Alex Ferguson

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Alex Ferguson
CBE
Alex Ferguson CBE
Ferguson em 2009
Informações pessoais
Nome completo Alexander Chapman Ferguson
Data de nasc. 31 de dezembro de 1941 (80 anos)
Local de nasc. Glasgow, Reino Unido
Nacionalidade britânico
Altura 1,80 m
Apelido Sir Alex
Fergie
Informações profissionais
Clube atual aposentado
Posição atacante
Função treinador
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
1957–1960
1960–1964
1964–1967
1967–1969
1969–1973
1973–1974
Queen's Park
St. Johnstone
Dunfermline Athletic
Rangers
Falkirk
Ayr United
jogos (golos)
Seleção nacional
1967
1967
Escócia
Escócia XI
Times/clubes que treinou
1974
1974–1978
1978–1986
1985–1986
1986–2013
East Stirlingshire
St Mirren
Aberdeen
Escócia
Manchester United
Última atualização: 19 de maio de 2013

Sir Alexander Chapman "Alex" Ferguson CBE (Glasgow, 31 de dezembro de 1941) é um ex-treinador e ex-futebolista escocês que atuava como atacante. É o treinador mais vitorioso da história do futebol mundial, tendo ganho 50 títulos. Em 2019, figurou na 2ª posição da lista "Os 50 maiores treinadores de futebol de todos os tempos", da revista francesa France Football.[1][2]

Comandou o Manchester United de 1986 até 2013. Nos 27 anos em que Ferguson treinou a equipe de Manchester, conquistou 38 títulos e se tornou o treinador com mais jogos à frente dos Diabos Vermelhos.[3]

Como jogador, jogou como atacante e defendeu diversos times escoceses, incluindo o Dunfermline Athletic e o Rangers. Pelo Dunfermline Athletic, foi artilheiro da Scottish Premiership (Campeonato Escocês) de 1965–66. Como técnico, Ferguson treinou o East Stirlingshire, o St Mirren, a Seleção Escocesa e o Aberdeen, antes de assinar com o Manchester United. Pelo Aberdeen, ganhou diversos títulos importantes, o que era muito raro na época devido a larga dominância do futebol escocês por dois times, o Celtic e o Rangers.

Em 1999, tornou-se o primeiro treinador de uma equipe inglesa a ganhar a tríplice coroa, vencendo a Premier League, a Copa da Inglaterra e a Liga dos Campeões da UEFA na mesma temporada.[4] No mesmo ano, foi agraciado pela Rainha da Inglaterra com o título de "Sir".

Carreira como jogador[editar | editar código-fonte]

Alex Ferguson cresceu em Govan. Iniciou sua carreira no amador Queen’s Park, fazendo a sua estreia aos 16 anos na posição de atacante. Descreveu sua primeira partida como um "pesadelo" [5] mesmo marcando um gol na vitória de 2 a 1 contra o Stranraer. Como Queen’s Park era uma equipe amadora ele também trabalhou nos estaleiros de River Clyde como um aprendiz de ferramenteiro, onde se tornou um comissário de bordo ativo da loja do sindicato.

Talvez o seu jogo mais notável para o Queen’s Park foi a derrota por 7 a 1 para Queen of the South fora de casa em 1959.[6] Embora tenha marcado 20 gols nos seus 31 jogos pelo Queen’s Park, ele não pode permanecer no clube e foi para o St. Johnstone em 1960. Embora tenha marcado gols regularmente em St. Johnstone, ele era incapaz de manter a titularidade, teve sua transferência solicitada por varias vezes. Ferguson pensou em ir para o Canadá.[7] Embora o clube fosse a favor de sua saída, o treinador selecionou Ferguson para a partida contra os Rangers, em que ele marcou um hat-trick em uma surpreendente vitória. No verão de 1964, Ferguson assinou com o Dunfermline Athletic, tornando-se um jogador profissional por tempo integral. Era amigo de Michael Datnow.

