Planeta Nove

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Impressão artística do Planeta Nove como um gigante de gelo eclipsando a Via Láctea, com o Sol ao fundo.

Planeta Nove é um planeta gigante gelado hipotético que teria cerca de dez vezes a massa da Terra e que pode estar a orbitar no Sistema Solar exterior. A existência do planeta explicaria as órbitas peculiares de um grupo de objetos transnetunianos localizados no Cinturão de Kuiper.[1]

Em 2012, o brasileiro Rodney Gomes, do Observatório Nacional do Brasil, modelou as órbitas de 92 objetos do cinturão de Kuiper e descobriu que seis delas eram mais alongadas que o previsto e concluiu que a explicação mais simples era a atração gravitacional de um planeta distante.[2]

Em 2014, pesquisadores do Carnegie Institution of Science e do Observatório Gemini, no Havaí, encontraram evidências preliminares. Em janeiro de 2016, dois astrônomos do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) encontraram provas adicionais da existência deste corpo celeste.[3] Estima-se que o Planeta Nove seja similar em tamanho e composição ao planeta Netuno[3] e que possa ser o quinto planeta gasoso descrito no modelo de Nice.[4]

Até 2019, a busca pelo Planeta Nove resultou em 62 objetos distantes, que representam cerca de 80% de todos os conhecidos além de 60 unidades astronômicas (AU).[5]

Características[editar | editar código-fonte]

O Planeta Nove provavelmente tem um tamanho similar ao do planeta Netuno, ou quatro vezes o diâmetro da Terra.[3]

Tamanho[editar | editar código-fonte]

O planeta deve ter cerca de 10 vezes a massa da Terra[6] [7] e de 2 a 4 vezes o diâmetro da Terra.[8][9] Uma pesquisa de infravermelho pelo Wide-field Infrared Survey Explorer em 2009 não exclui tal objeto, visto que seus resultados permitem que um objeto do tamanho de Netuno exista além de 700 UA.[10] Um estudo semelhante em 2014, focado em corpos de maior massa que poderiam existir no Sistema Solar exterior, exclui a possibilidade de que objetos do tamanho de Júpiter existam a até 26.000 UA.[11]

Composição[editar | editar código-fonte]

Mike Brown especula que o planeta seja provavelmente um gigante gelado ejetado, de composição similar a de Urano ou Netuno: uma mistura de rocha e gelo com uma camada de gás.[12][8]

Órbita[editar | editar código-fonte]

Estima-se que o Planeta Nove siga uma trajetória elíptica em torno do Sol, com um período orbital de 10.000-20.000 anos. O planeta hipotético teria uma distância orbital média de cerca de 600 unidades astronômicas (UA) (90 bilhões de quilômetros), ou cerca de 20 vezes a distância de Netuno do Sol, embora possa estar tão perto quanto 200 UA (30 bilhões de quilômetros) e sua inclinação estimada como ±30 graus.[13][3][14] A órbita altamente excêntrica do planeta hipotético poderia levá-lo tão longe quanto 1200 UA (180 bilhões de quilômetros) no extremo de sua órbita.[15] E neste momento, é provável que esteja no ponto mais distante do sol, possivelmente tão longe quanto 250 bilhões de quilômetros de distância em uma grande região do céu em torno da constelação de Orion.[16]

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

A existência do Planeta Nove poderia explicar um conjunto peculiar de seis objetos transnetunianos em uma órbita estável no cinturão de Kuiper (nomeadamente Sedna, 2012 VP113, 2007 TG422, 2004 VN112, 2013 RF98, 2010 GB174),[7] e outros quatro objetos.[17]

Um olhar mais atento dos dados mostram que seis objetos que ocupam órbitas mais amplas no cinturão de Kuiper (incluindo Sedna e 2012 VP113) traçam caminhos elípticos que apontam para aproximadamente a mesma direção no espaço físico e se inclinam aproximadamente no mesmo plano.[1] Estas perturbações, de acordo com a simulação, só ocorreriam com 0,007% de probabilidade por acaso.[18]

Evidências[editar | editar código-fonte]

Possível órbita do Planeta Nove

Em 2012, Rodney Gomes do Observatório Nacional do Brasil modelou as órbitas de 92 objetos da cintura de Kuiper e descobriu que seis destas órbitas eram muito mais alongadas que o modelo previa. Ele concluiu que a explicação mais simples era a atração gravitacional de um planeta distante, tal como um planeta do tamanho de Neptuno a 1500 AU ou a um do tamanho de Marte a 53 AU.[2]

