Em campo, Sacchi criou uma equipe baseada no futebol total da Holanda de Johan Cruijff, com sua forte pressão e os contra-ataques letais. Com a bola nos pés, um time que impunha o próprio jogo e obrigue o adversário a seguir o ritmo imposto. Em suma, um time ofensivo até ao defender. Mas não dá para negar a sorte do técnico Emiliano em ter encontrados jogadores tão dispostos a se entregar a seu jogo. Tanto que vários deles viraram treinadores ao fim da carreira: Ancelotti, Roberto Donadoni, Gullit, Frank Rijkaard e van Basten. Para a revista inglesa World Soccer, o Milan da segunda temporada de Sacchi, em 1988–89, foi o clube mais forte de todos os tempos, e o quarto melhor time da história, atrás apenas de três Seleções (Hungria de 1953, Brasil de 1970 e Holanda de 1974).

Não era para menos. Quem esperava alguma ressaca depois que Sacchi estreou vencendo o Scudetto pelo Milan, pode ter desistido. O que se viu em abril e maio de 1989 foi um time que atordoava seus adversários para recuperar o tempo perdido na Serie A (terminou aquele ano em terceiro, atrás de Inter e Napoli) e reconquistar a Europa. As semifinais daquela Liga dos Campeões da UEFA foram testemunhas de um incrível 5 a 0 imposto pelo time de Sacchi ao Real Madrid de Hugo Sánchez e Emilio Butragueño.[4][5] O melhor viria na final disputada em Barcelona, cidade grata aos rossoneri por terem eliminado os grandes rivais catalães da disputa. A simpática torcida blaugrana foi testemunha de um jogo de um só time, sedento, que fechou as contas logo aos dois minutos do segundo tempo: 4 a 0 sobre o Steaua București de Gheorghe Hagi, Dan Petrescu e Marius Lăcătuş - provavelmente o melhor time romeno da história.

No ano seguinte, o brilho foi menor para um resultado parecido; outro título continental, agora sobre o Benfica dos zagueiros brasileiros Aldair e Ricardo Gomes, na final disputada na Áustria. Além destes, se adicionaram às glórias de Sacchi como treinador rossonero as duas Supercopas Europeias e as duas Copas Intercontinentais, estas últimas vencidas com times mistos sobre o Atlético Nacional, da Colômbia, e o Olimpia, do Paraguai. De trabalho forte e difícil personalidade, em 1990–91 deixou o Milan após alguns problemas com jogadores, em especial com o centroavante Marco van Basten. Outro motivo para a saída foi a eliminação para o Olympique de Marseille na famosa "noite de Marselha", partida em que o Milan se recusou a voltar a campo depois de uma queda de luz no estádio adversário e foi declarado derrotado por 3 a 0.[6]

Seleção Italiana[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 1991, assumiu a Seleção Italiana. E começou mal, tendo seu salário de 12 bilhões de liras anuais sendo investigado pelo Parlamento e ainda uma derrota para a Irlanda na estreia. No jogo seguinte, a vitória sobre a Noruega faria tremer seu relacionamento com Roberto Baggio, a quem substituiu aos 20 minutos para colocar o goleiro Luca Marchegiani em campo após a expulsão de Gianluca Pagliuca. O codino deixou o campo revoltado, perguntando em voz alta se Sacchi estava louco. Mas seria o mesmo Baggio o principal nome da campanha italiana na Copa do Mundo FIFA de 1994. A experiência Azzurra do treinador se encerraria na fase de grupos da Euro de 1996, ao ver sua seleção cair de novo por conta de um pênalti, desta vez perdido por Gianfranco Zola, contra a Alemanha.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Sacchi ainda voltou, sem sucesso para o Milan. Também teve uma passagem bastante esquecível pelo Atlético de Madrid, que durou sete meses até o pedido de demissão. Menor ainda foi o retorno ao Parma: apenas três partidas em 2001, e um afastamento por ordem médica que o tornou diretor técnico dos gialloblù por três anos, só saindo para cumprir o papel no Real Madrid, por 18 meses.[7]

Estilo de jogo[editar | editar código-fonte]

Por seu trabalho em Milão, Sacchi foi homem fundamental para que o futebol italiano inovasse e se recriasse na virada da década de 1990. Ações e expressões quase inéditas há duas décadas se transformaram em algo comum nos dias atuais, como a utilização de defesas altas, pressão incansável, preocupação redobrada nos treinamentos sem bola e a tal da mentalidade vencedora.[8]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Cesena
Milan

Prêmios individuais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Braitner Moreira. «Arrigo Sacchi reinventou o futebol italiano nos anos 1990». Calciopédia. Consultado em 10 de fevereiro de 2022 
  2. «Telê Santana é o único brasileiro em lista de revista francesa com os 50 maiores técnicos da história». GloboEsporte.com. 18 de março de 2019. Consultado em 10 de fevereiro de 2022 
  3. «13º – Arrigo Sacchi: a revolução tática via 4-4-2». Trivela. 28 de fevereiro de 2011. Consultado em 10 de fevereiro de 2022 
  4. Samuel Novaes. «Em 1989, goleada sobre o Real Madrid mostrou do que o Milan de Arrigo Sacchi era capaz». Calciopédia. Consultado em 10 de fevereiro de 2022 
  5. Leandro Stein (19 de abril de 2019). «O marco de uma revolução do futebol: Em plena semifinal da Champions, Milan 5×0 Real Madrid». Trivela. Consultado em 10 de fevereiro de 2022 
  6. Paolo Camedda (15 de agosto de 2021). «Marsiglia-Milan 1991: si spengono le luci sul Velodrome e sui rossoneri di Sacchi» (em italiano). Goal.com. Consultado em 14 de abril de 2022 
  7. «Arrigo Sacchi deixará Real Madrid até o fim do ano». Trivela. 6 de dezembro de 2005. Consultado em 10 de fevereiro de 2022 
  8. Leonardo Bertozzi (1 de abril de 2016). «Sacchi, 70. Palavras e lembranças de um obcecado pela beleza do jogo». ESPN Brasil. Consultado em 10 de fevereiro de 2022 
  9. junto com Alex Ferguson, Rinus Michels, Helenio Herrera e Valeriy Lobanovskiy
  10. «Arrigo Sacchi, une empreinte indélébile sur le football» (em French). Consultado em 14 de março de 2021 
  11. «Top 50 des coaches de l'histoire». France Football. 19 de março de 2019 
  12. Augusto Siqueira (18 de março de 2019). «Revista francesa elege os 50 maiores técnicos de todos os tempos». GQ. Consultado em 10 de fevereiro de 2022 
  13. «Los 50 mejores entrenadores de la historia del fútbol». ABC. 19 de março de 2019 
  14. Jamie Rainbow (4 de julho de 2013). «The Greatest Manager of all time». World Soccer 
  15. Jamie Rainbow (2 de julho de 2013). «The Greatest XI: how the panel voted». World Soccer 
  16. «Greatest Managers, No. 6: Arrigo Sacchi». ESPN. 7 de agosto de 2013. Consultado em 19 de março de 2019 
  17. «Quatro brasileiros e Zagallo à frente de Klopp: revista elege os 100 maiores técnicos da história». ESPN Brasil. 29 de abril de 2020. Consultado em 10 de fevereiro de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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