Delém

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Delém
Nascimento 15 de abril de 1935
São Paulo
Morte 28 de março de 2007 (71 anos)
Buenos Aires
Cidadania Brasil
Ocupação futebolista

Vladem Lázaro Ruiz Quevedo, mais conhecido como Delém (São Paulo, 15 de abril de 1935 - Buenos Aires, 28 de março de 2007) foi um futebolista e técnico de futebol brasileiro radicado na Argentina.

Delém é um dos grandes nomes da história do River Plate, como jogador e, principalmente, como descobridor de talentos, em seu trabalho nas categorias inferiores do time.[1]

Como jogador[editar | editar código-fonte]

Embora nascido em São Paulo, jamais atuou no futebol paulista. A carreira começou no Rio Grande do Sul, no Grêmio. Delém ingressou entre os profissionais do Tricolor em 1956, vindo das categorias de base. Dois anos depois, estava no Vasco da Gama, conquistando em 1958 o Campeonato Carioca e o Torneio Rio-São Paulo.

Com o Vasco, chegou à Seleção Brasileira, realizando sete partidas e marcando cinco vezes no ano de 1960. No ano seguinte, foi jogar na Argentina, contratado pelo River Plate. Chegou juntamente com os compatriotas Moacir, Roberto Frojuello e Décio de Castro; os brasileiros estavam bastante valorizados no país vizinho em função do título na Copa do Mundo de 1958 (em que Moacir esteve presente, por sinal).[2]

Os millonarios viviam havia três anos em um incômodo jejum de títulos, que Delém teve a oportunidade de encerrar em 1962: os arquirrivais River e Boca Juniors se enfrentariam na última rodada na Bombonera, com ambos empatados na liderança do campeonato argentino, dando ares de decisão àquele Superclásico.[1] O brasileiro Paulo Valentim abriu o placar para o Boca, de pênalti, no primeiro tempo. A dez minutos do fim da partida, outro pênalti foi marcado, desta vez para os riverplatenses. Delém cobrou e o goleiro adversário Antonio Roma defendeu, mas adiantando-se visivelmente, o que gerou desesperados protestos dos jogadores do River.[1] O árbtitro, todavia, não invalidou o lance, declarando que se o brasileiro tivesse chutado bem, teria convertido (posteriormente, demonstraria arrependimento).[1]

Delém continuou a jogar no River até 1967; ficou reconhecido no país por seu futebol elegante, técnico e cerebral,[3][4] não deixando de figurar como grande ídolo do River.[1] No entanto, além do famoso pênalti - ele declararia que sempre haveria alguém que lembrasse daquele momento, não importasse o que ele fizesse pelo clube [1] -, sua passagem seria atrapalhada também pela falta de troféus, que não se resolvia, o que incluiu a perda da Taça Libertadores da América de 1966 (a equipe foi derrotada por 2 x 4 após estar vencendo por 2 x 0 na finalíssima contra o Peñarol).

A polêmica defesa de Antonio Roma no pênalti batido por Delém, em duas fotos. A do canto superior esquerdo da imagem mostra o goleiro boquense bem adiantado no momento da defesa.

Já com 32 anos, foi jogar no futebol chileno, ficando uma temporada no Colo Colo e outra no Universidad Católica. Em 1969, regressou ao Brasil, como jogador do America do Rio. E no clube do Rio de Janeiro aposentou-se, no ano seguinte.

Em comissões técnicas[editar | editar código-fonte]

Logo voltou à Argentina e ao River, como auxiliar técnico do compatriota Didi, chamado a Núñez para quebrar o jejum, que ainda se arrastava.[5] Didi e Delém buscaram valorizar, além do futebol bonito, as categorias de base do clube, lançando desde então futuros ídolos como Reinaldo Merlo, Carlos Morete, Juan José López e Norberto Alonso. Mesmo assim, os troféus não vieram e Didi acabou saindo em 1972.[5]

Delém chegou a treinar o River em 1973, mas o tabu só cairia finalmente em 1975, ano em que ele treinava o Huracán. Na década de 1970, ele treinou ainda na Argentina o Vélez Sarsfield, o San Lorenzo e o Argentinos Juniors, onde foi técnico do jovem Diego Maradona.[4] No período, chegou a voltar a trabalhar como auxiliar de Didi, quando este treinou o Al-Ahli, da Arábia Saudita.

A última experiência de Delém como treinador efetivo foi no Gimnasia y Esgrima Jujuy, em 1981. Em 1990, retornou outra vez ao River Plate, na função de diretor das categorias de base millonarias.[6] Seu trabalho renderia grandes dividendos para o River, que naquela década de 1990 revelaria (e lucraria com as respectivas vendas, além de títulos) Ariel Ortega, Hernán Crespo, Marcelo Gallardo, Pablo Aimar, Matías Almeyda, Santiago Solari e Javier Saviola, dentre outros.[7]

Porém, Delém e toda a comissão técnica que ele liderava foi demitida em 2001, pelo novo presidente do River na época, José María Aguillar, por motivos políticos: Delém era próximo do ex-presidente Alfredo Davicce.[3] Sua saída é apontada como um dos motivos para as categorias inferiores do clube terem se desvalorizado a longo prazo: de fato, as vendas de Andrés D'Alessandro, Gastón Fernández, Fernando Cavenaghi, Maxi López, Javier Mascherano, Martín Demichelis, Gonzalo Higuaín e Juan Pablo Carrizo, todos eles também trabalhados por Delém,[4] embora altas, foram menores que as cifras que o clube recebeu na década anterior.[7]

Delém continuou a trabalhar com promessas, chegando a participar de um programa televisivo voltado para esta finalidade e também como diretor dos juvenis do Ferro Carril Oeste. Faleceu de ataque cardíaco, em 2007.[3]

Referências