BR-277

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BR-277.svg
BR-277
"Grande Estrada"
Br-277mapa.jpg
Extensão 730 km (453,62 mi)
Inauguração Março de 1969

Dezembro 2000 (Duplicação Curitiba - Paranaguá)

Tipo Rodovia Transversal
Limite Leste Avenida Portuária, Porto de Paranaguá, em Paranaguá
Interseções
Limite Oeste Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu
Concessão Rodovia das Cataratas
Caminhos do Paraná
Ecovia
RodoNorte
(desde 1997)
Rodovias Federais do Brasil

A BR-277, também denominada como Grande Estrada, é uma rodovia federal transversal do Brasil. Foi inaugurada em março de 1969, e tem 730 km de extensão, com início no Porto de Paranaguá e término na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu. Saindo de Curitiba, a rodovia se sobrepõe a Rodovia do Café, até sua interação com seu trajeto original no km 140. Administrada por três concessionárias diferentes, ao longo de distintos trechos da mesma, está duplicada de Paranaguá a sua interseção com a BR-376 no km 140, e de Medianeira à Foz do Iguaçu.

A Rodovia[editar | editar código-fonte]

Trecho da BR-277 próximo ao município de Matelândia.

Essa rodovia corta o Estado do Paraná no sentido leste-oeste, ao longo do paralelo 25°30', ligando o Porto de Paranaguá a Curitiba, Campo Largo, Irati, Palmeira, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Cascavel, Foz do Iguaçu ,Prudentópolis , interliga-se com a "Ruta 7" (Rodovia Transparaguaia); esta, também obedecendo à mesma orientação e estendendo-se através de 330 km, alcança Assunción; daí a estrada segue rumo à Cañada de Oruro, fronteira com a Bolívia, passa por Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba, La Paz. É a "Ruta 33" da Bolívia. Enfim, interliga Cuzco, Nazca e Lima, no Peru. Assim, a BR-277 é parte integrante da Rodovia Panamericana que de Lima, Capital do Peru, atinge Paranaguá (PR) no Atlântico, após atravessar a Bolívia e o Paraguai.

Em território brasileiro, constitui-se na espinha dorsal do sistema rodoviário da terra das araucárias, o Paraná. Rodovias Federais e Estaduais a cortam ou para ela convergem. Recebendo a Rodovia do Café, canaliza para o Porto de Paranaguá a produção cafeeira do estado do Paraná, a principal base econômica. Recebendo a BR-373 (Três Pinheiros - Pato Branco), que o Governo constrói em convênio com o DNER, possibilita o escoamento de milhões de toneladas anuais de produtos agropecuários da importantíssima região Sudoeste do Paraná. Além de sua importância econômica, acresce seu indiscutível valor social, político, estratégico e turístico.

Concluída a duplicação da Rodovia Presidente Dutra, a BR-277 passou a constituir-se na principal meta do Governo Federal, por ser a principal via rodoviária do Paraná e uma das mais importantes do Brasil, por ser considerada "corredor do Mercosul".

Segmento Curitiba – Paranaguá[editar | editar código-fonte]

Os 86,5 km da BR 277 que correspondem à transposição da Serra Do Mar compõem um capítulo à parte na história da rodovia, pois foram fruto de uma urgente demanda por infraestrutura no estado. Em meados do século, transcorridos quase setenta anos da conclusão da Estrada Da Graciosa, esta já se encontrava saturada e não mais permitia uma locomoção à altura das cargas entre o porto e a capital; bem como dos veranistas, que na época ainda não eram tão numerosos. Operando também a estrada de ferro na sua máxima capacidade, formava-se um gargalo atravancando o desenvolvimento paranaense, que apenas em 1946 vislumbrou saída com os primeiros estudos para a construção da então chamada “BR 35 – Leste”. Foi escolhido para sua extensão o lado oposto da mesma “garganta” que outrora deu passagem aos primeiros povoadores de Curitiba, na qual se assenta o antigo Caminho Do Arraial.[1]

Na ordem da leitura:1 - pista dupla em construção no litoral, perto de Paranaguá, 1960.2 - Lupion (de boné cinza claro) com a equipe do DER: José Lupion Jr., Eurico Macedo entre outros.3 - Governador Moyses Lupion (centro); Alberto Franco, à direita, e o desembargador Antonio Franco (à esquerda) posam ao lado de uma moto-scrapers da empreiteira Lysimaco.4 - Irmãos Lysimaco. à esquerda, o cunhado José Munhoz de Mello, autor do contrato da auto-estrada entre o governo e a empreiteira; no centro, Lysimaco da Costa (dono da empreiteira) e Alberto Franco Ferreira da Costa.5 - Ayrton Lolô Cornelsen (1º à esquerda), Eurico Macedo (de boné), José Lupion Jr.e Theodocio Aterino visitam trecho da BR-35. A partir do momento que Lolô assumiu a fiscalização e algumas obras da auto-estrada, o ritmo de realizações aumentou.6 - Empreiteira Lysimaco, na terraplenagem.

