Musicoterapia

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Fones de ouvido podem ser utilizados na musicoterapia

Musicoterapia é a utilização da música num contexto clínico, educacional e social com o objetivo de ajudar os utentes a tratar ou prevenir problemas de saúde mental. É um processo efetuado por um profissional qualificado, um(a) musicoterapeuta, que, através de elementos constituintes da música (ritmo, melodia e harmonia), facilita e promove comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes. Através da música, atende às necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas do paciente, baseando-se em evidências científicas. A musicoterapia busca desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo para que ele ou ela alcance uma melhor qualidade de vida através da prevenção, reabilitação ou tratamento de doenças.[1]

A musicoterapia é internacionalmente reconhecida como uma atividade clínica e regulamentada no âmbito das profissões da saúde. A investigação, prática clínica, educação e formação clínica estão definidas por standards de entidades profissionais de acordo com contextos culturais, sociais e políticos. Atualmente, existe um sistema de certificação com emissão de licença profissional para musicoterapeutas no Reino Unido, na Noruega, na Áustria e nos Estados Unidos da América.

Principais Contextos de Intervenção[editar | editar código-fonte]

Os musicoterapeutas trabalham com uma grande quantidade de pacientes. Entre estes, estão incluídas pessoas com dificuldades motoras, autistas, pacientes com deficiência mental, paralisia cerebral, dificuldades emocionais, pacientes psiquiátricos, gestantes e idosos. O trabalho musicoterápico pode ser desenvolvido dentro de equipas de saúde multidisciplinares, em conjunto com médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e educadores que ajudam no tratamento na musicoterapia. Também pode ser um processo autônomo realizado em consultório. Recentemente, uma das maiores aplicações de sucesso reconhecido da musicoterapia tem sido o tratamento da dor crônica e estresse pós-traumático.

Particular[editar | editar código-fonte]

Indicado aos pacientes que requerem uma intervenção individualizada e que não se inserem em contextos institucionais. Estas intervenções são normalmente realizadas em consultórios musicoterapêuticos. Como exemplo, beneficiam deste contexto especialmente pacientes vítimas de patologias da depressão e de perturbações da relação e da comunicação (por exemplo perturbações do espectro do autismo).

O desenvolvimento pessoal através da música pode realizar-se neste contexto individual e particular.

Hospitalar[editar | editar código-fonte]

Intervenções realizadas em hospitais, maternidades, centros de saúde, clínicas, como complemento à reabilitação física. Os pacientes deste contexto procuram o musicoterapeuta para gestão da dor, reabilitação da motricidade, cuidados paliativos e apoio emocional.

Há intervenções que se dedicam especificamente à gravidez e ao parto (à pré-natalidade e à perinatalidade). As técnicas de musicoterapia também se têm revelado eficazes com bebés prematuros.

Bebês prematuros[editar | editar código-fonte]

Bebês prematuros são aqueles cujo período gestacional foi de 37 semanas ou menos. Eles estão sujeitos ao risco de numerosos problemas de saúde, como padrões anormais de respiração, baixo índice de gordura e de tecido muscular corporal, além de problemas de alimentação. A coordenação para sugar e respirar não é plenamente desenvolvida, tornando a alimentação um desafio. A melhora dos bebês prematuros quando eles saem da unidade intensiva de cuidado neonatal está diretamente relacionada com os estímulos que eles receberam, como por exemplo a musicoterapia. A musicoterapia nas unidades intensivas de cuidado neonatal utiliza basicamente cinco técnicasː[2]

