Campeonato Brasileiro de Futebol de 1968 (Torneio Roberto Gomes Pedrosa)

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XI Campeonato Brasileiro de Futebol
Taça de Prata de 1968
Brasil
Dados
Participantes 17
Organização CBD
Local de disputa  Brasil
Período 24 de agosto – 10 de dezembro
Gol(o)s 361
Partidas 142
Média 2,54 gol(o)s por partida
Campeão São Paulo Santos (6º título)
Vice-campeão Rio Grande do Sul Internacional
Melhor marcador Toninho (Santos) – 18 gols
Melhor ataque (fase inicial) São Paulo Santos – 37 gols
Melhor defesa (fase inicial) São Paulo Palmeiras – 9 gols
Público 2 520 358
Média 17 749 pessoas por partida
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O Campeonato Brasileiro de Futebol de 1968, originalmente denominado Taça de Prata pela CBD,[1] e também conhecido como Torneio Roberto Gomes Pedrosa ou Robertão, foi a décima primeira edição do Campeonato Brasileiro e o segundo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, competição nacional que consagrou o Santos como o clube campeão brasileiro de futebol de 1968, título compartilhado oficialmente pela CBF com o Botafogo, vencedor da última edição da Taça Brasil, realizada no mesmo ano.[2]

Desta vez, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD, atual CBF) assumiu a organização do torneio, que havia surgido no ano anterior como o resultado da ampliação do Torneio Rio-São Paulo promovido pelas federações Paulista e Carioca e que, devido à entrada de equipes de outros estados, ganhou o apelido de "Robertão". A Taça de Prata de 1968 também marcou a mudança de foco dos clubes, que, antes, tinham como prioridade a Taça Brasil, devido ao sucesso de público e renda do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967. Com o anúncio da tutela da CBD, que passaria a organizar o certame como uma das suas competições nacionais, os clubes descobriram um novo campeonato ao qual deram maior prioridade, tanto que a edição de 1968 da Taça Brasil foi esvaziada, com a desistência de alguns clubes importantes. Esse desinteresse gerou atraso na edição de 1968 da Taça Brasil, que se encerraria apenas em outubro de 1969, fato este que acabaria culminando com sua extinção e o fortalecimento da Taça de Prata — esta passaria a determinar os clubes campeões brasileiros de futebol e os representantes da CBD na Taça Libertadores da América. No entanto, por desentendimentos entre as confederações Brasileira (CBD) e Sul-Americana (CONMEBOL), o Brasil terminou não participando da Libertadores de 1969, como protesto da entidade brasileira contra as mudanças das regras da competição.[3]

Se o Robertão de 1967 já tinha sido disputado por quinze clubes de cinco estados brasileiros, nessa edição foram dezessete clubes de sete estados. Desta vez, foram convidados clubes do Nordeste: o Esporte Clube Bahia, da Bahia, e o Náutico, de Pernambuco. Além disso, foi mudado o representante do Paraná, que passou a ser o Atlético Paranaense.[4]

Palmeiras e Internacional foram, pela segunda vez consecutiva, ao quadrangular final, mas agora com a companhia de Santos e Vasco da Gama. O título do Santos veio na última rodada da fase final, ao enfrentar o Vasco da Gama no Rio de Janeiro, em 10 de dezembro, jogando pelo empate. O Vasco precisava ganhar por quatro gols de diferença para ultrapassar o Santos pelo primeiro critério de desempate, o saldo de gols. Se o clube carioca vencesse pelo escore mínimo, poderia dar o título ao Palmeiras, desde que este, na mesma noite, vencesse o Internacional em Porto Alegre por uma vantagem de quatro gols. Mas o Santos de Pelé ganhou por 2 a 1, garantindo o título, e o Internacional venceu o Palmeiras por 3 a 0, tornando-se novamente vice-campeão.[5]

Fórmula de disputa[editar | editar código-fonte]

Primeira fase: os dezessete participantes jogaram todos contra todos, em turno único, mas divididos em dois grupos (um com oito clubes e outro com nove), para efeito de classificação. Classificaram-se os dois primeiros de cada grupo para a fase final.

Fase final: os quatro clubes classificados jogaram todos contra todos, em turno único. O clube com maior número de pontos nesta fase foi o campeão.

Critérios de desempate: saldo de gols, goal-average e sorteio.

Classificação da primeira fase[editar | editar código-fonte]

Grupo A[editar | editar código-fonte]

Pos Equipes Pts J V E D GP GC SG
São Paulo Palmeiras 24 16 9 6 1 24 9 15
Rio Grande do Sul Internacional 20 16 7 6 3 20 15 5
São Paulo Corinthians 20 16 10 0 6 23 20 3
Minas Gerais Cruzeiro 17 16 6 5 5 22 18 4
Paraná Atlético/PR 17 16 6 5 5 28 25 3
Guanabara Bangu 14 16 3 8 5 12 17 -5
Guanabara Botafogo 13 16 4 5 7 17 22 -5
Guanabara Flamengo 11 16 2 7 7 10 21 -11
Pernambuco Náutico 8 16 2 4 10 12 25 -13
Zona de classificação para a próxima fase.

Grupo B[editar | editar código-fonte]

Pos Equipes Pts J V E D GP GC SG
São Paulo Santos 22 16 9 4 3 37 18 19
Guanabara Vasco 20 16 9 2 5 27 22 5
Rio Grande do Sul Grêmio 19 16 6 7 3 17 11 6
Minas Gerais Atlético/MG 19 16 7 5 4 18 15 3
São Paulo São Paulo 14 16 4 6 6 23 24 -1
Guanabara Fluminense 13 16 6 1 9 19 23 -4
São Paulo Portuguesa 11 16 3 5 8 18 29 -11
Bahia Bahia 10 16 4 2 10 14 27 -13
Zona de classificação para a próxima fase.

