Erich von Manstein

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Erich von Manstein
Bundesarchiv Bild 183-H01757, Erich von Manstein.jpg
Nascimento 24 de novembro de 1887
Berlim
Morte 10 de junho de 1973 (85 anos)
Irschenhausen
País  Alemanha
Hierarquia Marechal-de-Campo
Comandos Comandante do 56º Corpo Panzer
Frente russa:
Comandante do Grupo Sul
Comandante do Grupo Don
Batalhas/Guerras Primeira Guerra Mundial
Segunda Guerra Mundial

Erich von Manstein[nota 1] (Berlim, 24 de Novembro de 1887 – Irschenhausen, 9 de Junho de 1973) foi um dos comandantes mais destacados da Wehrmacht, a força armada da Alemanha Nazi durante a Segunda Guerra Mundial. Von Manstein ascendeu ao posto de Generalfeldmarschall (marechal-de-campo), e era visto como um dos melhores estrategistas militares, e um dos melhores comandantes no terreno, da Alemanha.

Nascido numa família aristocrata da Prússia, com uma vasta tradição militar, Manstein entrou na vida militar ainda jovem, e prestou serviço em várias frentes na Primeira Guerra Mundial. No final da guerra, estava no posto de capitão e, no período entre guerras, participou na reconstrução das forças armadas alemãs. Durante a invasão da Polónia, o início da Segunda Guerra, era o chefe do Estado-maior do Grupo do Exército do Sul de Gerd von Rundstedt. Foi um dos planeadores da Fall Gelb, uma ofensiva através das Ardenas durante a invasão da França em 1940. No posto de general, no final da campanha, participou na invasão da União Soviética e no Cerco de Sebastopol, sendo promovido a marechal-de-campo em Agosto de 1942. O sentido auspicioso da guerra para a Alemanha começou a mudar depois da desastrosa Batalha de Estalingrado, onde Manstein comandou uma operação de substituição fracassada. Foi um dos principais comandantes na Batalha de Kursk, uma das últimas grandes batalhas da guerra, e uma das maiores batalhas da história. A sua discórdia face a Adolf Hitler em relação ao rumo da guerra, valeu-lhe a sua dispensa em Março de 1944. Nunca mais lhe foi atribuído um novo comando, e foi detido pelos britânicos em Agosto de 1945, vários meses após a derrota alemã.

Manstein testemunhou nos Julgamentos de Nuremberg em Agosto de 1946, e preparou um documento que, juntamente com as suas memórias, ajudou na contribuição para o mito de uma "Wehrmacht limpa"—o mito de que as forças armadas alemãs não foram culpadas pelas atrocidades do Holocausto. Em 1949, foi julgado em Hamburgo por crimes de guerra, e condenado a nove de 17 acusações, incluindo maus-tratos a prisioneiros de guerra e a não ter garantido a protecção de vidas civis na sua área de operações. A sua condenação a 18 anos de prisão foi, mais tarde, reduzida para 12, e, na prática, passou apenas quatro anos detido, sendo libertado em 1953. Como conselheiro militar do governo da Alemanha Ocidental em meados da década de 1950, ajudou ao restabelecimento das forças armadas. As suas memórias,Verlorene Siege (1955), traduzidas para inglês como Lost Victories (Vitórias Perdidas), foram muito críticas ao estilo de liderança de Hitler, e focavam-se, estritamente, nos aspectos militares da guerra, ignorando o contexto ético e político. Manstein morreu em Munique em 1973.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Manstein, nascido Fritz Erich Georg Eduard von Lewinski em Berlim, foi o décimo filho de um aristocrata prussiano e general de artilharia, Eduard von Lewinski (1829–1906), e de Helene von Sperling (1847–1910). A família do seu pai tinha antepassados cassubianos e tinh aautorização para usar o brasão de Brochwicz (Brochwicz III).[1] Hedwig von Sperling (1852–1925), irmã mais nova de Helene, era casada com o tenente-general Georg von Manstein (1844–1913); como o casal não podia ter filhos, adoptaram Erich. Já anteriormente, tinham adoptado a prima de Erich, Martha, filha do falecido irmãot Helene e Hedwig.[2]

Tanto o pai adoptivo de Erich, como o biológico, eram generais prussianos, tal como o irmão da mãe e ambos os avôs (um deles, Albrecht Gustav von Manstein, foi comandante de um corpo na Guerra Franco-Prussiana de 1870–71). Dezasseis familiares, de cada um dos lados da família, eram oficiais militares, dos quais vários chegaram ao posto de general. Paul von Hindenburg, o futuro Generalfeldmarschall e Presidente da Alemanha, era seu tio; a esposa de Hindenburg, Gertrud, era irmã de Hedwig and Helene.[3]

Manstein frequentou o Liceu Imperial, uma escola católica em Estrasburgo, entre 1894 e 1899.[4] Em Março de 1906, após seis anos como cadete de um corpo em Plön ed Groß-Lichterfelde, foi prestar serviço no 3.º Regimento de Guardas a Pé (Garde zu Fuß) como porta-estandarte. Foi promovido a tenente em Janeiro de 1907, e em Outubro de 1913 começou um programa de formação de três anos para oficial na Academia de Guerra Prussiana. No entanto, Manstein apenas completaria o primeiro do programa pois, quando a Primeira Guerra Mundial teve início em Agosto de 1914, todos os estudantes da Academia recebam ordens para se apresentarem ao serviço.[5] Erich von Manstein nunca chegaria a completar a sua formação para oficial superior.[6]

Início da carreira militar[editar | editar código-fonte]

