Rugby do Brasil

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Rugby do Brasil

Seleções de Brasil e Peru no Sul-Americano "B" de 2005.
Organização Confederação Brasileira de Rugby
Apelido(s) Tupis (masc.)
Amazonas (fem.)
Primeiro jogo 1888
Jogadores registrados 15.000
Clubes +600
Competições nacionais
Competições de clubes

O rugby surgiu no Brasil em meados do século XIX. Por influência do Império Britânico, os dois esportes mais populares do país, o futebol e o rugby, que ganhavam cada vez mais adeptos, equipes e campeonatos, foram levados a diversas partes do mundo, por meio de empresários, militares, clérigos, operários, estudantes ou imigrantes que vinham do Reino Unido com bolas na bagagem e conhecimento das regras para difundir essas formas de entretenimento em lugares como as terras brasileiras.

Apesar da propagação do futebol ser mais bem sucedida, ao final do século XIX e início do XX, o rugby era tão popular entre os membros da elite quanto o futebol. Isso foi verdadeiro em diferentes países, bem como no Brasil. Esse intercâmbio cultural com a principal potência econômica e militar da época foi o que permitiu a chegada do rugby no Brasil.[1]

Apesar de ter uma história longa, o esporte no país nunca conseguiu resultados expressivo internacionalmente, além de torneios sul-americanos femininos, nem mesmo uma classificação para a Copa do Mundo de Rugby. Ainda assim, por receber os Jogos Olímpicos de Verão de 2016 no Rio de Janeiro, quando o rugby voltará a essa competição, o Brasil já está automaticamente classificado.

História[editar | editar código-fonte]

Paulo do Rio Branco foi o primeiro jogador de rugby de nacionalidade brasileira a chegar a um nível internacional.

Chegada e primórdios[editar | editar código-fonte]

O rugby foi introduzido no Brasil ainda no século XIX. O historiador Paulo Varzea afirma que o primeiro clube de esportes (terrestre e ao ar livre) fundado em 1875 pelos Srs. H. L. Wheatley, A. MacMillan, C. D. Simmons, Amaral, Robinson e Cox (…), recebendo posteriormente a denominação de Paissandu Atlético Clube. Foi esse o primeiro clube organizado no Brasil, mas a tentativa para a prática do futebol entre seus sócios durou pouco, contando-se mesmo o fato seguinte: familiarizado com o futebol, Oscar Cox mandou buscar em Londres uma bola redonda, por volta de 1896, mas teve que, por impropriedade do terreno para o ‘soccer’, aproveitá-la nos exercícios de ‘rugby’ do clube”,[2] mas as atividades não tiveram seguimento.[1]

Em 1888, surge o São Paulo Athletic Club (SPAC), em São Paulo, onde, desde sua origem, teve atividades de rugby realizadas entre seus associados. Já naquele ano é registrada a primeira partida de rugby do Brasil.[3]

Charles W. Miller

No Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1891, foi fundado pela primeira vez no país um clube dedicado única e exclusivamente ao rugby ou a qualquer derivação do football: o Clube Brasileiro de Futebol Rugby, pelos Srs. Alfredo Amaral Fontoura, Virgílio Leite, Oscar Vieira de Castro, Edwin Ral, Sidney Cox, Augusto Amaral e Luiz Leonel Moura, este, jovem brasileiro, recém chegado da Inglaterra, onde fora educado no Elizabeth College, da ilha de Guernsey, no qual aprendera o ‘rugby’ e o futebol ‘soccer’. Foi por sua iniciativa que se introduziu no Rio o ‘rugby’, que logo encontrou adeptos, enquanto que o futebol ‘association’, tentado pelos rapazes do Clube Brasileiro de Cricket e reeditado por Moura, entre 1892 e 1893, foi depois esquecido.” A agremiação, no entanto, não durou muito.[1]

Charles Miller, sempre ele[editar | editar código-fonte]

