José Roberto Marques
| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | José Roberto Marques | |
| Data de nascimento | 31 de maio de 1945 | |
| Local de nascimento | Sertãozinho, São Paulo, Brasil | |
| Data da morte | 7 de maio de 2016 (70 anos) | |
| Local da morte | Serra Negra, São Paulo, Brasil | |
| Apelido | Zé Roberto Gazela | |
| Informações profissionais | ||
| Posição | atacante | |
| Clubes de juventude | ||
| 1960–1961 1962–1963 |
Botafogo-SP São Paulo | |
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos e gol(o)s |
| 1964–1972 1967 1968 1971 1972–1974 1974–1975 1976–1977 1978 |
São Paulo → Guarani (emp.) → Atlético Paranaense (emp.) → Coritiba (emp.) Coritiba Corinthians Grêmio Maringá Atlético Paranaense |
155 (49) 60 (17) |
| Seleção nacional | ||
| 1964 | Brasil (sub-23) | 3 (1) |
José Roberto Marques, também conhecido por Zé Roberto ou Gazela (Sertãozinho, 31 de maio de 1945 — Serra Negra, 7 de maio de 2016), foi um futebolista brasileiro que atuou como atacante.[1][2]
Atuando como atacante, meia ou ponta de lança, jogou em grandes clubes do Brasil e participou da Olimpíada de 1964.[1]
Zé Roberto é um dos poucos ídolos de duas torcidas rivais, pois jogou com destaque no Atlético Paranaense e no Coritiba.[3][4]
Carreira
[editar | editar código]Filho de Jerônimo, que defendeu o Corinthians na década de 1940, sua carreira iniciou-se na base do Botafogo de Ribeirão Preto em 1960, mas em 1962 entrou para o juvenil do São Paulo. Foi no próprio Tricolor Paulista que ocorreu a sua estreia como profissional, em 1964[5][6], sendo também deste período sua convocação para a seleção olímpica.[1]
Depois de uma passagem pelo Guarani[7], foi emprestado para o Atlético Paranaense, em 1968, sendo o artilheiro do Campeonato Paranaense e principal destaque do Rubro-Negro no Robertão.[3][4]
Retornou para o São Paulo no ano seguinte e participou da campanha do título no Campeonato Paulista de 1970,[8] embora tenha jogado apenas em cinco partidas,[9] sempre começando no banco.
Ele voltaria ao Paraná em 1971, para defender o Coritiba, novamente por empréstimo. Estreou com a camisa alviverde em 17 de fevereiro, num amistoso internacional, quando o Coxa venceu o Rapid Bucareste, da Romênia, por 3x0, com um gol dele.[10] Se despediu do clube após marcar o gol do título paranaense, contra o União Bandeirante, em partida disputada no dia 25 de julho.[10] O jogador voltou ao São Paulo para o Campeonato Brasileiro, porém uma distensão muscular afastou-o dos gramados até o fim da temporada.[11]
Num amistoso contra o Atlético Mineiro, em janeiro de 1972, teve sua disposição questionada pelo técnico Alfredo Ramos, que o deixou treinando apenas fisicamente até recuperar o ritmo de jogo.[12] Como ele se negou a seguir os exercícios determinados, acabou multado pelo diretor de Futebol, Manuel Poço.[12] No amistoso seguinte, contra a Ponte Preta, Alfredo chegou a dizer que Zé Roberto teria sua última chance para garantir seu lugar no time,[13] porém, depois do jogo, o treinador desmentiu suas próprias declarações do dia anterior.[12] Zé Roberto sofreu uma contusão durante a Libertadores, quando se imaginou que ele poderia novamente ficar afastado por um longo tempo.[14] Mesmo liberado pelos médicos uma semana depois,[15] os médicos não descartavam a possibilidade de uma cirurgia no menisco[16] — após um mês, entretanto, ele voltou aos treinamentos.[17]
Disputando posição com Toninho Guerreiro,[18] Zé Roberto não se firmou e, em maio, pediu que a diretoria facilitasse sua venda para o Atlético Paranaense.[19] Poço avisou que poderia até emprestar o passe do jogador, mas que, em caso de venda, só aceitaria se fossem oferecidos mais de trezentos mil cruzeiros.[20] Quem apareceu com o valor foi o Coritiba em maio de 1972[10][21], que ainda pagou cinquenta mil cruzeiros pelo empréstimo do ano anterior e outros 45 mil cruzeiros a Zé Roberto, como os 15% a que tinha direito.[22] Pelo Tricolor, fez 155 jogos (com 79 vitórias, 34 empates, 42 derrotas) e marcou 49 gols.[5][6]
O atacante veio ao Coxa, ajudou a conquistar o titulo estadual da temporada e se destacou no Campeonato Brasileiro, onde marcou 16 gols e ganhou a Bola de Prata da revista Placar por suas atuações[23].[10] Zé Roberto foi ainda campeão paranaense pelo Coritiba pela terceira vez em 1973, campeão do Torneio do Povo no mesmo ano[24] e se consagrou como o maior artilheiro alviverde nos anos 70 com 73 gols contando somente as partidas oficiais.[10] Zé Roberto foi o artilheiro do Coxa nos Brasileiros de 1971, 1973 e 1974[4], sendo o jogador que mais gols marcou nesta competição com a camisa alviverde, com o total de 34 gols.[10] Ao todo, defendeu o Coritiba em 146 oportunidades, marcando 72 gols pelo Verdão, tornando-se sétimo maior artilheiro da história do clube.[25]