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Durante a Primeira Guerra Mundial, Manstein prestou serviço tanto na Frente Ocidental como na Oriental alemãs. No início da guerra, foi promovido a tenente e participou na invasão da Bélgica integrado no 2.º Regimento de Infantaria de Reserva. Em Agosto de 1914, fez parte da captura de Namur, cidade caracterizado pela existência de um grande sistema de defesa com vários fortes. Em Setembro, a unidade de Manstein foi uma das duas transferidas parta a Prússia Oriental e integrada no 8.º Exército, comandado por Hindenburg. Depois de participar na Primeira Batalha dos Lagos Masurianos, a sua unidade juntou-se ao 9.º Exército, que se encontrava a avançar desde a Alta Silésia para Varsóvia. Debaixo de muita pressão, o 9.º Exército foi forçado a retirar face a um contra-ataque russo, e em 16 de Novembro Manstein foi ferido na retirada quando se encontrava num destacamento que tinha atacado uma trincheira russa. Manstein foi alvejado no ombro e no joelho esquerdos; uma das balas atingiu-lhe o nervo ciático, enfraquecendo-lhe a perna. A recuperação demorou seis meses nos hospitais de Beuthen e Wiesbaden.[7][8][9]

Após um período de licença, em 17 de Junho de 1915 Manstein foi escolhido para assistente-geral de operações do 10.º Exército, comandado por Max von Gallwitz. Promovido a capitão, aprendeu a planear e dirigir operações ofensivas à medida que o 10.º Exército atacava com sucesso a Polónia, a Lituânia, o Montenegro e a Albânia. Durante operações ofensivas em Verdun no início de 1916, Manstein foi destacado com Gallwitz, e o seu pessoal, para um novo quartel-general perto do teatro de operações. Depois, é nomeado para oficial de abastecimentos sob o comando do general Fritz von Below e do chefe de pessoal Fritz von Lossberg, num posto de comando perto do rio Somme; a zona foi o cenário de várias batalhas no decurso da guerra. Operações britânicas e francesas entre Julho e Novembro de 1916 forçaram a retirada alemã no Inverno para a Linha Hindenburg, uma série de posições defensivas entre Verdun e Lens. Manstein continuou sob o comando de Below até Outubro de 1917, quando foi transferido como chefe de pessoal para a 4.ª Divisão de Cavalaria, para prestar serviço em Riga durante a ocupação alemã daquela área. Como resultado da assinatura do Tratado de Brest-Litovsk em Março de 1918, a unidade de Manstein deixou de ser necessária na Frente Oriental, e recebeu instruções para se juntar à 213.ª Divisão de Infantaria perto de Reims. Nesta zona, o Exército Imperial Alemão obteve algumas pequenas vitórias, mas já se encontrava a perder a guerra. O armistício foi assinado em 11 de Novembro de 1918.[10]

Período entre-guerras[editar | editar código-fonte]

Manstein casou-se com Jutta Sibylle von Loesch, a filha de um proprietário de terras da Silésia, em 1920. Apenas três dias depois de se conhecerem, Manstein pediu-a em casamento.[11] Jutta faleceu em 1966. Tiveram três filhos: uma rapariga, Gisela (nascida em 1921), e dois rapazes, Gero (nascido em 1922) e Rüdiger (nascido em 1929).[12] Gero viria a morrer em combate durante a Segunda Guerra Mundial, no sector norte da Frente Oriental em 29 de Outubro de 1942; era tenente da Wehrmacht.[13] Gisela casou-se com o major Edel-Heinrich Zachariae-Lingenthal, um oficial altamente condecorado, que comandou o Regimento 15 da II Panzer durante a Segunda Guerra.[14]

Depois da guerra, Manstein permaneceu nas forças armadas. Em 1918, candidatou-se a uma posição na Força de Defesa de Fronteiras em Breslau (actual Wroclaw) ficando ali até 1919.[15] Integrado no Gruppenkommando II, participou na reestruturação do Exército Imperial Alemão - 500 000 homens -, para formar as Reichswehr, o exército da República de Weimar (reduzido para 100 000 pelo Tratado de Versalhes).[16] Reconhecido desde jovem como um comandante capaz e inteligente, Manstein foi escolhido como um dos apenas 4000 oficiais escolhidos pelo Tratado. Em 1921, foi nomeado comandante da 6.ª Companhia do 5.º Regimento de Infantaria Prussiana e, em seguida, prestou serviço como oficial dos Wehrkreiskommando II e IV, leccionando história militar e tácticas até 1927. Neste mesmo ano, foi promovido a major servindo no Estado-Maior General no Ministério do Reichswehr em Berlim, visitando outros países para se inteirar dos seus meios militares e ajudar na elaboração de planos de mobilização do exército.[17] Promovido a tenente-coronel, recebeu o comando do batalhão de infantaria ligeira do 4.º Regimento de Infantaria, ficando nessa unidade até 1934.[18] Em 1933, o Partido Nazi chegou ao poder na Alemanha, terminando, assim, o período de Weimar. Violando o Tradado de Versalhhes, a Reichswehr tinha estado a rearmar-se secretamente desde a década de 1920; o novo governo renunciou, formalmente, ao Tratado e lançou-se no rearmamento em larga escala e na expansão das suas forças armadas.[19][20]

