Brian Clough

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Brian Clough
Aankomst Nottingham Forrest op Schiphol, Ajax 1 tegenstanders voor de Europa Cup, Bestanddeelnr 930-7831.jpg
Clough em 1980.
Informações pessoais
Nome completo Brian Howard Clough
Data de nasc. 21 de março de 1935
Local de nasc. Middlesbrough, Reino Unido
Falecido em 20 de setembro de 2004 (69 anos)
Local da morte Derby, Reino Unido
Informações profissionais
Posição Treinador
Clubes de juventude
1951–1953
1953–1955
Middlesbrough
Billingham Synthonia
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
1955–1961
1961–1964
Middlesbrough
Sunderland
0213 00(197)
0061 000(54)
Seleção nacional
1957–1958
1957
1958–1959
Inglaterra Sub-23
Inglaterra B
Inglaterra
0003 0000(2)
0001 0000(1)
0002 0000(0)
Times/Equipas que treinou

1965–1967
1967–1973
1973–1974
1974
1975–1993
Sunderland (Categorias de base)[1]
Hartlepool United
Derby County
Brighton & Hove Albion
Leeds United
Nottingham Forest

Brian Howard Clough, OBE (Middlesbrough, 21 de Março de 1935 –– Derby, 20 de Setembro de 2004[2]) foi um futebolista e treinador inglês.

Formando uma das mais bem-sucedidas parcerias na história do futebol com Peter Taylor, que conheceu quando ambos jogavam no Middlesbrough,[3] Clough celebrizou-se como o vitorioso técnico que levou, com medianos jogadores, duas minúsculas equipes inglesas rivais, Derby County e Nottingham Forest, da segunda divisão ao título na elite nacional, sendo o comandante do período áureo dos dois times. No Nottingham, foi ainda mais longe, conquistando com o clube um extraordinário bicampeonato na Copa dos Campeões Europeus (atual Liga dos Campeões da UEFA).[4]

Embora sua passagem como treinador do Leeds United tenha sido longe de alcançar o mesmo sucesso, foi justamente o período caótico de 44 dias que durou neste clube[5], substituindo ainda por cima um desafeto que fizera história ali (Don Revie, que iria treinar a Seleção Inglesa), que um filme inglês de 2009, The Damned United ("Maldito Futebol Clube", no Brasil), decidiu retratar, alternando entre sua ascensão no Derby e seu período no Leeds. Nele, Clough foi interpretado por Michael Sheen.

Além de seu sucesso no futebol, sendo considerado o mais bem-sucedido treinador inglês de sua geração, bem como "o maior treinador que a Inglaterra nunca teve" por nunca ter treinado a seleção inglesa, a ponto da UEFA elegê-lo como um dos dez maiores treinadores do futebol europeu durante seus 53 anos iniciais de existência,[1] era notório por sua extroversão e sinceridade, caracterizadas por suas frases de efeito e bom humor.[4]

Carreira profissional[editar | editar código-fonte]

Middlesbrough[editar | editar código-fonte]

Nascido em Middlesbrough,[2] Clough iniciou sua carreira no clube homônimo da cidade, primeiramente atuando nas categorias de base, e depois chegando à equipe principal, após duas temporadas na base do Billingham Synthonia. Em uma período onde os clubes eram donos do passe dos jogadores, a ponto destes não poderem se transferir para outro clube sem autorização mesmo após o término de seus contratos, Clough se destacou atuando na Segunda Divisão Inglesa. Nas seis temporadas em que esteve no clube, marcou 204 vezes em 222 partidas, sendo o artilheiro do clube em três temporadas e terminando como artilheiro do campeonato nas edições de 1958/59 e 1959/60.[4]

No entanto, para Clough, sua passagem pela equipe ficaria realmente marcada pelas duas partidas em que defendeu a seleção inglesa, contra Suécia e País de Gales, e pelo início da amizade com seu companheiro Peter Taylor, que se tornaria um amigo próximo e seu assistente durante seus períodos mais férteis como treinador. Taylor também foi o responsável pela sua assinatura com o Middlesbrough: com ambos participando de um jogo-treino para ingressar no clube, o treinador Bob Dennison não chegara a reparar na capacidade de Clough, ao contrário de Taylor, que sugeriu a Dennison que este devia assinar com o potencial atacante. Embora os dois tenham permanecido no clube durante cinco anos, a parceria não rendeu títulos.[4][3]

