Fokker 100

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Fokker 100
New Zealand PW-51.svg
Fokker 100 da Oceanair
Descrição
Tipo Avião comercial
Fabricante Países Baixos Fokker
Primeiro voo 30 de novembro de 1986
Capacidade de
passageiros
122 passageiros
Dimensões
Comprimento 35,53 metros
Envergadura 28,08 metros
Altura 8,50 metros
Propulsão
Motorização Rolls-Royce Tay Mk 650-15
Potência 15.100 lbf (67,2 kN)
Performance
Velocidade máxima 845 km/h
Altitude máxima 11.000 metros
Alcance (MTOW) 1.710 nm ou 3.170 km
Distâncias de decolagem
Pista min. decolagem MTOW: 1.621 metros
Notas
Especificações considerando-se maior capacidade da aeronave.[1]


O Fokker 100[2] (modelo F.28 MK 0100,[3] tipo ICAO F100)[2] é um avião comercial bimotor de grande porte, projetado e construído pela fabricante holandesa Fokker para atender pedidos de companhias aéreas que atuam no mercado de transporte aéreo doméstico e regional.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Com design baseado no antecessor Fokker F28, foi lançado em 1983 juntamente com o turboélice Fokker 50.[4] O primeiro voo ocorreu em 1986.[4] No Brasil, a Avianca rebatizou a aeronave com o designador MK-28. Foi a maior aeronave construída pela Fokker.

Em relação ao Fokker F28, as principais mudanças estão na fuselagem bem mais alongada, que acomoda cerca de 108 passageiros com razoável conforto, a aviônica sofisticada e a econômica motorização Rolls-Royce Tay 650, com reduzido nível de ruído, dentro do limite Stage III, e com cerca de 15.000 libras de potência individual para a decolagem.

A boa combinação de asas retas e motores turbofan potentes e econômicos resultou numa aeronave ideal para operar em aeroportos com pistas de médio tamanho, e deu o conforto e a velocidade de um avião a jato aos passageiros da aviação regional. Em função disso, o Fokker 100 é considerado um sucesso de vendas da companhia holandesa.

Design e Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

O desenho do Fokker 100 foi anunciado em 1983 como uma substituição atualizada de seu antigo e já defasado jato comercial F28 Fellowship. Apesar da maioria das partes entre as duas aeronaves serem diferentes, o Fokker 100 foi certificado pela FAA - Federal Aviation Administration como Fokker 28-0100. A distinção mais notável foi a fuselagem consideravelmente mais longa, que aumentou o número de assentos em 65%, indo de 65 nas séries originais do F28 para cerca de 108 em classe única, com assentos triplos e duplos.

A Fokker também introduziu uma asa redesenhada para o 100, que garantia um ganho em eficiência de até 32% nos voos de cruzeiro. A Fokker optou pelos econômicos e modernos motores turbofan Rolls-Royce Tay, enquanto a cabine foi aperfeiçoada com um pacote de instrumentos EFIS (navegação por instrumentos).

O Fokker 100 apresenta motores montados na fuselagem e cauda em "T", semelhante aos modelos da família DC-9, MD-80 e MD-90 da norte-americana McDonnell Douglas. Diferente de seu antecessor, não possui janelas acima do cockpit, conhecidas como "eyebrow windows".

Dois protótipos foram construídos - o primeiro, PH-MKH, voou sua primeira vez em 30 de novembro de 1986 e o segundo, PH-MKC, em 25 de fevereiro de 1987. O certificado de tipo foi alcançado em novembro de 1987. As primeiras entregas dos motorizados com o TAY620-15 se iniciaram para a Swissair em fevereiro de 1988. A American Airlines utilizou 75 aeronaves encomendadas, a TAM - Transportes Aéreos utilizou cerca de 50 aeronaves e a US Airways outras 40. Essas grandes empresas foram os principais clientes da Fokker na década de 1990, os principais operadores do Fokker 100, estes com motores TAY650-15.

