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Armandinho (guitarrista)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Não confundir com Armandinho (cantor brasileiro).
Armandinho
Armandinho em 2010
Nome completoArmando da Costa Macedo
Pseudônimo(s)Armandinho
Outros nomes
  • Armando Macedo
  • Armandinho Macedo
Nascimento
22 de maio de 1953 (72 anos)

Nacionalidadebrasileiro
Período de atividade1963-presente
Carreira musical
Gênero(s)
Instrumento(s)
Modelos de instrumentos
Gravadora(s)
Afiliações

Armando da Costa Macedo (Salvador, 22 de maio de 1953), mais conhecido como Armandinho, é um instrumentista, cantor e compositor brasileiro. Foi incluído na lista 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão (Categoria: Raízes Brasileiras) da revista Rolling Stone Brasil, em 2012.[1]

É filho de Osmar Macedo (da dupla Dodô e Osmar), músico e idealizador (ou um dos idealizadores) do trio elétrico e da guitarra baiana. Há uma briga judicial envolvendo a titularidade do "inventor do trio elétrico" - na qual ambos os integrantes da dupla reivindicam ter sido precursores individualmente.[2]

"Os pais do músico são gaúchos, mas o avô Armando é natural de Tubarão, cidade localizada ao Sul do estado catarinense. Com isso, Armandinho estava acostumado a passar férias anualmente na casa dos avós. Considera-se um ‘rato de praia’, como cita na canção “Balanço da Rede”, faixa do primeiro álbum da carreira"[3]. Despontou como músico quando ainda era estudante no Colégio Antônio Vieira, em 1968, ele, após participar de um concurso de calouros exibido pela extinta TV Tupi.[4]

O cantor já admitiu em entrevista que a música o auxilia com a gagueira, condição que já lhe causou aborrecimentos na infância: "Na verdade, eu gaguejava muito mais quando era criança. Na escola os meninos sempre me zoavam. E comecei a cantar justamente porque descobri que não gaguejava cantando".[5]


Trajetória

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Armandinho formou o grupo de frevo Trio Elétrico Mirim em 1962[6] e em 1967 a banda de rock Hell's Angels[7]. Em 1969, apresentou-se no programa "A grande chance", da TV Tupi, apresentado por Flávio Cavalcanti. Classificou-se em 1º lugar na fase eliminatória, e no ano seguinte foi contratado pela emissora para gravar seu primeiro disco, um compacto duplo e posteriormente um LP. Em 1974 juntou-se aos seus irmãos Aroldo, Betinho e André Macedo para formar a banda Armandinho, Dodô & Osmar, nome dado em homenagem aos criadores do Trio Elétrico Dodô e Osmar, lançando diversos discos carnavalescos ao longo da década de 80.

Paralelamente, no final dos anos 70, Armandinho formou o conjunto A Cor do Som, que inicialmente serviu de banda de apoio a Moraes Moreira (que também apresentava-se no Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar). Ao lado de Dadi (baixo e vocal), Mú Carvalho (teclados e vocal), e Gustavo Schroeter (bateria), a banda lançou seu primeiro disco em 1977 e se notabilizou pela alta qualidade instrumental, mesclando sonoridades de rock, jazz e música brasileira[7]. Em meados de 1979 Ary Dias (percussão e vocal), que também tocava no Trio Elétrico, passa a integrar o grupo, e apresentam canções inéditas no Festival de Jazz de Montreux na Suíça. Uma matéria da época fez o seguinte comentário a respeito da versatilidade do artista: "Armandinho deu um show de virtuosismo e criatividade musical. Deixou jornalistas europeus atônitos, ao misturar Ravel, Carlos Santana, Tom Jobim e até música russa no repertório".[8]

Alcançam novo patamar de sucesso ao introduzirem canções cantadas a partir do disco seguinte, o álbum Frutificar. "Beleza pura" (Caetano Veloso), "Abri a porta" (Gilberto Gil - Dominguinhos), "Zanzibar" (Armandinho - Fausto Nilo) tocaram intensamente nas rádios.[9]

Armandinho deixa a banda em meados de 1981 para se dedicar à carreira solo e seu projeto com Dodô e Osmar. Ao longo dos anos seguintes, tem dado continuidade a seu trabalho instrumental, voltado para o choro e outros gêneros, gravando e se apresentando ao lado de músicos como Raphael Rabello, Paulo Moura, Época de Ouro, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Caetano Veloso, Yamandú Costa, entre outros. Em 2005 se reúne novamente com A Cor do Som, gravando um disco acústico e realizando shows esporádicos.[10]

