Filinto Müller

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Filinto Müller
Nome completo Filinto Strubing Müller
Nascimento 11 de julho de 1900
Cuiabá
Morte 11 de julho de 1973 (73 anos)
Paris
Nacionalidade  Brasileira
Ocupação militar e político
Prêmios Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito - Brasil

Filinto Strubing Müller (Cuiabá, 11 de julho de 1900Paris, 11 de julho de 1973) foi um militar e político brasileiro. Participou dos levantes tenentistas entre 1922 e 1924. Durante a ditadura Vargas, destacou-se por sua atuação como chefe da polícia política e por diversas vezes foi acusado de promover prisões arbitrárias e a tortura de prisioneiros. Ganhou repercussão internacional o caso da prisão da judia alemã Olga Benário, militante comunista e companheira de Luís Carlos Prestes, à época grávida quando deportada para a Alemanha, onde seria executada em Bernburg, em 1942.[1] [2] [3] [4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filinto Müller (o primeiro da esquerda para a direita), o Presidente Vargas e os notáveis de 1938

Formou-se aspirante a oficial, arma de Artilharia, pela Escola Militar de Realengo, no Rio de Janeiro. Bacharelou-se em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense em Niterói, em 1938. Teve duas filhas biológicas: Maria Luiza Müller de Almeida, que também se bacharelou em Direito em 1951, e Rita Júlia Lastra Müller, que se bacharelou em psicologia, e uma filha adotiva, Maria Luísa Beatriz del Rio Lastra, sua sobrinha, que foi casada com Edgar Ferreira do Nascimento Filho (1928 - 1988), procurador da República.

Participou da Revolta Paulista de 1924, quando servia no Quartel de Quitaúna, em São Paulo, como primeiro tenente do Exército. Com a retirada dos revoltosos, em 28 de julho de 1924, acompanhou o que viria a ser a Coluna Miguel Costa, principal comandante da revolta. Durante a Coluna Miguel Costa-Prestes, Filinto Müller foi promovido de capitão a major das forças revolucionárias, em 14 de abril de 1925, por Luís Carlos Prestes. Entretanto, oito dias depois, Müller escreve carta aos seus sargentos e soldados propondo deserção coletiva da Coluna, confessando que não tinha mais esperanças do seu sucesso. Essa carta acaba nas mãos de Prestes, não chegando às mãos dos subordinados de Müller. Prestes então exige que Miguel Costa, comandante da 1a. Divisão Revolucionária e superior de Müller, o expulse da Coluna, acusando Filinto de covarde, desertor e indigno.[5]

Tornou-se Chefe de Polícia do Distrito Federal (então no Rio de Janeiro) em 1933 e permaneceu no cargo durante o governo Vargas até 1942, período no qual há quem afirme que cerca de vinte mil pessoas foram presas.[carece de fontes?]

O repórter David Nasser, no livro Falta alguém em Nuremberg, traça o perfil dos subordinados escolhidos por Filinto para conduzir a sua polícia política, recrutados entre a escória do Exército, como o capitão Felisberto Batista Teixeira, Delegado Especial de Segurança Política e Social, capitão Afonso de Miranda Correia, delegado auxiliar, tenentes Emílio Romano, chefe da Segurança Política, e Serafim Braga, chefe da Segurança Social, e, ainda, o tenente Amaury Kruel e seu irmão, capitão Riograndino Kruel, ambos da inspetoria da Guarda Civil, indivíduos cujo servilismo ao governo e brutalidade com os presos contribuíram, segundo Nasser, para as violações dos direitos humanos ocorridas na época.[6]

Em 1935, após a Intentona Comunista, ocorrida durante a vigência do regime constitucional da Constituição Federal de 1934, participou das operações visando capturar os subversivos do movimento comunista. Conforme Fernando Morais, biógrafo de Olga Benario, investigadores da polícia comandados por Müller torturaram, por semanas, Arthur e Elise Ewert (ambos agentes da Komintern, como Olga, enviados para o Brasil para promover a revolução),[5] até conseguir chegar em Prestes, eventualmente o prendendo, em março de 1936. Morais "especula" que Müller se dedicou à caça de Prestes também por causa do incidente que levou a sua expulsão da Coluna Prestes, e também teria perseguido especialmente Prestes por este ter ordenado a morte da menor Elvira Cupelo Colonio, conhecida como Elza Fernandes, suspeita de ter traído os revolucionários comunistas.[7] Filinto Müller também deportou a mulher de Prestes, a referida militante comunista e agente do Komintern, a judia alemã Olga Benário, para a Alemanha nazista, onde foi morta numa câmara de gás no campo de concentração de Bernburg.[5]

Porém, há controvérsias em relação à deportação de Olga: Filinto Müller era somente chefe de polícia do Rio de Janeiro e obedecia as ordens do presidente Getúlio Vargas. Acresce que essa deportação foi decidida e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal,mesmo não havendo pedido de extradição de iniciativa da justiça alemã, contra a mencionada ré (Morais,1994,pg 167,17ª edição)[8] [9]

Fiel a Vargas, perseguiu tanto comunistas como integralistas. Foi eleito quatro vezes senador pelo Estado de Mato Grosso entre 1947 a 1973. Entre 1969 e 1973, foi presidente da Arena, o partido de sustentação do governo no período militar. Foi Presidente do Senado em 1973. Morreu em julho de 1973 num dos mais dramáticos acidentes aéreos da aviação internacional Voo Varig 820, no Aeroporto de Orly, em Paris. A aeronave realizou um pouso de emergência sobre uma plantação de cebolas em decorrência de um incêndio iniciado no banheiro e que chegou a invadir a cabine da aeronave. O incêndio, a fumaça e a aterrissagem forçada resultaram em 123 mortes, com apenas 11 sobreviventes (10 tripulantes e 1 passageiro).

Era, na época, líder do governo no Senado Federal. Recebeu mais de dezesseis condecorações oficiais.[10] No Senado Federal há uma ala em sua homenagem.

Cargos[editar | editar código-fonte]

Exerceu os seguintes cargos na administração do país:

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Filinto Müller
Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.