Fase final[editar | editar código-fonte]

Ao contrário do ano anterior, a fase final foi disputada em turno único. Apesar de os dois clubes paulistas classificados terem terminado em primeiro lugar de seus grupos, a tabela previa que ambos fariam duas partidas fora de casa e apenas uma em casa.[6] O Santos, inclusive, seria o mandante apenas no clássico contra o Palmeiras, tendo de viajar ao Rio de Janeiro e a Porto Alegre para os demais jogos.

Mas foi a diretoria do Palmeiras que chegou a desistir da competição, sendo convencida de não fazê-lo apenas após a intervenção da Federação Paulista de Futebol.[6] "Decidira a Sociedade Esportiva Palmeiras, face à ausência de critério com que foi elaborada a tabela e a ordem de locais do turno final do Torneio 'Roberto Gomes Pedrosa', abandonar a disputa da competição", divulgou a diretoria do clube, em nota oficial. "Principalmente, tinha em mente a Sociedade Esportiva Palmeiras o fato de que aqueles critérios prejudicavam, notoriamente, os interesses das duas associações de São Paulo, que adquiriram, como campeãs de suas respectivas séries, o direito de passagem ao turno final. […] Diante da intransigência manifestada, a Sociedade Esportiva Palmeiras decidira manter a sua decisão de abandonar a competição. Contudo, atendendo a um apelo da presidência da Federação Paulista de Futebol e, considerando que o esporte de São Paulo, bem como o público paulista e, mais particularmente, a coletividade palmeirense mereciam uma atenção especial, ainda que com o sacrifício que o atendimento à tabela representa, a Sociedade Esportiva Palmeiras deliberou prosseguir na competição, numa demonstração do elevado espírito de esportividade que é a sua tradição mais cara e numa demonstração de respeito ao público e ao futebol de São Paulo."[6]

Jogos[editar | editar código-fonte]

  • 04/12 em São Paulo: Palmeiras 3 a 0 Vasco
  • 04/12 em Porto Alegre: Internacional 1 a 2 Santos
  • 08/12 no Rio: Vasco 3 a 2 Internacional
  • 08/12 em São Paulo: Santos 3 a 0 Palmeiras
  • 10/12 no Rio: Vasco 1 a 2 Santos
  • 10/12 em Porto Alegre: Internacional 3 a 0 Palmeiras

Classificação do quadrangular final[editar | editar código-fonte]

Pos Equipes Pts J V E D GP GC SG
Santos 6 3 3 0 0 7 2 5
Internacional 2 3 1 0 2 6 5 1
Vasco 2 3 1 0 2 4 7 -3
Palmeiras 2 3 1 0 2 3 6 -3

Premiação[editar | editar código-fonte]

Campeão Brasileiro de 1968
Bandeira do estado de São Paulo.svg
Santos Futebol Clube
(6º título)

Principais artilheiros[editar | editar código-fonte]

  1. Toninho Guerreiro (Santos): 15 gols.[7]
  2. Pelé (Santos): 12 gols.
  3. Artime (Palmeiras) e Valfrido (Vasco): 11 gols.

Maiores públicos[editar | editar código-fonte]

  • Acima de 50.000 presentes, os demais que não constem listados os públicos pagantes e presentes, a referência é aos pagantes[8].
  1. Atlético-MG 0 a 1 Cruzeiro, 87 360, Mineirão, 27 de outubro de 1968.
  2. Flamengo 3 a 1 Vasco, 79 894, Maracanã, 30 de novembro de 1968.
  3. Flamengo 0 a 2 Santos, 78 022, Maracanã, 15 de setembro de 1968.
  4. Vasco 3 a 2 Santos, 62 145, Maracanã, 29 de setembro de 1968 (49.394 pagantes).
  5. Atlético-MG 2 a 2 Santos, 61 546, Mineirão, 24 de novembro de 1968.
  6. Internacional 1 a 3 Santos, 57 390, Olímpico, 23 de outubro de 1968. (*)
  7. Vasco 1 a 2 Santos, 54 994, Maracanã, 10 de dezembro de 1968.
  8. Corinthians 1 a 2 Santos, 54 675, Morumbi, 6 de outubro de 1968 (46.347 pagantes).

(*) O Estádio Beira Rio ainda estava em construção.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Boletim da CBD, de 1972, intitulado de Progresso do Campeonato Nacional, conta os títulos nacionais desde 1967». Consultado em 25 de outubro de 2016 
  2. «CBF oficializa títulos nacionais de 1959 a 70 com homenagem a Pelé». Globo Esporte. Consultado em 8 de novembro de 2016 
  3. «Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão) 1968 - Campeonato Brasileiro de Futebol 1968». Quadro de Medalhas. Consultado em 31 de outubro de 2016 
  4. «Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão ou Taça de Prata)». Quadro de Medalhas. Consultado em 25 de outubro de 2016 
  5. «Confira detalhes do título do Santos no "Robertão" de 1968». Portal Terra. Consultado em 25 de outubro de 2016 
  6. a b c «Porquê [sic] o Palmeiras vai continuar». São Paulo: Diário Popular. Diário Popular (27 037): 20 (segundo caderno). 4 de dezembro de 1968 
  7. Almanaque do Brasileirão 1959-2015, Editora ALTO ASTRAL, página 16.
  8. Lista dos maiores públicos do Torneio Roberto Gomes Pedrosa

Ligações externas[editar | editar código-fonte]