Liberalismo nos Estados Unidos

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Liberalismo moderno americano é a vertente dominante do liberalismo nos Estados Unidos. É caracterizada pelo liberalismo social[1] e ideias combinadas de liberdades civis e igualdade com apoio para justiça social e a economia mista.[1] O termo "liberalismo moderno" se refere apenas para a versão de "liberal" vista nos Estados Unidos e normalmente é utilizado com pessoas que se identificam com a esquerda política. Para vários outros países, este termo normalmente é associado ao liberalismo social.

A filosofia do liberalismo americano moderno fortemente apoia gastos de dinheiro público em áreas como educação, saúde e assistência social. Outras importantes questões sociais defendidas incluem o combate a desigualdade, defesa do direito a voto para minorias, ação afirmativa, direitos reprodutivos e da mulher, apoio a causa LGBT e reforma na imigração.[2]

O liberalismo moderno tomou forma no século XX, com suas raízes nos movimentos chamados Novo Nacionalismo (de Theodore Roosevelt), Nova Liberdade (de Woodrow Wilson), New Deal (de Franklin D. Roosevelt), Fair Deal (de Harry S. Truman), Nova Fronteira (de John F. Kennedy) e Grande Sociedade (de Lyndon B. Johnson). Liberais americanos normalmente se opõem aos conservadores em muitas questões, mas não em todas. Liberalismo moderno americano está associado ao liberalismo social e ao progressivismo, embora liberais e progressistas nem sempre estejam na mesma página.[3][4][5][6][7][8]

John F. Kennedy, em 1960, definiu assim o liberalismo americano:[9][10]

"...aquele que olha para frente e não para trás, alguém que abraça novas ideias sem reações rígidas, alguém que se preocupa com o bem-estar do povo — sua saúde, moradia, suas escolas, seus empregos, seus direitos civis e suas liberdades civis — alguém que acredita que nós podemos quebrar o impasse e as superstições que impregnam nossas políticas, se isso é o que significa ser 'Liberal', então eu tenho orgulho de ser 'Liberal'."

Franklin Delano Roosevelt, em 1941, definiu partido liberal como:

"aquele que acredita que como novas condições e problemas surgem além do poder de homens e mulheres de lidar com eles como indivíduos, se torna dever do Governo de encontrar novos remédios para lidar com eles. O partido liberal insiste que o Governo tem o dever definido de usar todo o seu poder e recursos para enfrentar os novos problemas sociais com novos controles — para garantir que o cidadão comum tenha direito ao sua própria 'vida, liberdade e busca da felicidade' econômica e política."[11]

A teoria keynesiana tem desempenhado um papel grande na filosofia econômica no liberalismo americano.[12] Liberais modernos americanos acreditam que a propriedade nacional requer que o governo maneje o cenário macroeconômico, para manter o desemprego em baixa, a inflação sobre controle e o crescimento econômico alto.[12] Eles também valorizam instituições que combatam a desigualdade econômica. No livro The Conscience of a Liberal, de Paul Krugman, é escrito: "Eu acredito em uma sociedade relativamente igual, apoiada por instituições que limite os extremos da riqueza e da pobreza. Eu acredito na democracia, liberdades civis e no Estado de direito. Isso faz de mim um liberal e eu tenho orgulho disso."[13] Liberais modernos costumam apontar para a prosperidade que vários países com economias mistas tiveram após a Segunda Guerra Mundial.[14] Eles também costumam elogiar o chamado "Modelo nórdico", onde os países da Escandinávia mesclaram com sucesso os ideias do estado de bem-estar social.[15] Os liberais americanos acreditam que a liberdade existe quando o acesso a necessidades como saúde e oportunidades econômicas são acessíveis para todos.[16] Eles também defendem questões ambientais e o chamado 'crescimento sustentável'.[17][18][19]

Liberalismo americano moderno está associado normalmente ao Partido Democrata, enquanto o conservadorismo é associado ao Partido Republicano.[20]

No começo de 2016, segundo uma pesquisa de opinião feita pelo site Gallup, a maioria dos eleitores americanos se identificavam, ideologicamente, como conservadores (37%) ou moderados (35%) ao invés de liberais (24%), mas o liberalismo de esquerda vem crescendo no país desde 1992, especialmente entre a população jovem. Uma outra pesquisa feita em 2015, afirma que a população socialmente liberal cresce bastante nos Estados Unidos desde 1999.[21] Na mesma pesquisa foi mostrado que aqueles que se consideram socialmente liberais e socialmente conservadores estão parelhos em termos de números (31% cada), enquanto a inclinação para a esquerda continua crescendo.[22]