Bob Dennison, embora fosse uma das minhas pessoas favoritas, era muito pouco ambicioso para Brian [Clough], e sua equipe tinha a mesma característica. Harold Shepherdson, auxiliando a Inglaterra, e outros treinadores como Micky Fenton e Jimmy Gordon, eram boas pessoas treinando um clube agradável que tratava decentemente seus jogadores sem chegar a nenhum lugar.
Taylor relembrando sua passagem como jogador pelo Middlesbrough ao lado de Clough.[6]

Sunderland[editar | editar código-fonte]

Quando estava com 26 anos, em 1961, recebeu autorização para assinar com o Sunderland,[4] que também estava disputando a Segunda Divisão. Embora tivesse mantido sua elevada média de gols no novo clube, marcando 62 vezes em 71 partidas nas duas primeiras temporadas, a sua passagem ficaria marcada por uma grave lesão do joelho, ocorrida em dezembro do ano seguinte à sua contratação, no Boxing Day,[3] em uma partida contra o Bury, quando chocou-se contra o goleiro adversário, rompendo todos os ligamentos do joelho.[4][7] "Quando vi seu joelho, soube que sua carreira tinha acabado, mas disse: 'não tirem a chuteira dele porque ele tem de voltar ao jogo'", disse na ocasião seu técnico, procurando acalmá-lo.[7] Clough ficou o restante da temporada fora, situação que continuou no ano seguinte. Persistente, passou seu tempo após a cirurgia tentando recuperar sua forma e voltar a jogar, chegando a disputar três partidas em sua quarta temporada no clube, agora na Primeira Divisão, mas desistindo da carreira de jogador e anunciando sua aposetandoria aos 29 anos.[4]

Partidas pelas seleções inglesas[editar | editar código-fonte]

A tabela abaixo resume as aparições de Brian Clough pelas equipes B, sub-23 (ambas especificadas em parênteses) e principal da seleção inglesa.[8][9][10]

# Data Competição Local Adversário Placar Gol(s)
1 6 de fevereiro de 1957 Amistoso (seleção B) Birmingham (St Andrew's) Flag of Scotland.svg Escócia Symbol support vote.svg 4-1 1
2 26 de fevereiro de 1957 Amistoso (seleção sub-23) Glasgow (Ibrox Park) Flag of Scotland.svg Escócia Symbol neutral vote.svg 1-1 0
3 19 de maio de 1957 Amistoso (seleção sub-23) Sófia Flag of Bulgaria (1948-1967).svg Bulgária Symbol oppose vote.svg 2-1 1
4 23 de abril de 1958 Amistoso (seleção sub-23) Wrexham (Racecourse Ground) Flag of Wales (1953–1959).svg País de Gales Symbol oppose vote.svg 2-1 1
5 28 de outubro de 1958 Amistoso Londres (Wembley) Flag of Sweden.svg Suécia Symbol oppose vote.svg 3-2 0
6 17 de outubro de 1959 Campeonato Interbritânico Cardiff (Ninian Park) Flag of Wales.svg País de Gales Symbol neutral vote.svg 1-1 0
Total 3

Treinador[editar | editar código-fonte]

Derby County[editar | editar código-fonte]

Após uma breve passagem pelas categorias de base do Sunderland, e duas temporadas de relativo sucesso pelo Hartlepools United, passagem que ficou marcada pelo início de sua parceira com Peter Taylor,[4] Clough assinou com o Derby County, juntamente de Taylor. Chegou ao Derby em 1967 e dois anos depois levava o time à primeira divisão inglesa, com o título da segunda divisão da temporada 1968/69. Três temporadas depois, com um elenco cheio de jogadores relativamente desconhecidos ou tidos como irrelaventes em seus clubes,[11] com alguma exceção ao meia da Seleção Escocesa Archie Gemmill, após acirrada disputa contra Liverpool, Leeds United e Manchester City (o Derby ficou um ponto a frente destes três clubes) conquistou o primeiro campeonato inglês com o clube, credenciando-o para a disputa da Copa dos Campeões da UEFA de 1972/73.

