Ponte Costa e Silva

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Ponte Costa e Silva

A Ponte Costa e Silva é uma das quatro pontes sobre o Lago Paranoá, em Brasília. Inaugurada em 1976, tem 452 metros de extensão e liga o Setor de Clubes Sul e o pontão do Lago Sul, com acesso à Península dos Ministros e à Quadra 11 do Lago Sul.

O desenho da ponte é de Oscar Niemeyer, que a chamou originalmente de Ponte Monumental. Ao ser inaugurada pelo presidente Ernesto Geisel, recebeu o nome atual em homenagem ao antecessor dele, Arthur da Costa e Silva. Por ter o nome de um dos ditadores do Regime Militar, tentativas de mudar o nome da ponte já aconteceram diversas vezes desde a redemocratização, tanto em atos simbólicos quanto em propostas oficiais, sendo que em 2015 chegou a ter o nome alterado para Ponte Honestino Guimarães. A troca de nome foi polêmica entre a população local, e após decisão judicial a ponte voltou a se chamar Costa e Silva em 2017.[1][2][3]

História[editar | editar código-fonte]

Oscar Niemeyer desenhou a ponte, que ele chamava de Ponte Monumental, e acabou sendo a única projetada por ele que foi construída.
Costa e Silva, o segundo presidente do Regime Militar, foi homenageado com o nome da ponte quando ela foi inaugurada.

A Ponte Costa e Silva tinha como objetivo ligar o Setor Residencial da Península Sul ao Plano Piloto. Quem precisava fazer este caminho antes da existência da ponte tinha que ir até a Estrada Parque Dom Bosco (DF-025) e a Estrada Parque Aeroporto (DF-047), contornando o Paranoá.

Foi o único projeto executado de uma ponte do arquiteto Oscar Niemeyer, tendo sido feito em 1967. Possui um arco suave que segundo nota poética do próprio Niemeyer em seu projeto "deve apenas pousar na superfície como uma andorinha tocando a água". O desenho criado por ele pretendia deixar os blocos de fundação invisíveis, com apenas dois pontos tocando a água, o que gerava um vão de duzentos metros.

Após certa polêmica por não constar no projeto original de Brasília, em 1969, o edital de construção foi vencido pela Sobrenco Ltda. A empresa, porém, encontra problemas com o solo na área, precisou fazer modificações junto com Niemeyer, adiando as obras. As obras só começam em junho de 1970, mas diversos acidentes com os materiais da obras - cabos destinados a protensão afundando, flutuadores se perdendo com as ondas do lago - e de organização da própria empresa levaram a obra a ser paralisada na metade, em 1971. Após um acidente com a mesma empresa no Rio de Janeiro e os problemas na obra brasiliense, a Sobrenco e o governo rescindem o contrato.

O atraso das obras da ponte levou a construção, as pressas, da Ponte das Garças. Anos se passam, e em março de 1974, o novo governador Elmo Serejo promete a entrega da ponte, que teve parte de seu sistema de concreto protendido abandonado em prol de uma estrutura metálica (viga gerber) no vão central. A construtora ECEL assume as obras, que avançam rapidamente, recuperando as partes problemáticas e reforçando as fundações.[4]

No dia 6 de fevereiro de 1976, a ponte finalmente é inaugurada pelo presidente Ernesto Geisel. A abertura da ponte consolida o Lago Sul, que é definitivamente ocupado.[5][6]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Niemeyer queria que a ponte apenas pousasse na superfície, comparando com uma andorinha.

Dentro da construção civil, as pontes são associadas aos engenheiros civis, que tem maior conhecimento estrutural. Arquitetos, porém, também tem conhecimento da área. Oscar Niemeyer desenhou a ponte cerca de quinze anos depois dos primeiros desenhos de Brasília, mas as soluções estruturais dos palácios e da ponte são similares, demonstrando o conhecimento em estruturas do arquiteto. Ele considerou a ponte um monumento sobre o lago, do qual veio seu nome original, Ponte Monumental.

A ponte tem 452 metros no total. A espessura do vão central dependia de seus vãos laterais: o vão central de 220 metros é associado aos vãos laterais menores, que tem 110 metros cada, garantindo o engastamento. Quando foi aberta, o vão era o maior do mundo no gênero viga-reta. O projeto era de uma ponte de concreto protendido, mas após os atrasos a ponte ganhou um parte de viga gerber, estrutura metálica fabricada em Volta Redonda. [4]

Os nomes[editar | editar código-fonte]

Quando a idealizou, Oscar Niemeyer a chamou "Ponte Monumental", entretanto, quando a ponte foi inaugurada, foi rebatizada de "Ponte Costa e Silva" pelo então presidente Ernesto Geisel homenageando seu antecessor militar Costa e Silva.[6][5]