  • música gravada ou ao vivoː é efetiva em promover a regularidade respiratória e os níveis de saturação de oxigênio, além de diminuir os sinais de angústia neonatal. Como os bebês prematuros têm sentidos ainda imaturos, a música é sempre tocada em um ambiente calmo e controlado, tanto com base em som gravado quanto com base em vocalizações ao vivo (embora esta última modalidade tenha mostrado ser mais efetiva). A música ao vivo também reduz as respostas fisiológicas dos pais. Estudos mostraram que a combinação de música ao vivo, como a de harpa, com o método mãe canguru reduziu os níveis de ansiedade materna. Isso permite aos pais, especialmente as mães, ter mais tempo para se entrosar com os bebês prematuros. O canto de vozes femininas é mais efetivo em acalmar os bebês prematuros do que a música instrumental.[3]
  • promoção do saudável reflexo de sucçãoː usando uma chupeta equipada com um circuito integrado que ativa um leitor de CD fora da incubadora neonatal, os musicoterapeutas podem promover um reflexo de sucção mais poderoso, ao mesmo tempo em que aliviam a percepção de dor do bebê. O Gato Box é um pequeno instrumento retangular que estimula o som de batida de coração pré-natal de uma maneira suave e rítmica, e que também é efetivo em auxiliar o comportamento de sucção.[4] O musicoterapeuta usa seus dedos para bater no tambor, ao invés de usar o martelo. O ritmo estimula o movimento do bebê ao se alimentar, bem como saudáveis padrões de sucção. Isso ajuda o bebê a desenvolver a saudável coordenação entre as ações de sugar e respirar, auxiliando no seu ganho de peso. Quando essa técnica é efetiva, os bebês podem sair mais cedo do hospital.
  • música e estimulação multimodalː combinando-se música e estimulação multimodal, os bebês podem sair mais cedo da unidade intensiva de cuidado neonatal do que aqueles que não receberam a terapia. A estimulação multimodal inclui a aplicação de estímulos táteis, vestibulares, auditivos e visuais que auxiliam o desenvolvimento do bebê prematuro. A combinação de música e estimulação multimodal ajuda os bebês prematuros a dormir e a conservar energia vital necessária para se ganhar peso mais rapidamente. Estudos mostram que as meninas respondem mais positivamente aos estímulos multimodais do que os meninos.[5] A voz é muito usada pelos pais para se entrosar com os bebês, mas existem outros meios, como o disco de oceano (instrumento circular que imita os sons fluidos do útero) e o gato box. O disco de oceano melhora os ritmos cardíacos deficientes, promove padrões de sono saudáveis, diminui a frequência respiratória e melhora o comportamento de sucção.[6]
  • estimulação infantilː este tipo de intervenção usa estimulação musical para compensar a falta de uma estimulação sensorial ambiental normal nas unidades intensivas de cuidado neonatal. O som ambiente na unidade neonatal às vezes é estressante, mas a musicoterapia pode atenuar estímulos sonoros não desejados, tornando o ambiente mais calmo e reduzindo as complicações de crianças de alto risco ou com dificuldades de ganho de peso. O entrosamento entre pais e filhos também pode ser afetado pelos sons da unidade neonatal, atrasando as interações entre pais e bebês prematuros. A musicoterapia cria um ambiente calmo e relaxado, permitindo que os pais falem e passem o tempo com seus filhos enquanto eles estão na incubadora neonatal.[7]
  • entrosamento entre pais e bebêsː os terapeutas estimulam os pais a cantar para os filhos, bem como a lhes propiciar técnicas de cuidado em domicílio. Cantar cantigas de ninar pode relaxar e diminuir a frequência cardíaca dos bebês prematuros. Isso permite que eles preservem energia, favorecendo seu crescimento. Esse tipo de canção também favorece o sono dos bebês, o seu ganho de peso e a sua alimentação. Ouvir a voz da mãe na incubadora aumenta o nível de saturação de oxigênio dos bebês.[8]

Psiquiátrico[editar | editar código-fonte]

Contexto para pacientes com psicose, perturbação bipolar e perturbações graves da personalidade.

Geriátrico[editar | editar código-fonte]

Este contexto dedica-se a melhorar a qualidade de vida e bem-estar de idosos, trabalhando frequentemente com pacientes vítimas de doença de Alzheimer e demência.

