Oh Father

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"Oh Father"
Single de Madonna
do álbum Like a Prayer
Lado B "Pray for Spanish Eyes"
Lançamento 24 de outubro de 1989 (1989-10-24)
Formato(s)
Gravação 1988;
Garment District
(Nova Iorque)
Gênero(s) Pop
Duração 4:58
Gravadora(s)
Composição
Produção
  • Madonna
  • Leonard
Cronologia de singles de Madonna
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"Cherish"
(1989)
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Lista de faixas de Like a Prayer
Último
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"Dear Jessie"
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"Oh Father" é uma canção da artista musical estadunidense Madonna, contida em seu quarto álbum de estúdio Like a Prayer (1989). A sua gravação ocorreu no ano de 1998 em Garment District, situada em Nova Iorque. O seu lançamento como o quarto single do projeto ocorreu em 24 de outubro de 1989, através da Sire Records e da Warner Bros. Records. A faixa não foi lançada como single na maioria dos territórios europeus até 24 de dezembro de 1995, quando fez parta da compilação de baladas Something to Remember (1995). Composta e produzida pela própria com o auxílio de Patrick Leonard, o nexo de "Oh Father" foi a presença de figuras de autoridade masculina na vida da cantora, proeminentemente seu pai, Tony Ciccone. O relacionamento de Madonna com seu pai piorou após a morte de sua mãe, em 1963, bem como o novo casamento de Ciccone dois anos depois. Ao desenvolver o álbum Like a Prayer, a artista ficou em um estado emocional da mente devido aos seus problemas pessoais, o que também se refletiu na composição de "Oh Father".

Musicalmente, "Oh Father" é uma balada pop. Leonard montou diferentes tipos de progressão de acordes e criou uma melodia, na qual a intérprete cantou. Ela usou um contraste de timbre enquanto cantava a canção, que também contou com a instrumentação de cordas, piano, violino e bateria eletrônica. A faixa recebeu análises positivas da mídia especializada, a qual prezou a sua composição e sua produção. A maturidade de Madonna no número também foi elogiada. Comercialmente, "Oh Father" obteve um baixo desempenho em comparação aos singles anteriores da cantora, não conseguindo entrar nas dez melhores posições na maioria dos países em que foi lançado. Consequentemente, não atingiu os cinco primeiros na tabela estadunidense Billboard Hot 100, terminando uma série de 16 singles consecutivos de Madonna que conquistaram as cinco melhores posições nos Estados Unidos.

O vídeo musical correspondente foi concebido como uma tentativa da aceitação de Madonna com a morte de sua mãe. Dirigido por David Fincher e filmado em preto-e-branco, o vídeo retrata uma menina brincando na neve, enquanto sua mãe morre. A versão crescida da cantora segue a criança e interpreta a canção, com a criança fugindo de seu pai abusivo. Descrito por críticos como "autobiográfico", o trabalho foi incluído na lista dos 100 melhores vídeos musicais feita pela revista musical Rolling Stone. Estudiosos observaram no vídeo a divisão da personalidade infantil e adulta de Madonna, com um escritor descrevendo uma cena que envolve a mãe morta mostrada em seu caixão, com os lábios fechados e costurados, como uma das cenas mais perturbadoras da história dos vídeos musicais, cuja cena foi inspirada pela memória da cantora em torno do funeral de sua mãe. Madonna apresentou "Oh Father" ao vivo apenas durante a turnê Blond Ambition World Tour (1990), onde ela interpretou uma mulher tentando encontrar sua religião. A faixa também foi regravada por diversos artistas, como Sia Furler.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em 1963, quando Madonna estava com cinco anos de idade, sua mãe morreu aos 30 anos devido a um câncer de mama.[1] Meses antes do ocorrido, a cantora percebeu mudanças no comportamento de sua mãe e da personalidade de dona de casa atenta que ela tinha, mas não entendia as razões.[2] Sra. Ciccone, em uma perda para explicar sua condição médica terrível, muitas vezes começava a chorar quando era questionada por Madonna, cuja época ela respondia as questões envolvendo os braços em torno de sua mãe com ternura. "Lembro que me sentia mais forte do que ela", Madonna lembrou. "Eu era tão pequena e ainda assim sentia que ela era a criança".[2] Madonna reconheceu mais tarde que ela não tinha entendido o conceito da morte de sua mãe: "Havia tanta coisa que não havia sido dita, tantas emoções desembaraçadas e não resolvidas, de remorso, culpa, perda, raiva, confusão. (...) Eu vi minha mãe, parecendo muito bonita e deitada como se estivesse dormindo em um caixão aberto. Então notei que a boca de minha mãe parecia engraçada. Levei algum tempo para perceber que havia sido costurada. Naquele momento terrível, eu comecei a entender o que eu tinha perdido para sempre. A imagem final da minha mãe, ao mesmo tempo tranquila, mas grotesca, me assombra até hoje".[3]

Madonna finalmente aprendeu a cuidar de si mesma e de seus irmãos e foi morar com sua avó paterna, na esperança de encontrar algum conforto e alguma forma de sua mãe nela. Os irmãos da cantora sentiam falta de uma governanta e, invariavelmente, rebelaram-se contra qualquer pessoa que viesse em sua casa ostensivamente para tomar o lugar de sua mãe.[2] Em entrevista à Vanity Fair, Madonna comentou que ela se via em sua juventude como uma "garota solitária que estava procurando por algo. Eu não fui rebelde de uma certa maneira. Eu me importava em ser boa em alguma coisa. Eu não raspava minhas axilas e não usava maquiagem como garotas normais. Mas eu estudei e eu tenho boa qualidades. (...) Eu queria ser alguém [no mundo]".[2] Com medo de que seu pai, Tony Ciccone, pudesse abandoná-la, Madonna ficou sem dormir diversas vezes, a menos que ela estava perto dele.[2] Dois anos depois de sua morte da mãe, seu pai casou-se com a governanta da família, Joan Gustafson.[4] Neste período, a intérprete começou a expressar sentimentos não resolvidos de raiva com seu pai, que durou por décadas, e desenvolveu uma atitude rebelde.[2] Ela explicou à publicação Interview:

