Adalberto Kretzer

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Adalberto
Informações pessoais
Nome completo Adalberto Kretzer
Data de nasc. 19 de março de 1948 (69 anos)
Local de nasc. Santa Catarina Presidente Getúlio, SC,  Brasil
Altura 1,81 m
Apelido Mickey
Informações profissionais
Posição Atacante
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1966
1967
1968–1969
1969–1972
1973
1974
1974
1974
1974–1976
1976–1978
1978
Brasil Caxias-SC
Brasil Palmeiras de Blumenau
Brasil Caxias-SC
Brasil Fluminense
Colômbia Atlético Junior
Colômbia Deportivo Cali
Brasil Olaria
Brasil Fluminense
Brasil Bahia
Brasil São Paulo
Brasil Ceará
Brasil Avaí



97 (25)


11 (1)

13 (6)
12 (5)
9 (5)

Adalberto Kretzer, mais conhecido como Mickey (Presidente Getúlio, 19 de março de 1948), é um ex-futebolista brasileiro.

O apelido deve-se a um médico de sua cidade, que passou a chamá-lo assim por causa do cabelo curto e do nariz e das orelhas grandes, que dizia deixá-lo parecido com o personagem Mickey Mouse, de Walt Disney.[1][2] "Foi difícil, sempre pegavam no meu pé", lembrou, em uma entrevista ao Jornal da Tarde em 2010. "Falavam: 'Cadê o Pateta? A Minnie?' Os caras tiravam sarro, mesmo. Mas isso é normal, é alegria."[2]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Mickey começou no Caxias de Joinville, em 1966. Três anos depois foi sondado por João Saldanha para ir para o Botafogo, mas acabou indo para o Fluminense, onde ficaria até 1972, voltando em 1974.

Lá conquistou as Taças Guanabaras de 1969 e 1971, o Campeonato Carioca de Futebol de 1971 e a Taça de Prata de 1970. "Aceitei ser reserva, porque o Flávio é o maior goleador brasileiro, mas jurei a mim mesmo que ninguém sentiria falta dele se eu entrasse."[3]

Nessa campanha era reserva de Flávio, que se contundiu na penúltima rodada da primeira fase.[2] Ele já tinha substituído contra o Botafogo o mesmo Flávio, suspenso por expulsão, marcando o gol do empate por 1 a 1.[4]

Contra o Atlético Paranaense, na última rodada, Mickey fez apenas seu segundo jogo como titular na competição e marcou o gol do Flu no empate por 1 a 1, que garantiu a classificação tricolor às finais.[2] Ele veio sozinho da intermediária e, da entrada da área, chutou fraco, mas a bola desviou na grama e enganou o goleiro Paulista.[5]

No quadrangular decisivo, marcou os três gols do Fluminense, que deram ao clube vitórias por 1 a 0 sobre Palmeiras e Cruzeiro e um empate por 1 a 1 com o Atlético Mineiro. Na volta ao Rio de Janeiro após a vitória sobre o Palmeiras, Mickey foi carregado pela torcida no Aeroporto Santos Dumont.[6] O gol que marcou naquela partida valeu um elogio do titular Flávio, que àquela altura já sabia que não voltaria antes de o campeonato acabar: "Acabo perdendo meu lugar. O gol foi lindo."[6] Os resultados deram o título ao Fluminense.[2]

"Tive vontade de chorar", disse, sobre os gols que marcou naqueles jogos. "Era a minha consagração. Afinal, entrei no time para substituir Flávio. Tinha de fazer os gols que ele fazia, senão eu não teria coragem de receber o pagamento no fim do mês."[3] O gol do título foi marcado de cabeça. "Depois da cabeçada fechei os olhos, de emoção", disse, à época. "Eu vi o gol. Ouvi a explosão da torcida. Não olhei para a cara do Renato [goleiro do Atlético Mineiro]."[3]

Antes da fase decisiva, o elenco combinou que quem marcasse um gol comemoraria com os dedos indicador e médio em v, símbolo de paz e amor no final dos anos 1960.[2] Ele assim o fez e passou a ser conhecido por aquele tipo de comemoração.[2] "Era época de ditadura, aí falavam que eu estava ofendendo o regime militar", diria, quarenta anos depois, ao JT. "Mas não era nada disso. Apenas festejava como tínhamos combinado."[2]

