Xalimego

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Xalimego (Fala da Xálima)
Falado em: Espanha
Região: província de Cáceres, região de Vale de Xálima, nas povoações de Valverdi du Fresnu, Ellas e Sa Martín de Trebellu
Total de falantes: 10 500
Família: Indo-europeia
 Itálica
  Românica
   Italo-ocidental
    Ocidental
     Galo-ibérica
      Ibero-românica
       Ibero-ocidental
        Galaico-Português
         Xalimego
Códigos de língua
ISO 639-1: fax
ISO 639-2: ---
Placa toponímica em Eljas
Placa escrita em castelhano e na fala, em baixo, em São Martinho de Trebelho

A fala da Estremadura ou fala de Xálima[1] é uma variedade linguística do galaico-português[1] [2] [3] [4] usada por cerca de 10 500 pessoas na parte mais ocidental da província de Cáceres, na Espanha, junto à fronteira portuguesa.[1] [5] [6]

É utilizada numa área conhecida por vale de Xálima ou vale do rio Ellas (o Eljas), no noroeste da província de Cáceres, na região espanhola da Estremadura.[1] [7] Foi declarada Bem de Interesse Cultural pela administração da Estremadura em 20 de março de 2001. Recentemente um grupo de peritos elaborou uma proposta de ortografia basada na portuguesa.[4]

É também conhecida por galego da Estremadura[3] [5] e por valego[8]

Tradicionalmente, não existe um nome único que abranja as três variantes que se falam em cada um dos três concelhos do vale. Os nomes populares são:

Segundo alguns filólogos, existe uma forte relação entre estas falas e os dialectos portugueses falados no Concelho do Sabugal, em Portugal.[2]

Falantes[editar | editar código-fonte]

No vale, existem cerca de cinco mil falantes destas três variantes.[1] Como consequência da emigração, existem à volta de cinco mil naturais da região que vivem fora e que mantêm o uso familiar da língua.[1] [2] Regressam no verão, reforçando a utilização do idioma.[1] [2]

A fala é a língua habitual da população, com a excepção dos funcionários do estado, da polícia e de outras pessoas vindas de fora do vale. Não há perda linguística com as gerações mais novas, ainda que Valverde se possa dizer ser o concelho mais castelhanizado. A partir de 1960, o número de castelhanismos na língua falada aumentou progressivamente, devido à escola, ao serviço militar e aos meios de comunicação.

Estudos[editar | editar código-fonte]

As primeiras referências filológicas conhecidas sobre a fala foram realizadas por Fritz Krüger, em 1925, e por Otto Fink, em 1929, ao estudarem o castelhano dialectal da zona. José Leite de Vasconcelos realizou uma outra investigação entre 1929 e 1933, ainda mostrando fenómenos que nunca voltaram a registar-se nos estudos seguintes, que a aproximava do Português, sendo então a opinião de se tratar de um dialecto do Português unânime.

O primeiro investigador a referir-se a esta fala como de origem galega, comparando-a com os forais de Castelo-Rodrigo (1209) e relacionando-a com a possível chegada de povoadores galegos à zona nos séculos XII e XIII foi Lindley Cintra, em 1959: "O falar fundamentalmente galego, mas com leonesismos,[9] de Castelo Rodrigo e Riba-Coa no séc. XIII, o falar também essencialmente galego da região de Xalma, outra coisa não são, segundo creio, do que falares destes núcleos de repovoadores galegos tão frequentemente recordados pela toponímia".

Clarinda de Azevedo também se refere a esta repovoação, afirmando a sua relação com um galaico-português arcaico e portanto maior proximidade com o Galego actual. José Luis Martín Galindo crê que as falas são anteriores a uma possível repovoação galega, mas esta tese não conquistou muitos partidários.

Xosé Henrique Costas González nos seus estudos afirma a galeguidade[10] destas falas estabelecendo a sua origem na repovoação por galegos nos séculos XII e XIII e a interferência de leonesismos[10] como consequência dum longo contacto com o leonês. A existência de palavras galegas na Serra de Gata e no sudoeste de Salamanca poderia indicar que a extensão da fala na Idade Média tivesse sido maior do que na actualidade. Frías Conde também se mostra partidário da galeguidade destas falas. José Enrique Gargallo Gil fala de um galego-português fronteiriço e arcaizante,[11] admitindo uma maior vinculação com o galego de que com o português. Juan Manuel Carrasco González classifica a fala como a terceira[11] variedade do galego-português.

