Riachão (sambista)

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Riachão
Riachão cropped 1.jpg
Riachão em 2010, no 2º Encontro Afro-Latino, em Salvador.
Informação geral
Nome completo Clementino Rodrigues
Também conhecido(a) como Riachão
Nascimento 14 de novembro de 1921
Local de nascimento Salvador, BA
Brasil
Morte 30 de março de 2020 (98 anos)
Local de morte Salvador, BA
Nacionalidade brasileiro
Gênero(s) samba
Ocupação(ões) cantor, compositor

Clementino Rodrigues, mais conhecido pelo apelido de Riachão (Salvador, 14 de novembro de 1921 - Salvador, 30 de março de 2020), foi sambista do Brasil, um dos mais reconhecidos do país, ao lado de Nelson Sargento, Dona Ivone Lara e mais alguns outros da velha guarda. Por se inspirar em episódios extravagantes da capital baiana (como a exposição de uma baleia na praça da Sé), ele passou a ser chamado de “cronista musical”.[1] Expoente da era de ouro do rádio baiano nas décadas de 1940 e 1950, seus sambas irreverentes, tais como "Retrato da Bahia" e "Bochechuda e Papuda", o tornaram ganhador do "Troféu Gonzaga".[2]

Trabalhou também como ator, atuando em alguns filmes, entre eles "A Grande Feira", de Roberto Pires, em 1961, e "Os Pastores da Noite", de Marcel Camus, em 1972, baseado na obra do amigo Jorge Amado. E em 2002, fez participação especial no seriado "Pastores da Noite", da Rede Globo de Televisão, baseado no filme.

Em 2001, no "Festival de Brasília", foi exibido o documentário "Samba Riachão", de Jorge Alfredo, que conta a sua história.

No ano de 2017 prestou depoimento na série "Depoimentos para a Posteridade", do MIS (Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro), na sede da Praça XV

Carreira[editar | editar código-fonte]

Aos nove anos já cantava nas serenatas, nos aniversários ou nas batucadas com os amigos do bairro onde nasceu - Garcia. Batucava em latas de água onde tamborilava seus sambas. A primeira composição veio aos 12 anos, um samba sem título que dizia: "Eu sei que sou moleque, eu sei, conheço o meu proceder/ Deixe o dia raiar que a minha turma, ela é boa para batucar".[3]

O apelido "Riachão" ganhou ainda na infância, explica:

"Quando menino, eu gostava muito de brigar. Mal acabava uma peleja, já estava eu disputando outra. E aí chegavam os mais velhos para apartar, empregando aquele ditado popular: você é algum riachão que não se possa atravessar".
[4]

Riachão teve várias das suas músicas interpretadas por cantores nacionais, uma das mais conhecidas foi "Vá Morar com o Diabo", cantada por Cássia Eller. Também é de sua autoria a famosa música "Cada Macaco no Seu Galho", escolhida por Caetano Veloso e Gilberto Gil, em 1972, para marcar seus retornos ao Brasil depois de exílio político durante o regime militar no Brasil e que gravaram posteriormente.[5][6]

Apesar de ter o talento reconhecido pela crítica e por grandes artistas da MPB, Riachão não conseguia se inserir no mercado. Só para se ter uma ideia, seu álbum “Sonho de Malandro”, de 1973, que predominam os sambas da malandragem, que é também a marca registrada da sua obra, mesclando metais, acordeom, flauta, coro de pastoras e até um regional de choro foi pouco divulgado, e vendeu pouco.

Em 1976, Riachão teve um samba proibido pela censura. A letra da música “Barriga Vazia” falava da fome: “Eu, de fome, vou morrer primeiro / você, de barriga,também vai morrer um dia”. A notícia da censura correu a cidade e, num show no ICBA, em 1976, a plateia universitária frequentadora contumaz do espaço cultural, localizado em um bairro de elite em Salvador, exigiu que Riachão a cantasse.

O álbum “Humanenochum”, lançado pelo selo Caravelas, em 2000, indicado ao Grammy Latino, representou um ponto de inflexão no reconhecimento nacional de sua obra.

Ainda na ativa em 2013, lançou o CD Mundão de Ouro em colaboração com a cantora Vânia Abreu, gravado num estúdio de São Paulo, contando com quinze faixas, sendo 13 inéditas e incluindo os sucessos de sempre "Vá Morar com o Diabo" e "Cada Macaco no Seu Galho".[7]

Morte[editar | editar código-fonte]

Riachão morreu na madrugada do dia 30 de março de 2020, aos 98 anos, de causas naturais.[8]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Prêmios e Indicações[editar | editar código-fonte]

Ano Prêmio Categoria Trabalho Indicado Info Resultado Ref.
2002 3º Grammy Latino Melhor Álbum de Samba/Pagode Humanenochum Indicado [9]
Melhor Canção em Língua Portuguesa Vá Morar com o Diabo
  • Indicado como compositor.
  • A versão indicada foi interpretada por Cássia Eller
Indicado [10]
2013 25º Prêmio da Música Brasileira Álbum de Samba Mundão de Ouro Indicado [11]
Cantor do Ano Indicado

Referências

  1. folha.uol.com.br/ Riachão era um sambista feliz na contracorrente do samba triste
  2. minutocultural.com.br/
  3. Carlos Rennó (11 de setembro de 2001). «"Ensaio" apresenta Riachão comovente». Folha de S.Paulo. Consultado em 14 de janeiro de 2014 
  4. «Biografia». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira 
  5. «Cultura traz "Ensaio" com o compositor Riachão». Caderno 2. Estadão. 10 de setembro de 2001. Consultado em 14 de janeiro de 2014 
  6. Aos 91 anos, compositor do samba "Cada Macaco no seu Galho" renega a bossa nova. Folha de S Paulo.
  7. Marcos Lauro (10 de dezembro de 2013). «Mundão de Ouro - Veterano sambista é resgatado em um dos grandes disco do ano». Rolling Stone Brasil. Consultado em 15 de maio de 2015 
  8. Moura, Gabriel (30 de março de 2020). «Morre, aos 98 anos, o sambista Riachão». Correio. Consultado em 30 de março de 2020 
  9. pro-musicabr.org.br/ Indicações do Brasil no Grammy Latino 2002
  10. cartamaior.com.br/ Grammy Latino divulga lista de indicados para 2002
  11. premiodamusica.com.br/ 25º PMB: A LISTA DOS INDICADOS

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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