Segundo diferentes fontes,[4] [5] Charles William Miller, brasileiro de origem anglo-escocesa, famoso por ser o mesmo que organizou o primeiro time e a primeira partida oficial de futebol do Brasil, também foi o "pai" do rugby brasileiro. Em 1894, Charles retorna de estudos no Reino Unido, trazendo consigo além de uma bola de futebol, uma de rugby em sua bagagem,[4] e passa a fazer parte do São Paulo Athletic Club (SPAC), onde, no ano seguinte, idealiza a primeira equipe de rugby do clube, já que, além de futebolista, foi ‘cricketer’ famoso, consagrado tenista e temível ‘rugby player’.[2] A equipe foi descontinuada em 1896, quando Miller passou a se dedicar apenas ao futebol. Naquele ano, porém, outro amante do rugby, Augusto Shaw, levou esse esporte e o "bola ao cesto" para o Colégio Mackenzie, em São Paulo, onde os divulgou.[2]

Início da popularização[editar | editar código-fonte]

Ainda que partidas tenham sido disputadas entre 1900 e o princípio dos anos 1920, a regularidade da prática viria apenas a partir de 1925, em São Paulo, no SPAC, com a recomposição da equipe. Neste ano, James Macintyre, considerado o maior incentivador do esporte na primeira metade do século XX,[6] juntamente com Gordon Fox Rule, reuniram jogadores que moravam em São Paulo e que por acaso tivessem praticado esta modalidade de esporte. Cerca de 40 pessoas foram agrupadas em duas equipes que jogavam entre si nos fins de semana, na Chácara da Floresta e subsequentemente no do Clube de Regatas Tietê e no do Clube Atlético Paulistano. Posteriormente, passaram a utilizar-se tanto do campo do Parque Antártica, quanto do Campo do São Paulo Athletic Club em Pirituba - o Campo dos Ingleses, como era conhecido, de propriedade da São Paulo Railway Co., que posteriormente se tornaria a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí.[6] Acabaram fundando o Britânia Football Club, o segundo clube paulista. Ainda em 1925, são formados times em Santos e Rio de Janeiro.[1] [7]

Em maio de 1926, uma série de jogos intermunicipais e interestaduais foi realizada no Brasil. No dia 23, os cariocas venceram os paulistas por 23 a 3; na semana anterior, no dia 16, a equipe de São Paulo havia vencido a de Santos, no primeiro jogo entre as duas cidades. Um jogo interestadual foi de fato jogado em 1911 e alguns outros até antes, mas infelizmente não se tem dados a respeito dos mesmos. No ano seguinte, o embaixador da Grã Bretanha para o Brasil, Beilby Alston, criou uma taça que levava seu próprio nome, para premiar a equipe que vencesse os duelos entre São Paulo e Rio de Janeiro, sendo disputada anualmente até 1940.[1] [7]

Nesta época, os jogadores, na sua grande maioria, eram membros ou filhos da colônia inglesa; outros, em menor número, eram sírio-libaneses que haviam estudado na Inglaterra. Com a formação da Seleção Brasileira de Rugby, esporadicamente, eram realizados jogos internacionais, como um não oficial contra os Springboks (seleção da África do Sul) em 1932, e contra a Seleção do Reino Unido (Grã Bretanha e Irlanda) em 1936, que teve como resultado 82 a 0 para os adversários dos brasileiros, com direito a 17 tries convertidos pelo Príncipe Alexander Obolensky, da Rússia, que jogava pelos ingleses, um recorde mundial. Quase todos os jogadores da seleção nestes jogos eram do SPAC.[6] Também eram disputadas partidas amistosas contra equipes de tripulantes de navios que atracavam nos portos de Santos e do Rio de Janeiro.[1] [7]

O esporte por muito pouco não foi reconhecido então oficialmente como um esporte nacional, já que era praticado em apenas quatro estados, contra cinco, exigidos por lei.[3]

Guerra e interrupção[editar | editar código-fonte]

A partir da Segunda Guerra Mundial, os ingleses que moravam no Brasil, que praticavam o rugby, foram chamados para defender os países aliados. Desta maneira, o esporte deixou de ser praticado entre os anos de 1941 a 1946. No ano seguinte, as partidas voltaram a acontecer.

Em 1947 os jogos voltaram a ser realizados, porém com menor frequência devido ao pequeno número de jogadores interessados. Tanto que, nesta época, eram disputados apenas jogos entre paulistas e cariocas; os santistas já não conseguiam reunir condições suficientes para formar um time.[5] A partir de 1960, atletas do São Paulo Athletic Club passaram a representar a agremiação. No mesmo ano, surgiu o Aliança Rugby Football Club, formado por atletas argentinos, franceses, ingleses e alguns brasileiros. A mesma iniciativa de se formar um clube surgiu entre os integrantes da colónia japonesa, que criaram em 1961 o São Paulo Rugby Football Club.