Educacional[editar | editar código-fonte]

Contexto frequentemente escolar, com crianças e adolescentes com necessidades educativas especiais. Beneficiam deste contexto especialmente os pacientes com perturbações emocionais e do comportamento. Este tipo de intervenção requer frequentemente a reabilitação psicossocial dos pacientes.

Comunitário[editar | editar código-fonte]

Estas intervenções atuam especialmente na reabilitação psicossocial, tendo como exemplo pacientes vítimas de dependências, presidiários e refugiados.

Também os grupos terapêuticos de desenvolvimento pessoal através da música realizam-se com frequência no contexto comunitário, incidindo sobre o bem-estar e a prevenção.

História[editar | editar código-fonte]

O uso da música como método terapêutico vem desde o início da história humana. Os Papiros de Lahun contêm o primeiro registo escrito sobre a utilização terapêutica da música até hoje encontrado.[9] Musicoterapia era usada nos templos egípcios. A musicoterapia foi praticada nos tempos bíblicos quando Davi tocou harpa para livrar o rei Saul de um mau espírito.[10][11] Outros registros a esse respeito podem ser encontrados na obra de filósofos gregos pré-socráticos. Apolo era o deus grego da música e da medicina. Acreditava-se que Esculápio curava doenças da mente através de música e canções. Platão dizia que a música afetava as emoções e poderia influenciar o caráter de um indivíduo. Aristóteles ensinava que a música afetava a alma, e descrevia a música como uma força capaz de purificar as emoções. Por volta de 400 a.C., Hipócrates tocava música para doentes mentais. Aulo Cornélio Celso advogava o som de címbalos e água corrente para o tratamento de desordens mentais.

No século IX da Idade de Ouro Islâmica, a música tinha utilização terapêutica. O cientista, psiquiatra e musicólogo Al-Farabi faz referência ao efeito terapêutico da música no seu tratado Significados do Intelecto.[12] Nos hospitais árabes do século XIII, existiam salas de música para os pacientes.[13]

Os curandeiros dos povos nativos dos Estados Unidos empregavam cantos e danças para curar seus pacientes.[14] No século XVII, Robert Burton escreveu, no seu clássico trabalho "A anatomia da melancolia", que música e dança eram fundamentais no tratamento de doenças mentais, especialmente melancolia.[15][16][17]

O aumento da compreensão acerca do sistema nervoso levou a uma nova onda de musicoterapia no século XVIII. Trabalhos anteriores sobre o assunto, como o Musurgia universalis, de Athanasius Kircher, de 1650, o "Disputa sobre o efeito da música no homem", de Michael Ernst Ettmüller, de 1714, e o Veritophili, de Friedrich Erhardt Niedten, de 1717, ainda tendiam a discutir os efeitos médicos da música em termos de colocar o corpo e a alma em harmonia. Mas, a partir de meados do século XVIII, trabalhos como "Reflexões de música antiga e moderna", de Richard Brocklesby, de 1749, o "Memórias" da Academia Francesa de Ciências, de 1737, e o "Conexão da música com a medicina", de Ernst Anton Nicolai, de 1745, enfatizavam o poder da música sobre os nervos.[18]

Depois de 1800, os livros sobre musicoterapia passaram a se basear no sistema brunoniano de medicina, argumentando que a estimulação dos nervos pela música poderia ajudar a melhorar a saúde. Por exemplo, o livro "O doutor musical" (1807), de Peter Lichtenthal, era explicitamente brunoniano. Lichtenthal, um músico, compositor e médico com ligações com a família de Mozart, falava de "doses de música" que poderiam ser determinadas por alguém que conhecesse a "escala brunoniana".[19]

Sistematização da Musicoterapia[editar | editar código-fonte]

A sistematização dos métodos utilizados começou após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com pesquisas realizadas nos Estados Unidos. O primeiro curso universitário de musicoterapia foi criado em 1944 na Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos.

