Lídia Jorge

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Lídia Jorge
Nascimento 18 de junho de 1946 (70 anos)
Loulé, Boliqueime
Nacionalidade Portugal portuguesa
Ocupação Escritora
Magnum opus Os Memoráveis
Prémios Prémio Ricardo Malheiros (1980)

Prémio Literário Município de Lisboa (1982, 1984)
Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa (1995, 1998)
Prémio D. Dinis (1998)
Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística (1999)
Prémio Máxima de Literatura (1999)
Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLB (2002)
Prémio Literário Casino da Póvoa (2004)
Prémio Vergílio Ferreira (2015)
Prémio Urbano Tavares Rodrigues (2015)

Página oficial www.lidiajorge.com
www.arquivolidiajorge.blogspot.com

Lídia Guerreiro Jorge GCIH (Loulé, Boliqueime, 18 de junho de 1946) é uma escritora portuguesa.[1]

Biografia e obra[editar | editar código-fonte]

Lídia Jorge nasceu no Algarve, licenciou-se em Filologia Românica[1] pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo sido professora do Ensino Secundário[2][3]. Foi nessa condição que passou alguns anos decisivos em Angola e Moçambique, durante o último período da guerra colonial, mas a maior parte da sua carreira docente foi em Portugal. Era Professora do Ensino Secundário na Escola Secundária Rainha Dona Leonor em 1985.[1] Foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social e integra o Conselho Geral da Universidade do Algarve.

Iniciando-se na actividade literária[1] com a publicação da sua primeira obra[1] e do seu primeiro romance, O Dia dos Prodígios (1980)[1] constituiu um acontecimento num período em que se inaugurava uma nova fase da literatura portuguesa e desde logo se tornou um dos nomes mais importantes desta, nomeadamente na renovação da técnica romanesca.[1] Além do sucesso que obteve a nível nacional, passou a integrar o programa dos concursos de agregação da cadeira de Português, nas Universidades Francesas.[1]

Mais tarde,[1] seguiram-se os romances que deu a lume O Cais das Merendas (1982)[1] e Notícia da Cidade Silvestre (1984), ambos distinguidos com o Prémio Literário Município de Lisboa, o primeiro dos quais em 1983, ex aequo com o Memorial do Convento de José Saramago.[1] Escritora onde o fantástico coexiste com o real e duma imaginação primorosa nos campos lexical e morfológico, define-se como: Não sou uma pessoa lírica. A minha escrita, aliás, é talvez poética, mas não é lírica (...). Gosto de pôr grandes colectivos e pôr figuras nesses colectivos, de perseguir os problemas sociais através dos individuais. Não quero dizer com isto que defenda uma estética neo-realista, não. A minha maneira de ser é que me leva a procurar o social, o drama social, escondendo-me eu. A única resposta que o escritor tem contra a adversidade é escrever., em entrevista dada a "O Jornal", a 26 de Março de 1982.[1]

O aparecimento de Notícia da Cidade Silvestre (1984), veio confirmar o valor da obra de Lídia Jorge, que considerou aquele seu livro como uma espécie de confissão do troço da vida de duas pessoas, enfim, uma mulher que se confessa. Diferenciando-se das duas obras anteriores, Notícia da Cidade Silvestre é um livro despojado, despido da retórica que os outros tinham, sem essa grande metáfora, com um caminho diferente (...) é a sociedade portuguesa dos últimos dez anos, descrita de uma forma íntima - o que não significa que se perca a noção de amplitude social, em entrevista dada ao "Jornal de Letras, Artes e Ideias" de 11 a 17 de Setembro de 1984.[1]

Mas foi com A Costa dos Murmúrios (1988), livro que reflecte a experiência colonial passada em África colonial, que a autora confirmou o seu destacado lugar no panorama das letras portuguesas. Depois dos romances A Última Dona (1992) e O Jardim sem Limites (1995), seguiu-se O Vale da Paixão (1998) galardoado com o Prémio Dom Dinis da Fundação Casa de Mateus, o Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa, o Prémio Máxima de Literatura, o Prémio de Ficção do P.E.N. Clube, e em 2000, o Prémio Jean Monet de Literatura Europeia (Escritor Europeu do Ano).

Lídia Jorge publicou O Vento Assobiando nas Gruas (2002), romance que mereceu o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio Correntes d'Escritas. Combateremos a Sombra, publicado em Portugal em 2007, recebeu em França o Prémio Michel Brisset 2008, atribuído pela Associação dos Psiquiatras Franceses. Com chancela da Editora Sextante, publicou em 2009, o livro de ensaios Contrato Sentimental, reflexão crítica sobre o futuro de Portugal. Seguiu-se-lhe o romance A Noite das Mulheres Cantoras (2011) e, em Março de 2014, Os Memoráveis.

