Fernando I da Romênia

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Fernando I
Rei da Romênia
Reinado 10 de outubro, 191420 de julho, 1927
Predecessor Carlos I
Sucessor Miguel I
Cônjuge Maria de Saxe-Coburgo-Gota
Descendência
Carlos II
Isabel
Maria
Nicolau
Ileana
Mircea
Pai Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen
Mãe Antónia de Bragança
Nascimento 24 de agosto de 1865
Sigmaringen
Morte 20 de julho de 1927 (61 anos)
Sinaia
Enterro Monastério Ortodoxo Curtea de Argeş, Roménia

Fernando Victor Alberto Meinrad de Hohenzollern-Sigmaringen (em alemão: Ferdinand Viktor Albert Meinrad von Hohenzollern-Sigmaringen) (Sigmaringen, 24 de agosto de 1865Sinaia, 20 de julho de 1927), foi um príncipe alemão da Casa de Hohenzollern-Sigmaringen (ramo católico da Casa de Hohenzollern) e segundo Rei da Romênia.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascido em Sigmaringen, no sudoeste da Alemanha, o príncipe católico Fernando de Hohenzollern-Sigmaringen era o segundo filho do príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen e da infanta Antónia de Bragança, filha da rainha dona Maria II de Portugal e de seu consorte, Fernando de Saxe-Coburgo-Gota.

Após as renunciações de seu pai e de seu irmão mais velho, o príncipe Guilherme de Hohenzollern-Sigmaringen, o jovem príncipe Fernando, em novembro de 1888, tornou-se o herdeiro de seu tio, o rei Carlos I da Romênia, que não tinha filhos. O governo romeno não exigiu a sua conversão de catolicismo para a ortodoxia oriental, permitindo que ele permanecesse com a sua crença. Entretanto, seus filhos deveriam ser criados como ortodoxos, a então religião de Estado da Romênia.

O primo da mãe de Fernando, o czar Fernando I da Bulgária, estava no trono da Bulgária desde 1889 e se tornaria o maior oponente do reino de seus primos romenos. O imperador Francisco José I da Áustria (e também rei da Hungria e governante da Transilvânia, uma província com maioria de etnia romena) era primo da avó de Fernando, a rainha dona Maria II.

Sua tia, a rainha Isabel, planejava que ele se casasse com Elena Vacarescu, uma de suas damas de companhia. Porém, a Constituição romena não permitia o casamento do rei ou de seu herdeiro com mulheres de origem romena e a tentativa da rainha gerou um grande desconforto.

Casamento e filhos[editar | editar código-fonte]

Em 1893, o príncipe herdeiro Fernando desposou uma prima distante, a princesa Maria de Edimburgo, filha do príncipe Alfredo, duque de Saxe-Coburgo-Gota e da ortodoxa grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia. Maria e Fernando eram ambos descendentes do duque Francisco de Saxe-Coburgo-Saalfeld. A princesa também era uma neta da rainha Vitória do Reino Unido e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Seus avós maternos, por sua vez, eram Alexandre II da Rússia e Maria de Hesse-Darmstadt. Isso a tornava prima-irmã do imperador reinante da Rússia, Nicolau II.

O casamento deles produziu três filhos (dos quais um morreu na infância) e três filhas:

Sua esposa, entretanto, foi alegadamente infiel em outras fases do casamento, e supõe-se que a princesa Ileana e o príncipe Mircea sejam, na verdade, filhos de Barbu Ştirbey, enquanto que o pai biológico da princesa Maria (a filha) foi o grão-duque Boris Vladimirovich da Rússia.

Rei da Romênia[editar | editar código-fonte]

Coroação de Fernando e Maria.

Fernando sucedeu ao seu tio como rei da Romênia em 10 de outubro de 1914, reinando até a sua morte, em 20 de julho de 1927.

Foi o 1.174º Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro, na Áustria (1909), e o 868º Cavaleiro da Ordem da Jarreteira, em 1924.

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Pôster britânico alusivo à adesão romena à Tríplice Entente contra seu primo, o Kaiser Guilherme II da Alemanha.

Apesar de ser membro de um ramo da família imperial Hohenzollern, Fernando presidiu a entrada de seu país na Primeira Guerra Mundial ao lado da Tríplice Entente contra os países das Potências Centrais, em 27 de agosto de 1916. Assim, ganhou o cognome O Leal, respeitando seu juramento, ao tomar posse perante o parlamento romeno em 1914: "Eu reinarei como um bom romeno".

Como consequência desta "traição" contra suas raízes germânicas, Guilherme II da Alemanha apagou o nome de Fernando dos registros da Casa de Hohenzollern.

Apesar dos contratempos com a entrada na guerra, quando Dobruja e Valáquia foram ocupadas pelas Potências Centrais, a Romênia lutou em 1917 e impediu o avanço alemão na Moldávia. Quando os bolcheviques pediram a paz, em 1918, a Romênia foi cercada pelas Potências Centrais e obrigada a aceitar o Tratado de Bucareste. Entretanto, Fernando I recusou-se a assinar o tratado. Quando os aliados avançaram na frente da Salônica, a Bulgária foi forçada a abandonar a guerra, Fernando ordenou a mobilização do exército e a Romênia voltou a lutar ao lado da Tríplice Entente.

O resultado do esforço de guerra romeno foi a união da Bessarábia, Bucovina e Transilvânia com o Reino da Romênia, em 1918. Fernando tornou-se governante de um Estado romeno bastante ampliado entre 1918 e 1920 - após a vitória da Tríplice Entente contra as Potências Centrais, uma guerra entre o Reino da Romênia e a República Soviética da Hungria e a Guerra Civil Russa -, sendo coroado Rei dos Romenos com grande pompa em 15 de outubro de 1922, na sede histórica do Principado de Alba Iulia, na Transilvânia.

O período da história romena que iniciou-se naquele dia foi e ainda é chamado de Grande União, ou "Marea Unire" [1] [2] . Este período chegou ao fim com os tratados internacionais que levaram à Segunda Guerra Mundial, cederam partes da Romênia aos seus vizinhos e são amplamente vistos como uma tentativa de "provocar" o país a tomar partido e juntar-se à guerra [3] .

Depois da guerra[editar | editar código-fonte]

A política interna durante seu reinado foi dominada pelo conservador Partido Nacional Liberal, liderado pelos irmãos Ion e Vintilă Brătianu. A aquisição da Transilvânia, ironicamente, aumentou a base eleitoral da oposição, cujos principais partidos se uniram entre janeiro de 1825 e outubro de 1826 para formar o Partido Nacional Camponês.

Fernando morreu em Sinaia, em 20 de julho de 1927, e foi sucedido por seu neto, Miguel I, sob uma regência composta por três membros, um dos quais era o segundo filho de Fernando, príncipe Nicolau.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Florin Constantiniu, "The Great Union of 1918" in: "A Sincere History of the Romanian People", "Univers Enciclopedic" Publishing House, 1997, p. 301-302.
  2. Biografia de Vasile Goldiş na Wikipedia em inglês
  3. Duţu, Alesandru: Romania in World War II 1941-1945, Institute for Operative-Strategic Studies and Military History, Publishing House Sylvi, Bucharest 1997. ISBN 973-9175-24-4

Nota[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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