Manstein foi mobilizado para Berlim, no posto coronel, em Fevereiro de 134, para ser o chefe do estado-maior do Wehrkreiskommando III.[21] Em 1 de Julho de 1935, foi nomeado Chefe de Operações do Estado-Maior do Exército (Generalstab des Heeres), parte do Alto Comando do Exército (Oberkommando des Heeres – OKH).[22] Enquanto ali esteve, Manstein foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do Fall Rot ("Caso Vermelho"), um plano defensivo para proteger a Alemanha de um ataque francês.[23] Durante este período, Manstein conheceu Heinz Guderian e Oswald Lutz, que defendiam mudanças drásticas no sistema militar, dando ênfase ao papel do Panzer. No entanto, alguns oficiais como Ludwig Beck, Chefe do Estado-Maior do Exército, estavam contra aquelas mudanças drásticas e, para tentar resolver a situação, Manstein propôs uma alternativa: o desenvolvimento de Sturmgeschütze (StuG), veículos blindados que forneceriam aopoio à infantaria.[24] Na Segunda Guerra Mundial, provaram ser as armas alemãs mais bem sucedidas e eficientes.[25]

Em Outubro de 1936, Manstein foi promovido a major-general, tornando-se o Chefe de Estado-Maior Delegado (Oberquartiermeister I) do general.[26] A 4 de Fevereiro de 1938, Manstein foi transferido para o comando da 18.ª Divisão de Infantaria em Liegnitz, na Silésia, no posto de Generalleutnant.[27] Esta transferência significava que Manstein não iria receber o cargo de Beck como Chefe do Estado-Maior do Exército em Agosto (Beck tinha pedido a demissão, apesar de Manstein ter insistido que não o fizesse, pois achava que a intenção de Hitler de invadir a Checoslováquia em Outubro seria prematura). A posição foi atribuída ao general Franz Halder, que tinha ficado com a anterior função de Manstein de Chefe de Estado-Maior Delegado. A situação criou um ódio entre os dois homens, que duraria para sempre.[28] Em 20 de Abril de 1939, Manstein discursou na celebração do 50.º aniversário de Hitler, no qual exalta Hitler como um líder enviado por Deus para salvar a Alemanha. Ele avisou que "o mundo hostil" de que se ele continuasse a erguer "muralhas à volta da Alemanha para bloquear o caminho do povo alemão em direcção ao seu futuro", então ele ficaria muito contente por ver o mundo mergulhar noutra guerra mundial.[29][30] O historiador israelita Omer Bartov faz notar que a ascensão de oficiais como Manstein fazia parte de uma tendência crescente do surgimento de oficiais tecnocratas, habitualmente defensores do Nacional-Socialismo; a sua opinião era a de que a Wehrmacht estava completamente integrada no Terceiro Reich, e não representava uma organização não-política independente do regime nazi.[31]

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Polónia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Invasão da Polónia

Em 18 de Agosto de 1939, no seguimento da preparação do "Caso Branco" —a invasão da Polónia pela Alemanha, —Manstein foi nomeado para Chefe do Estado-Maior do Grupo de Exércitos Sul de Gerd von Rundstedt. Aqui, trabalhou em conjunto com o Chefe de Operações de Rundstedt, o coronel Günther Blumentritt, para elaborar o plano operacional. Rundstedt aceitou o plano de Manstein que definia a concentração da maior parte das unidades blindadas do grupo de exércitos no 10.º Exército de Walter von Reichenau, com o objectivo de rapidamente cercar as forças polacas a oeste do rio Vístula. Segundo o plano de Manstein, o Grupo de Exército Sul, o 14.º Exército de Wilhelm List e o 8.º Exército de Johannes Blaskowitz, dariam apoio aos flancos da força blindada de Reichenau em direcção a Varsóvia, a capital polaca. Em privado, Manstein via com outros olhos a campanha da Polónia, achando que seria preferível manter a Polónia como uma barreira entre a Alemanha e a União Soviética. Também mostrava a sua preocupação acerca de um ataque dos Aliados a partir de oeste quando a invasão da Polónia estivesse em curso, o que levaria a Alemanha a ter de combater em duas frentes.[32]

Manstein participou numa conferência em 22 de Agosto de 1939 onde Hitler chamou a atenção dos seus comandantes para a necessidade da destruição física da Polónia como nação. Depois da guerra, Manstein registaria nas suas memórias que, na altura da conferência, não sabia que Hitler iria tinha em mente uma política de exterminação contra o povo polaco.[33] Só saberia dessa intenção mais tarde, quando ele e outros generais da Wehrmacht receberam relatórios[34][35] sobre as actividades do Einsatzgruppen e dos esquadrões das Schutzstaffel (SS), que tinham a missão de acompanhar o exército para a Polónia, para matar os intelectuais e outros civis polacos.[36] Aqueles esquadrões também, tinham a missão de concentrar os judeus, e outros, em guetos e em campos de concentração nazis.Após a guerra, Manstein foi acusado de três crimes de guerra relacionados com as mortes de judeus e outros civis nos sectores sob o seu controlo, e dos maus tratos e mortes de prisioneiros de guerra.[37]

Iniciada em 1 de Setembro de 1939, a invasão começou da melhor forma para os alemães. Na área sob a responsabilidade de Rundstedt e do seu Grupo de Exércitos Sul, os 8.º, 10.º e 14.º exércitos perseguiram os polacos em retirada. O plano inicial consistia no avanço do 8.º Exército, a unidade mais a norte, em direcção a Łódź. O 10.º Exército, com as suas divisões motorizadas, devia seguir rapidamente para o Vístula, e o 14º Exército tinha por missão seguir e cercar as tropas polacas na região de Cracóvia. Estas acções levaram ao cerco e derrota das forças polacas na zona de Radom entre 8 e 14 de Setembro por seis corpos alemães. Entretanto, o 8.º Exército alemão encontrava-se sob ataque a partir do norte, e, para o apoiar, elementos do 4.º, 8.º e 10º. Exércitos foram rapidamente mobilizados, com apoio aéreo, numa tentava de travar a fuga dos polacos em direcção a Varsóvia. A flexibilidade e agilidade das forças alemãs resultaram na derrota de nove divisões de infantaria polacas, e outras unidades, durante a Batalha de Bzura (8–19 de Setembro), o maior frente-a-frente da guerra até àquela altura.[38] A conquista da Polónia terminou depressa, com as últimas unidades militares polacas a renderem-se a 6 de Outrubro.[39]

França[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha de França
Evolução dos planos alemães do Fall Gelb ("Caso Amarelo"), a invasão dos Países Baixos.