Por volta dos anos 1950 e 1960, aparecem os modelos pioneiros da musicoterapia. Como o Nordoff-Robbins, que surge da parceria entre Paul Nordoff e Clive Robbins, que, inicialmente, estabeleceram um programa com música em unidades de cuidado nos departamentos de crianças autistas e psiquiatria infantil no Reino Unido e posteriormente nos Estados Unidos. O seu sucesso com crianças autistas na Universidade da Pensilvânia resultou na investigação de 5 anos: Music Therapy Project for Psychotic Children Under Seven at the Day Care Unit, com publicação, estágios e tratamentos.[20]

Em 1985, a World Federation of Music Therapy (WFMT) foi formalmente estabelecida em Génova, na Itália. Foi fundada por Rolando Benenzon (Argentina), Giovannia Mutti (Itália), Jacques Jost (França) Barbara Hesser (Estados Unidos), Amelia Oldfield (Reino Unido), Ruth Bright (Austrália), Heinrich Otto Moll (Alemanha), Rafael Colon (Porto Rico), Clementina Nastari (Brasil), e Tadeusz Natanson (Polónia), para promover globalmente a profissão.[21]

Nas forças armadas[editar | editar código-fonte]

O Departamento de Guerra dos Estados Unidos emitiu o boletim técnico 187 em 1945, descrevendo o uso da música na recuperação dos militares hospitalizados.[22] O uso da musicoterapia no contexto militar começou a florescer após a Segunda Guerra Mundial, com pesquisas conduzidas tanto pelo Exército dos Estados Unidos quanto pelo Cirurgião Geral dos Estados Unidos. Tais pesquisas comprovaram o efeito positivo da música na recuperação dos militares feridos.

O primeiro curso de musicoterapia numa universidade se iniciou em 1919 na Universidade Columbia, por iniciativa de Margaret Anderton.[23] A especialização de Anderton foi ter trabalhado com soldados canadenses durante a Segunda Guerra Mundial, usando a música no processo de recuperação destes.

Duas das principais patologias apresentadas atualmente nas forças armadas são o transtorno de estresse pós-traumático e traumatismo cranioencefálico, e ambas costumam ser tratadas através de musicoterapia. As principais técnicas utilizadas sãoː grupo de percussão, audição, canto e composição de músicas. A composição de músicas é particularmente eficiente, pois cria um ambiente seguro onde o paciente pode trabalhar seus traumas e transformá-los em lembranças mais agradáveis.[24]

Processo[editar | editar código-fonte]

O processo da musicoterapia pode se desenvolver de acordo com vários métodos. Alguns são receptivos, quando o musicoterapeuta toca música para o paciente. Este tipo de sessão normalmente se limita a pacientes com grandes dificuldades motoras ou em apenas uma parte do tratamento, com objetivos específicos. Na maior parte dos casos, a musicoterapia é ativa, ou seja, o próprio paciente toca os instrumentos musicais, canta, dança ou realiza outras atividades junto com o terapeuta. A forma como o musicoterapeuta interage com os pacientes depende dos objetivos do trabalho e dos métodos que ele utiliza. Em alguns casos, as sessões são gravadas e o terapeuta realiza improvisações ou composições sobre os temas apresentados pelo paciente.

Alguns musicoterapeutas procuram interpretar musicalmente a música produzida durante a sessão. Outros preferem métodos que utilizem apenas a improvisação, sem a necessidade de interpretação. Os objetivos da produção durante uma sessão de musicoterapia são não musicais, por isso não é necessário que o paciente possua nenhum treinamento musical para que possa participar deste tratamento. O musicoterapeuta, por outro lado, devido às habilidades necessárias à condução do processo terapêutico, precisa ter proficiência em diversos instrumentos musicais. Os mais usados são a guitarra clássica (violão), o piano (ou outros instrumentos com teclado) e instrumentos de percussão.

Musicoterapeuta[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Musicoterapeuta

O profissional responsável por conduzir o processo musicoterápico é chamado musicoterapeuta. A formação desse profissional é feita em cursos de graduação em musicoterapia ou como especialização para profissionais da área de música ou saúde (músicos, professores de música, médicos ou psicólogos). Em alguns países, a musicoterapia também pode ser parte de uma formação em arteterapia, que envolve, além da música, técnicas de artes plásticas e dança.