Em 2017, a banda celebrou 40 anos de estrada com um lançamento de estúdio e uma turnê nacional com a formação original. O disco, produzido por Ricardo Feghali trouxe duas faixas inéditas, regravações e participações de Gilberto Gil, Roupa Nova, 14 Bis, Natiruts, Lulu Santos, Skank, Djavan e Moska.[11]

Discografia

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Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar

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  • 1974 - Jubileu de Prata
  • 1975 - É a Massa
  • 1976 - Bahia, Bahia, Bahia...
  • 1977 - Pombo Correio
  • 1978 - Ligação
  • 1979 - Viva Dodô & Osmar
  • 1980 - Vassourinha Elétrica
  • 1980 - Trio Elétrico Instrumental (compilação)
  • 1981 - Incendiou o Brasil
  • 1982 - Folia Elétrica
  • 1983 - A Banda de Carmen Miranda
  • 1983 - Armandinho e o Trio Elétrico de Dodô e Osmar
  • 1985 - Chame Gente
  • 1985 - Dá um Break (compacto)
  • 1987 - Aí Eu Liguei o Rádio
  • 1988 - Trio Espacial
  • 1991 - Estado de Graça
  • 1996 - Filhos da Alegria
  • 2000 - Jubileu de Ouro


A Cor do Som

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  • 1977 - A Cor do Som
  • 1978 - Ao Vivo em Montreux
  • 1979 - Frutificar
  • 1980 - Transe Total
  • 1981 - Mudança de Estação[nota 1]
  • 1996 - Ao Vivo no Circo
  • 2005 - A Cor do Som Acústico
  • 1969 - Armando Macedo – (compacto duplo)
  • 1989 - Brasileirô
  • 1993 - Instrumental no CBB - Época de Ouro e Armandinho
  • 1996 - Brasil Musical - Série Música Viva - Armandinho e Raphael Rabello
  • 1997 - O Melhor do Chorinho Ao Vivo - Armandinho e Época de Ouro
  • 1997 - Raphael Rabello e Armandinho - Em Concerto
  • 1999 - Retocando o Choro
  • 2001 - Caetano & Gil
  • 2003 - Retocando o Choro Ao Vivo
  • 2009 - Pop Choro
  • 2009 - Paulo Moura e Armandinho - Afrobossanova

Notas

  1. O álbum Mudança de Estação foi o último álbum d'A Cor do Som com a participação de Armandinho, antes do fim da banda em 1987 e de seu retorno em 1996, com o álbum Ao Vivo no Circo.

Referências

  1. Redação (14 de fevereiro de 2012). «Os 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão». Rolling Stone Brasil. Consultado em 20 de junho de 2024 
  2. Mazza, Luigi (28 de fevereiro de 2025). «Um legado em disputa - revista piauí». revista piauí - _pra quem tem um clique a mais. Consultado em 23 de novembro de 2025 
  3. SC, Rafaella FragaDo G1 (21 de novembro de 2013). «Cantor Armandinho escolheu praia de SC para morar: 'qualidade de vida'». Planeta Atlântida 2014. Consultado em 23 de novembro de 2025 
  4. Joyce (1 de outubro de 2025). «Ex-aluno, Armandinho é destaque de festival em Paris. Músico fala sobre carreira na revista VIEIRA+». Colégio Antônio Vieira - Rede Jesuíta de Educação - Salvador BA. Consultado em 23 de novembro de 2025 
  5. «Quem é Armandinho?». www.gazetadopovo.com.br. 17 de maio de 2006. Consultado em 23 de novembro de 2025 
  6. «'Não aprendi música até hoje', revela o músico baiano Armandinho». TV Globo - Programa do Jô. 24 de abril de 2013. Consultado em 22 de Junho de 2014 
  7. a b «Armandinho». Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira. Consultado em 22 de Junho de 2014 
  8. «Folha de S.Paulo - Dança da Garrafa agita Montreux - 9/7/1996». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 23 de novembro de 2025 
  9. Badur, Lívia (10 de dezembro de 2024). «Conheça a história da banda A Cor do Som». Sesc São Paulo. Consultado em 23 de novembro de 2025 
  10. «Os melancólicos dias finais do Beco das Garrafas, joia da noite carioca onde Elis estreou nos palcos». BBC News Brasil. Consultado em 23 de novembro de 2025 
  11. «A BANDA». A Cor do Som - Oficial (em inglês). Consultado em 23 de novembro de 2025 

Ligações externas

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