No ano de 1991 foram produzidas 70 unidades, com mais de 230 pedidos. Uma versão ER (Extended Range), com tanques adicionais das asas foi introduzida em 1993, e outra versão de mudança rápida entre passageiros e cargueiro em 1994, denominado 100QC.

Um modelo derivado mais curto do Fokker 100, chamado pela empresa de Fokker F-70, foi apresentado em 1993 como um substituto do seu irmão mais velho, F28, com a remoção de 4,70 m (15.42 ft), dando-lhe uma capacidade máxima de 80 assentos.

Estudos para um provável Fokker 130, com 130 assentos e o Fokker 100QC (cargueiro) não alcançaram estágios mais avançados de desenvolvimento. Um Fokker 100EJ (Executive Jet) foi introduzido em 2003 como uma conversão de aeronaves Fokker 100 usadas.

Falência da Fokker[editar | editar código-fonte]

Apesar de o desenho ter sido um sucesso no mercado, a Fokker continuou perdendo dinheiro por má administração, o que fez sua controladora Daimler Benz Aerospace decidir por seu fechamento em 1996, encerrando a produção de aeronaves no final de 1997. Havia alguma discussão sobre a empresa ser comprada pela Bombardier, mas os planos não se concretizaram.

Baseado em Schiphol, nas proximidades de Amsterdã, o grupo holandês Rekkof Restart[nota 1] foi criado com o objetivo de reiniciar a produção dos Fokker 70 e 100, mas após não conseguir obter o financiamento necessário o grupo foi rebatizado para Next Generation Aircraft (ou, abreviadamente, NG Aircraft) e pretende lançar uma nova versão do Fokker 100, denominada F-120NG, em que "NG" é alusão a Next Generation ("próxima geração").[5]

Especificações[editar | editar código-fonte]

O Fokker 100 foi produzido em duas versões: Tay 620 e Tay 650:[nota 2]

Fokker 100
Tay 620
Fokker 100
Tay 650
Tripulação Técnica Dois
Capacidade de Assentos 122 (1 classe - máximo)
107 (1 classe - típico)
97 (2 classes)
Comprimento 35,53 m
Envergadura 28,08 m
Área de Asa 93.5 m²
Altura 8,50 m
Diâmetro da Fuselagem 3,30 m
Largura da Cabine 3,10 m
Altura da Cabine 2,01 m
Peso Básico Operacional 24 375 quilogramas (53 738 lb) 24 541 quilogramas (54 104 lb)
Peso Máximo de Decolagem 43 090 quilogramas (94 997 lb) 45 810 quilogramas (100 994 lb)
Carga Paga 11 242 quilogramas (24 784 lb) 11 993 quilogramas (26 440 lb)
Velocidade Máxima de Cruzeiro 845 km/h (525 mph, 456 nós), Mach 0.77
Alcance (MTOW) 1.323 nm (2.450 km) 1.710 nm (3.170 km)
Pista Necessária (MTOW) 1.520 m 1.621 m
Capacidade de Combustível 13.365 L
Teto Operacional 35.000 pés (11.000 m)
Motorização (2x) Rolls-Royce Tay Mk 620-15 Rolls-Royce Tay Mk 650-15
Potência 13.850 lbf (61,6 kN) 15.100 lbf (67,2 kN)

Operadores e ex-operadores[editar | editar código-fonte]

Em 2013, 157 aeronaves Fokker 100 continuavam em operação em diversas empresas mundo afora:[6]

Ex-operadores do Fokker 100:[carece de fontes?]

Utilização no Brasil[editar | editar código-fonte]

Fokker 100 da TAM.

A primeira companhia aérea a utilizar o Fokker 100 no Brasil foi a TAM Linhas Aéreas, que soube aproveitar bem a aeronave após a proibição de grandes aviões nos aeroportos centrais do Rio de Janeiro e São Paulo na década de 1980, o que fez do modelo o único jato da frota brasileira apto a operar no mais movimentado e lucrativo trecho do país: a ponte-aérea Rio-São Paulo.

Também era a única companhia regional a utilizar jatos em aeroportos pequenos, o que a diferenciava das demais, chegando a contar com 50 aeronaves em sua frota ativa.