Estátua de Clough em Nottingham.

No torneio europeu, o Derby chegou às semifinais, sendo eliminado pela Juventus de Dino Zoff, Franco Causio, José Altafini, Fabio Capello e Roberto Bettega. Com o sucesso no comando do time, Clough pediu aumento salarial da diretoria, não sendo atendido. Envolto em anos de atrito com a diretoria do clube, resolveu então demitir-se do clube.[4] Embora o Derby tenha novamente ganho o campeonato inglês em 1975, a saída de Clough é apontada como péssima pela torcida até hoje, havendo quem diga que, caso o treinador tivesse continuado, o Derby teria sido o melhor time da década, não o Liverpool.[11]

Nottingham Forest[editar | editar código-fonte]

Seu sucesso no Derby o fez ser detestado pela torcida do Nottingham Forest,[11] sentimento amenizado após o técnico sair do rival e passar por Brighton & Hove Albion e Leeds United, onde não se deu bem por que seu assistente técnico Peter Taylor o abandonou após uma dicussão ainda quando treinava o Brighton.[11]

Em 1975, após sua ex-equipe do Derby ter sido bicampeã inglesa, foi contratado pelo Nottingham. Assim como quando chegara ao Derby, veio ao novo clube com ele na segunda divisão. A ascensão meteórica começou na temporada seguinte. O time foi promovido à primeira divisão após obter um terceiro lugar na segunda, com um ponto de diferença sobre Bolton Wanderers e Blackpool.

Na posterior, a de 1977/78, também com um elenco de nomes modestos, cujos únicos astros era o goleiro da Seleção Inglesa Peter Shilton e Archie Gemmill, que vieram naquela temporada (o escocês, diretamente do rival Derby), deu ao Nottingham seu único título no campeonato inglês, sete pontos à frente do Liverpool. O clube também ganhou a sua primeira Copa da Liga Inglesa. Clough chegou a ser procurado pelo Derby para voltar ao time, mas recusou.[11]

A estrada Brian Clough, que liga Derby à Nottingham.

Na Copa dos Campeões seguinte, a de 1978/79, ambos se enfrentaram na primeira fase e os liverpuldianos, recém-bicampeões seguidos do torneio, foram eliminados. Paralelamente, ambos também disputavam a liderança do campeonato inglês, que na ocasião acabou vencido pelos Reds, a despeito do Nottingham ter completado no decorrer do torneio uma invencibilidade de 42 jogos que só seria quebrada mais de vinte anos depois, pelo Arsenal.[12] O clube vencia sua segunda Copa da Liga.

Na Copa dos Campeões, o Nottingham passou tranquilamente pelos adversários que se seguiram, tornando-se também o primeiro clube a vencer uma semifinal do torneio na casa do adversário[12]- o que ocorreu na vitória por 1 x 0 sobre o Colônia, que conseguira empatar em 3 x 3 na Inglaterra - e, na final, bateram por 1 x 0 os suecos do Malmö. O gol foi marcado por Trevor Francis, astro do Birmingham City contratado especialmente para a decisão com esse título Brian Clough foi o último treinador inglês a ganhar o torneio.[12] Mesmo Francis não escapara da cerimônia de "batismo" imposta pelo treinador aos novos jogadores do Nottingham, tendo sido forçado a servir chá aos novos colegas durante o intervalo daquela e de algumas partidas seguintes; "Ele punha muito leite no meu. Jogava melhor do que fazia chá", chegou a contar Clough.[13]

Clough levava o minúsculo clube a um inacreditável título no mais importante torneio continental de clubes, igualando-o ao tradicional Manchester United, campeão em 1968 e que seria ultrapassado pelo Nottingham em seguida: credenciado a disputar o torneio na temporada seguinte como detentor do título, faturou-o novamente, vencendo na decisão o Hamburgo. Por décadas, apenas o Milan de Marco van Basten conseguiria ser bicampeão seguido do torneio após o feito do Nottingham, até o Real Madrid de Cristiano Ronaldo igualar em 2017 o feito. O Nottingham, por sua vez, foi o segundo maior vencedor inglês do torneio até 2008, quando o Manchester United faturou seu terceiro título. Na mesma temporada do bicampeonato europeu do Nottingham, o Derby era rebaixado para a segunda divisão. Clough recusaria outro convite para voltar ao antigo clube em 1983.