O Fall Gelb ("Caso Amarelo"), o plano inicial para a invasão da França, foi preparado pelo comandante-em chefe do Exército, o coronel-general (Generaloberst) Walther von Brauchitsch, Halder e outros membros do OKH no início de Outubro de 1939.[40] De forma similar ao Plano Schlieffen da Primeira GUerra Mundial, o objectivo era atacar e controlar os Países Baixos e a Bélgica.[41] Hitler não estava satisfeito, levando a que o plano fosse revisto por diversas vezes ao longo mês de Outubro. Manstein também não via o plano com bons olhos, pois este centrava-se muito na ala norte; ele achava que um ataque a partir deste lado não tinha o elemento surpresa e colocaria as forças alemãs frente-a-frente com os contra-ataques desde o sul. O terreno belga não era o ideal para servir de base a operações para os ataques a França, reforçando ao ideia de Manstein de que o plano não seria bem sucedido—tal como tinha acontecido na Primeira Guerra Mundial—resultando num sucesso parcial e em guerras de trincheiras. No final de Outubro, Manstein tinha preparado o rascunho de um novo planos e enviou-o ao OKH através do seu superior, Rundstedt, de quem era agora Chefe-de-Estado Maior do Grupo de Exércitos A.[42][43]

O plano de Manstein, desenvolvido com a cooperação informal de Heinz Guderian, propunha que as divisões Panzer atacassem através das florestas das Ardenas, onde ninguém as esperava; estabelecia que se construíssem pontes ao longo do rio Meuse; e definia um rápido avanço para o Canal da Mancha. Desta forma, a Wehrmacht bloquearia os exércitos franceses e os Aliados na Bélgica e na Flanders. Esta parte do plano ficaria conhecida como Sichelschnitt ("corte de foice"). A proposta de Manstein também incluía uma segunda operação que cercasse a Linha Maginot, o que permitiria à Wehrmacht forçar qualquer futura linha defensiva mais para sul.[43][44]

De início, o OKH rejeitou a proposta; Halder, em particular, afirmou que o plano não tinha qualquer mérito. Contudo, em 11 de Novembro, Hitler ordenou a recolocação das forças necessárias para efectuara um ataque surpresa em Sedan, indo de encontro ao plano que Manstein tinha sugerido.[45] Quando os documentos com os detalhes do Fall Gelb caíram nas mãos dos belgas em 10 de Janeiro de 1940, Hitler ficou ainda mais receptivo à mudança. Mas os superiores de Manstein, os generais Halder e Brauchitsch, ficaram incomodados com a insistência de Manstein de o seu plano ser o escolhido e não o deles. Halder retirou Manstein do quartel-general Rundstedt e mudou-o para Stettin para comandar o XXXVIII Corpo de Exército em 27 de Janeiro.[46] Hitler, ainda à procura de um plano mais agressivo, aprovou uma versão modificada das ideias de Manstein, conhecidas, actualmente, como Plano Manstein, depois de se reunir com ele em 17 de Fevereiro.[47] Manstein e o seu corpo desempenharam um pequeno papel durante as operações em França, ao serviço do 4.º Exército comandado por Günther von Kluge. O seu corpo ajudou a alcançar o primeiro avanço a leste de Amiens durante o Fall Rot ("Caso Vermelho" – a segunda fase do plano de invasão), e foi o primeiro a a chegar e a atravessar o rio Sena. A invasão da França foi um sucesso militar excepcional; Manstein foi promovido a general e condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro.[43][48]

Grã-Bretanha[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Operação Leão Marinho

Manstein foi um dos proponentes da invasão alemã da Grã-Bretanha, designada por Operação Leão Marinho. Ele considearav a operação arriscada mas necessária. Alguns estudos anteriormente efectuados por vários oficiais, determinaram que a superioridade era um pré-requisito para a invasão. O seu corpo deveria seguir por via marítima, através do Canal da Mancha, desde Boulogne até Bexhill, juntamente com mais três unidades, para efectuara a primeira fase da operação. Mas como a Luftwaffe não conseguiu impor-se à Royal Air Force durante a Batalha de Inglaterra, a Operation Seelöwe foi adiada indefinidamente a partir de 12 de Outubro. Até ao final do ano, Manstein, com pouco trabalho entre mãos, passou algum tempo em Paris e em casa.[49][50]

União Soviética[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Operação Barbarossa
Manstein com o general de Panzers Erich Brandenberger, um dos seus comandantes de divisão, em Junho de 1941