Estruturação[editar | editar código-fonte]

Com o crescimento da modalidade do país, foi fundada em 6 de Outubro de 1963 a União de Rugby do Brasil (URB), com sede em São Paulo.[8] O idealizador da entidade foi Harry Donavan. Em 1964, a URB idealizou o 3º Campeonato Sul-Americano de Rugby. Na competição, o Brasil foi vice-campeão. Este torneio trouxe novo impulso, surgindo então, pela primeira vez, a categoria juvenil com a formação das equipes do São Paulo Athletic Club, Colégio Liceu Pasteur e Bertioga Rugby Clube.

Em outubro de 1966 aconteceu a primeira partida entre duas escolas de ensino superior, entre a A.A.A. Horácio Lane, da Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie e a A.A.A. Oswaldo Cruz, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Em 1971, houve o início do desenvolvimento do rugby infanto-juvenil em São Paulo. No ano seguinte, em 20 de dezembro, surge a Associação Brasileira de Rugby (ABR), em substituição a URB. A nova entidade foi reconhecida pelo Conselho Nacional de Desportes (CND).[8] Em 1973, a ABR organizou o 7º Campeonato Sul-Americano de Rugby, em São Paulo. Cinco anos depois, a entidade promoveu o 4º Campeonato Sul-Americano de juvenis.

"Brasil Potência"[editar | editar código-fonte]

Nas últimas décadas houve grande progresso do esporte no país. Se em 1963, foi registrado que 95% dos jogadores no país eram estrangeiros e haviam apenas quatro clubes. Já em 1988, apesar do rugby ser jogado em apenas três das vinte e sete unidades da federação, 75% dos jogadores brasileiros de rugby eram nativos, e já haviam trinta e cinco clubes.[9]

A Seleção Brasileira de Rugby Masculino ainda é considerada third tier, ou seja, pertence a um grupo de terceiro (e último) nível. Ainda assim, com o crescimento econômico do país a partir de meados dos anos 1990, vem despertar do interesse e potencial de desenvolvimento do esporte. Em outubro de 2003, quando começa a contagem do ranking mundial da IRB o Brasil estava em 34º lugar. Em 2004 na final do Sulamericano de Rugby B foi registrado o maior público da história do rugby no Brasil, aproximadamente 5 mil pessoas no estádio do Ibirapuera. Nos anos seguintes, o desempenho da seleção nacional oscilou, chegando a cair à 37ª posição entre 2005 e 2006 e, por diversas vezes, entre 2009 e 2011, chegou a ocupar a 27ª posição, a mais alta do histórico da entidade. Depois de algumas sucessivas derrotas, termina o ano de 2012 em 33º lugar.[10]

Em 2009, o Comitê Olímpico Internacional (COI) determinou que o rugby voltaria para o programa olímpico nos Jogos Olímpicos de Verão de 2016, no Rio de Janeiro, na modalidade Sevens.[11] A partir de aí, a então Associação Brasileira de Rugby passa a adotar o padrão exigido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e se transforma em Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), o que deu direito à modalidade de receber verba das leis de incentivo ao esporte.[12] Igualmente, o COB passou a incluir em sua cerimônia anual Prêmio Brasil Olímpico a categoria de "melhor jogador de rugby sevens".[13] Segundo a própria CBRu, conforme estabelecido em 2010:[14]

Em um período de 6 anos as seleções brasileiras, masculina e feminina, serão reconhecidas como a segunda potência do Rugby no continente americano e uma das maiores seleções do mundo inspirando pessoas em torno a uma comunidade que aproveite todas as oportunidades que o esporte apresenta.