A formação do musicoterapeuta inclui teoria musical, canto, percussão, prática em ao menos um instrumento harmônico (piano ou violão) e instrumentos melódicos (principalmente flauta doce).

Também faz parte, da formação do musicoterapeuta, o conhecimento de métodos de educação musical (como o Método Orff ou o Método Kodály), noções de expressão artística, expressão corporal, dança, técnicas grupais, assim como psicologia, filosofia, anatomia e fisiologia humana e neurologia.

O dia do musicoterapeuta é comemorado no Brasil em 15 de setembro. Na Europa, celebra-se, a 15 de Novembro, o Dia Europeu da Musicoterapia.[25]

Estilos musicais e Contextos culturais[editar | editar código-fonte]

A intervenção terapêutica pode vir associada a outras técnicas como relaxamento progressivo, treinamento autógeno, reiki, ioga ou acupuntura. Apesar de haver um subentendido consenso sobre os benefícios da música clássica ou a música psicodélica eletrônica de sons contínuos ou, no caso de acupuntura e ioga, música da Índia e música da China associadas à meditação, é correto saber que o efeito da música sobre o paciente depende de sua história de convívio com os diversos estilos musicais por um processo de condicionamento estético e/ou vivência porventura associadas.

Por outro lado, os musicoterapeutas, na sua formação, estudam os efeitos dos ritmos repetidos, a associação de ritmos ao transe e êxtase místico e/ou o seu efeito sobre as emoções humanas, conhecimento este relativamente bem conhecido por exemplo por produtores da música de filmes (música de suspense, ação, sensualidade etc.) e peças teatrais, incluindo a ópera.

África[editar | editar código-fonte]

O primeiro programa de musicoterapia africano abriu em 1999, em Pretória, na África do Sul. A investigação revelou que, na Tanzânia, os pacientes podem receber cuidados paliativos para doenças que ameaçam a vida logo após o diagnóstico. Isto contrasta com o que acontece em muitos países ocidentais, onde se reservam os cuidados paliativos para pacientes com doenças incuráveis.

A música também é vista de uma forma particular em África. Na maioria das culturas do mundo, a música é tradicionalmente vista como entretenimento, enquanto que, em muitas culturas africanas, a música é utilizada para recontar histórias, celebrar eventos da vida ou enviar mensagens.

Austrália[editar | editar código-fonte]

Um dos primeiros grupos conhecidos a curar através do som foram os aborígenes australianos. O didjeridu é seu instrumento de cura. Por pelo menos 40 000 anos, o didjeridu foi usado para ajudar a curar "ossos quebrados, rompimento de músculos e doenças de todo tipo".[26]

Canadá[editar | editar código-fonte]

Em 1956, Fran Herman, uma das primeiros musicoterapeutas do país, começou um programa de "música terapêutica" na Casa para Crianças Incuráveis (o atual Hospital de Reabilitação Infantil Holland Bloorview, em Toronto). O seu grupo "Os tocadores das cadeiras de rodas" continuou até 1964, e é considerado o primeiro projeto coletivo de musicoterapia do país.

O compositor e pianista Alfred Rosé, um professor da Universidade de Ontário Ocidental, foi um pioneiro da musicoterapia em Londres (Ontário) no Hospital de Westminster em 1952 e no Hospital Psiquiátrico de Londres em 1956.[27] Dois outros programas de musicoterapia foram iniciados na década de 1950ː um por Norma Sharpe no Hospital Psiquiátrico de São Tomé em St. Thomas (Ontário) e o outro por Thérèse Pageau no Hospital São João de Deus (o atual Hospital Louis-Hippolyte Lafontaine) em Montreal.

Uma conferência em agosto de 1974 organizada por Norma Sharpe e seis outros musicoterapeutas levou à criação da Associação Canadense de Musicoterapia.[28] Em 2009, a organização tinha mais de quinhentos membros. O primeiro programa de treinamento em musicoterapia no país foi fundado em 1976, no Capilano College (atual Universidade Capilano), em North Vancouver, por Nancy McMaster e Carolyn Kenny.