No início de 1941, o Alto-Comando alemão começou a planear a invasão da União Soviética, plano este designado por Operação Barbarossa. A 15 de Março, Manstein foi nomeado comandante do LVI Corpo Panzer; ele era um dos 250 comandantes que foram informados para a grande ofensiva que se aproximava, tendo contacto pela primeira com o plano em Maio. O seu corpo fazia parte do 4.º Grupo Panzer, comandado pelo general Erich Hoepner, e integrado no Grupo de Exércitos Norte de Wilhelm Ritter von Leeb.[51] O Grupo de Exércitos tinha por missão abrir caminho pela região dos Estados Bálticos e avançar até Leningrado. Manstein chegou à frente apenas seis dias antes do início da ofensiva. A Operação Barbarossa começou em 22 de Junho de 1941 com um ataque maciço ao longo de toda a linha da frente. A unidade de Manstein era responsável por avançar juntamente com o XLI Corpo Panzer, de Georg-Hans Reinhardt, até ao rio Duína para tomar e controlar as pontes perto da cidade de Daugavpils.[52] As forças soviéticas realizaram uma série contra-ataques, mas todos contra as unidades de Reinhardt dando origem Batalha de Raseiniai. O corpo de Manstein avançou rapidamente, chegando ao rio Dvina, a 315 quilômetros (200 mi) de distância, em apenas 100 horas. Abrangendo uma área significativa e bem à frente do restante grupo de exércitos, conseguiu bloquear vários contra-ataques soviéticos.[53] Depois da unidade de Reinhardt ter chegado junto da de Manstein, os dois corpos receberam instruções para cercar as formações soviéticas em redor de Luga num movimento de pinça.

Progresso do Grupo de Exércitos Norte, Junho a Dezembro 1941

De novo a penetrar nas linhas soviéticas com os flancos desprotegidos, o seu corpo tornou-se alvo da contra-ofensiva soviética a 15 de Julho em Soltsy pelo 11.º Exército, comandado por Nikolai Vatutin. A 8.ª Divisão Panzer de Manstein foi particularmente atingida. Apesar de ter conseguido escapar, ficou bastante mal-tratada, e o Exército Vermelho conseguiu bloquear o avanço de Manstein em Luga. O corpo reagrupou-se em Dno.[54][55] A 8.ª Divisão Panzer recebeu novas instruções para ir fazer frente a acções anti-partisan e Manstein recebeu o comando da 4.ª Divisão de Polícia SS. O ataque em Luga foi sucessivamente adiado.[56]

A acção em Luga ainda estava em curso quando Manstein recebeu ordens em 10 de Agosto para avançar em direcção a Leningrado. Ainda mal tinha partido para o seu novo quartel-general em Lago Samro quando recebeu indicações para levar os seus homens para Staraya Russa para apoiar o X Corpo, o qual estava em risco de ficar cercado. A 12 de Agosto, o Exército Vermelho deu início a uma ofensiva com os 11.º e 34.º Exércitos contra o Grupo de Exércitos Norte, atingindo três divisões. Frustrado com a perda da 8.ª Divisão Panzer e com o facto de não ter aproveitado a oportunidade de avançar para Leningrado, Manstein voltou a Dno. A sua contra-ofensiva resultou numa derrota significativa dos soviéticos quando a sua unidade cercou cinco divisões soviéticas, com apoio aéreo pela primeira vez naquela frente. Capturaram 12 000 prisioneiros e 141 tanques. O seu adversário, o general Kuzma M. Kachanov do 34.º Exército, acabou por ir a tribunal e executado pela derrota. Manstein tentou obter uma licença de descanso para os seus homens, os quais tinham estado em combate ininterrupto em terreno difícil e em condições climatéricas adversas desde o início da campanha, mas não conseguiu o que queria. Receberam ordens para marcharem para leste em direcção a Demyansk. Em 12 de Setembro, quando já se encontrava perto da cidade, foi informado de que seria o novo comandante do 11.º Exército do Grupo de Exércitos Sul na Ucrânia.[55][57]

Crimeia e a Batalha de Sebastopol[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cerco de Sebastopol (1941–1942)

Em Setembro de 1941, Manstein foi nomeado comandante do 11.º Exército na sequência da morte do seu anterior responsável, o coronel-general Eugen Ritter von Schobert, que faleceu quando o seu avião aterrou num campo de minas soviético. O 11.º Exército recebeu a missão de invadir a Crimeia, capturar Sebastopol e ir no encalço das forças inimigas que estavam próximas do flanco do Grupo de Exércitos Sul durante o seu avanço para a União Soviética.[58][59] O objectivo de Hitler era evitar que o Exército Vermelho estabelecesse bases aéreas ali, e cortar o abastecimento de combustível aos soviéticos a partir do Cáucaso.[60]

As tropas de Manstein—na sua maioria de infantaria—conseguiram abrir caminho rapidamente durante os primeiros dias de combates contra a resistência soviética. Depois de quase toda a zona estreita do istmo de Perekop ter sido conquistada, as suas forças foram substancialmente reduzidas, ficando ali seis divisões alemãs e o 3.º Exército romeno. A parte restante do istmo foi capturada com dificuldade, demorando algum tempo; Manstein queixou-se da falta de apoio aéreo para fazer face à superioridade aérea dos soviéticos na região. Após a conquista do terreno, Manstein criou uma unidade móvel de reconhecimento terrestre para controlo do istmo, bloqueando a via entre Simferopol e Sebastopol em 31 de Outubro. Simferopol foi tomada no dia seguinte. O 11.º Exército capturou a Península da Crimeia — excepto Sebastopol — em 16 de Novembro. Entretanto, o Exército Vermelho tinha retirado 300 000 homens da cidade por via marítima.[61][62]

