Conflito na República Centro-Africana (2012–presente)

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Conflito na República Centro-Africana
2012 Battles in the C.A.R.
Mapa de batalhas na República Centro-Africana
Data 10 de dezembro de 2012 – presente
Local República Centro-Africana
Desfecho
Status em curso;
  • A coalizão rebelde Séléka toma o poder
  • O presidente François Bozizé foge do país.[1]
  • Combates continuam entre o novo governo e partidários de Bozizé
  • Membros do Séléka continuam a atacar civis cristãos
  • O presidente Michel Djotodia renuncia e é substituído por Catherine Samba-Panza
  • Intervenção francesa no final de 2013
  • O governo declara guerra contra as milícias que atacam muçulmanos, 12 de fevereiro de 2014
  • Êxodo de civis muçulmanos
Combatentes
República Centro-Africana Coalizão Séléka (milícias muçulmanas):  República Centro-Africana
 África do Sul
 França
Implementação não-combatentes:
República Centro-Africana CEEAC: MICOPAX
República Centro-Africana Anti-balaka (milícias cristãs)
Principais líderes
República Centro-Africana Michel Djotodia República Centro-Africana François Bozizé
África do Sul Jacob Zuma
ECCAS: Jean Felix Akaga
Angola José Eduardo dos Santos
França François Hollande
França Francisco Soriano
Desconhecido
Forças
3000 (reivindicação da Seleka)[2]
1,000–2,000 (Outras estimativas)[3]
República Centro-Africana 3500 soldados[3]
África do Sul 200 soldados
ECCAS: 500+ soldados[2]

França 1600

Desconhecido

A Rebelião na República Centro-Africana em 2012-2013 é um conflito armado iniciado em dezembro de 2012 entre o Governo da República Centro-Africana e os rebeldes, muitos dos quais estiveram anteriormente envolvidos na Guerra Civil da República Centro-Africana. Os rebeldes acusaram o governo do presidente François Bozizé de não cumprir os acordos de paz assinados desde 2007.

As forças rebeldes conhecidas como a Coalizão Séléka (Séléka que significa "aliança" na língua sango[4] ) capturaram muitas das grandes cidades nas regiões central e leste do país. A aliança compreende dois grandes grupos baseados no nordeste da República Centro-Africana: a UFDR e a CPJP, bem como o CPSK, menos conhecido. [5] Dois outros grupos anunciaram seu apoio à coalizão: FDPC[6] , bem como o grupo chadiano FPR,[7] sendo que ambos são baseados no norte da República Centro-Africana. Com exceção da FPR e do CPSK, todas as facções foram signatárias dos acordos de paz e do processo de desarmamento.

O Chade,[8] o Gabão, os Camarões,[9] Angola,[10] África do Sul[11] e a República do Congo[12] enviaram tropas para ajudar o governo Bozizé a conter um potencial avanço dos rebeldes na capital, Bangui.

Em 11 de janeiro de 2013, um acordo de cessar-fogo foi assinado em Libreville, Gabão. Os rebeldes abandonaram sua demanda do presidente François Bozizé a renunciar, mas ele teria que nomear um novo primeiro-ministro do partido da oposição até 18 de janeiro de 2013.[13] Em 13 de janeiro, Bozizé assinou um decreto que removeu o primeiro-ministro Faustin-Archange Touadéra do poder, como parte do acordo com a coalizão rebelde.[14] Em 17 de janeiro, Nicolas Tiangaye foi nomeado primeiro-ministro. [15]

Em 23 de janeiro de 2013, o cessar-fogo foi rompido, com o governo culpando a Séléka por quebrar o cessar-fogo[16] e a Séléka responsabilizando o governo por supostamente não honrar os termos de partilha de poder do acordo[17] . Até 21 de março, os rebeldes haviam avançado até Bouça, a 300 km da capital, Bangui. [17] Em 22 de março, os combates atingiram a cidade de Damara, a 75 km da capital,[18] com relatos conflitantes a respeito de que lado estava controlando a cidade.[19] Os rebeldes ultrapassaram o posto de controle em Damara e avançaram para Bangui, mas foram impedidos com um ataque aéreo de um helicóptero.[20]

No dia seguinte, no entanto, os rebeldes entraram em Bangui, indo para o Palácio Presidencial.[21] Em 24 de março, François Bozizé fugiu do país depois que os rebeldes tomaram o palácio presidencial.[22] O líder rebelde Michel Djotodia declarou-se presidente no mesmo dia[23] .