Os troféus rareram na década de 1980, vindo apenas um novo bi na Copa da Liga, em 1989 e 1990. Um título inédito, o da FA Cup, quase veio em 1991, mas foi perdido para o Tottenham Hotspur. Em 1992, o Nottingham foi vice também na Copa da Liga. No ano seguinte, após dezoito temporadas comandando a equipe, Clough decidiu sair. O clube terminou rebaixado na Premier League, que estava em sua primeira edição. Chegou a voltar em 1999, mas novo rebaixamento veio em seguida, e outro mais tarde, levando o clube à terceira divisão.

Parceria com Peter Taylor[editar | editar código-fonte]

Clough e Taylor tinham perfis opostos, com o primeiro sendo extrovertido e gostando de motivar os companheiros mais do que da rotina diária de treinos, além de receber atenção da mídia sempre que possível, e o segundo sendo introvertido, gostando de lidar com rotinas diárias e evitando receber atenção da mídia mais que o necessário. Taylor ainda complementava Clough com uma capacidade única na descoberta de bons nomes para o elenco, sendo indicações suas as contratações de Roy McFarland, John O'Hare, John McGovern e Alan Hinton, alguns dos principais personagens na saída do Derby da segunda divisão ao título da elite inglesa.[14] Cliff Wright, que fora treinado pela dupla no Hartlepools, os descreveu como "bom policial, mau policial. Cloughie o derrubaria no chão, verbalmente ao menos, e Pete te colocaria em pé novamente".[15]

Os dois se conheceram em 1955, quando estavam disputando um jogo-treino para tentar ingressar na equipe principal do Middlesbrough. Clough, àquela altura retornava ao clube após dois anos jogando pelas categorias de base do Billingham Synthonia; enquanto Taylor, com 27 anos, sete anos mais velho que Clough, tentava ingressar no clube após anos alternando entre a titularidade e a reserva no gol do Coventry City. Taylor, que já tinha lugar na equipe principal, notou a capacidade de Clough como artilheiro durante as atividades, ao contrário do treinador Bob Dennison, com Taylor sugerindo a Dennison que contratasse o atacante. A partir daquele momento, os dois tornaram-se amigos.[3]

Eu não sou capaz de ser bem-sucedido sem Peter Taylor. Eu sou a vitrine da loja e ele é as coisas boas dentro.

– Clough falando sobre sua parceria com Taylor.[16]

Embora os dois tenham jogado pouco na primeira temporada no clube, se tornaram titulares a partir de então. A parceria, no entanto, não rendeu títulos, com os dois deixaram o clube em 1961, Clough seguindo para o Sunderland e Taylor para o Port Vale. Após abandonar a carreira como jogador em 1964 por conta da lesão no joelho, Clough seguiu caminho como treinador. No ano seguinte, recebeu uma oferta do Hartlepools. Empolgado com a proposta, chegou até mesmo a aplicar para tirar licença de motorista de ônibus pensando em dirigir o ônibus da equipe. No entanto, tendo apenas 30 anos, sendo naquele momento o treinador mais jovem no futebol inglês, pediu a Taylor, que era jogador-treinador do Burton Albion desde 1962, para assinar como seu assistente no Hartlepools, dizendo: "Eu recebi uma oferta para treinar o Hartlepools, mas não me agrada. Se você assinar comigo, eu vou considerá-la".[3]

A dupla teve sucesso nos dois anos treinando o clube, embora este passasse por dificuldades financeiras e tivesse constantemente interferência do presidente Ernest Ord. Tendo obtido o acesso à terceira divisão no segundo ano, em 1967, receberam uma proposta do presidente do Derby County, Sam Longson, para se tornarem os novos treinadores do clube. Até aquele momento, a maior conquista do Derby havia sido o título da Copa da Inglaterra em 1946, e estava na segunda divisão há mais uma década. Embora tivessem terminado a primeira temporada no clube uma posição abaixo da do ano anterior, conseguiram o acesso no segunda, e terminaram com o título na elite inglesa em 1971/72. No entanto, após constantes discussões com o presidente Longson por conta da contratação de jogadores, com Clough oferecendo 400 mil libras pela contratação de Trevor Brooking e Bobby Moore sem o conhecimento de Longson, bem como seu constante hábito de criar atrito com demais treinadores, levou a saída de Clough e Taylor em outubro de 1973.[3]