O primeiro ataque de Manstein a Sebastopol em Novembro não obteve sucesso, e, com poucas tropas para um ataque imediato, ordenou o estabelecimento de uma circunvalação à cidade. A 17 de Dezembro, deu início a outra ofensiva, que também falhou. A 26 de Dezembro, as forças soviéticas desembarcaram no estreito de Kerch para reconquistar Kerch e a sua península, e em 30 de Dezembro fizeram um novo desembarque perto de Feodosiya. Apenas com uma retirada apressada da zona, contra as ordens de Manstein, da 46.ª Divisão de Infantaria do general Hans Graf von Sponeck, evitou um colapso da região leste da Crimeia; a divisão perdeu a maior parte do seu equipamento pesado. Manstein cancelou uma nova tentativa, planeada, do ataque, e enviou quase todas as suas tropas para destruir a testa-de-ponte dos soviéticos. As forças soviéticas encontravam-se em posição superior tanto em número de homens como de material, pois eram abastecidos por mar, e tinham a pressão constante de Estaline para a realização de novas ofensivas. Contudo, as tropas soviéticas não conseguiram capturar as vias de acesso terrestre e ferroviária as quais teriam cortado as linhas de abastecimento alemãs.[63][64]

Mapa com o progresso alemão a 5 de Maio de 1942

Para a Batalha da Península de Kerch, lançada em 8 de Maio de 1942, Hitler, finalmente, forneceu a Manstein um forte apoio aéreo. Como o 11.º Exército estava em desvantagem numérica, Manstein simulou um ataque a norte, enquanto a maior parte do exército atacava a sul. As tropas soviéticas começaram a fugir. Manstein escreveu nas suas memórias que tinham capturado "170 000 prisioneiros, 1133 armas e 258 tanques".[65] Kerch foi capturada a 16 de Maio. A Wehrmacht apenas perdeu 8000 homens.[66][67]

Após um mês de atraso, Manstein voltou a sua atenção, de novo, para a captura de Sebastopol, uma batalha na qual a Alemanha utilizou algumas das maiores armas alguma vez construídas. Juntamente com um número elevado de peças de artilharia, foram levados para o ataque vários morteiros pesados Karl-Gerät de 600 mm (24 in) e o canhão ferroviário "Dora" de 800 mm (31 in). No início da manhã do dia 2 de Junho de 1942, tem início um forte bombardeamento de barragem. Todos os recursos da Luftflotte 4 da Luftwaffe, comandada por Wolfram von Richthofen, estavam presentes; a barragem permaneceu durante cinco dias antes do grande assalto terrestre ter início.[68][69]

O 11.º Exército conquistou terreno durante meados de Junho, concentrando as suas acções nos acessos norte à cidade. As baixas foram elevadas em ambos os lados durante o mês. Consciente da necessidade de agir antes de a ofensiva alemã de Verão de 1942 começar a retirar reforços e abastecimentos, Manstein ordenou um ataque surpresa com o recurso a desembarques por via marítima ao longo da baía de Severnaya a 29 de Junho. A operação foi um sucesso; a resistência soviética foi derrotada. Em 1 de Julho, as forças alemãs entraram na cidade ao mesmo tempo que os soviéticos retiravam de forma desorganizada. Hitler promoveu Manstein a Generalfeldmarschall no mesmo dia. Toda a cidade ficou sob controlo alemão a 4 de Julho.[69][70][71][72]

Durante a campanha da Crimeia, Manstein esteve indirectamente envolvido nas atrocidades contra a população soviética, em particular as realizadas pelo Einsatzgruppe D, um dos vários grupos das Schutzstaffel (SS) que tinham a missão de eliminar os judeus da Europa. O Einsatzgruppe D partiu para a União Soviética atrás do 11.º Exército de Manstein, sendo-lhes dados veículos, combustível e motoristas. A polícia militar isolou áreas onde o Einsatzgruppe planeou a execução de judeus para prevenir a fuga de algum deles. O capitão Ulrich Gunzert, impressionado por ter assistido ao massacre de um grupo de judeus, foi ter com Manstein para lhe pedir que parasse com as execuções. Gunzert refere que Manstein lhe disse para esquecer o que viu e se concentrasse na luta contra o Exército Vermelho. Mais tarde, Gunzert chamou à inacção de Manstein "uma fuga à responsabilidade, uma falha moral".[73][74] Onze das dezassete acusações contra Manstein durante o julgamento dos crimes de guerra estavam relacionados com os mau-tratos e execuções de judeus e prisioneiros pelos nazis durante a guerra na Crimeia.[75]

Leningrado[editar | editar código-fonte]

Depois da captura de Sebastopol, Hitler sentiu que Manstein era o homem certo para comandar as forças em Leningrado, que estava sob cerco desde Setembro de 1941. Com tropas do 11.º Exército, Manstein foi transferido para a frente de Leningrado, chegando a 27 de Agosto de 1942. Mais uma vez, Manstein achava que não tinha as forças suficientes para atacar a cidade, e decidiu elaborar a Operação Nordlicht, um plano ousado para cortar os abastecimentos à cidade através lago de Ladoga.[76]

No entanto, no dia da sua chegada à cidade, o Exército Vermelho lançou a Ofensiva de Sinyavin. Planeada para estragar o ataque do 18-º Exército de Georg Lindemann na zona mais estreita do saliente a oeste do lago Ladoga, a ofensiva parecia estar preparada para penetrar nas linhas alemãs, acabando com o cerco. Hitler, passando por cima da cadeia de comando, telefonou a Manstein directamente dando-lhe ordens para efectuar acções ofensivas na zona. Depois de uma série de duros combates, lançou um contra-ataque em 21 de Setembro que provocou a separação dos dois exércitos soviéticos no saliente. Os combates continuaram durante todo o mês de Outubro. Embora a ofensiva soviética tenha sido bloqueada, a situação resultante significava que a Wehrmacht já não conseguiria executar um ataque decisivo a Leninegrado, e a Nordlicht ficou em espera.[77][78] O cerco acabou por ser levantado pelos soviéticos em Janeiro de 1944.[79]