Evidências preliminares do Planeta Nove foram publicadas em 2014, quando astrônomos da Carnegie Institution of Science e do Observatório Gemini do Havaí sugeriram que as órbitas incomuns de determinados objetos no cinturão de Kuiper poderiam ser influenciadas por um enorme e desconhecido planeta que orbita na borda do Sistema Solar.[19]

As simulações de computador feitas pelos pesquisadores do Michael E. Brown e Konstantin Batygin, do Caltech, forneceram evidências adicionais de que o Planeta Nove possa realmente existir. Segundo informes da imprensa de janeiro de 2016, Michael Brown diz que as probabilidades da existência do Planeta Nove são de 90%.[18]

Astrônomos analisaram as órbitas de objetos trans-neptunianos extremos e eles apontam que há algo os perturbando: um planeta localizado a uma distância entre 300 a 400 vezes a separação Terra-Sol.[20]

Em 2019, uma teoria sugere que o nono planeta, que chutou as órbitas dos objetos do cinturão de Kuiper, não seja um planeta. Em vez disso, a atração gravitacional poderia vir de um buraco negro primordial.[21]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Search for Planet 9 - Premonition» 
  2. a b «New planet found in our Solar System?». National Geographic. 2012. Consultado em 21 de maio de 2012 
  3. a b c d Alexandra Witze (2016). «Evidence grows for giant planet on fringes of Solar System». Nature. Consultado em 26 de fevereiro de 2016 
  4. Batygin, Konstantin; Brown, Michael E. (1 de janeiro de 2016). «Evidence for a Distant Giant Planet in the Solar System». The Astronomical Journal (em inglês). 151 (2). 22 páginas. ISSN 1538-3881. doi:10.3847/0004-6256/151/2/22. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  5. Redd, Nola Taylor. «New "FarFarOut" World Is the Most Distant Solar System Object Known». Scientific American (em inglês). Consultado em 12 de março de 2019 
  6. «Caltech Researchers Find Evidence of a Real Ninth Planet». Caltech. Consultado em 20 de janeiro de 2016 
  7. a b Hand, Eric (20 de janeiro de 2016). «Astronomers say a Neptune-sized planet lurks beyond Pluto». Science. Consultado em 20 de janeiro de 2016 
  8. a b Achenbach, Joel; Feltman, Rachel (20 de janeiro de 2016). «New evidence suggests a ninth planet lurking at the edge of the solar system». The Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286. Consultado em 20 de janeiro de 2016 
  9. Researchers find evidence of ninth planet in solar system
  10. Lakdawalla, Emily (27 de agosto de 2009). «The Planetary Society Blog: "WISE Guys"». The Planetary Society. Consultado em 26 de dezembro de 2009 
  11. K. L. Luhman (20 de janeiro de 2014). «A search for a distant companion to the Sun with the Wide-Field Infrared Survey Explorer». The Astrophysical Journal. 781 (4). doi:10.1088/0004-637X/781/1/4. Consultado em 21 de janeiro de 2015 
  12. Michael E. Brown. «The Search For Planet Nine». Consultado em 20 de janeiro de 2016 
  13. «Where is Planet Nine?» (em inglês). Consultado em 26 de fevereiro de 2016 
  14. Fesenmaier, Kimm (20 de janeiro de 2016). «Caltech Researchers Find Evidence of a Real Ninth Planet». California Institute of Technology. Consultado em 20 de janeiro de 2016 
  15. Nadia Drake (20 de janeiro de 2016). «Scientists Find Evidence for Ninth Planet in Solar System» (em inglês). National Geographic. Consultado em 26 de fevereiro de 2016 
  16. «New clues in search for Planet Nine» (em inglês). Consultado em 7 de julho de 2016 
  17. «Our solar system may contain a ninth planet, far beyond Pluto» 
  18. a b «Theoretical evidence for an undiscovered super-Earth at the edge of our solar system» 
  19. Chadwick A. Trujillo and Scott S. Sheppard (27 de março de 2014). «A Sedna-like body with a perihelion of 80 astronomical units» (PDF). Nature. 507. doi:10.1038/nature13156. Consultado em 21 de janeiro de 2016. Arquivado do original (PDF) em 16 de dezembro de 2014 
  20. Planet Nine hypothesis supported by new evidence (2017)
  21. «Planet Nine may be a primordial black hole». Tech Explorist (em inglês). 28 de setembro de 2019. Consultado em 30 de setembro de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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