Ficaram apenas duas semanas desempregados, com eles recebendo uma proposta do Brighton & Hove Albion. Clough, que nunca demonstrou real interesse pelo clube, deixou este quando recebeu uma proposta do Leeds United, clube que era um ferrenho crítico e era treinado por seu principal desafeto, Don Revie. Taylor, que havia se estabelecido na cidade costeira, se recusou a seguir Clough, assumindo como treinador do Brighton. A passagem de Clough durou apenas 44 dias, assinando com o Nottingham Forest nos primeiros dias de 1975. Tendo ficando sem se falarem por seis meses nesse período, Clough conseguiu convencer Taylor a se juntar a ele no comando do Forest em 1976. A dupla obteu estrondoso sucesso a partir de então, saindo da segunda divisão neste ano ao bicampeonato europeu em 1980.[3]

Embora os dois tivessem uma sólida parceria, o relacionamento entre eles sofreu com contratempos ao longo dos anos, principalmente por conta de personalidade de Clough. Enquanto ainda estavam no Derby, em 1971, Clough recebeu um aumento substancial em seu salário de cinco mil libras do presidente Sam Longson, não informando a Taylor, que ficou irrado quando descobriu.[17] Ele também ficava irritado porque Clough frequentemente ganhava dinheiro extra participando de programas na mídia enquanto ele ficava responsável pela maior parte do trabalho com os jogadores.[18] Taylor também tinha ressentimentos por Clough sempre receber o reconhecimento pelo trabalho, ao ponto de questionar em sua autobiografia: "Dez vez em quanto eu questiono porque ele nunca fala para a Bell's, quando entregam o prêmio de melhor treinador do mês, por exemplo, 'Vocês precisam presentear uma garrafa de whisky extra. Há dois de nós.'"[19]

A autobiografia de Taylor foi lançada em 1980, quando os dois viviam o auge no Forest, e desagradou fortemente Clough por Taylor nunca ter informado que estava escrevendo o livro, e por tratar mais sobre este do que do próprio Taylor. O fato de Taylor nunca ter compartilhado parte dos lucros obtidos com o livro também desagradou Clough.[20] Coincidentemente, este acabou sendo o ano da última conquista do clube com a dupla, com Taylor decidindo se aposentar ao fim da temporada 1981/82, embora revertendo sua decisão poucos meses depois, quando aceitou uma proposta do Derby County para assinar como treinador. Uma das primeiras contratações de Taylor a frente do Derby foi John Robertson, vindo justamente do Forest, e sem o conhecimento de Clough. Irrado com a atitude, este rompeu completamente com Taylor, ao ponto de atacá-lo publicamente em um artigo de jornal.[3]

Personalidade[editar | editar código-fonte]

Posso não ser o melhor técnico do futebol, mas estou no primeiro lugar do ranking geral.

– Resposta de Clough quando questionado se era o melhor treinador, demonstrando seu bom humor característico nas entrevistas.[21]

Extrovertido e sincero, Clough foi uma famosa personalidade na mídia britânica, principalmente durante os anos 1970 e 1980, quando viveu seus melhores momentos na carreira. Conhecido pelo bom humor durante suas participações nos programas de televisão, chegou a declarar em uma de suas entrevistas, quando questionado se era o melhor treinador de futebol: "Posso não ser o melhor técnico do futebol, mas estou no primeiro lugar do ranking geral".[21] Clough, que também detinha de uma forte personalidade, a demonstrou em uma partida contra o Millwall, clube que ficaria mais conhecido pelo público fora da Inglaterra pelas intimidações causadas por seus torcedores nos adversários, contendo alguns dos mais temidos hooligans do futebol inglês: tentando mostrar que os torcedores rivais não o intimidavam, parou o ônibus que levava seus atletas cerca de dois quilômetros e meio do estádio do clube, The Den, fazendo-os seguir o restante do caminho a pé. Stuart Pearce, que era seu comandado no Forest, chegou a declarar, relembrando o episódio anos depois, que andou todo o trajeto ao lado de Clough, pois este possuía uma bengala e saberia como usá-la caso fosse necessário.[21]