Na temporada 1964–65, Dunfermline tinha a forte luta pelo título da Liga Escocesa (Scottish Premiership) e chegar a final da Copa da Escócia, mas foi derrubado nos jogos finais, depois de um desempenho fraco em um jogo da liga contra St. Johnstone. O Dunfermline perdeu na final contra o Celtic por 3 a 2, e então não conseguiu ganhar a Liga por um ponto. Na temporada 1965–66, Ferguson terminou aquela temporada com 45 gols em 51 jogos e dividiu a artilharia da Scottish Premiership com Joe McBride do Celtic, com 31 gols.[8]

Em 1967, foi contratado pelo Rangers por 65 mil euros, uma transferência considerada recorde entre dois clubes escocesses. Foi responsabilizado pelo gol concedido na final de 1969 da Copa da Escócia[9] em um jogo no qual foi designado para marcar o capitão do Celtic, Billy McNeill, e foi forçado a jogar ao lado dos juniores em vez da equipe principal.[10] De acordo com seu irmão, Ferguson estava tão frustrado com a derrota que jogou a medalha para longe.[11] Após se casar com Cathie, sofre discriminação por parte do clube, ao saberem da religião da esposa,[12] que é católica; famoso pelo sectarismo em não contratar católicos, o Rangers estendia tal política também a protestantes casados com católicos e assim Fergie não teria seu vínculo renovado com o clube.[13]

Em outubro do ano seguinte, o Nottingham Forest se mostrou interessado em assinar com Ferguson, mas sua esposa não estava disposta a mudar-se para a Inglaterra; em vez disso, preferiu assinar com o Falkirk.[14] Foi promovido a jogador-treinador, mas quando John Prentice tornou-se treinador, decidiu tirar essa responsabilidade de Ferguson. Ferguson respondeu solicitando sua transferência e foi transferido para o Ayr United, onde encerrou sua carreia como jogador em 1974.

Carreira como treinador[editar | editar código-fonte]

East Stirlingshire[editar | editar código-fonte]

Em junho de 1974, Ferguson, aos 32 anos de idade, foi nomeado treinador do East Stirlingshire. Era um trabalho de meio período, seu salário era de 40 euros por semana, e nesse tempo o time não tinha um único goleiro.[15] Imediatamente ele ganhou a reputação de disciplinador, onde mais tarde um de seus jogadores disse que "Nunca tinha tido medo de qualquer um antes da chegada de Alex Ferguson".[16] Seus jogadores o admiravam pela suas decisões táticas e o clube sofreu melhoras consideráveis.

No Outubro seguinte, Ferguson foi convidado a treinar o St Mirren. Embora estivesse abaixo do East Stirlingshire na liga, eles estavam entre os maiores clubes e embora Ferguson tivesse um grande sentimento de lealdade ao East Stirlingshire, ele decidiu se unir ao St Mirren, depois de aceitar os conselhos de Jock Stein.[17]

St Mirren[editar | editar código-fonte]

Ferguson comandou a equipe de 1974 até 1978. Apesar de ter uma equipe com o orçamento pequeno, ele foi capaz de levar o time para disputar a Primeira Divisão Escocesa em 1977. No entanto, teve problemas com o presidente do clube, devido Ferguson querer fazer mudanças significativas no St Mirren.[18] Ele foi despedido no ano seguinte, feito esse que fez o St Mirren ser o único clube a demitir Ferguson. Rolam rumores de que o treinador já tinha concordado em transferir-se ao Aberdeen antes de sua disputa com o St Mirren.

Aberdeen[editar | editar código-fonte]

Decepção adiantada[editar | editar código-fonte]

Ferguson chegou ao Aberdeen como treinador em junho de 1978. Ele substituiu Billy McNeill, que ficou no clube por apenas uma temporada antes de receber uma proposta para comandar o Celtic. Embora o Aberdeen fosse um clube importante da Escócia, eles não ganhavam a Liga desde 1955. A equipe estava jogando muito bem, no entanto, mesmo não perdendo uma partida desde dezembro do ano anterior, acabou ficando em segundo lugar na liga.[19] Ferguson agora tinha sido treinador por quarto anos, mas ainda não era mais velho que alguns jogadores e tinha problema para ganhar respeito de alguns jogadores, tais como Joe Harper.[20] A temporada com o Aberdeen não teve um final bom, alcançou a semifinal da Copa da Escócia e a final da Liga, mas perdeu os jogos e acabou em quarto lugar na liga.

