Coelho-europeu

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Oryctolagus cuniculus Tasmania 2.jpg

Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Lagomorpha
Família: Leporidae
Género: Oryctolagus
Lilljeborg, 1873
Espécie: O. cuniculus
Nome binomial
Oryctolagus cuniculus
(Linnaeus , 1758)

O coelho-europeu ou coelho-bravo ou coelho-comum (Oryctolagus cuniculus) é um mamífero pertencente à Ordem Lagomorpha, tendo origem na Península Ibérica[1] [2] .

A expansão geográfica deu origem a duas subespécies, Oryctolagus cuniculus cuniculus e Oryctolagus cuniculus algirus, esta última que estendeu-se pelo sudoeste da Península Ibérica sendo que após os Descobrimentos, foi introduzida no Arquipélago dos Açores e da Madeira, nos quais só não ocorre na ilha do Corvo e nas ilhas Desertas, pois foi alvo de uma campanha de erradicação, que decorreu de 1 de Setembro a 2 Dezembro de 1995[3] . Oryctolagus cuniculus cuniculus expandiu-se de maneira natural pela Europa Ocidental, Espanha e Sul de França[4] .

Em Portugal, o coelho-bravo é uma espécie bastante importante, pois faz parte da cadeia alimentar de predadores com estatuto de espécie rara ou em vias de extinção, como o Lince Ibérico (Lynx pardinus). Deste modo, o coelho-bravo representa um papel de “espécie chave” dentro dos habitats[5] .

Útil às pessoas pela sua carne, usada como alimento, e pela pele, usada para confeccionar vestuário. Há uma crendice popular que reza ser o pé de coelho um amuleto de boa sorte. Hoje em dia é também frequente as pessoas criarem coelhos como animais de estimação - principalmente, os coelhos albinos.

Descrição física[editar | editar código-fonte]

O coelho-bravo apresenta um comprimento médio de cerca de 40 cm, e o peso total do adulto varia entre 1000 g e 1200 g. Trata-se de uma espécie sem dimorfismo sexual, sendo a fêmea ligeiramente maior e mais pesada que o macho[6] [7] .

As orelhas medem cerca de 7 cm, as patas traseiras são longas e podem atingir os 9 cm. A cauda é em forma de tufo e as unhas são grandes e afiadas.

Ecologia e comportamento[editar | editar código-fonte]

O seu habitat preferencial são as áreas mistas, do tipo mosaico com abrigo, como é o caso dos bosques e matos temperados, e zonas mais abertas, como pastagens e terrenos agrícolas[8] .

São animais geralmente nocturnos, restringindo a sua actividade durante o dia perto da toca ou em áreas de denso arvoredo, de modo evitar os predadores[1] . Assim, preferencialmente os períodos de alimentação e deslocação são feitos durante a noite, uma vez que a sua visão está adaptada à fraca luminosidade[6] .

Como se trata de espécie-chave, o coelho-bravo está em diferentes cadeias alimentares, destacando predadores ibéricos com estatuto de espécie rara ou em perigo de extinção, como aves de rapina nidificantes e mamíferos carnívoros[9] . Os coelhos-bravos vivem em colónias, organizando-se em numerosas tocas comunitárias, que por sua vez, estão ligadas entre si por extensas galerias com várias entradas e saídas. Vivem em 5 grupos familiares de 2 a 7 indivíduos apresentando uma hierarquia social rígida com um macho e fêmea dominante[7] .

O coelho-bravo é herbívoro, não apresentando grande selectividade de escolha, pois adapta-se aos recursos disponíveis, estado de desenvolvimento e valor nutricional das plantas[10] [11] .

A sua dieta é composta por gramíneas, plantas lenhosas e plantas herbáceas[2] .

A variedade de espécies consumidas é maior na Primavera do que nas restantes estações do ano. Nas estações frias, a espécie inclui na dieta alimentos como raízes e caules[12] .

No que diz respeito à competição intra-específica, o principal factor envolvido é o alimento, estando o coelho-bravo sujeito a uma elevada taxa de mortalidade[7] . Para compensar, esta espécie reproduz-se com uma alta taxa de sucesso.

Factores de Ameaça[editar | editar código-fonte]

As áreas favoráveis à ocorrência da espécie são frequentemente usadas para a agricultura e pastorícia. Assim, o seu habitat preferencial é muitas vezes parcial ou totalmente destruído por pastorício excessivo, queima de terrenos e criação de pastagens[13] .

Também a construção de vias de comunicação e limpeza de matos tem levado ao desaparecimento de algumas colónias.

Do ponto de vista cinegético, é a espécie de caça menor mais procurada pelos caçadores, levando ao aumento do número de animais abatidos. Adicionalmente a modernização da caça tradicional, o abate furtivo da espécie e a caça ilegal ameaçam cada vez mais a subsistência das populações de coelho-bravo[1] .