Reconhecendo o avanço do rugby nacional em popularidade, estruturação e desempenho, em 2011 a IRB selecionou o Brasil como um dos países estratégicos para investimentos da entidade internacional nos anos seguintes.[15] Ainda assim, tanto os clubes quanto as seleções são amadoras e atletas e dirigentes, portanto, não são remunerados.[16]

Em meados de 2012, é registrado que o crescimento do esporte no país menor apenas que o das artes marciais mixtas (MMA).[17] Em outubro do mesmo ano, Brasil e Paraguai se enfrentam em partida válida tanto como repescagem do Sul-Americano, como eliminatória para a Copa do Mundo de 2015. Com uma vitória de 35 a 22, registrou-se um público de mais de seis mil pessoas acompanhando a disputa no Estádio Nicolau Alayon, a maior quantidade de espectadores para uma partida de rugby na história do Brasil.[18] [19]

Penetração[editar | editar código-fonte]

Além do futebol, o rugby ainda hoje é um esporte que goza de popularidade muito inferior, mesmo se comparado a outros no país, como o voleibol, o automobilismo ou o basquete, mas que tem obtido um crescimento considerável desde a década de 1990, somando em 2012 mais de 30 mil praticantes, mais de 10 mil federados e 230 clubes no país,[20] sobretudo no estado de São Paulo.[21]

Hoje, o rugby já é praticado em todos os 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.

Organização[editar | editar código-fonte]

O esporte é governado no país pela Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), que organiza diretamente ou através das federações filiadas, os principais torneios do país, o Super 10 (que teve as finais da edição de 2011 transmitidas ao vivo pela televisão pela primeira vez) e a Copa do Brasil, ambos de abrangência nacional, além de gerenciar as seleções de rugby XV, sevens, de praia, masculinas e femininas, adultas e categorias de base. Já o rugby em cadeira de rodas é gerenciado pela Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC).[22]

Seleções[editar | editar código-fonte]

As equipes nacionais de maior destaque são as femininas, tanto a de rugby XV, quanto a de sevens e de praia, que conquistam virtualmente todos os títulos na América do Sul e têm obtido resultados satisfatórios no cenário internacional. Entretanto, as seleções masculinas vêm obtendo resultados cada vez mais expressivos e buscam se tornar cada vez mais competitivos em relação às principais potências do continente.

Clubes[editar | editar código-fonte]

No Brasil o rugby é disputado apenas de forma amador. Na última década tem havido grande crescimento de clubes baseados em cidades de médio e grande porte.

Competições[editar | editar código-fonte]

Nacionais[editar | editar código-fonte]

Atualmente são disputadas várias competições nas categorias masculina e feminina adulta, juvenis e universitárias no país. As principais competições realizadas são:

Competições Nacionais
Competições Regionais
Competições Estaduais
Outras Competições

Internacionais[editar | editar código-fonte]

O Brasil sediou por diversas oportunidades os campeonatos sul-americanos de rugby union e sevens. Em 2014, a cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, receberá o 6º Campeonato Mundial Universitário de Rugby Sevens.[23] E, em 2016, nos Jogos Olímpicos de Verão, no Rio de Janeiro, o rugby volta a ser disputado em Olimpíadas, em sua versão sevens.

Ano Sede Campeonato Campeão Posição do Brasil
1964 São Paulo (SP) Sul-Americano Masculino A Flag of Argentina.svg Argentina Vice-campeão
1973 São Paulo (SP) Sul-Americano Masculino A Flag of Argentina.svg Argentina 4º lugar
2000 São Paulo (SP) Sul-Americano Masculino B Brasil Brasil Campeão
2004 São Paulo (SP) Sul-Americano Masculino B Flag of Paraguay.svg Paraguai Vice-campeão
2005 São Paulo (SP) Sul-Americano de Sevens Feminino Brasil Brasil Campeão
2009 São José dos Campos (SP) Sul-Americano de Sevens Masculino Flag of Argentina.svg Argentina 4º lugar
Sul-Americano de Sevens Feminino Brasil Brasil Campeão
2011 Bento Gonçalves (RS) Sul-Americano de Sevens Masculino Flag of Argentina.svg Argentina 3º lugar
Sul-Americano de Sevens Feminino Brasil Brasil Campeão
2012 Rio de Janeiro (RJ) Sul-Americano de Sevens Masculino Flag of Uruguay.svg Uruguai 5º lugar
Sul-Americano de Sevens Feminino Brasil Brasil Campeão
2013 Rio de Janeiro (RJ) Sul-Americano de Sevens Masculino Flag of Argentina.svg Argentina 3º lugar
Sul-Americano de Sevens Feminino Brasil Brasil Campeão
2014 Vila Velha (ES) Mundial Universitário de Sevens Masculino Por diputar
Mundial Universitário de Sevens Feminino Por diputar
2016 Rio de Janeiro (RJ) Torneio Olímpico Masculino Por diputar
Torneio Olímpico Feminino Por diputar

Símbolos[editar | editar código-fonte]

Escudo antigo da ABR com a Vitória-Régia.