Em dezembro de 1979, novamente voltaram a perder a final da Liga, desta vez para o Dundee United no segundo jogo. Ferguson assumiu a culpa da derrota, dizendo que ele devia ter feito mudanças na equipe para o segundo jogo.[21]

O Aberdeen tinha começado a temporada mal, mas sua performance melhorou dramaticamente no começo do ano e eles ganharam a liga escocesa com uma vitória de 5 a 0 no último jogo. Era a primeira vez em quinze anos que a liga não era vencida pelo Rangers ou pelo Celtic. Agora Ferguson sentiu que teve o respeito dos seus jogadores, mais tarde disse "Foi o feito que nos uniu. Eu finalmente fiz os jogadores acreditarem em mim".[22]

Ele ainda era rígido com a disciplina, os seus jogadores o apelidaram de Furious Fergie (Fergie Furioso). Ferguson multou um de seus jogadores, John Hewitt, por ultrapassá-lo em uma estrada publica,[23] e deu um pontapé no galão de chá dos jogadores no intervalo, depois de um primeiro tempo fraco.[24] Ferguson ficou insatisfeito com a atmosfera do Aberdeen e deliberadamente criou uma "mentalidade fechada" perto de acusar a imprensa escocesa de ser preconceituosa com o clube Glasgow, a fim de o convidar para motivar o time.[25] A equipe continuou seu sucesso, conquistando a Copa da Escócia em 1982. Ferguson foi procurado para assumir o cargo de treinador no Wolverhampton, mas recusou, preferindo continuar no Aberdeen.[26] Ele afirmou que seus planos e ambições não eram os mesmos da diretoria.[27]

Sucesso europeu[editar | editar código-fonte]

Ferguson levou o Aberdeen ainda mais alto na temporada seguinte (1982–83). Eles se qualificaram para a Recopa Europeia, por ter conquistado a Copa da Escócia na temporada anterior, e impressionantemente ter nocauteado Bayern de Munique, que tinham batido o Tottenham Hotspur por 4 a 1 na rodada anterior. De acordo com Willie Miller, isso deu-lhes a confiança para acreditar que eles poderiam passar a ganhar a competição,[28] que eles fizeram, com uma vitória sobre o Real Madrid por 2 a 1, na final, em 11 maio 1983. O Aberdeen foi a terceira equipe escocesa a ganhar um troféu europeu e agora Ferguson sentiu que "ele tinha feito algo de valor com sua vida".[29] O Aberdeen teve também um bom desempenho na liga nessa época, e conquistou a Copa da Escócia com uma vitória sobre o Rangers por 1 a 0, mas Ferguson não ficou contente com a performance de sua equipe. Onde até mesmo os jogadores descreveram como uma "vergonhosa performance", em uma entrevista televisionada após o jogo.[30]

Depois de um sub-padrão para iniciar a temporada 1983–84, o Aberdeen melhorou o time dando forma no estilo de jogo que venceu a Scottish Premiership e manteve a Copa da Escócia. Ferguson foi agraciado com a OBE em 1984,[31] e durante a temporada foram oferecidos ao treinador empregos no Rangers, Arsenal e Tottenham. Na temporada 1984–85, Aberdeen manteve o seu título no campeonato, mas teve uma temporada decepcionante em 1985–86, mesmo ganhando as duas taças nacionais, terminou na quarta classificação. No início de 1986, Ferguson foi nomeado para o conselho administrativo do clube, mas em abril ele disse a Dick Donald, presidente do clube na época, que ele pretendia deixar o clube naquele verão.

Durante as Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1986, Jock Stein, então treinador da Seleção Escocesa, faleceu em 10 de setembro de 1985, após infarto em meio ao dramático confronto direto fora de casa contra o País de Gales por uma vaga na repescagem. Ferguson prontamente concordou em assumir o comando da Seleção Escocesa na repescagem, os escoceses venceram a Seleção Australiana e se classificaram para a Copa do Mundo FIFA de 1986. Para conseguir cumprir as suas obrigações internacionais, Archie Knox foi nomeado como seu auxiliar técnico no Aberdeen.

Em torno deste tempo, o Tottenham ofereceu a Ferguson a possibilidade de substituir Peter Shreeves como treinador, mas ele rejeitou a oferta; David Dobre, que estava no Luton Town, acabou assumindo o cargo. Houve também uma oferta do Arsenal para substituir Don Howe como treinador, mas Ferguson voltou a rejeitar. O posto de treinador do Arsenal acabou sendo assumido pelo seu compatriota, o escocês George Graham.

