Deise Nunes

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Deise Nunes Ferst[1]
Nome artístico Deise Nunes
Data de nascimento 30 de março de 1968 (49 anos)
Local de nascimento Porto Alegre, Brasil
Nacionalidade brasileira
Principais trabalhos Miss Brasil 1986
Cônjuge Lair Ferst[1]
Site Página oficial

Deise Nunes Ferst (Porto Alegre, 30 de março de 1968) é uma rainha da beleza, apresentadora de TV e empresária brasileira. Foi a quarta representante do Rio Grande do Sul a ser coroada Miss Brasil .[2][1] e a primeira negra a vencer o concurso.[3] Atualmente, comanda o programa de televisão Terceiro Setor, exibido em um dos canais da NET gaúcha,[4] além de ser empresária na área de moda, ministrando cursos de modelo e manequim.[5]

Em 2004, ela e outras 31 ex-Misses Brasil foram homenageadas na festa de 50 anos do Miss Brasil, realizada em São Paulo.[6]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Filha de mãe solteira, que engravidou do sobrinho de seu patrão aos 17 anos, Deise nasceu na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e cresceu com sua mãe, Ana Maria Nunes, na casa da família onde esta trabalhava, no bairro de Petrópolis, Porto Alegre.[7] Sua mãe, que lavava roupa para fora com o intuito de multiplicar seu orçamento, criou e educou a futura rainha da beleza com o essencial, mas dentro de muita dignidade, para que esta pudesse galgar níveis sociais maiores do que ela mesma havia conseguido como empregada doméstica.[8]

Deise viria a concluir seus estudos em 1985 no Colégio de Santa Inês, de Porto Alegre.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Concursos de beleza e modelo[editar | editar código-fonte]

Antes de se tornar Miss Brasil, Deise Nunes já havia participado e vencido outros dez concursos de beleza regional.[9] Ainda na infância, em 1977, com apenas nove anos, ela foi eleita «Miss Simpatia» do seu colégio, e seis anos depois, em 1983, foi eleita «Primeira Princesa» em outro colégio em que estudava.[7] A vencedora desse concurso adoeceu e ela foi representar o colégio no concurso Miss Unespa (União dos Estudantes Secundários em Porto Alegre) e ganhou a coroa.[7]

Deise Nunes tornou-se modelo profissional em 1984, ao ser descoberta pelo então diretor social do Sport Club Internacional, Paulo Franchini, clube ao qual representou no concurso Rainha das Piscinas do mesmo ano,[4][2] tornando-se vencedora de um dos certames de beleza mais importantes do seu estado na época, apesar do preconceito que teve de enfrentar ao conquistar o título.[9][2] Contudo, a grande consagração viria em 1986, quando ganhou os concursos de Miss Canela, Miss Rio Grande do Sul e, por fim, Miss Brasil.[7]

Após vencer o Miss Brasil em maio de 1986, Deise se tornou a primeira afro-brasileira a conquistar tal posição no país, quebrando um tabu.[9][4][1] Deise ganhou o concurso com 1,75m de altura, 86cm de busto, 90cm de quadril e 60cm de cintura. Foi a primeira Miss Brasil negra da história do concurso,[4] tendo sido consequentemente a primeira negra brasileira a disputar o Miss Universo,[2] do qual foi uma das semifinalistas, tendo se classificado em sexto lugar,[2] além de ter sido a segunda colocada no quesito «traje típico».[nota 1]

Sobre a ascensão fulgurante de Deise Nunes ao estrelato após ser eleita a mulher mais bonita do Brasil, a revista Manchete (edição 1907) de 1988 publicou:

São duas mulheres negras, mãe e filha, que venceram literalmente na raça. Deise Nunes, 21 anos, a primeira Miss Brasil mulata, para cuja beleza o preconceito racial teve de se curvar, agora está imprimindo um novo rumo à sua carreira de modelo internacional – na condição de maneca contratada do costureiro Guy Laroche, a Cinderela negra brasileira faz seu début na passarela francesa, em janeiro do ano que vem, em Paris. Ana Nunes, 36 anos,mãe de Deise, já foi levadeira, mas com o sucesso profissional da filha — modelo desde os 15 anos de idade e uma supercampeã de títulos — tornou-se sua empresária.[10]

Em 2013, numa entrevista ao portal Ego, do Globo.com, ela fez a seguinte declaração sobre o fato de nunca mais uma negra ter sido eleita Miss Brasil:

Em um país tão miscigenado, com tantas negras lindíssimas é meio estranho. Torço para que não seja preconceito e espero que as meninas negras se interessem mais pelo concurso. Pode ser que se sintam acanhadas (...) Quando eu fui escolhida para representar o Rio Grande do Sul [no Miss Brasil 1986], esperavam talvez uma representante [gaúcha] loira de olhos claros, achavam que eu tinha nascido na Bahia ou no Rio de Janeiro.[11]