Em 18 de abril de 2013, Michel Djotodia foi reconhecido como o chefe do governo de transição em uma cúpula regional em N'Djamena. [24] O Em 14 de maio, o primeiro-ministro da República Centro-Africana, Nicolas Tiangaye, solicitou uma força de paz das Nações Unidas para o Conselho de Segurança das Nações Unidas e, em 31 de maio, o antigo Presidente Bozizé foi acusado de crimes contra a humanidade e de incitamento ao genocídio. [25]

A situação da segurança continuou precária durante junho-agosto de 2013, com relatos de mais de 200.000 pessoas deslocadas internamente, bem como as violações dos direitos humanos, incluindo o uso de crianças-soldado, estupro, tortura, execuções extrajudiciais e desaparecimentos forçados[26] , bem como renovados combates entre Séléka e partidários de Bozizé em agosto[27] com o presidente francês François Hollande convidando o Conselho de Segurança da ONU e a UA para aumentar os seus esforços para estabilizar o país. Em agosto, o governo da Séléka sob Djotodia foi dito estar cada vez mais dividido.[28] O conflito se agravou no final do ano com advertências internacionais de um "genocídio". Os combates são entre o governo da República Centro-Africana da antiga coligação de grupos rebeldes Séléka, que são principalmente de minoria muçulmana (assim como o presidente Michel Djotodia) e a coalizão anti-balaka, essencialmente cristã. Em janeiro de 2014, o presidente Djotodia renunciou e foi substituído por Catherine Samba-Panza, mas o conflito permaneceu em andamento. [29]

Em 2014, a Anistia Internacional relatou vários massacres cometidos pelo grupo cristão Anti-Balaka contra civis muçulmanos, forçando milhares de muçulmanos a fugir do país.[30] [31] Vários relatórios alertaram que o que está acontecendo é um genocídio e uma ampla de limpeza étnica contra os muçulmanos na República Centro-Africana.

Referências

  1. Looting and gunfire in captured CAR capital - Africa - Al Jazeera English
  2. a b "Central African Republic president says ready to share power with rebels", Reuters
  3. a b "Seleka, Central Africa's motley rebel coalition", Radio Netherlands Worldwide
  4. Séléka rebels agree on unconditional talks CAR govt. (29 de dezembro de 2012).
  5. "Three rebel groups threaten to topple C.African regime", 18 de dezembro de 2012. Página visitada em 31 de dezembro de 2012.
  6. Centrafrique : Le FDPC d’Abdoulaye Miskine a rejoint la coalition Séléka Journal de Bangui. Visitado em 2 de janeiro de 2013.
  7. FPR (18 de dezembro de 2012). Le FPR soutient l'UFDR dans son combat contre le Dictateur Bozizé. Press release. Página visitada em 2 de janeiro de 2013.
  8. "Chad sends troops to back CAR army against rebels", AlertNet, 18 de dezembro de 2012. Página visitada em 31 de dezembro de 2012.
  9. "Region sends troops to help embattled C. African army", Channel NewsAsia, 2 de janeiro de 2013.
  10. Sayare, Scott. "Central Africa on the Brink, Rebels Halt Their Advance", 2 de janeiro de 2013.
  11. "South Africa to send 400 soldiers to CAR", Al Jazeera English, 6 de janeiro de 2013.
  12. Polgreen, Lydia. "Fearing Fighting, Residents Flee Capital of Central African Republic", 31 de dezembro de 2012. Página visitada em 31 de dezembro de 2012.
  13. Sayare, Scott. "Rebel Coalition in Central African Republic Agrees to a Short Cease-Fire", The New York Times, 11 January 2013. Página visitada em 12 de janeiro de 2013.
  14. "Prime minister booted from job in Central African Republic, part of peace deal with rebels", The Washington Post, 13 de janeiro de 2013. Página visitada em 15 de janeiro de 2013.
  15. Patrick Fort, "Tiangaye named Central African PM, says 'hard work' begins", Agence France-Presse, 17 de janeiro de 2013.
  16. CAR Rebels Break Terms of Cease-Fire VOA (2013-01-23). Visitado em 2013-03-22.
  17. a b Central African Republic Seleka rebels 'seize' towns BBC (2013-03-21). Visitado em 2013-03-22.
  18. Paul Marin Ngoupana (2013-03-22). Central African Republic rebels reach outskirts of capital Reuters. Visitado em 2013-03-22.
  19. RCA: revivez la journée du vendredi 22 mars Radio France International (2013-03-22). Visitado em 2013-03-22.
  20. "CAR forces 'halt rebel advance'", BBC, 2013-03-22. Página visitada em 2013-03-23.
  21. Nossiter, Adam. "Rebels Push into Capital in Central African Republic", 23 de março de 2013.
  22. Al Jazeera. "CAR rebels 'seize' presidential palace", Al Jazeera English, 2013-03-24. Página visitada em 2013-03-24.
  23. Centrafrique: Michel Djotodia déclare être le nouveau président de la république centrafricaine Radio France International (2013-03-24). Visitado em 2013-03-24.
  24. ndjamenapost, 18 de Abril de 2013, Central African Republic swears in President Michel Djotodia
  25. ICG Crisis Watch, http://www.crisisgroup.org/en/publication-type/crisiswatch/2013/crisiswatch-117.aspx
  26. ICG Crisis Watch, http://www.crisisgroup.org/en/publication-type/crisiswatch/2013/crisiswatch-118.aspx
  27. ICG Crisis Watch August, http://www.crisisgroup.org/en/publication-type/crisiswatch/2013/crisiswatch-119.aspx
  28. Tran, Mark. "Central African Republic crisis to be scrutinised by UN security council", 14 de Agosto de 2013.
  29. New CAR PM says ending atrocities is priority - Al Jazeera
  30. Christian threats force Muslim convoy to turn back in CAR exodus The Guardian
  31. France and the Militarization of Central Africa: Thousands of Muslims Fleeing the Central African Republic - Global Research

Ligações externas[editar | editar código-fonte]