Nomear obras com o nome dos ditadores foi uma prática comum no regime, entretanto, pelo fato de estar homenageando um líder de estado durante a Ditadura militar (1964-1985), conhecida por fechar o Congresso Nacional, cassado direitos e partidos políticos com o AI-5 e ser ligado à desaparecimentos, torturas e assassinatos a alteração de nomes foi realizada em várias partes após a redemocratização. No Rio de Janeiro, outra ponte também feita na época também foi nomeada em homenagem a Costa e Silva: a Ponte Rio–Niterói. A ponte fluminense passou por um processo de mudança de nome para Ponte Herbert de Souza mas que acabou negado pela justiça.[7][8][9] Em Brasília, não foi diferente: a mudança do nome da ponte foi proposta por diversas vezes em 1999, 2003 e 2012.[3]

Com esse argumento, em 2012 a ponte foi alvo de uma intervenção por parte do coletivo de arte urbana Trans-verso, que "rebatizou" a ponte alterando as placas indicativas para o nome do sambista pernambucano Bezerra da Silva. O ato causou repercussão.[10]

Em 2015, o projeto de lei PL 130/2015, do deputado distrital Ricardo Vale, do Partido dos Trabalhadores (PT) foi aprovado no dia 7 de janeiro, mudando o nome da ponte para Honestino Guimarães. Honestino participou do movimento estudantil na Universidade de Brasília (UnB) durante o período da ditadura, foi perseguido e desapareceu em 1973 sob circunstâncias ainda não apuradas, mas com responsabilidade assumida pelo Estado. Em Brasília, ele também dá nome ao Museu Nacional.[11][12][13]

A edição da lei que renomeou a ponte foi questionada na judiciário em 2017, em razão da falta de participação popular na escolha do novo nome, tese acolhida pelo Juízo da Vara do Meio Ambiente do Distrito Federal. Foi determinado que um novo processo de escolha seja aberto, mas que a sinalização atual seja mantida até a nova decisão, por questão de economia. A decisão foi alvo de recursos pelo Conselho Especial do TJDFT.[2] Em novembro de 2018, o TJDF julgou improcedente a troca sem consulta publica, retornando assim ao nome original.[1]

Em março de 2019, uma nova intervenção foi feita na ponte, reivindicada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário. Nessa intervenção, a placa que indica o acesso à ponte foi adesivada com o nome da vereadora carioca Marielle Franco, na data em que seu assassinato completou um ano[14]. Tal ação se repetiu meses mais tarde em julho do mesmo ano, tendo o movimento registrado a ação nas redes sociais.[15]

Referências

  1. a b «Ponte Honestino Guimarães volta a se chamar Costa e Silva». 6 de novembro de 2018. Consultado em 7 de novembro de 2018 
  2. a b «TJDFT definirá nome da ponte: Honestino Guimarães ou Costa e Silva». Metrópoles. 7 de março de 2018. Consultado em 29 de maio de 2018 
  3. a b «Ponte Costa e Silva troca de nome e termina homenagens à ditadura no DF». Correio Braziliense. 2 de julho de 2015. Consultado em 16 de janeiro de 2016 
  4. a b FONSECA, Roger Pamponet da (2007). «A Ponte de Oscar Niemeyer Em Brasília: Construção, Forma e Função Estrutural» (PDF) (Dissertação de Mestrado). Universidade de Brasília. Consultado em 31 de julho de 2020 
  5. a b Roger Pamponet da Fonseca (2007). «A Ponte de Oscar Niemeyer em Brasília: Construção, Forma e Função Estrutural» (PDF). UNB 
  6. a b Guia de obras de Oscar Niemeyer: Brasília 50 anos (PDF). [S.l.]: Edições Câmara. 2010. p. 249. ISBN 978-85-736-5716-6. Consultado em 15 de janeiro de 2016 
  7. thiago.antunes (10 de janeiro de 2015). «Justiça nega mudança de nome da Ponte Rio-Niterói». O Dia. Consultado em 6 de março de 2020 
  8. Evandro Éboli (11 de novembro de 2014). «Comissão da Câmara aprova mudança de nome da ponte Rio-Niterói de Costa e Silva para Betinho». O Globo. Consultado em 9 de abril de 2016 
  9. Jonatas Pacheco (12 de novembro de 2014). «Ponte Rio-Niterói pode mudar de nome». Consultado em 6 de março de 2015 
  10. «Grupo 'rebatiza' ponte em Brasília com homenagem a Bezerra da Silva». G1. 11 de julho de 2012. Consultado em 16 de janeiro de 2016 
  11. Ana Pompeu (14 de setembro de 2013). «Perdão, Honestino». Correio Braziliense: 21 
  12. «Três anos após intervenção que "rebatizou" a Ponte Costa e Silva, mudança de nome é aprovada na CLDF». R7 Notícias. 1 de julho de 2015. Consultado em 3 de julho de 2015 
  13. «Projeto que muda o nome da Ponte Costa e Silva é aprovado com 14 votos». 30 de junho de 2015. Consultado em 3 de julho de 2015 
  14. «Placa da Ponte Costa e Silva, em Brasília, é adesivada com o nome de Marielle Franco». G1. 14 de março de 2019. Consultado em 9 de dezembro de 2019 
  15. «Grupo muda o nome da Ponte Costa e Silva, em Brasília, para Marielle Franco». G1. 25 de julho de 2019. Consultado em 9 de dezembro de 2019 

Ver também[editar | editar código-fonte]

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