Estalinegrado[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha de Estalinegrado
Contra-ataque soviético em Estalinegrado Predefinição:Legend-line Predefinição:Legend-line Predefinição:Legend-line
  Avanço russo, 19–28 de Novembro

Numa tentativa de solucionar a constante falta de combustível, a Wehrmacht pôs em prática o Fall Blau (Caso Azul), uma ofensiva muito agressiva contra os campos petrolíferos do Cáucaso, no Verão de 1942.[80] Depois dos ataques aéreos iniciais, o 6.º Exército, comandado por Friedrich Paulus, recebeu a missão de capturar Estalinegrado, um ponto central no rio Volga. As suas tropas, apoiadas pelo 4.º Exército Panzer, entrou na cidade a 12 de Setembro. Os combates urbanos, homem a homem, tiveram início.[81] A 19 de Novembro, o Exército Vermelho deu início a uma contra-ofensiva designada por Operação Urano, cujo objectivo era cercar os exércitos alemães e limitá-los à cidade; o objectivo foi alcançado em 23 de Novembro.[82] Hitler, consciente de que se Estalinegrado fosse tomado pelos soviéticos, nunca mais voltaria a conquistar a cidade, escolheu Manstein para comandante do recém-criado Grupo de Exércitos Don (Heeresgruppe Don), que tinha por missão o apoio às tropas cercadas. Esta operação, designada por Unternehmen Wintergewitter (Operação Tempestade de Inverno), deveria regorçar o controlo alemão na cidade. A avaliação inicial feita por Manstein em 24 de de Novembro, era de que o 6.º Exército, com o apoio aéreo adequado, seria capaz de resistir.[83][84]

Iniciada a 12 de Dezembro, A Operação Tempestade de Inverno teve algum sucesso inicial. As três divisões Panzer de Manstein (23.ª, 6.ª e 17.ª divisões) e as unidades de apoio do LVII Corpo Panzer Corpo, avançaram até 48 km (30 mi) de Estalinegrado em 20 de Dezembro, junto de rio Myshkova, onde foram atacados pelos tanques soviéticos, no meio de uma tempestade de neve. Em 18 de Dezembro, Manstein solicitou a Hitler que permitisse que o 6.ª Exército tentasse sair da cidade.[85] Hitler recusou a ideia, e tanto Manstein como Paulus sentiram-se hesitantes em desobedecer às suas ordens.[86] As condições foram piorando no interior da cidade; os homens sofriam com os piolhos, com o tempo gelado, e com a falta de fornecimento de alimentos bem como de munições. O ministro do Reich para a Aviação, Hermann Göring, tinha garantido a Hitler que o 6.º Exército podia ser abastecido por via aérea, mas devido às más condições climatéricas, à falta de aeronaves, e a problemas mecânicos, tal apoio aéreo seria muito difícil.[87] A 24 de Janeiro, Manstein insistiu junto de Hitler para que este permitisse que Paulus se rendesse, mas aquele recusou.[88] Contra as intenções de Hitler, Paulus apresentou a sua rendição, e a dos seus restantes 91 000 homens em 31 de Janeiro de 1943. Cerca de 200 000 alemães e romenos tinha perecido; daqueles que se renderam, apenas 6000 sobreviveram e regressaram à Alemanha no final da guerra.[89] Manstein acreditava que tinha feito o seu melhor pelo 6.º Exército. No entanto, os homens cercados viam a situação de outra forma:

A sua fraqueza era o facto de ele não ter tomado uma posição mais forte contra Hitler. Pode renunciar-se, ou aceitar a pena de morte, se uma pessoa está totalmente convencida, e ele estava, de que era errado manter o exército em Estalinegrado.[90]

Winrich Behr

Os historiadores norte-americanos Williamson Murray e Allan Millett escreveram que a mensagem que Manstein enviou a Hitler em 24 de Novembro aconselhando-o que o 6.º Exército não devia sair da cidade, juntamente com a certeza de Göring que a Luftwaffe podia abastecer Estalinegrado, "... selaram o destino do Sexto Exército".[91] Outros historiadores, como Gerhard Weinberg, salientaram que a versão dos acontecimentos descrita por Manstein nas suas memórias, está distorcida e que muitos eventos ali referidos terão sido inventados.[92][93] "Devido à sensibilidade da questão de Estalinegrado na Alemanha do pós-guerra, Manstein fez os possíveis por distorcer os registos sobre este assunto, tal como o seu envolvimento na morte dos judeus", escreveu Weinberg.[94]

Entretanto, o Exército Vermelho dá início a uma ofensiva própria: a Operação Saturno. O seu objectivo era a captura de Rostov e, desta forma, causar danos no Grupo de Exércitos A. Contudo, depois do início da Operação Tempestade de Inverno, o exército soviético teve de realocar algumas tropas para prevenir o apoio a Estalinegrado, reduzindo, assim, a dimensão da operação passando a designá-la de "Pequeno Saturno". A ofensiva forçou Manstein a mexer nas suas tropas para evitar o colapso da frente. O ataque também impediu que XLVIII Corpo Panzer (que incluía a 336.ª Divisão de Infantaria, the 3.ª Divisão Terrestre da Luftwaffe e a 11.ª Divisão Panzer), sob o comando do general Otto von Knobelsdorff, se juntasse ao LVII Corpo Panzer como planeado, para apoiar o esforço de ajuda. Em vez disso, o XLVIII Corpo Panzer manteve uma linha ao longo do rio Chir, anulando vários ataques soviéticos. O general Hermann Balck utilizou a 11.ª Divisão Panzer para contra-atacar os salientes soviéticos. Próximo do colapso, as unidades alemãs conseguiram controlar a linha, mas o 8.º Exército italiano a dar apoio aos flancos, foi suplantado e destruído.[95][96]