Naquele verão, havia especulações de que ele ia tomar o cargo de Ron Atkinson no Manchester United, que tinha caído para a quarta colocação no inglês. Embora Ferguson permanecesse no clube durante o verão, ele só assinou com o Manchester United quando Atkinson foi demitido em novembro de 1986.

Manchester United[editar | editar código-fonte]

Estátua de Sir Alex Ferguson no Old Trafford

Em 6 de novembro de 1986, Ferguson foi nomeado treinador da equipe do Old Trafford. Sua preocupação inicial foi que muito dos seus jogadores, tais como Norman Whiteside, Paul McGrath e Bryan Robson, estavam bebendo muito e estava "deprimido" pelo seu nível de aptidão, Mas ele conseguiu elevar os jogadores, com disciplina e união, a equipe terminou a temporada em 11°. Sua única vitória na liga fora de casa foi sobre o Liverpool em Anfield por 1 a 0. Para o Liverpool foi sua única derrota em casa na temporada, o que ajudou a acabar com defesa pelo título da liga.

Ferguson sofreu uma tragédia pessoal três semanas após a sua nomeação, quando sua mãe Elizabeth morreu aos 64 anos por um câncer pulmonar.

Na temporada 1987–88, Ferguson fez grandes contratações, incluindo Steve Bruce, Viv Anderson, Brian McClair e Jim Leighton. Os novos jogadores fizeram uma grande contribuição para a equipe, que terminou em segundo lugar, nove pontos atrás do Liverpool. United estava esperando fazer melhor quando Mark Hughes retornou ao clube, dois anos depois de sair do Barcelona, mas a temporada 1988–89 foi uma decepção para eles, terminando o campeonato em décimo primeiro e perder por 1 a 0 em casa na quarta de final para o Nottingham Forest, na Copa da Inglaterra.

Para a temporada 1989–90, Ferguson ainda potenciava seu plantel, pagando grandes quantias de dinheiro para trazer os meio-campistas Neil Webb e Paul Ince, bem como o defensor Gary Pallister (2,3 milhões de euros para o Middlesbrough, um recorde nacional). A temporada começou bem com uma vitória no jogo inaugural por 4 a 1 sobre o Arsenal que detinha o título da temporada, mas a liga se azedou rapidamente para o United. Em setembro, jogando como visitante, United sofreu uma derrota humilhante de 5 a 1 contra seu feroz rival, o Manchester City. Na sequência deste e de um início de temporada com seis derrotas e dois empates em oito jogos, foi colocado um banner que declarava: "Três anos de desculpas e ainda continua uma porcaria. Ta ra Fergie." Foi exibido no Old Trafford, muitos jornalistas e defensores pediam a demissão de Ferguson.[32] Em dezembro de 1989, Ferguson descreve como "o período mais negro que nunca havia sofrido em um jogo."[33]

Na sequência de sete jogos sem uma vitória, Manchester United foi jogar em Nottingham pela terceira rodada da Copa da Inglaterra. O Nottingham Forest estava com um bom desempenho na liga nessa temporada,[34] e esperava-se que os United perdessem o jogo e Ferguson, por consequência, ser demitido, mas United ganhou o jogo por 1 a 0 e, finalmente, chegou à final. Esta vitória na Copa da Inglaterra é freqüentemente citada como o jogo que salvou a carreira de Ferguson no Old Trafford.[34][35][36] Na final contra o Crystal Palace, o United empatou no primeiro jogo por 3 a 3. No entanto, venceram no "replay" da decisão por 1 a 0, sendo esse o primeiro grande troféu de Ferguson no comando do Manchester United.[37] As fragilidades defensivas na primeira partida foram unilateralmente culpa do goleiro Jim Leighton, forçando Ferguson a deixar o ex-jogador do Aberdeen e contratar o arqueiro Les Sealey.

