Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros

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O Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, conhecido popularmente pelo slogan Cansei, é um movimento da sociedade civil surgido em julho de 2007, logo após o acidente com o vôo 3054 da TAM. O Cansei declara-se apartidário e visa à reflexão sobre os motivos do que considera a desordem da administração pública no governo Lula.

Intelectuais de esquerda apontam o movimento como elitista. A a seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil teve essa posição (cuja seção paulista é um dos membros e patrocinadores do movimento)1 . Tais acusações são contestadas pelos articuladores do movimento.

Características[editar | editar código-fonte]

Alguns críticos do movimento, entre eles partidários da administração de Lula, sustentam que o movimento tem a intenção de desestabilizar o governo. No entanto, membros alegam que o movimento não tem afiliações partidárias, apesar de não explicitarem suas intenções. Outras críticas referem-se a esse fato — a ausência de intenções claras — aliadas ao discurso da 'não-política' adotada pelo movimento, que seria falso, já que qualquer movimento que contesta algo é político.2

Embora o movimento tenha surgido, entre outros motivos, como forma de protesto contra o "caos aéreo", que teria levado à queda do avião da TAM, informações contidas na caixa preta do avião vieram a indicar que o acidente foi provocado por falha da aeronave ou dos pilotos, o que tornaria nula a ligação entre o acidente e uma suposta crise do setor aéreo brasileiro.

Outra crítica foi feita pelos próprios parentes das vítimas do vôo 3054 da TAM, um mês após o acidente, em razão da desorganização dos responsáveis pela manifestação realizada no centro da cidade de São Paulo e o desrespeito aos familiares, que foram impedidos pelos seguranças do evento de subirem ao palco3 .

Em seu discurso no evento na Praça da Sé, em 17 de agosto de 2007, o presidente da OAB-SP, Luis Flávio Borges D'Urso, relacionou todos os motivos que teriam levado a população a dizer Cansei, slogan do movimento.

Membros[editar | editar código-fonte]

Os membros do Cansei foram popularmente denominados de "cansados" por militantes de esquerda4 e até mesmo por simpáticos ao movimento5 . De acordo com a página oficial do movimento na internet6 , a lista dos membros do Cansei é a seguinte:

Personalidades[editar | editar código-fonte]

Entidades[editar | editar código-fonte]

De acordo com a página oficial do movimento, mais de sessenta entidades apoiam o "Cansei". Dentre elas, as mais importantes estão a Ordem dos Advogados de São Paulo, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, a ABO, a ADVB, o CREA, o Conselho Regional de Medicina, a FIESP e o Grande Oriente Paulista da Maçonaria.

Em entrevista à jornalista Conceição Lemos o presidente do Conselho Regional de Medicina, o Cremesp Henrique Carlos Gonçalves afirma que foi ludibriado pelo presidente da OAB, Luis Flávio Borges D'Urso, e enviou-lhe um carta no dia 13 de agosto de 2007 solicitando "informar que este Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), por meio de sua Reunião de Diretoria e Seção Plenária, decidiu pela não adesão à iniciativa", e também cita que "A assinatura em peças publicitárias e em notas conjuntas à imprensa dependeria de autorização formal do Cremesp, o que de fato não ocorreu." Também cita que "Aparentemente o processo com o CREA foi idêntico ao nosso".7

Episódio do preconceito ao Piauí[editar | editar código-fonte]

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente da Philips no Brasil, Paulo Zottolo afirmou que, ao apoiar o movimento Cansei, desejava remexer no "marasmo cívico" do Brasil, e afirmou: "Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado". Mais tarde, Zottolo pediu desculpas ao povo do Piauí em entrevista a Folha de S. Paulo, dizendo que seu comentário foi "infeliz".8

No dia 17 de agosto, Zottolo disse ao governador Wellington Dias (PT) que visitaria o Piauí. Após divulgada tal informação para a imprensa, estudantes quebraram dois aparelhos da Philips durante manifestação pública em uma praça de Teresina. Cerca de 50 manifestantes estavam presentes e uma nota de repúdio a Zottolo foi distribuída. Um trecho do texto, assinado por entidades como UNE e UBES, diz que a afirmação do presidente da Philips foi uma "demonstração clara do preconceito que a elite paulistana tem contra nordestinos."9

Devido à pressão pública, a Assembléia Legislativa do Piauí aprovou um decreto considerando Zottolo persona non grata no estado. O título é apenas simbólico, mas impede que qualquer instituição do poder público no Piauí conceda homenagens a Zottolo. As declarações de Zottolo também repercutiram na Assembléia Legislativa do Ceará. O deputado Tomás Figueiredo Filho (PSDB), propôs uma moção de repúdio contra o presidente da Philips. "Somos Estados nordestinos e estamos cansados é dessa discriminação", disse o deputado.10

Notas de rodapé

  1. "OAB do Rio diz que movimento 'Cansei' é golpista". O Globo. 31 de julho de 2007. Visitado em 6 de outubro de 2007.
  2. Editorial do Opinião Socialista. "Os Cansados". Sítio oficial do PSTU. 7 de agosto de 2007. Acessado em 6 de outubro de 2007.
  3. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2007/08/17/manifestantes_do_cansei_protestam_em_sao_paulo_967789.html
  4. Editorial do Opinião Socialista. "Os Cansados". Sítio oficial do PSTU. 7 de agosto de 2007. Acessado em 6 de outubro de 2007.
  5. Fernando Abrucio. "A luta dos 'cansados' contra os 'perseguidos'". Época. 8 de outubro de 2007. Visitado em 6 de outubro de 2007.
  6. http://blog.cansei.com.br/
  7. http://www.viomundo.com.br/bau-do-azenha/o-golpe-durso
  8. Mônica Bergamo. "Presidente da Philips se desculpa por "deboche" sobre o Piauí". Folha de S. Paulo. 16 de agosto de 2007. Acessado em 6 de outubro de 2007.
  9. José Eduardo Rondon e Simone Iglesias. "Estudantes do Piauí fazem ato contra Philips; "Cansei" critica o governo no Sul". Folha de S. Paulo. 18 de agosto de 2007. Acessado em 6 de outubro de 2007.
  10. Yala Sena. "Piauí dá título de "persona non grata" a Zottolo". Folha de S. Paulo. 29 de agosto de 2007. Acessado em 6 de outubro de 2007.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]