Em suas duas passagens pelo Fluminense, Mickey disputaria 98 partidas, com 43 vitórias, 33 empates e 22 derrotas, marcando 27 gols.[7]

Passou pelo Grêmio em 1972, por apenas 3 meses[8], futebol colombiano e pelo Olaria e depois pelo Bahia entre 1975 e 1976, mesmo ano em que chegou ao São Paulo, como o primeiro reforço do time para o segundo turno do Campeonato Paulista.[1]

Dono de seu passe, alugou-o ao São Paulo por cinquenta mil cruzeiros, por seis meses, inicialmente.[1] "Não temos mais nenhum nome em vista, mas a certeza de que contratamos um bom jogador, que deverá ser muito útil à equipe, dando ao técnico Poy uma opção a mais para formar o ataque", explicou o diretor de Futebol, José Douglas Dallora.[1] O jogador chegou confiante: "Sempre sonhei em disputar o Campeonato Paulista, mas não esperava por essa proposta do São Paulo, pois os comentários eram de que o Corinthians estava interessado em meu futebol. Mas estou satisfeito e só espero repetir no São Paulo as mesmas atuações que tive nos últimos clubes que defendi, sendo artilheiro e ajudando-os a ser campeões."[1]

Segundo o Almanaque do São Paulo Placar, "foi bem no começo, aproveitando-se das suspensões do titular Serginho Chulapa".[9] Depois de marcar treze gols nos 25 jogos que disputou em sua primeira temporada no Morumbi, os gols escassearam.[9] Participou de apenas duas partidas na campanha tricolor no Brasileiro de 1977.

Antes da primeira delas, na primeira fase, contra o Santa Cruz, ele quase deixou o clube, primeiro para o Guarani, depois para o Joinville, mas não acertou salários com nenhum dos dois clubes. Acabou escalado contra o Santa Cruz devido à suspensão de Serginho e à falta de ritmo de Mirandinha, mas teve uma atuação fraca e voltou à reserva.

Só foi escalado novamente na segunda fase, contra o Corinthians, quando deixou o campo com uma fratura na fíbula esquerda após choque casual com Zé Eduardo.[10] No ano seguinte disputou o Campeonato Brasileiro pelo Ceará.

Foi obrigado a encerrar a carreira em 1979, após ter um grave problema no joelho direito. Após a aposentadoria trabalhou na Rádio Camboriú como comentarista, foi editor de esportes da revista Realeza e do jornal Balneário Camboriú.[11] Também manteve uma imobiliária em Balneário Camboriú, mas fechou o negócio devido a problemas de saúde.[2]

Principais títulos[editar | editar código-fonte]

Pelo Fluminense
Pelo Bahia
Pelo São Paulo
  • Brasil Campeonato Brasileiro: 1977
Pelo Ceará

Referências

  1. a b c d e «Chegou Mickey, esperança de gols». Folha de S. Paulo (17 279). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. 5 de julho de 1976. 12 páginas. ISSN 1414-5723 
  2. a b c d e f g h i Paulo Favero (22 de dezembro de 2010). «Vitória da paz e do amor». Jornal da Tarde (14 730). São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. pp. 9C 
  3. a b c «Conheça Mickey, o grandão, um homem de paz e amor». Placar (41). São Paulo: Editora Abril. 25 de dezembro de 1970. 8 páginas 
  4. Paulo Coelho Netto (2002). História do Fluminense. [S.l.]: Pluri Edições. 498 páginas. 8589116026 
  5. Carlos Maranhão (11 de dezembro de 1970). «O Flu jogou contra 12 — o outro era o juiz». Placar (39). São Paulo: Editora Abril. 11 páginas 
  6. a b «Estas finais você não viu». Placar (41). São Paulo: Editora Abril. 25 de dezembro de 1970. 11 páginas 
  7. DE FREITAS LIMA, Ricardo. «Jogadores - Letra M - Mickey-1974». Fluzão.info. Consultado em 14 de novembro de 2016 
  8. Site Tardes do Pacaembu - Mickey… o artilheiro da paz e do amor, página editada em 1 de novembro de 2012 e disponível em 18 de novembro de 2016.
  9. a b Alexandre da Costa (2005). Almanaque do São Paulo Placar. [S.l.]: Editora Abril. 418 páginas 
  10. «Mickey saiu com fratura». Diário Popular. São Paulo. 5 de dezembro de 1977. 42 páginas 
  11. Rogério Micheletti. «Que fim levou?». Terceiro Tempo 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]