Lídia Jorge publicou antologias de contos, Marido e Outros Contos (1997), O Belo Adormecido (2003), e Praça de Londres (2008), para além das edições separadas de A Instrumentalina (1992) e O Conto do Nadador (1992). A sua peça de teatro A Maçon foi levada à cena no Teatro Nacional Dona Maria II, em 1997, com encenação de Carlos Avilez. Também uma adaptação teatral de O Dia dos Prodígios foi realizada e encenada por Cucha Carvalheiro no Teatro da Trindade, em Lisboa. O romance A Costa dos Murmúrios foi adaptado (2004) ao cinema por Margarida Cardoso.

Os romances de Lídia Jorge encontram-se traduzidos em diversas línguas. A agência literária que a representa tem sede em Frankfurt, Literarische Agentur Dr. Ray-Güde Mertin, Inh. Nicole Witt. Obras suas, além de edições no Brasil, estão traduzidas em mais de vinte línguas, designadamente nas línguas inglesa, francesa, alemã, holandesa, espanhola, sueca, hebraica, italiana e grega, e constituem objecto de estudo nos meios universitários portugueses e estrangeiros, tendo-lhes sido dedicadas várias obras de carácter ensaístico.

Em Portugal, o Presidente da República, Jorge Sampaio, a 9 de março de 2005, condecorou-a com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.[4] O Presidente da República Francesa, Jacques Chirac, a 13 de abril de 2005, condecorou-a como Dama da Ordem das Artes e das Letras de França, sendo posteriormente elevada ao grau de Oficial. Em 2006, a autora foi distinguida na Alemanha, com a primeira edição do Prêmio de Literatura Albatros da Fundação Günter Grass, atribuído pelo conjunto da sua obra. A Universidade do Algarve, a 15 de dezembro de 2010, atribuiu-lhe o doutoramento Honoris Causa, em sessão solene no Grande Auditório do Campus de Gambelas. A União Latina, a 5 de maio de 2011, atribuiu-lhe o Prémio da Latinidade, João Neves da Fontoura. A Associación de Escritores en Lingua Gallega atribuiu-lhe em Maio de 2013 o título de Escritora Galega Universal.

A assinalar o 30.º aniversário da publicação de O Dia dos Prodígios, a Câmara Municipal de Loulé promoveu a exposição bio-bibliográfica Trinta Anos de Escrita Publicada, entre novembro de 2010 e março de 2011, no Convento de Santo António dos Olivais.

Em Portugal, à exceção do livro de ensaios Contrato Sentimental, todos os seus livros têm a chancela das Publicações Dom Quixote.

Escreveu o posfácio do livro O Sexo Inútil, de Ana Zanatti.[5]

Condecorações[editar | editar código-fonte]

Obras[editar | editar código-fonte]

Romances:

  • O Dia dos Prodígios - 1980
  • O Cais das Merendas - 1982
  • Notícia da Cidade Silvestre - 1984
  • A Costa dos Murmúrios - 1988
  • A Última Dona - 1992
  • O Jardim Sem Limites - 1995
  • O Vale da Paixão - 1998
  • O Vento Assobiando nas Gruas - 2002
  • Combateremos a Sombra - 2007
  • A Noite das Mulheres Cantoras - 2011
  • Os Memoráveis - 2014

Contos:

  • A Instrumentalina - 1992
  • O Conto do Nadador - 1992
  • Marido e outros Contos - 1997
  • O Belo Adormecido - 2004
  • O organista - 2014

Literatura Infantil:

  • O Grande Voo do Pardal, ilustrado por Inês de Oliveira - (2007)
  • Romance do Grande Gatão, ilustrado por Danuta Wojciechowska - (2010)

Ensaio:

  • Contrato Sentimental - 2009

Teatro:

  • A Maçon - 1997

Prémios literários[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
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Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira Editorial Enciclopédia, L.da [S.l.] pp. Volume 6 Actualização. 440. 
  2. Página Oficial de Lídia Jorge
  3. Blogue autorizado
  4. a b «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Lídia Guerreiro Jorge". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2015-02-12. 
  5. Goreti Pera (9 de Março de 2016). «Ana Zanatti lança hoje 'O Sexo Inútil'». Notícias ao Minuto. Consultado em 25 de Maio de 2016. 
  6. http://ionline.pt/artigo/479097/lidia-jorge-recebe-hoje-premio-urbano-tavares-rodrigues?seccao=Mais_i