Como é comum no rugby, cada país é conhecido por um símbolo que lhe caracteriza e dá nome à seleção principal. Ao longo da história, o Brasil teve diferentes símbolos:[24]

  • Zé Carioca - Durante muitos anos, o país era extra-oficialmente conhecido como uma espécie de Zé Carioca, apelido do papagaio José Carioca, criado no começo da década de 1940 pelos estúdios Walt Disney em uma turnê pela América Latina, que fazia parte dos esforços dos Estados Unidos para reunir aliados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A seleção nacional foi identificada com tal imagem nas primeiras edições do Campeonato Sul-Americano.
  • Vitória-Régia - Algum tempo depois, a Associação Brasileira de Rugby tornou a Vitória-Régia o símbolo oficial do esporte no país. A planta passou a fazer parte do emblema da ABR, estampando inclusive camisas da equipe nacional, figurando até pouco tempo com esse status. No entanto, a Vitória-Régia nunca obteve muita popularidade como o apelido da seleção nacional, principalmente quando comparada aos demais países sul-americanos, caindo em desuso. A origem da adoção da planta como ícone do rugby brasileiro também foi motivo de polêmicas, impedindo que ela caísse no gosto popular.

Com a forte popularização do esporte em nível nacional, culminando em 2010, algumas entidades e personalidades tomaram iniciativa nesse ano para dar uma nova cara à seleção brasileira.

  • Carcarás - Iniciado com o esforço do jornalista e ex-jogador português Manuel Cabral, as principais páginas de internet dedicadas a esse esporte no país se uniram para resolver a questão e encontrar uma nova identidade ao rugby nacional. Com a participação do Blog Mão de Mestre, o Blog do Rugby e o Rugby Mania, o nome eleito foi "Carcarás", uma ave de rapina típica do Brasil. Apesar do movimento, a CBRu não reconheceu oficialmente o símbolo.
  • Amazonas - Por motivos óbvios, a seleção feminina ganhou um apelido extra-oficial mais forte, que remete às mulheres guerreiras da mitologia grega que teria dado origem ao nome da Floresta Amazônica, como consequência dos testemunhos de exploradores europeus sobre tribos indígenas que possuíam mulheres em suas fileiras de guerreiros. A alcunha da região teria surgido de um relato de Francisco Orellana, ainda no século XVI, sobre uma batalha entre os estrangeiros e a tribo Tapuia (do ramo Tupi), que teve mulheres lutando lado a lado com os homens. A associação da identidade histórica com o esporte é fácil, mas igualmente ainda não existe um reconhecimento oficial.

Novo símbolo oficial[editar | editar código-fonte]

Três opções a serem escolhidas: A arara, a sucuri e o tupi.

A CBRu, por sua vez, inicia um processo de escolha ainda em 2010 para a definição do novo símbolo. Em um primeiro momento, foram enviadas mais de duzentas sugestões - desde 'rapadura' até 'urso polar'[26] - para a Confederação, que, através de um júri composto por membros da entidade, chegaram finalmente a cinco finalistas, apresentados no início de 2012. Dois acabaram sendo descartados, o lobo-guará, pela semelhança com o símbolo da Seleção Portuguesa, e o tamanduá por ser o de menor apelo popular. Os três finalistas restantes, a Arara, o Tupi e a Sucuri, passaram por voto popular através da página oficial da CBRu, até 4 de março de 2012.[27] "Tupi" acabou sendo o nome vitorioso, com 47,16% dos 9.302 votos. As seleções masculinas passam a ser conhecidas como "os Tupis" e as femininas como "as Tupis".[28]

Marketing[editar | editar código-fonte]