Somente em 05/05/1950 foram iniciadas as obras, a cargo da firma Lysimaco Da Costa & Irmão, a qual viria a executar 12.611.565.781m³ de terraplanagem. Finda essa etapa, o DER assumiu com entusiasmo a condução dos trabalhos visando cumprimento da promessa eleitoral do governador Ney Braga, quem hoje cede oficialmente o nome à estrada, conforme lei de 2001. Anteriormente houve a sugestão de alguns intelectuais para que se chamasse Dom Pedro II, homenageando este que foi o primeiro chefe de estado a cruzar a serra, em 1880. Tão inóspito era o trecho serrano que às vezes os operários ficavam isolados, sem receber materiais e víveres durante breves períodos.

Os 230 dias de chuva ao longo do ano de 1967 prejudicaram a já tardia conclusão do asfalto e sua inauguração, que só se deu em 06/04/1968 com uma das pistas ainda incompleta. O modelo de contrato com as empresas participantes contribuiu para a demora, pois este as remunerava pelo tempo de serviço. Tanto dinheiro gasto em tão poucos resultados atraiu a atenção da imprensa nacional, através de ácidas reportagens da revista Panorama e do jornalista David Nasser para a Cruzeiro. A reviravolta que acelerou o andamento das obras veio quando o governo, instruído por um conhecido advogado carioca, passou a soltar as ordens de serviço todas de uma vez, obrigando as empreiteiras a fazer fortes investimentos em maquinário para poder cumprir o que fora contratado.[2] No local de maior beleza na serra foram feitos dois grandes viadutos, o Caruru – última obra a ser concluída – e o dos Padres – que é a estrutura mais extensa. Ao cortar a faixa inaugural, no km 0 em Paranaguá, o presidente Costa E Silva se admirou com a grandeza da estrada e brincou dizendo que gostaria de percorrê-la a pé. Mais tarde se dirigiu ao ponto final dela, sendo bem recebido pelo povo no Centro Politécnico da capital. Foi grande a satisfação dos trabalhadores, à quem as empreiteiras ofereceram uma churrascada em comemoração ao fim da obra. Duas horas de ser a via concedida ao tráfego, saiu da rodoviária (na época o Terminal Guadalupe) o primeiro ônibus da Viação Graciosa com destino a Paranaguá, tendo seu preço reduzido de NCr$ 2,40 para NCr$ 1,65; e seu percurso diminuído em 40min comparando-se à rota anterior.

Morro Do Cabrestante e região entre Viaduto Caruru e Viaduto Dos Padres.

A facilitação do transporte possibilitou de imediato um aumento em 20% nas exportações pelo porto de Paranaguá. Só então o litoral paranaense vivenciou um êxtase imobiliário e um crescimento do turismo, antes pouco expressivo. A duplicação veio 20 anos depois por obra da empreiteira C. R. Almeida, que aproveitou as estruturas deixadas pelos construtores para os novos viadutos e pontes. Contudo atualmente uma nova saturação se aproxima, criando a possibilidade de que futuras soluções venham a impactar o meio ambiente na Serra Do Mar e nas praias. Exemplos disso são os projetos de duplicação da PR 407, a criação do porto de Pontal Do Sul e do trecho paranaense da BR 101; que entre outras ideias, contariam com grande anuência de órgãos ambientais.

Concessão[editar | editar código-fonte]

Em 1997 esta e demais rodovias do estado passaram por um processo de concessão, formando o Anel de Integração do Paraná. Desde então a BR-277 é operada por quatro concessionárias de rodovias. Partindo do Km 0 em Paranaguá até Curitiba, é operada pela empresa Ecovia, uma subsidiária da empresa EcoRodovias. O trecho seguinte, de Curitiba até o Km 140 em São Luiz do Purunã, é operado pela RodoNorte, subsidiária da Companhia de Concessões Rodoviárias. A concessionária Caminhos do Paraná opera o Lote 4, de São Luiz do Purunã até Guarapuava. E de Guarapuava a Foz do Iguaçu, o Lote 3 é operado pela concessionária Ecocataratas, outra subsidiária da EcoRodovias. Todos os contratos de operação dos lotes tem validade de 24 anos.

Trajeto[editar | editar código-fonte]

Paranaguá Curitiba Campo Largo Palmeira Irati Guarapuava
Cantagalo Virmond Laranjeiras do Sul Guaraniaçu Ibema Cascavel
Santa Tereza do Oeste Céu Azul Matelândia Medianeira São Miguel do Iguaçu Santa Terezinha de Itaipu
Foz do Iguaçu

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Rubens Roberto Habitzheuer. A Conquista Da Serra Do Mar". 2000 - Biblioteca Pública Do Paraná.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]