No ano de 1999, celebrou-se um congresso sobre a Fala, com a intervenção dos principais investigadores.

Sondagens sociolinguísticas[editar | editar código-fonte]

Em 1992, uma sondagem realizada por José Enrique Gargallo Gil[11] (professor da Universidade de Barcelona) a alunos falantes da fala revelou os seguintes dados, relativamente ao uso do Castelhano no seio familiar:

  • 4 dos 29 entrevistados de Sã Martim de Trevelho usam o castelhano quando falam com a família
  • em Elhas, o número desce para apenas 3, em 54 entrevistados
  • em Valverde, 25 de 125 entrevistados usa o Castelhano neste contexto

Em 1993, foi publicada uma sondagem no número 30 da Revista Alcántara, realizada por José Luis Martín Galindo, que mostrava as seguintes percentagens de autoidentificação, em São Martinho de Trebelho:

  • Dialecto do Castelhano: 13%
  • Dialecto do Português: 20%
  • Língua autónoma: 67%

Deve salientar-se que na referida sondagem participaram apenas 20 pessoas, num total de 960 habitantes, não existindo a hipótese de responder "Galego" ou "variante do Galego". A ausência destas opções era lógica na altura, dado que as teorias da possível relação com o galego eram recentes.

Em 1994, um novo estudo indica que 80% dos entrevistados aprendeu a falar Castelhano na escola, sendo a percentagem do uso da fala na família como se segue:

  • 100% dos pais de Elas afirmam falar a língua autóctone ao conversarem com seus filhos
  • 85% em São Martinho
  • 73% em Valverde

Amostra de texto[editar | editar código-fonte]

Língua Amostra
Xalimego De fel u ben, nun temus que sansalmus nunca; ya chegará u día que arrecollamus u que hemus sembráu.
Português De fazer o bem, não temos de nos cansar nunca; já chegará o dia que recolheremos o que semeamos.
Galego De facer o ben, non temos de cansarnos xamais; xa chegará o día que recolleremos o que semeamos.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j «Promotora Española de Lingüística». www.proel.org. Consultado em 2016-04-23. 
  2. a b c d GONZÁLEZ, Juan María Carrasco. Evolución de las hablas fronterizas luso-extremeñas desde mediados del siglo XX: uso y pervivencia del dialecto. Revista de estudios extremeños, 2006, vol. 62, no 2, p. 623-633.
  3. a b Costas González X.H., Notas socio-lingüísticas sobre os falares 'galegos' da Riberia Trebellan (Cáceres). A Trabe de ouro, 11, 1992).
  4. a b c d e «La Fala, la lengua que conserva Sierra de Gata, busca unificar su ortografía para mantenerse viva». eldiario.es. Consultado em 2016-04-23. 
  5. a b «A fala se pone de moda». Hoy.es (em espanhol). Consultado em 2016-04-23. 
  6. SÁNCHEZ-ÉLEZ, Mª V. Navas. La frontera lingüística hispano-portuguesa. Estado de la cuestión. Madrygal. Revista de Estudios Gallegos, 1998, vol. 1, p. 83-90.
  7. Gargallo Gil, J.E., San Martín de Trevejo. Eljas (As Eljas) y Valverde del Fresno: una encrucijada lingüística en tierras de Extremadura.
  8. cfr. págs. 83 a 102 de FERNÁNDEZ REI (1999)
  9. SALGADO, José Antonio González. La fonética de las hablas extremeñas. Diputación de Badajoz, 2003.
  10. a b «'En el Valle de Xálima no hablamos gallego'». El Periódico Extremadura. Consultado em 2016-04-23. 
  11. a b c GIL, José Enrique Gargallo. Gallego-portugués, iberorromance: la" fala" en su contexto románico peninsular. Limite: Revista de Estudios Portugueses y de la Lusofonía, 2007, no 1, p. 31-49.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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