Seu jeito, no entanto, acabaria causando rusgas com Peter Taylor, que terminaria a parceira com Clough em 1982 por considerar que não recebia reconhecimento suficiente pelo seu trabalho no clube –– quando chamou Taylor para trabalhar novamente ao seu lado, no Forest, após uma breve separação da dupla após sua saída do Brighton & Hove Albion para assumir o Leeds United, com Taylor permanecendo, agora como treinador, Clough ofereu termos de igualdade entre os dois na administração da equipe ––, ao ponto dos dois romperem completamente o contato após Taylor contratar John Robertson do Forest ao Derby, clube que havia retornado pouco tempo após a separação, sem o conhecimento de Clough, deixando este irrado com a atitude. Quando Taylor morreu, em 1990, sua filha Wendy relataria posteriormente que Clough ficou "extremamente triste" quando soube da notícia.[22] Quando recebeu um prêmio da cidade de Nottingham por seu serviço prestado ao clube, em 1993, Clough terminou seu discursso falando que "meu único arrependimento é que meu companheiro não está comigo", se referindo a Taylor.[3]

Legado[editar | editar código-fonte]

Clough ficou caracterizado como o "treinador que a Inglaterra nunca teve" por nunca ter chegado a treinar a seleção inglesa, mesmo esta vivendo um dos piores períodos de sua história enquanto Clough vivia seu auge no Forest. Apesar disso, ele chegou a ser entrevistado para o cargo em duas oportunidades, em 1977 e 1982, pela forte demanda popular para sua contratação, ao ponto de Bobby Robson, contratado como treinador inglês em 1982, declarar ao presidente da Associação de Futebol, entidade responsável pela seleção: "Eu estou vivendo um período difícil, todos querem Brian –– deem o trabalho a ele. Se ele for bem-sucedido, todos ficam felizes. Se ele falhar, é o fim do clamor para Brian Clough ser o treinador da Inglaterra". Sobre o episódio, Clough apenas afirmou: "Eu tenho certeza que os dirigentes pensaram que, se eles me dessem o trabalho, eu acabaria sendo a estrela do espetáculo. Eles eram perspicazes, pois seria exatamente o que eu faria".[4] Ao contrário de seus rivais pela disputa do principal cargo de treinador da Inglaterra, Clough foi o único inglês escolhido pela UEFA em uma listagem dos 10 maiores treinadores do futebol europeu nos 54 anos iniciais de exitência da entidade.[1]

Apesar do episódio com a seleção, Clough seria massivamente lembrado por sua parceria com Peter Taylor que levou as duas pequenas equipes rivais, Derby County e Nottingham Forest, ao topo do futebol inglês, com esta última chegando ao topo do futebol europeu. Embora o Derby tivesse obtido um bicampeonato inglês após a saída de Clough, esta nunca chegou a recuperar o sucesso daquele período, com alguns afirmando que, caso Clough tivesse continuado à frente do clube, seria este o grande clube inglês dos anos 1970 e 1980, e não o Liverpool. A mesma decadência ocorreria com o Forest após sua saída, com este nunca se recuperando totalmente. Com ambas as equipes em decadência, a maior disputa dos dois clubes tem sido pelo apoio de Clough como torcedor, mesmo anos após a sua morte. Desde 2007, disputam um amistoso anual que leva o seu nome. Seu nome está em estátuas tanto em Derby quanto em Nottingham, distantes apenas 20 quilômetros uma da outra, assim como batiza a estrada que liga as duas cidades. Há uma estátua sua também na sua cidade natal de Middlesbrough.[11]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Estátua de Brian Clough em Middlesbrough.

