Os Pinos

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Os Pinos é o Hino Oficial da Galiza e um símbolo de seu status de nacionalidade histórica. O texto é constituído pelas duas primeiras partes do poema Queixumes dos pinos de Eduardo Pondal, e a música é da autoria de Pascual Veiga.

Estreou-se em Havana, no ano de 1907 e, tal como a bandeira, é fruto da emigração. Desde 1907 até 1923, o hino galego foi cantado por regionalistas e agraristas nos seus actos e pouco a pouco foi sendo aceito. Quando se proibiu o seu uso durante a ditadura de Primo de Rivera, as sociedades galegas da América intensificaram o seu interesse pela sua interpretação pública. Com a Segunda República Espanhola atingiu o reconhecimento oficial.

Evitou-se durante o franquismo e mesmo durante a etapa de abertura do regime, apenas era cantado, quando muito, em actos culturais e como canção do folclore galego. Desde 1960 começa a interpretar-se de forma mais explícita, ainda que dissimulando os seus aspectos ideológicos. Em concreto, cantava-se só a primeira parte.

Em 1975, enquanto se realizavam actos folclóricos na festa do Apóstolo, os espectadores começaram a erguer-se para o cantar. No ano seguinte, instaurou-se este costume de forma definitiva, na Praça da Quintana, ratificado também pelas autoridades assistentes. Os centristas assumiriam-no, finalmente, na campanha eleitoral de 1977.

O motivo central do texto é que a Galiza deve acordar do seu sono (apatia política) e empreender o caro caminho à libertação. Para isso deverá escutar a voz dos rumorosos pinheiros, ou seja, o povo galego como entidade nacional histórica.

O nome do país não figura em lado algum no poema, como é habitual em Pondal, e fazem-se referências metafóricas ao "Fogar" e à "Nação" de "Breogán".

Além do celtismo e do helenismo sempre pressentes na obra de Pondal, foi a sua capacidade para penetrar nos sentimentos do povo e expressar as suas aspirações fundamentais que possibilitaram o seu êxito.

Normalmente o Hino Galego é interpretado por bandas marciais de gaitas-de-fole galegas como símbolo de força, autoridade e solenidade.

Na Copa do Mundo de 1982, na partida Itália - Polónia (em Vigo), foi tocado Queixumes dos pinos ao invés de Mazurek Dąbrowskiego por erro, sendo que depois do hino da Itália o hino polonês foi tocado junto com o da Espanha.

O Hino Galego tem duas versões, uma abreviada que é a oficial é mais conhecida mas existe uma versão mais extensa que também é cantada nalgumas ocasões

Letra da versão oficial (abreviada)[editar | editar código-fonte]

Letra oficial Letra original de 1890

Que din os rumorosos
na costa verdecente,
ao raio transparente
do prácido luar?
Que din as altas copas
de escuro arume arpado
co seu ben compasado
monótono fungar?

Do teu verdor cinguido
e de benignos astros,
confín dos verdes castros
e valeroso chan,
non des a esquecemento
da inxuria o rudo encono;
esperta do teu sono
Fogar de Breogán.

Os bos e xenerosos
a nosa voz entenden
e con arroubo atenden
o noso ronco son,
mais só os iñorantes
e féridos e duros,
imbéciles e escuros
non nos entenden, non.

Os tempos son chegados
dos bardos das idades
que as vosas vaguedades
cumprido fin terán;
pois, onde quer, xigante
a nosa voz pregoa
a redenzón da boa
Nazón de Breogán.

Que din os rumorosos
Na costa verdecente,
Ó rayo trasparente,
Do prácido luar...?
Que din as altas copas
D'escuro arume arpado,
Co seu ben compasado,
Monótono fungar...?

Do teu verdor cingido,
É de benígnos astros,
Confin dos verdes castros,
E valeroso chán,
Non dés a esquecemento,
Da injuria o rudo encono;
Despérta do teu sono,
Fogar de Breogán.

Os boos e generosos,
A nosa voz entenden;
E con arroubo atenden,
O noso rouco son;
Mas, sós os ignorantes,
E férridos e duros,
Imbéciles e escuros
No-nos entenden, non.

Os tempos son chegados,
Dos bardos das edades,
Q'as vosas vaguedades,
Cumprido fin terán;
Pois donde quer gigante,
A nosa voz pregóa,
A redenzón da bóa
Nazón de Breogán.

Versão extensa[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]