Motivado por este sucesso, o Exército Vermelho planeou uma série de ofensivas em Janeiro e Fevereiro de 1943, para destruir por completo as forças alemãs no sul da Rússia. Depois do colapso das forças húngaras e italianas durante a Ofensiva Ostrogozhsk–Rossosh, foram lançadas as operações Estrela e Gallop para recapturar Kharkov e Kursk, e para romper todas as forças alemãs a leste de Donetsk. Estas operações foram bem sucedidas na penetração das linhas alemãs e ameaçaram todo o sector sul da frente alemã. Para fazer frente a esta ameaça, o Grupo de Exércitos Don, o Grupo de Exércitos B e partes do Grupo de Exércitos A, foram agrupados como Grupo de Exércitos Sul (Heeresgruppe Süd) sob o comando de Manstein no início de Fevereiro.[96][97]

Operação Kharkov[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Terceira batalha de Carcóvia
Em 10 de Março de 1943, debaixo de forte segurança, Hitler vijou para o quartel-general do Grupo de Exércitos Sul em Zaporozh'ye, Ucrânia, a apenas 48 km (30 mi) da linha da frente, para rever a situação militar. Manstein recebe Hitler à sua chegada ao aeródromo local; à direita estão Hans Baur e o Generalfeldmarschall da Luftwaffe Wolfram von Richthofen.

Durante as suas ofensivas no mês de Fevereiro de 1943, o Exército Vermelho penetrou nas linhas alemãs, reconquistando a 9 de Fevereiro.[98] Como os Grupos de Exércitos B e Don se encontravam sob ameaça de serem cercados, Manstein pediu reforços por diversas vezes. Embora Hitler tenha ordenado a 13 de Fevereiro que Carcóvia devia ser mantida "a todo o custo",[98] o SS-Oberst-Gruppenführer Paul Hausser, comandante do II Corpo Panzer SS, deu instruções para que a cidade fosse evacuada em 15 de Fevereiro.[99] Hitler chegou à frente, pessoalmente, a 17 de Fevereiro, e durante três dias de intensas reuniões, Manstein convenceu-o de que eram necessárias acções ofensivas na zona para reconquistar a iniciativa e prevenir o cerco. As tropas foram reorganizadas e reforçadas com exércitos das vizinhanças. Manstein começou de imediato a planear uma contra-ofensiva, lançada a 20 de Fevereiro, que ficou conhecida como o "golpe de mão"; Vatutin e as forças soviéticas, acreditando que Manstein se retiraria, foram apanhados de surpresa. A 2 de Março, a Wehrmacht já tinha capturado 615 tanques e matado cerca de 23 000 soldados soviéticos.[100]

Para enfatizar a ideia de que a reconquista de Carcóvia era politicamente importante, Hitler regressou à frente a 10 de Março. Manstein distribuiu as suas tropas disponíveis ao longo de uma extensa frente para prevenir e recapturar Carcóvia a 14 de Março, depois de combates de rua sangrentos na Terceira batalha de Carcóvia.[101] Pela sua vitória, recebeu as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro.[102] O II Corpo Panzer SS de Hausser capturou Belgorod em 18 de Março. A contra ofensiva de Manstein não só evitou a desintegração de toda a frente, mas também reconquistou vasto território e causou a destruição de três exércitos soviéticos e a retirada de três outros. As baixas soviéticas no mês foram de 46 000 mortos e 14 000 prisioneiros; 600 tanques capturados ou destruídos e 1200 peças de artilharia.[103] O degelo da Primavera começou a 23 de Março, pondo um ponto final das operações na região por agora. Os planos para eliminar o saliente inimigo em Kursk estavam em curso.[104]

União Soviética[editar | editar código-fonte]

Em 1941, participou da Invasão da Rússia como comandante do 56.º Corpo Panzer, em apenas cinco dias chegou aos limites de Leningrado. Em seguida conquistou a Crimeia à frente do 9.º Exército. Estes feitos renderam-lhe a promoção a Marechal de Campo e, em 1942 recebeu o comando do Grupo de Exércitos do Don. Sua principal missão seria libertar o 6º Exército do General Friedrich von Paulus, cercado em Stalingrado, missão esta que se tornaria impossível, devido aos contra-ataques soviéticos. Após a retirada, recuperou Karkov, em seguida, tomou parte na Batalha de Kursk, durante a qual ignorou uma ordem direta de Hitler e determinou que suas tropas se retirassem, salvando-as de um sacrifício inútil.[105]

O Führer destitui-o após uma violenta discussão, mas não deixou de conceder-lhe as Folhas de Carvalho para sua Cruz de Cavaleiro. Pouco depois seria internado em um Hospital com graves problemas de visão.

Pós Guerra[editar | editar código-fonte]

No pós-guerra, em 1949, é condenado pelo Tribunal Militar Britânico em Nuremberg a 18 anos de prisão, mas em 1952 é libertado por motivos médicos, vivendo até 1973 na Baviera.

Exerceu um papel fundamental na reestruturação do exército alemão Bundeswehr no pós-guerra.

Notas

  1. Nome de nascimento: Fritz Erich Georg Eduard von Lewinski.

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

Registos oficiais

Livros e artigos

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  • Stein, Marcel (2007). The Janushead: Field Marshal Von Manstein, A Reappraisal (Solihill, West Midlands: Helion and Company). ISBN 1-906033-02-1. 
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