Aparições públicas[editar | editar código-fonte]

Após coroar Jacqueline Meirelles, sua sucessora ao trono, em 1987, Deise passou a ser destaque no carnaval carioca, desfilando por alguns anos como rainha de bateria da escola de samba União da Ilha, da qual deixou o posto após o carnaval de 2004.[12] Em Porto Alegre desfilou em várias escolas, destacando-se como rainha de bateria da Bambas da Orgia em 1998. Em 2002, desfilou pela Unidos de Vila Isabel.[13]

Em 1988, ela fez uma participação num dos episódios do seriado Tarcísio e Glória, na Rede Globo. Na mesma emissora, foi convidada do júri do Cassino do Chacrinha em algumas ocasiões: na primeira aparição, exibida em 23 de março de 1987, ela ainda detinha o título de Miss Brasil.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Na época de Miss, Deise namorou o cantor espanhol Julio Iglesias, romance que durou quase um ano, e teve um envolvimento curto com o jogador de futebol Pelé, em 1986.[11][14][1][15] No final da década de 80, ela inicia um relacionamento com o empresário Lair Ferst, com quem viria a casar e ter os filhos Pedro e Julia.[11][4][2]

Em 1988, sua mãe lançou o livro «Do tanque a Paris», pela Editora Gráfica Serrana, no qual conta a história dura por que ambas tiveram que passar até o estrelato de Deise como Miss Brasil em 1986.[16]

Precedido por
Andréa Fetter
Miss Rio Grande do Sul
1986
Sucedido por
Cláudia Alves Jardim
Precedido por
Márcia Gabrielle
Miss Brasil
1986
Sucedido por
Jacqueline Meirelles

Notas

  1. A primeira mulher negra a representar o Brasil em um concurso internacional foi a carioca Vera Lúcia Couto, segunda colocada no Miss Brasil 1964. Por sua posição de destaque no concurso, ela obteve o direito de concorrer ao Miss Beleza Internacional em Long Beach, Flórida.

Referências

  1. a b c d e Andrea Lopes (1 de dezembro de 2010). «Palavra de Miss». Portal Contigo!. Consultado em 18 de abril de 2013 
  2. a b c d e f Edmea Ferreira (2010). «Negra, bela e gaúcha!». Revista Raça Brasil. Consultado em 18 de abril de 2013 
  3. «Ganhei muito dinheiro, diz a única negra eleta Miss Brasil». R7. Consultado em 26 de janeiro de 2015 
  4. a b c d e Da Redação (23 de junho de 2006). «Deise Nunes – 20 anos de Miss Brasil». Revista Caras. Consultado em 18 de abril de 2003 
  5. Adm. do site (2012). «Deise Nunes – Escola de Modelo e Manequim». Portal Deise Nunes. Consultado em 18 de abril de 2013 
  6. Da redação (16 de abril de 2004). «Gaúcha vence o Miss Brasil 2004». Caderno 2 – variedades. Consultado em 18 de abril de 2013 
  7. a b c d Revista Manchete (1987). Márcia Gabrielle e Deise Nunes, as misses contam tudo. [S.l.]: Bloch Editores. 114 páginas 
  8. Maria Helena Vargas da Silveira (2002). As filhas das lavadeiras. [S.l.]: Grupo Cultural Rainha Ginga. 231 páginas. ISBN: 9788587455215 
  9. a b c Da Redação (31 de dezembro de 1986). «Uma gaúcha negra quebra tabu de beleza dos concursos de miss». Arquivo Veja. Consultado em 18 de abril de 2013 
  10. Da redação (Jussara Martins) (1988). Cinderela Negra. [S.l.]: Bloch Editores. 179 páginas 
  11. a b c Da redação (19 de outubro de 2013). «'Envelhecer como ex-Miss é sempre mais cruel', diz Deise Nunes». Portal Ego, Globo.com. Consultado em 21 de maio de 2014 
  12. Simone Fernandes (31 de dezembro de 2012). «União da Ilha: ex-rainha de bateria prestigiou último ensaio do ano». Portal Tudo de Samba. Consultado em 19 de abril de 2013 
  13. Redação do portal (2012). «História da Vila Isabel». Unidos da Vila Isabel. Consultado em 18 de abril de 2013 
  14. Juliana Lopes e Fábio Farah (2002). «O poder de sedução do Brasil». Portal Istoé Gente. Consultado em 18 de abril de 2013 
  15. Pelé (2008). Pele: The Autobiography. [S.l.]: Simon and Schuster. 368 páginas. ISBN: 9781847394880 
  16. Ana Nunes (1988). Do Tanque a Paris – Sonho da Cinderela negra Deise Nunes. [S.l.]: Gráfica Serrana. 80 páginas. 23899744 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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