Embora na temporada 1990–91 o United tivesse melhorado, eles ainda eram inconsistentes na liga nacional, terminando em sexto. Mesmo após a vitória na Copa da Inglaterra na temporada anterior, ainda ficavam algumas dúvidas sobre a capacidade de Ferguson para conquistar a liga, devido ao fato de todos os outros treinadores, depois Matt Busby, terem falhado.[36] Foram finalistas da Copa da Liga Inglesa, perdendo por 1 a 0 para o Sheffield Wednesday. Também chegaram à final da Recopa Europeia, superando o campeão da Liga Espanhola, o Barcelona, por 2 a 1. Após a partida, Ferguson prometeu que iria ganhar o campeonato nacional na temporada seguinte.[38]

Na temporada 1991–92, Ferguson não fez jus às expectativas, em suas palavras, "Muitos meios de comunicação sentiam que (seus) erros haviam contribuído para a miséria".[39] United venceu a Copa da Liga Inglesa e a Supercopa Europeia, mas perdeu o título da liga para seu rival Leeds United, depois ter liderado a tabela durante grande parte da temporada. Ferguson considerou que o seu fracasso em garantir a assinatura de Mick Harford pelo Luton Town tinha custado a liga, e que a equipe precisava de "uma dimensão extra", se quisessem ganhar o campeonato na próxima temporada.[40]

Durante o ano 1992 fechar a temporada, Ferguson ficou na procura por um novo artilheiro. Ele tentou primeiro com Alan Shearer, do Southampton, mas o atacante foi para o Blackburn Rovers. No fim, ele pagou 1 milhão de euros pelo atacante de 23 anos do Cambridge United, Dion Dublin, a única grande contratação do verão.

Depois de um começo lento para a temporada 1992–93, no início de novembro ocupavam a 10º colocação de 22 times. Mais uma vez parecia que o Manchester United estava deixando de brigar pelo título da liga, que agora passou a ser chamada de Premier League. No entanto, após a compra do atacante francês Éric Cantona que defendia o Leeds United por 1,2 milhões de euros, o futuro do Manchester United e a posição de Ferguson como treinador começaram a brilhar. Cantona formou uma forte parceria com Mark Hughes e colocou o clube ao topo da tabela, terminando 26 anos de esperar pelo maior título nacional e também torná-lo pela primeira vez, depois a reforma da liga, campeão da Premiership. O Manchester United acabou campeão com uma margem superior a 10 pontos sobre o segundo colocado, Aston Villa, cuja derrota por 1 a 0 para o Oldham Athletic, em 2 de maio 1993, acabou dando o título United. Alex Ferguson foi eleito Treinador do Ano pela League Managers' Association.

Na temporada 1993–94 Ferguson acertou a transferência do meia de 22 anos do Nottingham Forest, Roy Keane, com uma transferência recorde de 3,75 milhões de euros, como substituto a longo prazo para Bryan Robson, que estava no final da sua carreira. Cantona foi artilheiro com 25 gols em todas as competições, apesar de ter sido expulso duas vezes no espaço de cinco dias em março de 1994. United também chegou à final da Copa da Liga Inglesa, mas perdeu 3 a 1 com o Aston Villa, gerido pelo antecessor de Ferguson, Ron Atkinson. No final da FA Cup, o Manchester United conseguiu uma impressionante placar de 4 a 0 contra o Chelsea, Ferguson conquistou um dobradinha com seu segundo Campeonato Inglês e a Copa da Inglaterra.

Ferguson fez apenas uma contratação para a próxima temporada, pagando 1,2 milhões de euros ao Blackburn Rovers por David May. Os jornais relataram que Ferguson estava também querendo contratar o atacante Chris Sutton, do Norwich City, mas o jogador foi para o Blackburn.

Na temporada 1994–95 foi uma temporada difícil para Ferguson. Cantona agrediu um torcedor do Crystal Palace, em um jogo no Selhurst Park, e parecia que ele iria deixar o futebol inglês. Um banimento de oito meses fez com que Cantona perdesse os quatro último meses da temporada. Ele também recebeu uma pena de prisão de 14 dias, mas a sentença foi anulada e substituída por 120 horas de serviço comunitário. Sobre o lado brilhante, o United pagou 7 milhões de euros pelo atacante Andy Cole, do Newcastle United. O jovem ala Keith Gillespie foi como troca. A temporada também viu a descoberta de jovens jogadores como Gary Neville, Nicky Butt e Paul Scholes.