Na televisão o rugby é transmitido apenas em TV por assinatura, a primeira transmissão televisionada de rugby no Brasil foi na Copa do Mundo de Rugby de 1999 na ESPN onde eram apresentados apenas as gravações de alguns jogos. A Copa do Mundo de Rugby de 2003 foi a primeira a ser apresentada com jogos ao vivo, graças ao esforço da própria ABR que pediu para a IRB mandar o sinal de graça para o Brasil. Em 2007 foi feita uma grande cobertura do evento contando inclusive com enviados especiais à França que fez com que a ESPN alcançasse a vice-liderança na audiência da TV por assinatura. Atualmente os eventos exibidos no Brasil são a Copa Heineken e a Seis Nações na ESPN a IRB Sevens World Series e o Top 14 (Campeonato Francês) na BandSports e a final e as semi-finais do Super10 (Campeonato Brasileiro) no SPORTV.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f Blog do Rugby História do rugby. Acessado em 7/2/2012.
  2. a b c MAZZONI, Tomás. História do Futebol no Brasil. Edições Leia, 1950.
  3. a b BATH, Richard (ed.). The Complete Book of Rugby. p. 64. Seven Oaks Ltd, 1997. ISBN 1 86200 013 3. (em inglês)
  4. a b International Rugby Board Brazilian rugby on the rise and aiming high. Acessado em 7/2/2012.
  5. a b CARNEIRO, Marcio Henrique. Memórias da fundação do Guaíba Rugby Clube. 2009.
  6. a b c SPAC Rugby História SPAC. Acessado em 7/2/2012.
  7. a b c Niterói Rugby História do Rugby Brasileiro. Acessado em 8/2/2012.
  8. a b Comitê Olímpico Brasileiro Confederações - Confederação Brasileira de Rugby. Acessado em 7/2/2012.
  9. THAU, Chris. The South American Scene in Starmer-Smith, Nigel & Robertson, Ian (eds) The Whitbread Rugby World '89. Lennard Books, 1988. ISBN 1-85291-038
  10. IRB World Rankings Analisys. Acessado em 1/3/2012. (em inglês)
  11. Rio 2016 Paixão pela bola oval: A volta do rugby ao programa olímpico. Acessado em 7/2/2012.
  12. UOL Esporte Rúgbi usa Rio-2016 para tentar sair do anonimato no Brasil. Acessado em 7/2/2012.
  13. Comitê Olímpico Brasileiro Prêmio Brasil Olímpico 2011. Acessado em 1/3/2012.
  14. CBRu "Sobre a CBRu". Acessado em 4/3/2012.
  15. AdNews Heineken starts to sponson Brazilian Rugby. Acessado em 8/2/2012. (em inglês)
  16. Globoesporte.com Blog Rugby Brasil - Profissionalismo x Amadorismo. Acessado em 4/3/2012.
  17. The New York Times Soccer-Crazy Brazil Opening Its Arms To Rugby. Acessado em 11/10/2012. (em inglês)
  18. Rugby World Cup: Argentina 2023 Canadian rugby player wins Currie Cup. Acessado em 29/10/2012. (em inglês)
  19. IRB Official RWC 2015 Site Brazil beginning to reap rewards of planning. Acessado em 21/10/2012. (em inglês)
  20. International Rugby Board BRAZIL. Acessado em 7/2/2012.
  21. Revista do Tatuapé Ed. 52, Novembro de 2010. "Rugby: você conhece?" p. 40-44.
  22. Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas Página oficial. Acessado em 1/3/2012.
  23. GazetaEsportes.com Neucimar fala sobre a construção do novo estádio para o Mundial de Rugby. Acessado em 1/3/2012.
  24. Blog do Rugby Símbolos do rugby brasileiro. Acessado em 1/3/2012.
  25. ESPN.com.br Tupis, Araras ou Sucuris? Um desses será o símbolo dos "Samba Boys". Acessado em 5/3/2012.
  26. Globoesporte.com Blog Rugby Brasil - Símbolo. Acessado em 4/3/2012.
  27. Blog do Rugby CBRu abre votação para o novo símbolo do rugby brasileiro. Acessado em 1/3/2012.
  28. Folha.com - Esporte Após votação, seleção brasileira de rúgbi vai passar a se chamar Tupis. Acessado em 5/3/2012.

Links externos[editar | editar código-fonte]