A espécie tem sido também sujeita a graves doenças nomeadamente epizootias, mixomatose e DHV, para as quais ainda não se encontrou solução para evitar a sua propagação[13] . Existe uma grande diferença entre a abundância de populações, pois diferem de local para local, dependendo de várias factores como a predação, caça, alimentação e doenças[7] [14] .

Factores de conservação[editar | editar código-fonte]

O coelho-bravo encontra-se protegido em grande parte da Europa, Austrália e em algumas áreas da América do Sul, estando classificada como espécie quase ameaçada (NT) na Lista Vermelha da IUCN[15] .

De todos os factores de ameaça, a perda de habitat é a principal causa pela diminuição do número numa população[5] . De forma a contrariar o desaparecimento da espécie, a recuperação e optimização do habitat é uma importante medida a ser tomada, passando pela criação de refúgios, onde haja recursos (água e alimentos) disponíveis[4] .

Para a sua recuperação na Península Ibérica estão a ser aplicadas várias medidas, como a reintrodução de animais, a vigilância de populações, a gestão de habitat e a gestão da pressão cinegética[14] [16] .

Só é legalmente permitido capturar, criar e reproduzir em cativeiro e realizar repovoamentos com indivíduos da subespécie Oryctolagus cuniculus algirus, identificada como a que ocorre em Portugal. Assim, a subespécie é assegurada, reduzindo a probabilidade de hibridação[13] .

Importância cultural e económica[editar | editar código-fonte]

O coelho-bravo pertence à lista de espécies cinegéticas de caça menor segundo o decreto-Lei nº 202/2004 de 18-08-2004. É uma das espécies cinegéticas de pêlo com grande importância e bastante apreciada pelos caçadores portugueses, usado para alimentação ou venda. Classificada como uma espécie quase ameaçada, a caça ao coelho-bravo é proibida em Portugal durante longos períodos do ano, permitido apenas após publicação do mesmo no Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

O Coelho na cultura[editar | editar código-fonte]

O coelho é um animal presente na cultura popular como símbolo de fertilidade associado à Páscoa. Entre as outras manifestações culturais do animal:

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Referências

  1. a b c Aguado, E., 2003. Factores que afectan a la distribución y abundancia del conejo en Andalucía.
  2. a b Alves, P., Branco, M., Matias, O., Ferrand, N., 2000. New genetic variation in European hares, Lepus granatensis and L. europaeus. Biochem. Genet.
  3. Bell, B., 2001. Removal of rabbits from Deserta Grande Island, Madeira Archipelago. Arquipélago, Life Mar. Sci.
  4. a b Paula, A., 2007. Monitorização do coelho-bravo na Reserva Natural da Serra da Malcata: 1998-2007.
  5. a b Lopes, A., 2012. Estudo da dieta do coelho-bravo e lebre-Ibérica em Trás-os-Montes: Influência da alimentação na estratégia reprodutora.
  6. a b Blanco, J., 1998. Mamíferos de España II. Cetáceos, Artiodáctilos y Roedores.
  7. a b c d Villafuerte, R., Calvete, C., 1994. First epizootic of rabbit hemorrhagic disease in free living populations of Oryctolagus cuniculus at Doñana National Park, Spain. … Wildl. Dis.
  8. Cabral, M., Almeida, J., Almeida, P., 2005. Livro vermelho dos vertebrados de Portugal
  9. Soriguer, R., 1981. Biología y dinámica de una población de conejos (Oryctolagus cuniculus, L.) en Andalucía Occidental.
  10. Carvalho, J., Gomes, P., 2004. Influence of herbaceous cover, shelter and land cover structure on wild rabbit abundance in NW Portugal. Acta Theriol. (Warsz).
  11. Chapuis, J., Gaudin, J., Taran, E., Ebner, Ü., 1995. Utilisation des ressources trophiques par le lapin de garenne (Oryctolagus cuniculus) en garrigue sèche aménagée. Gibier faune Sauvag.
  12. Cooke, B., 1982. A Shortage of Water in Natural Pastures as a Factor Limiting a Population of Rabbits, Oryctolagus cuniculus (L.), in Arid. North-Eastern South Australia. Wildl. Res.
  13. a b c Cabral, M., Almeida, J., Almeida, P., 2005. Livro vermelho dos vertebrados de Portugal.
  14. a b Morgado, R., 2008. Avaliação do impacto de métodos florestais e de seca severa na população de coelho-bravo na mata nacional de Quiaios.
  15. Smith, A.T. & Boyer, A.F. 2008. Oryctolagus cuniculus. In: IUCN 2013. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2013.2.
  16. Santos, J., 2009. Avaliação do sucesso de medidas de gestão de habitat na recuperação de populações de coelho-bravo e perdiz-vermelha, no vale do Rio Sabor.
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