O campeonato escapou por pouco do Manchester United, enquanto empatou 1 a 1 com o West Ham United, no último jogo da rodada, quando uma vitória lhes teria dado o título do campeonato pela terceira vez consecutiva. O United também perdeu a final da Copa da Inglaterra, sendo derrotado por 1 a 0 pelo Everton.

Ferguson foi muito criticado no verão de 1995, quando três jogadores do United foram autorizados a sair e não foram comprados substitutos. Primeiro Paul Ince mudou-se para a Internazionale, da Itália, por 7,5 milhões de euros; o atacante Mark Hughes foi vendido ao Chelsea de repente, em um negócio de 1 milhão e 500 mil euros, e Andrey Kanchelskis foi vendido para o Everton. Ferguson fez uma abordagem para contratar o atacante Darren Anderton, mas o jogador assinou um novo contrato com o Tottenham Hotspur. Então fez uma proposta para assinar o neerlandês Marc Overmars, do Ajax (campeões da Liga dos Campeões da UEFA), mas o jogador sofreu uma grave lesão no joelho e ficou afastado por meses. Sugeriram relatos de que o United estava querendo contratar Roberto Baggio, então atacante da Juventus, da Itália, na época era considerado o melhor jogador do mundo, mas o jogador permaneceu em sua terra natal e assinou com o Milan.

Ferguson considerou que o United estava com um bom número de jovens jogadores prontos para jogar na equipe principal. Os jovens, que seriam conhecidos como "Fergie's Fledglings", eram Gary Neville, Phil Neville, David Beckham, Paul Scholes e Nicky Butt, que logo passaram a ser peças importantes da equipe.[41] E assim começou a temporada de 1995–96, sem a contratação de um importante jogador, num momento em que Arsenal, Liverpool e Newcastle estavam presentes nas manchetes com muitas contratações caras.

Quando United perdeu a primeira partida do campeonato da temporada 1995–96 por 3 a 1 para o Aston Villa, a mídia falou sobre Ferguson com uma alegria indisfarçável. Eles escreveram que o United estaria fora, porque Ferguson continha muitos jogadores jovens e inexperientes. O comentarista do Match of the Day, Alan Hansen disse que "não se pode ganhar alguma coisa com as crianças".

No entanto, os jovens jogadores tiveram um bom desempenho e o United venceu os seus cinco jogos seguintes, vingando-se do Everton pela derrota na Copa da Inglaterra, com uma vitória por 3 a 2, em pleno Goodison Park, e conseguiu uma vitória por 2 a 1 sobre os campeões do Blackburn Rovers, que parecia que agora ia batalhar contra o rebaixamento do que pelo título.

Cantona retornou da suspensão, mas eles se encontraram 10 pontos atrás do Newcastle no natal de 1995. Uma vitória por 2 a 0 em casa sobre o Tynesiders em 27 de dezembro reduziu a diferença para sete pontos e uma posterior vitória sobre o Queens Park Rangers estreitou a luta para a quatro pontos, mas uma derrota por 4 a 1 para o Tottenham no dia de ano novo de 1996 e um empate 0 a 0 em casa com o Aston Villa viu os Magpies restabelecer a sua ampla vantagem e parecia certo que o campeonato fosse do Newcastle.[42]

Aposentadoria[editar | editar código-fonte]

No dia 8 de maio de 2013, o Manchester United anunciou que Sir Alex iria se aposentar e não seria mais treinador da equipe após o término da temporada.[43] Seu sucessor foi David Moyes, ex-Everton.[44] Ao fim deste ciclo, foram 38 títulos, sendo 13 da Premier League e dois da Liga dos Campeões da UEFA.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Como treinador[editar | editar código-fonte]

St Mirren
Aberdeen
Manchester United

Estátisticas como treinador[editar | editar código-fonte]

Equipe Jogos Vitórias Empates Derrotas Aproveitamento
East Stirlingshire 17 9 2 6 56.86%
St Mirren 169 74 41 54 51.87%
Aberdeen 459 275 105 82 67.54%
Escócia 10 3 4 3 43.33%
Manchester United 1500 895 338 267 67.18%