Apesar dos títulos, em 1974, após o Campeonato Brasileiro, estava desgastado com a torcida[8] e foi sondado pelo Corinthians.[26] O Coritiba estipulou em quinhentos mil cruzeiros o preço de seu passe, mas o clube paulista esperava uma redução, devido à dívida do clube paranaense quando da compra do passe de Nélson Lopes.[26] Durante as negociações, Zé Roberto chegou a visitar o Parque São Jorge e, quando um torcedor perguntou se ele estava "procurando emprego", respondeu que era uma "visita de cortesia".[27] Seu passe acabou comprado[28] em 31 de julho, por 313 mil cruzeiros.[8] Sem treinar havia quinze dias, seu primeiro teste de capacidade física no novo clube foi ruim.[8] Diante da fama de indisciplinado que tinha ao chegar, garantia estar mudado: "Chega de criancice. Hoje não sou mais aquele moleque, pois tenho duas filhas para criar."[8] Ele tinha feito a mesma promessa para o presidente do clube, Vicente Matheus.[29] "Que o homem é bom de bola, eu acho que não há dúvidas", elogiou Matheus. "O seu comportamento fora de campo é que pode ser criticado, mas, antes de acertarmos com o Coritiba, conversamos com ele, que nos prometeu que agora vai agir com juízo."[29] Zé Roberto marcou, de cabeça, o primeiro gol contra o São Paulo que deu ao Corinthians o título do primeiro turno do Campeonato Paulista em 1974, garantindo a equipe em uma decisão pela primeira vez em 17 anos.[30] Pelo Timão, atuou em 60 jogos e marcou 17 gols.[30]
O atacante ficaria pouco mais de um ano no Corinthians, sendo vendido ao Grêmio Maringá no final de 1975.[31] Pelo Galo, fez talvez o seu último gol como profissional.[10]
Depois de alguns jogos pelo Grêmio Maringá, voltou mais uma vez para o Atlético-PR, mas, aos 32 anos, estava em total decadência.[10]
Títulos
[editar | editar código]São Paulo
Coritiba[25]
Individuais
[editar | editar código]Artilharias
[editar | editar código]- Campeonato Paranaense: 1968 (24 gols)[3]
Morte
[editar | editar código]Zé Roberto morreu em 7 de maio de 2016, aos setenta anos.[7] O ex-jogador foi internado às pressas durante a semana anterior por conta de uma úlcera.[2] Ele foi operado e encaminhado à UTI do hospital local, mas não resistiu e veio a óbito.[2]
Referências
- ↑ a b c «Que fim levou? ZÉ ROBERTO... Ex-centroavante do São Paulo e Corinthians». Terceiro Tempo. Consultado em 1 de novembro de 2022
- ↑ a b c Diogo Souza (7 de maio de 2016). «Ídolo de Atlético e Coritiba, Zé Roberto morre aos 70 anos». Portal Paraná-Online. Consultado em 7 de maio de 2016
- ↑ a b c Administrador (18 de agosto de 2014). «Zé: um dos maiores jogadores que o futebol do Paraná já teve». Tribuna do Paraná. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ a b c «Ídolo da dupla Atletiba, ex-jogador Zé Roberto morre aos 70 anos». globoesporte.com. 7 de maio de 2016. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ a b Paulo, Por GloboEsporte comSão (7 de maio de 2016). «São Paulo lamenta morte de Zé Roberto, campeão paulista de 1970». globoesporte.com. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ a b SPFC, Comunicação (7 de maio de 2016). «Nota de pesar: Zé Roberto Marques». SPFC. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Nota de Falecimento – Zé Roberto - Guarani Futebol Clube». 8 de maio de 2016. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e «Já no Coríntians, Zé Roberto é um jogador de muitas promessas». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo (30 473). 23 páginas. 31 de julho de 1974. ISSN 1516-2931. Consultado em 30 de outubro de 2016
