Panteão egípcio

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O panteão egípcio consistia das diversas divindades veneradas pelos antigos egípcios. Diversas das principais divindades eram descritas como criadores do universo; entre elas estão Atum, , Amon e Ptah, entre outros, bem como formas compostas destes deuses, tais como Amon-Rá. Isto não era visto pelos egípcios como algo contraditório. O desenvolvimento da religião egípcia durante o Império Novo fez com que alguns egiptólogos mais antigos, como o inglês E. A. Wallis Budge, especulassem que os egípcios seriam, na realidade, monoteístas. Outros, como o também inglês Sir Flinders Petrie, consideravam-nos politeístas. Para o egiptólogo letão Erik Hornung[1] o melhor termo para descrever à religião dos egípcios seria 'henoteísmo', termo que descreve 'o culto de um deus por vez, porém não de um deus único.'

O termo egípcio para "deusa" era neṯeret (nṯrt; também transliterado netjeret, nečeret) e o termo para deus era neṯer (nṯr; também netjer, nečer). O hieróglifo correspondente representa uma vara ou bastão envolto em tecido, com uma das pontas do tecido mostrada em seu topo. A utilização deste sinal estava associada aos mastros de bandeiras colocados nas torres situadas à entrada dos templos egípcios. Entre os hieróglifos alternativos usados para designar as divindades estavam uma estrela, uma figura humama agachada ou um falcão sobre um poleiro.[2]

Contexto e história[editar | editar código-fonte]

Cabeça de uma deusa egípcia. O gênero é indicado pela ausência de uma barba, e o penteado simples indica a natureza divina do retratado.
Artefatos pré-dinásticos: no sentido horário, do alto à esquerda, uma estatueta de Bat, uma jarra da Cultura de Naqada, uma estatueta de marfim, uma jarra de pórfiro, uma faca de pederneira, e uma paleta com cosméticos.

A religião egípcia teve uma longa história. Entre as imagens mais antigas descobertas estavam símbolos dedicados à deusa Neith, diversas estatuetas de fertilidade e versões das deusas em forma de abutre (Nekhbet) e naja (Wadjet) que eram retratadas nas coroas egípcias desde os períodos pré-dinástico e protodinástico até o período romano.

Os tipos variados de animais naturais do Norte da África tinham uma influência imensa em quase todo aspecto significativo do modo de vida do Egito Antigo. As pessoas dependiam fortemente, ou tinham uma precaução igualmente zelosa, de diferentes animais por diferentes motivos, de diferentes formas. A presença de certos animais (ou a ausência deles), somada a seu comportamento e sua abundância, poderia facilmente significar a diferença entre prosperidade e pobreza para uma pessoa em determinadas situações. Talvez ainda mais importante, no entanto, certos animais podiam fazer a diferença entre paz e guerra para toda a nação. No que diz respeito à religião, existia uma vasta quantidade de diferentes formas de simbolismo relacionadas a animais adotadas pelos antigos egípcios - os símbolos representados por diversos animais eram temas recorrentes em seu sistema religios. Existiam, por exemplo, diversas vacas divinas, como Hator e Nut, refletindo o fato do gado ter sido domesticado no Egito por volta de 8000 a.C. Em torno de 5500 a.C., câmaras subterrâneas com tetos de pedra e outros complexos subterrâneos em Nabta Playa foram construídos com o propósito manifesto de abrigar as tumbas de animais sacrificados ritualmente. Animais selvagens e domesticados inspiravam uma parte verdadeiramente enorme do simbolismo religioso egípcio, como por exemplo a feroz leoa, personificada por Sekhmet como a deusa guerra do sul.

Por volta de 4000 a.C., a construção de sepulturas do período gerzeano incluía salões subterrâneos e o sepultamento de itens de mobília e amuletos, um prelúdio ao culto funerário de Osíris que surge na V Dinastia.

O faraó era deificado após a morte, e portava o título de nṯr nfr, "o bom deus". O título "servo de deus" era utilizado para o sacerdócio: ḥmt-nṯr, "sacerdotisas", e ḥm-nṯr, "sacerdotes". Ao longo do grande período de tempo coberto pela cultura do Antigo Egito, a importância de certas divindades aumentava e diminuía, muitas vezes devido à devoção religiosa de determinado monarca. O culto de alguns divindades, no entanto, foi relativamente contínuo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Conceptions of god in Ancient Egypt: The One and the Many, Hornung
  2. The Complete Gods and Goddesses of Ancient Egypt, Wilkinson, pg. 26/7 ISBN 0-500-05120-8

Ligações externas[editar | editar código-fonte]