Noruega[editar | editar código-fonte]

O país é largamente reconhecido como importante na pesquisa em musicoterapia. Seus maiores centros de pesquisa são o Centro para Música e Saúde da Academia Norueguesa de Música em Oslo, e o Centro para Terapia Musical da Academia de Grieg,[29] na Universidade de Bergen. O primeiro foi desenvolvido principalmente pelo professor Even Ruud, e o segundo pelo professor Brynjulf Stige. O centro em Bergen tem uma equipe de dezoito pessoas, incluindo dois professores e quatro professores associados, assim como palestrantes e alunos de doutorado em filosofia.

Duas das maiores publicações científicas da área se localizam em Bergenː o Jornal Nórdico para Musicoterapia[30] e o "Vozesː um foro mundial para musicoterapia".[31] A maior contribuição da Noruega se situa no campo da "musicoterapia comunitária", que tende a ser orientada tanto para o serviço social quanto para a psicoterapia individual. A pesquisa no país estuda vários ambientes sociais, como centros comunitários, clínicas médicas, retiros de aposentados e prisões.

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

A musicoterapia existe nos Estados Unidos desde 1944, quando começou a primeira graduação de musicoterapia no mundo, na Universidade Estadual de Michigan, e a primeira pós-graduação em musicoterapia no mundo, na Universidade do Kansas. A Associação Estadunidense de Musicoterapia foi fundada em 1998 através da fusão da Associação Nacional de Musicoterapia (fundada em 1950) e da Associação Estadunidense de Musicoterapia (fundada em 1971). Várias outras organizações nacionais existem também, como o Instituto de Música e Função Neurológica, o Centro Nordoff-Robbins de Musicoterapia e a Associação de Música e Imagem. Os musicoterapeutas estadunidenses aplicam ideias de diferentes disciplinas, como linguagem, fisioterapia, medicina, enfermagem e educação.

Os musicoterapeutas estadunidenses podem obter um título de graduação, mestrado ou doutorado. Eles geralmente adicionam, às técnicas de musicoterapia, técnicas de psicoterapia ou reabilitação, dependendo das necessidades do paciente. O título de musicoterapeuta requer proficiência em violão, piano, voz, teoria musical, história da música e leitura musical.

Líbano[editar | editar código-fonte]

Em 2006, Hamda Farhat introduziu a musicoterapia no Líbano.

Reino Unido[editar | editar código-fonte]

A música ao vivo já foi usada nos hospitais britânicos após as duas guerras mundiais como parte do tratamento de recuperação dos soldados. A musicoterapia tal como ela é entendida hoje, no entanto, só foi introduzida no país das décadas de 1960 e 1970 pela violoncelista Juliette Alvin. Mary Priestley, uma estudante de Juliette, criou a musicoterapia analítica. A abordagem Nordoff-Robbins para a musicoterapia surgiu a partir do trabalho de Paul Nordoff e Clive Robbins nas décadas de 1950 e 1960. Existem programas de mestrado em musicoterapia em Manchester, Bristol, Cambridge, Sul de Gales, Edimburgo e Londres. A profissão é representada pela Associação Britânica de Musicoterapia.[32]

Em 2002, o Congresso Mundial de Musicoterapia, organizado pela Federação Mundial de Musicoterapia, foi realizado em Oxford com o tema "diálogo e debate". Em novembro de 2006, o doutor Michael J. Crawford e seus colegas comprovaram que a musicoterapia auxilia no tratamento de esquizofrênicos.[33]

Índia[editar | editar código-fonte]

As raízes da musicoterapia na Índia podem ser encontradas na mitologia hindu, nos textos védicos e em tradições locais. É bem possível que a musicoterapia tenha sido usada por centenas de anos na cultura indiana. Suvarna Nalapat estudou a musicoterapia no contexto indiano. Seus livros Nadalayasindhu-Ragachikilsamrutam (2008), Music Therapy in Management Education and Administration (2008) e Ragachikitsa (2008) são usados como livros-texto em cursos de musicoterapia e arte no país.[34][35][36][37][38]