Com a crise nas companhias tradicionais, a TAM logo se transformou na maior empresa brasileira de aviação e, após sua rápida internacionalização, viu-se obrigada a renovar e ampliar a frota, escolhendo para isso a família Airbus, o que fez com que paulatinamente aposentasse os aviões holandeses que a ajudaram a se tornar a gigante de hoje.

A partir de 2006, a Avianca Brasil (antiga Ocean Air) passou a utilizar unidades de segunda-mão adquiridas da estadunidense American Airlines. Os aviões foram rebatizados MK-28.[7]

Outra companhia que operou o tipo, dois modelos que acabaram na frota da TAM, foi a extinta TABA.

Acidentes[editar | editar código-fonte]

Há registros de 29 acidentes envolvendo o modelo Fokker 100 entre 1987 e 2014,[8] [9] [10] dentre os quais em 12 houve perda total (hull loss) da aeronave.[11] O acidente mais grave foi o do voo TAM 402, no qual a queda, em 31 de outubro de 1996, de um Fokker 100 da brasileira TAM resultou na perda de 99 vidas: todos os 96 ocupantes do avião mais 3 pessoas no solo.[8]

Em 28 de março de 2014, um Fokker 100 da brasileira Avianca declarou emergência e realizou um "pouso de nariz"[nota 3] no Aeroporto Internacional de Brasília, devido a uma falha no acionamento do trem de pouso dianteiro ("trem de nariz"). O voo 6393 seguia de Petrolina para Brasília com 44 passageiros e 5 tripulantes a bordo. Não houve feridos.[9] [10]

Notas

  1. Note que Rekkof é Fokker grafado ao contrário.
  2. Essas denominações são referências à motorização de cada versão.[1]
  3. Embora as notícias veiculadas pela mídia mencionem um "pouso de barriga", na realidade tratou-se de um "pouso de nariz", uma vez que o trem de pouso principal do avião funcionou e por isto a parte da fuselagem coloquialmente conhecida como "barriga" da aeronave não tocou o solo. Já a parte dianteira da fuselagem coloquialmente conhecida como "nariz" da aeronave tocou o solo, devido ao não-acionamento do trem de pouso dianteiro.

Referências

  1. a b The Fokker 100 (em inglês). Airliners.net. Página visitada em 30 de março de 2014.
  2. a b Doc 8643: Aircraft Type Designators (em inglês). International Civil Aviation Organization (ICAO). Página visitada em 30 de março de 2014.
  3. Federal Aviation Administration (FAA). Make / Model Inquiry (em inglês). FAA Aircraft Registry. Página visitada em 30 de março de 2014.
  4. a b History (em inglês). Fokker. Página visitada em 30 de março de 2014.
  5. Next Generation Aircraft (em inglês). Página visitada em 30 de março de 2014.
  6. Flightglobal Insight: World Airliner Census 2013 (PDF) (em inglês). Flight International p. 20 pp. 22. Flight Global (2013). Página visitada em 30 de março de 2014.
  7. Terra. Aeronaves - Fokker 28MK100 (HTML) (em português). Página visitada em 7 de Maio de 2010.
  8. a b Fokker 100: accident database (em inglês). Aviation Safety Network. Página visitada em 30 de março de 2014.
  9. a b G1 DF (28 de março de 2014). Avião faz pouso de emergência no aeroporto JK, em Brasília. G1. Página visitada em 30 de março de 2014.
  10. a b Gustavo Gantois (28 de março de 2014). Avião da Avianca faz pouso de emergência de barriga em Brasília. Cidades. Terra. Página visitada em 30 de março de 2014.
  11. Losses (em inglês). Aviation Safety Network. Página visitada em 30 de março de 2014.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Fokker (em inglês) Website oficial. Página visitada em 30 de março de 2014.
  • Fokker 100 (em inglês) Perfil e estatísticas de segurança da aeronave na Aviation Safety Network (ASN). Página visitada em 30 de março de 2014.
Commons
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