- ↑ a b Farah, Michael Serra / Arquivo Histórico João (9 de setembro de 2024). «Campeão Paulista de 1970». SPFC. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f g h Administrador (18 de agosto de 2014). «Zé Roberto foi talvez o maior atacante do Coritiba, e o maior encrenqueiro». Tribuna do Paraná. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ «São Paulo contra a Ponte hoje no Morumbi». Folha de S. Paulo (15 578). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S/A. 9 de fevereiro de 1972. 28 páginas. ISSN 1414-5723. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ a b c «Alfredo gostou de Zé Roberto». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo (29 711). 35 páginas. 10 de fevereiro de 1972. ISSN 1516-2931. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ «Contra a Ponte, a última chance de Zé Roberto». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo (29 710). 23 páginas. 9 de fevereiro de 1972. ISSN 1516-2931. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ «Alfredo viu o treino do Olimpia». Folha de S. Paulo (15 602). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S/A. 4 de março de 1972. 27 páginas. ISSN 1414-5723. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ «Terto está hospitalizado». Folha de S. Paulo (15 602). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S/A. 7 de março de 1972. 31 páginas. ISSN 1414-5723. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ «Reservas vencem no coletivo do São Paulo». Folha de S. Paulo (15 626). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S/A. 31 de março de 1972. 14 páginas. ISSN 1414-5723. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ «São Paulo antecipa jogo com vistas à Libertadores». Folha de S. Paulo (15 631). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S/A. 5 de abril de 1972. 24 páginas. ISSN 1414-5723. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ «Alfredo viu o treino do Olimpia». Folha de S. Paulo (15 598). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S/A. 29 de fevereiro de 1972. 32 páginas. ISSN 1414-5723. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ «Zé Roberto pede para ser vendido». Folha de S. Paulo (15 672). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S/A. 13 de maio de 1972. 23 páginas. ISSN 1414-5723. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ «Alfredo: tática de Brandão é velha». Folha de S. Paulo (15 675). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S/A. 16 de maio de 1972. 35 páginas. ISSN 1414-5723. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ «Gols e esperança do título, os bons motivos de Toninho». Folha de S. Paulo (15 678). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S/A. 19 de maio de 1972. 19 páginas. ISSN 1414-5723. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ «Rocha reclama, ele queria ficar». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo (29 797). 34 páginas. 23 de maio de 1972. ISSN 1516-2931. Consultado em 29 de outubro de 2016
- ↑ a b «Bola de Prata 1972: como ficou a seleção do Campeonato Brasileiro». ESPN.com. 3 de dezembro de 2024. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ a b www.coritiba.com.br https://www.coritiba.com.br/noticias/0/3520. Consultado em 26 de janeiro de 2026 Em falta ou vazio
|título=(ajuda) - ↑ a b www.coritiba.com.br https://www.coritiba.com.br/noticias/0/26027. Consultado em 26 de janeiro de 2026 Em falta ou vazio
|título=(ajuda) - ↑ a b «Coríntians fica só no plano de contratar 5». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo (30 469). 23 páginas. 26 de julho de 1974. ISSN 1516-2931. Consultado em 30 de outubro de 2016
- ↑ «Três discursos, o novo técnico é a esperança». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo (30 464). 20 páginas. 20 de julho de 1974. ISSN 1516-2931. Consultado em 30 de outubro de 2016
- ↑ Administrador (18 de agosto de 2014). «Zé Roberto foi pro Timão em 74 e entrou par a história do clube». Tribuna do Paraná. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Coríntians garante Galli, mantém Severo, mas devolve outros três». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo (30 474). 34 páginas. 1 de agosto de 1974. ISSN 1516-2931. Consultado em 30 de outubro de 2016
- ↑ a b «Zé Roberto, ex-jogador do Corinthians». Meu Timão. 19 de outubro de 1975. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ «No inseguro Coríntians, a chance do Guarani». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo (30 887). 27 páginas. 3 de dezembro de 1975. ISSN 1516-2931. Consultado em 30 de outubro de 2016
- Nascidos em 1945
- Mortos em 2016
- Futebolistas do estado de São Paulo
- Futebolistas do Club Athletico Paranaense
- Futebolistas do Sport Club Corinthians Paulista
- Futebolistas do São Paulo Futebol Clube
- Futebolistas do Coritiba Foot Ball Club
- Futebolistas do Club Deportivo O'Higgins
- Futebolistas do Grêmio de Esportes Maringá
- Jogadores da Seleção Brasileira de Futebol
- Futebolistas nos Jogos Olímpicos de Verão de 1964
- Futebolistas olímpicos do Brasil