Mártires de Cunhaú e Uruaçu

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Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçú
Monumento aos Mártires em São Gonçalo do Amarante
Protomártires do Brasil, Mártires da Fé
Morte 16 de julho de 1645 e 3 de outubro de 1645 em Engenho de Cunhaú (Canguaretama) e Comunidade Uruaçú (São Gonçalo do Amarante)
Veneração por Igreja Católica
Beatificação 5 de março de 2000, Praça de São Pedro, Vaticano por São João Paulo II
Canonização 15 de Outubro de 2017, Vaticano por Papa Francisco
Principal templo Capela dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu
Festa litúrgica 3 de outubro
Padroeiro do estado do Rio Grande do Norte
Gloriole.svg Portal dos Santos

Mártires de Cunhaú e Uruaçu ou Protomártires do Brasil, é o título dado pela Igreja Católica aos trinta católicos martirizados, no interior do Rio Grande do Norte. Foram vitimas de dois morticínios, ambos no ano de 1645, no contexto das invasões holandesas no Brasil. O primeiro massacre ocorreu na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho de Cunhaú, município de Canguaretama; o segundo foi na comunidade de Uruaçu, no município de São Gonçalo do Amarante.

Foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 5 de março de 2000. No dia 23 de março de 2017 o Papa Francisco autorizou a canonização dos trinta mártires do Rio Grande do Norte. A canonização ocorreu em uma cerimônia no Vaticano, em 15 de outubro de 2017.[1][2]


Morticínio de Cunhaú[editar | editar código-fonte]

O primeiro engenho construído no Rio Grande do Norte foi palco de uma disputa territorial entre colonos (invasores enviados pela coroa portuguesa) e nativos (indígenas Janduís), uma das mais trágicas disputas da história do Brasil. No ano de 1645, o estado do Rio Grande do Norte era dominado pelos holandeses.

Jacob Rabbi, um alemão que chegou ao Rio Grande do Norte por meio de um convite holandês, casou-se com uma indígena e morou junto da tribo dos Janduís, seguindo os costumes dos nativos. Chegou ao engenho em 15 de julho de 1645, mas já era conhecido pelos moradores, pois havia passado por lá anteriormente, sempre escoltado pelas tropas dos índios Tapuias e Janduís. Nesse dia, veio com mais violência. Além dos Tapuias, trazia alguns potiguares e soldados holandeses. Era domingo, dia 16 de julho de 1645 e, como de costume, os fiéis reuniram-se para celebrar a Eucaristia, Foram à missa na igreja de Nossa Senhora das Candeias, mas Jacob Rabbi havia fixado um edital na porta da igreja: após a missa, haveria ordens do governo holandês. O pároco, padre André de Soveral, responsável pela catequização e disseminação da religiosidade europeia, começa a celebração e, depois do momento da elevação do Corpo e Sangue de Cristo, as portas da capela foram fechadas: deu-se início a vingança dos nativos contra os invasores coloniais e clérigos que celebravam a missa. Ao verem que seriam mortos pelas tropas, os colonos pediram misericórdia a Jesus "entre mortais ânsias, confessaram-se ao sumo sacerdote pelo perdão por suas culpas", enquanto o padre André estava tendo o seu coração arrancado do peito pelo jaguar da floresta".

Morticínio de Uruaçu[editar | editar código-fonte]

Em 3 de Outubro de 1645, três meses depois do massacre de Cunhaú, aconteceu outro, desta vez na comunidade de Uruaçu, este também a mando de Jacob Rabbi.

Logo após o primeiro massacre, o medo se espalhou pela Capitania e por outras capitanias. A população ficou receosa, pois tinha medo de novos ataques. No massacre de 3 de outubro, foram cenas idênticas, no entanto com mais crueldade. Depois da Eucaristia, fecharam as portas da igreja e os mataram ferozmente, arrancaram suas línguas para não proferirem orações católicas, braços e pernas foram decepados, crianças foram partidas ao meio, e grande parte dos corpos foi degolada. O celebrante, padre Ambrósio Francisco Ferro, mesmo vivo, foi muito torturado. O camponês Mateus Moreira, mesmo arrancado seu coração, exclamou: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento", e por esse motivo, ele é patrono dos ministros extraordinários da comunhão no Brasil.[carece de fontes?]

Beatificação[editar | editar código-fonte]

O começo do processo de beatificação foi aberto em 15 de maio de 1988, por Dom Alair Vilar, nesta ocasião, o arcebispo nomeou o monsenhor Francisco de Assis Pereira, como postulador das causas de beatificação e canonização. No dia 5 de março de 2000, na presença de cerca de mil brasileiros na praça de São Pedro, o Papa João Paulo II, beatificou 28 leigos e dois sacerdotes. Na sua homilia o Santo Padre disse:

Os mártires são lembrados em duas datas, no dia 16 de julho em Canguaretama, e dia 3 de outubro em São Gonçalo do Amarante. Esta última data é lembrada a caráter estadual: pela lei Nº 8.913/2006, que declara a data feriado estadual.

São lugares de romarias e peregrinações a Capela dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu em São Gonçalo do Amarante; o Santuário dos Mártires, no bairro Nossa Senhora de Nazaré em Natal, e a capela de Nossa Senhora das Candeias, no antigo engenho de Cunhaú.

Canonização[editar | editar código-fonte]

Os Santos Mártires foram canonizados pelo Santo Padre o Papa Francisco em 15 de outubro de 2017, na Praça de São Pedro, Vaticano.[1][2]

Mártires[editar | editar código-fonte]

Mortos em Cunhaú em 16 de julho de 1645[editar | editar código-fonte]

  • Padre André de Soveral
  • Domingos Carvalho

Mortos em Uruaçu em 3 de outubro de 1645[editar | editar código-fonte]

  • Padre Ambrósio Francisco Ferro
  • Mateus Moreira
  • Antônio Vilela e sua filha
  • José do Porto
  • Francisco de Bastos
  • Diogo Pereira
  • João Lostão Navarro
  • Antônio Vilela Cid
  • Estêvão Machado de Miranda e duas filhas
  • Vicente de Souza Pereira
  • Francisco Mendes Pereira
  • João da Silveira
  • Simão Correia
  • Antônio Baracho
  • João Martins e sete companheiros
  • Manuel Rodrigues Moura e sua esposa
  • uma filha de Francisco Dias

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]