Referências

  1. World Federation of Music Therapy
  2. Meadows, Anthony (2011). Developments in Music Therapy Practices: Case Study Perspectives. New Hampshire: Barcelona Publisher.
  3. Schelz, Ayelet; Litmanovitz, Ita; Bauer, Sophia; Dolfin, Tzipora; Regev, Rivka; Arnon, Shmuel (June 2011). "Combining Kangaroo Care and Live Harp Music Therapy in the Neonatal Intensive Care Unit Setting". Israel Medical Association Journal. 13 (6): 354–357.
  4. The music instinct. Disponível em https://www.pbs.org/wnet/musicinstinct/video/music-and-medicine/music-therapy-for-infants/76/. Acesso em 7 de outubro de 2017.
  5. Standley, JM (1998). "The effect of music and multimodal stimulation on responses of premature infants in neonatal intensive care". Paediatric Nursing. 6 (24): 532–538.
  6. Florida Hospital for Children. Disponível em https://www.floridahospital.com/children/experience/who-you-meet/music-therapists. Acesso em 7 de outubro de 2017.
  7. Krueger, Charlene; Horesh, Elan; Crosland, Brian Adam (March 2012). "Safe sound exposure in the fetus and preterm infant". Journal of Obstetric, Gynecologic & Neonatal Nursing. 41 (2): 166–170.
  8. Standley, JM; Moore, RS (1995). "Therapeutic effects of music and mothers voice on premature infants". Paediatric Nursing. 21 (6): 509–12.
  9. Tang, Hsin-Yi. «The Use of Music Intervention in Healthcare Research: A Narrative Review of the Literature». Journal of Nursing Research. doi:10.1097/JNR.0b013e3181efe1b1 
  10. 1 Samuel 16:23
  11. Howells, John G.; Osborn, M. Livia (1984). A reference companion to the history of abnormal psychology. Greenwood Press.
  12. Haque, Amber. «Psychology from Islamic Perspective: Contributions of Early Muslim Scholars and Challenges to Contemporary Muslim Psychologists» (PDF). Journal of Religion and Health. Consultado em 7 de janeiro de 2013 
  13. Antrim, Doron K. (2006). "Music Therapy". The Musical Quarterly. 30 (4): 409–420.
  14. Antrim, Doron K. (2006). "Music Therapy". The Musical Quarterly. 30 (4): 410.
  15. The Anatomy of Melancholy, Robert Burton, subsection 3, on and after line 3480, "Music a Remedy": "But to leave all declamatory speeches in praise [3481]of divine music, I will confine myself to my proper subject: besides that excellent power it hath to expel many other diseases, it is a sovereign remedy against [3482] despair and melancholy, and will drive away the devil himself. Canus, a Rhodian fiddler, in [3483] Philostratus, when Apollonius was inquisitive to know what he could do with his pipe, told him, 'That he would make a melancholy man merry, and him that was merry much merrier than before, a lover more enamoured, a religious man more devout.' Ismenias the Theban, [3484] Chiron the centaur, is said to have cured this and many other diseases by music alone: as now they do those, saith [3485] Bodine, that are troubled with St. Vitus's Bedlam dance."
  16. "Humanities are the Hormones: A Tarantella Comes to Newfoundland. What should we do about it?" by Dr. John Crellin, MUNMED, newsletter of the Faculty of Medicine, Memorial University of Newfoundland, 1996.
  17. Aung, Steven K. H.; Lee, Mathew H. M. (2004). "Music, Sounds, Medicine, and Meditation: An Integrative Approach to the Healing Arts". Alternative & Complementary Therapies. 10 (5): 266–270.
  18. Gouk, Penelope (2004). Erlmann, ed. Hearing Cultures: Essays on Sound, Listening and Modernity. Oxford: Oxford University Press. pp. 87–105.