Como jogador[editar | editar código-fonte]

Inglaterra

Como treinador[editar | editar código-fonte]

Derby County
Nottingham Forest

Individuais[editar | editar código-fonte]

Como jogador[editar | editar código-fonte]

Como treinador[editar | editar código-fonte]

  • Treinador do Ano (LMA): 1977/78
  • Eleito um dos dez melhores treinadores da história da UEFA (2018)[1]

Estatísticas como treinador[editar | editar código-fonte]

Equipe País Entrada Saída Estatísticas
J V E D % Vit.
Hartlepool United Inglaterra 1 de Outubro de 1965 1 de Maio de 1967 84 35 13 36 41.67%
Derby County Inglaterra 1 de Junho de 1967 15 de Outubro de 1973 289 135 70 84 46.71%
Brighton & Hove Albion Inglaterra 1 de Novembro de 1973 20 de Julho de 1974 32 12 8 12 37.5%
Leeds United Inglaterra 20 de Julho de 1974 13 de Setembro de 1974 7 1 3 3 14.29%
Nottingham Forest Inglaterra 6 de Janeiro de 1975 8 de Maio de 1993 907 411 246 250 45.31%

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dickinson, Wendy; Hildred, Stafford (2010), For Pete's Sake, The Peter Taylor story Volume 1: The Backstreets to the Baseball Ground, ISBN 978-1-84876-447-7, Troubadour 
  • Edwards, Maurice (2010), Brian and Peter: A Right Pair, ISBN 978-1-85983-771-9, Derby Books 
  • Taylor, Peter; Langley, Mike (1980), With Clough, ISBN 0-283-98795-2, Sigdwick and Jackson 

Referências

  1. a b c d «In profile: Brian Clough». Consultado em 27 de abril de 2017 
  2. a b «Dez anos sem Brian Clough, o homem que andava sobre as águas | Maisfutebol.iol.pt | Paixão Pura». Consultado em 18 de setembro de 2016 
  3. a b c d e f g h i Crist, Matthew (29 de abril de 2016). «Clough & Taylor: The Story of a Perfect Partnership». Football Whispers. Consultado em 5 de novembro de 2018 
  4. a b c d e f g h i j «Brian Clough Hall Of Fame profile». National Football Museum. Consultado em 5 de novembro de 2018 
  5. «Brian Clough: o técnico maldito». 20 de setembro de 2013. Consultado em 18 de setembro de 2016 
  6. Taylor, p. 19
  7. a b "Reflexão pós-trauma", Carlos Eduardo Freitas e Ubiratan Leal, Trivela número 25, março de 2008, Trivela Comunicações, págs. 30-35
  8. COURTNEY, Barrie (22 de maio de 2014). «England - International Results B-Team - Details». RSSSF. Consultado em 5 de novembro de 2018 
  9. COURTNEY, Barrie (27 de março de 2004). «England - U-23 International Results- Details». RSSSF. Consultado em 5 de novembro de 2018 
  10. COURTNEY, Barrie (13 de dezembro de 2012). «England - International Results 1950-1959 - Details». RSSSF. Consultado em 5 de novembro de 2018 
  11. a b c d e f "Um homem e dois lares", Duncan Hamilton, FourFourTwo, número 5, março de 2009, Editora Cádiz, págs. 46-50
  12. a b c «"Quando o Nottingham foi gigante", Mamede Filho, Trivela.com» 
  13. "10 Rituais de Batismo", Jon Spurling, FourFourTwo, número 1, novembro de 2008, Editora Cádiz, pág. 10
  14. «6º – Brian Clough: polêmico e histórico». 6 de junho de 2011. Consultado em 6 de novembro de 2018 
  15. Dickinson, p. 93.
  16. Miller, Nick (17 de setembro de 2014). «The forgotten story of … Brian Clough's other right-hand man». The Guardian. Consultado em 6 de novembro de 2018 
  17. Taylor, p. 56
  18. Edwards, p. 86
  19. Taylor, p. 167
  20. «Clough Was Taylor Made – The Story of Peter Taylor». Bobby FC. Consultado em 6 de novembro de 2018 
  21. a b c "Stuart Pearce, o "psicótico"
  22. «Peter Taylor, my father». BBC Home. 17 de abril de 2009. Consultado em 5 de novembro de 2018 
  23. «Solid Gold XI». Consultado em 27 de abril de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]