Referências

  1. Augusto Siqueira (18 de março de 2019). «Revista francesa elege os 50 maiores técnicos de todos os tempos». GQ. Consultado em 30 de novembro de 2021 
  2. «Com apenas um brasileiro, revista francesa faz ranking dos 50 melhores treinadores da história do futebol mundial». GZH. 21 de março de 2019. Consultado em 30 de novembro de 2021 
  3. «A carreira de Sir Alex Ferguson desde o início a aposentadoria: Todos os troféus e recordes». Goal.com. 10 de maio de 2018. Consultado em 30 de novembro de 2021 
  4. «Manchester United: Revista elege time que ganhou Mundial do Palmeiras como melhor da história». ESPN Brasil. 6 de novembro de 2020. Consultado em 19 de maio de 2022 
  5. The Boss. [S.l.: s.n.] p. 33 
  6. «Get all the latest Scottish football news and opinions here». Dailyrecord.co.uk. 11 de agosto de 2009. Consultado em 30 de outubro de 2009 
  7. «Ferguson reveals earlier Canada emigration plans». ESPN Soccernet. 4 de fevereiro de 2010. Consultado em 4 de fevereiro de 2010 
  8. «Scotland — List of Topscorers». Rsssf.com. 12 de junho de 2009. Consultado em 30 de outubro de 2009 
  9. The Boss. [S.l.: s.n.] p. 82 
  10. The Boss. [S.l.: s.n.] p. 83 
  11. The Boss. [S.l.: s.n.] p. 86 
  12. Reid, Harry (2005). The Final Whistle?. [S.l.]: Birlinn. p. 223. ISBN 1-84158-362-6 
  13. STEIN, Leandro (28 de agosto de 2019). «Sectarismo, traição, rivalidade: A história da transferência que deixou Celtic e Rangers em chamas». Trivela. Consultado em 3 de setembro de 2019 
  14. The Boss. [S.l.: s.n.] p. 85 
  15. The Boss p. 108-9.
  16. «A leader of men is what he does best». The Guardian. 23 de novembro de 2004. Consultado em 9 de março de 2007 
  17. The Boss p. 117.
  18. Holt, Nick; Guy Lloyd (2006). Total British Football. [S.l.]: Flame Tree. 158 páginas. ISBN 1-84451-403-X 
  19. The Boss p. 159.
  20. The Boss p. 171.
  21. The Boss p. 174.
  22. The Boss p. 175.
  23. The Boss p. 179.
  24. The Boss p. 180.
  25. The Boss p. 191.
  26. The Boss p. 195
  27. The Boss p. 196.
  28. The Boss p. 201.
  29. The Boss p. 203.
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  31. «Lewis heads sporting honours». BBC News. BBC. 12 de dezembro de 1999. Consultado em 18 de junho de 2007 
  32. «Arise Sir Alex?». BBC News, 27 May 1999. Consultado em 3 de dezembro de 2005 
  33. Ferguson, Alex; Peter Fitton (1993). Just Champion!. [S.l.]: Manchester United Football Club plc. 27 páginas. ISBN 0-9520509-1-9 
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  38. Managing My Life p. 302.
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  40. Managing My Life p. 320.
  41. «'Seleção' de craques marca 26 anos de Ferguson no Manchester United». SporTV.com. 9 de maio de 2013. Consultado em 30 de novembro de 2021 
  42. «Ferguson pede que transferência de jogador para Tottenham seja suspensa». Terra. 5 de janeiro de 2013. Consultado em 30 de novembro de 2021 
  43. «Após 27 anos à frente do United, Alex Ferguson anuncia aposentadoria». GloboEsporte.com. 8 de maio de 2013. Consultado em 30 de novembro de 2021 
  44. «Manchester United anuncia David Moyes como substituto de Ferguson». GloboEsporte.com. 9 de maio de 2013. Consultado em 30 de novembro de 2021 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ferguson, Alex (2013). My Autobiography. [S.l.]: Hodder & Stoughton Ltd. ISBN 0-340-91939-6 
  • Barclay, Patrick (2010). Football – Bloody Hell!: The Biography of Alex Ferguson. [S.l.]: Vintage. ISBN 0-224-08305-8 
  • Crick, Michael (2003). The Boss: The Many Sides of Alex Ferguson. [S.l.]: Pocket Books. ISBN 0-7434-2991-5 
  • Ferguson, Alex (2000). Managing My Life: The Autobiography. [S.l.]: Coronet Books. ISBN 0-340-72856-6 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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