  19. Lichtenthal, Peter (1807). Der musikalische Arzt. Vienna. p. 172.
  20. «Nordoff Robbins - NYU Steinhardt». steinhardt.nyu.edu (em inglês). Consultado em 19 de fevereiro de 2017 
  21. «About WFMT». World Federation of Music Therapy (em inglês) 
  22. "Technical Bulletin 187: Music in Reconditioning in American Service Forces Convalescent and General Hospitals". War Department Technical Bulletin (TB Med) 187 (1945): 1–11.
  23. Wheeler, E. J.; I. K. Funk; W.S. Woods; A.S. Draper; and W. J. Funk. "Columbia University to Heal Wounded by Music". Literary Digest (1919): 59-62.
  24. Amir, Dorit (2004). "Giving Trauma a Voice: The Role of Improvisational Music Therapy in Exposing, Dealing with and Healing a Traumatic Experience of Sexual Abuse". Music Therapy Perspectives. 22 (2): 96–103.
  25. Heerden, Cunera van (26 de agosto de 2014). «What». Music Therapy Day (em inglês) 
  26. Token Rock. Disponível em https://www.tokenrock.com/sound_healing/sounds_of_the_ancients/. Acesso em 10 de outubro de 2017.
  27. Historica Canada. Disponível em http://www.thecanadianencyclopedia.ca/en/article/alfred-rose-emc/. Acesso em 10 de outubro de 2017.
  28. Historica Canada. Disponível em http://www.thecanadianencyclopedia.ca/en/article/music-therapy-emc/. Acesso em 10 de outubro de 2017.
  29. Uniresearch. Disponível em http://uni.no/nb/uni-helse/gamut/. Acesso em 10 de outubro de 2017.
  30. Taylor and Francis Online. Disponível em http://www.tandfonline.com/toc/rnjm20/current. Acesso em 10 de outubro de 2017.
  31. Voices. Disponível em https://voices.no/index.php/voices. Acesso em 10 de outubro de 2017.
  32. British Association for Music Therapy. Disponível em http://www.bamt.org/. Acesso em 11 de outubro de 2017.
  33. The British Journal of Psychiatry. Disponível em http://bjp.rcpsych.org/content/189/5/405. Acesso em 11 de outubro de 2017.
  34. Dr. Suvarna Nalapat Trust. Disponível em http://www.drsuvarnanalapattrust.org/naadalayasindhu.php. Acesso em 13 de outubro de 2017.
  35. Scribd. Disponível em https://pt.scribd.com/doc/100084522/Grand-Unification-for-World-Peace-Music-THerapy-for-Integrating-Healthcare-PDF. Acesso em 13 de outubro de 2017.
  36. Dr. Suvarna Nalapat Trust. Disponível em http://www.drsuvarnanalapattrust.org/music_therapy.php. Acesso em 13 de outubro de 2017.
  37. Ragachikitsa (Music Therapy). Readworthy Publication. New Delhi. 2008. Dr Mythili Thirumalachary. In Indian Context.
  38. Music Therapy in Healthcare. The popular Publications Chennai Apollo 2007. Dr Mythili Thirumalach7ary

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Rolando Benenzon, Manual de musicoterapia, Paidós Ibérica, Barcelona, 1985.
  • Marcello Sorce Keller, "Some Ethnomusicological Considerations about Magic and the Therapeutic Uses of Music", International Journal of Music Education, 8/2(1986), 13- 16.
  • Léon Bence y Max Méreaux, Guía muy práctica de musicoterapia, Editorial Gedisa, Barcelona, 1988.
  • Leão, Eliseth R.; Silva, Maria J.P. Música e dor crônica músculoesquelética: o potencial evocativo de imagens mentais. Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.12 no.2 Ribeirão Preto Mar./Apr. 2004 disponível em pdf
  • Hilliard, Russell E. Music Therapy in Hospice and Palliative Care: a Review of the Empirical Data eCAM 2005;2(2)173–178 (em inglês)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]