Essa atitude rebelde realmente veio, eu acho que, quando o meu pai se casou novamente. Porque, durante os três anos antes de [ele] se casar, eu me apeguei a ele. Ele era como, OK, você é meu agora, e não vai a lugar nenhum. Como todas as meninas, eu estava apaixonada por meu pai e eu não queria perdê-lo. Perdi minha mãe, mas depois eu era a mãe, o meu pai era meu. Em seguida, ele foi tirado de mim, quando ele se casou com minha madrasta. Foi quando eu disse, OK, eu não preciso de ninguém. Ninguém vai quebrar meu coração novamente. Eu não vou precisar de ninguém. Eu posso ficar sozinha e ser a minha própria pessoa e não pertencer a ninguém.[5]

Videoclipe[editar | editar código-fonte]

O videoclipe da canção, todo a preto e branco, foi dirigido por David Fincher, tendo sido filmado no Outono de 1989. Nele Madonna desempenha uma personagem que se confronta com os abusos que sofreu por parte do pai. No videoclipe surge uma menina brincando na neve enquanto sua mãe está no quarto em seu leito de morte; depois disso surge uma sucessão de cenas em que é mostrado a menina enfrentando essa perda. Numa das cenas consideradas mais tristes é quando ela se aproxima do caixão da mãe e percebe que seus lábios foram costurados para que sua boca se mantivesse fechada.

No videoclipe é possível ver uma cena na qual a personagem interpretada pela artista recebe uma bofetada do seu amante, uma possível sugestão de que uma criança abusada pode enquanto adulto continuar a receber abusos. Há rumores de que a primeira versão do clipe era muito mais triste e sofrida e que foi recusada.

A revista Rolling Stone incluiu este video na sua lista de cem melhores videoclipes de todos os tempos, posicionando-o no 66º lugar. Mesmo não tendo entrado no CD da colectânea The Immaculate Collection foi incluído na colectânea de videoclipes do mesmo nome, lançada em formato VHS em 1990.

Apresentações ao vivo e covers[editar | editar código-fonte]

Madonna apresentando "Oh Father" durante a Blond Ambition World Tour

Madonna apresentou Oh Father na sua turnê Blond Ambition junto com Live to Tell durante o segundo segmento do show [6] . Após a apresentação de Like a Prayer, Madonna, que estava vestida com uma túnica, um crucifixo ao pescoço e um véu em sua cabeça, ajoelhou-se na nave de uma igreja, enquanto fumaça de incenso flutuava ao seu redor. Ela começou a cantar Live to Tell de um genuflexório, com colunas romanas e velas votivas ao fundo. No meio da canção ela começou a cantar Oh Father, enquanto um dançarino com uma túnica preta interpretou o papel de um padre. O dançarino, Carlton Wilborn, afirmou que lembra que essa apresentação exigiu muito tempo de ensaio, pois a dança retrata Madonna como uma mulher tentando encontrar sua religião[6] . Ele explicou: "Um lado sabia que ela precisava disso, o outro estava resistente e nossa dança representou essa batalha interior". Ao fim da apresentação, Wilborn empurrou a cabeça de Madonna antes de puxá-la para cima novamente, retratando assim seu papel como padre, tentando acordar Madonna para a importância da religião.[6]

Duas apresentações foram gravadas e lançadas em vídeo: Blond Ambition - Japan Tour 90, gravada em Yokohama, Japão, em 27 de Abril de 1990[7] e Live! - Blond Ambition World Tour 90, gravada em Nice, França, em 5 de Agosto de 1990[8] .

A banda britânica My Vitriol lançou uma versão rock dessa música em seu álbum de 2001, Finelines[9] . A banda Giant Drag lançou uma versão da música em folk rock que foi incluída no tributo a Madonna lançado em 2007, Through the Wilderness[10] . Em 2010 Sia fez um cover da canção em seu álbum We Are Born[11] .

Referências

  1. Madonna Biography, Discography, Filmography (em inglês). Fox News Channel (3 de janeiro de 2008). Página visitada em 1º de agosto de 2008.
  2. a b c d e f Taraborrelli 2002, pp. 11–13
  3. Morton 2002, p. 47
  4. Madonna Biography: Part 1 (em inglês). People (2 de setembro de 2003). Página visitada em 1º de agosto de 2014.
  5. Johnston, Becky. (maio de 1989). "Confessions of a Catholic Girl". Interview. ISSN 0149-8932.
  6. a b c O'Brien, Lucy (2007), Madonna: Like an Icon, Bantam Press, ISBN 0-593-05547-0 
  7. Madonna. Blond Ambition - Japan Tour 90 [VHS]. Warner-Pioneer Japan.
  8. Madonna. Live! - Blond Ambition World Tour 90 [Laserdisc]. Pioneer Artists.
  9. Carlson, Dean. Finelines – My Vitriol. Allmusic. Rovi Corporation. Página visitada em 18 de Outubro de 2012.
  10. Carlson, Dean. Through the Wilderness: A Tribute to Madonna – Various Artists. Allmusic. Rovi Corporation. Página visitada em 18 de Outubro de 2012.
  11. Hoffman, K. Ross. We Are Born - Sia. Allmusic. Rovi Corporation. Página visitada em 18 de Outubro de 2012.