Um estudo feito em 2005 pelo Pew Research Center, os liberais tendem, demograficamente, a ter um índice de educação formal melhor do que os conservadores. Daqueles que se consideram liberais, 49% tinham diploma universitário e 41% tem ganhos anuais iguais ou superiores a US$ 75 000 dólares, comparado com 27% e 28% pela população em geral dos Estados Unidos, respectivamente.[23] O liberalismo de esquerda tem se tornado a ideologia mais difundida entre o mundo acadêmico, com cerca de 44% a 62% destes se identificando como 'liberais', dependendo de qual termo é utilizado, um crescimento considerável se comparado a algumas décadas atrás.[24] Os pesquisadores e intelectuais das áreas de ciências sociais e humanas são mais liberais, enquanto aqueles em áreas empresariais e de engenharia tendem a pender menos a esquerda, apesar de mesmo nos departamentos de negócios, liberais estão mais presentes do que conservadores.[25] Duas pesquisas feitas em 2008 e 2010 afirmam que pessoas que se auto-identificam como "liberais" tendem a ir mais para faculdade do que aqueles que se veem como conservadores. A parcela da população dos Estados Unidos em geral que mais apoia ideais liberais de esquerda são os jovens e pessoas no começo da vida adulta.[26] Pesquisas recentes, contudo, veem um aumento dos jovens que se identificam como "moderados" ou "centristas".[27] Os locais nos Estados Unidos onde os liberais são mais fortes são nas regiões Nordeste, dos Grandes lagos e na Costa Oeste. As populações das grandes cidades e centros urbanos, como Denver, Chicago, Detroit, Nova Iorque, Los Angeles e Seattle, também tendem a pender para a esquerda.[28]

Referências

  1. a b Adams, Ian (2001). Political Ideology Today (em inglês). [S.l.]: Manchester University Press. p. 32. ISBN 0719060206 
  2. Hugo Helco, em The Great Society and the High Tide of Liberalism, Sidney M. Milkis & Jerome M. Mileur, editors, Universidade de Massachusetts, 2005, ISBN 978-1-55849-493-0
  3. The Center for American Progress, "The Progressive Intellectual Tradition in America," [1]"
  4. Matthew Yglesias. «The Trouble With "Progressive"». The Atlantic 
  5. Eric Rauchway, "What's The Difference Between Progressives And Liberals?" The New Republic, [2]
  6. Michael Lind, "Is it OK to be liberal again, instead of progressive?" Salon, [3]
  7. The New Republic. «Naming Names». The New Republic 
  8. Thomas Nagel, "Progressive but Not Liberal", The New York Review of Books
  9. Eric Alterman, Why We're Liberals: A Political Handbook for Post-Bush America (2008) p. 32
  10. Authur M. Schlesinger, Jr., A Thousand Days, John F. Kennedy in the White House, p. 99, Mariner Books, 2002, ISBN 978-0-618-21927-8.
  11. Franklin D. Roosevelt (1941). Public Papers of the Presidents of the United States: F.D. Roosevelt, 1938, Volume 7. [S.l.: s.n.] p. xxix 
  12. a b Kevin Boyle, The UAW and the Heyday of American Liberalism, 1945-1968 (1998) p. 152
  13. Paul Krugman (2009). The Conscience of a Liberal. [S.l.]: W. W. Norton. p. 267 
  14. Moyra Grant, Key Ideas in Politics (Nelson Thornes, 2003) p 12.
  15. Andrew Heywood, Political Ideologies: An Introduction (Houndmills: Macmillan Press, 1998), 93.
  16. Larry E. Sullivan. The SAGE glossary of the social and behavioral sciences (2009) p 291.
  17. John McGowan, American Liberalism: An Interpretation for Our Time (2007)
  18. Starr P. (1 de março de 2007). "War and Liberalism." The New Republic."«Starr, P. (1 March 2007). "War and Liberalism". The New Republic. Consultado em 2 de agosto de 2007 
  19. Hays, Samuel P. Beauty, Health, and Permanence: Environmental Politics in the United States, 1955–1985 (1987)
  20. Pew Research Center for the People & the Press, "More Now See GOP as Very Conservative". Página acessada em 20 de abril de 2017.
  21. Jones, Jeffery (22 de maio de 2015). «On Social Ideology, the Left Catches Up to the Right» 
  22. Saad, Lydia (11 de janeiro de 2016). «Conservatives Hang On to Ideology Lead by a Thread» 
  23. «Pew Research Center. (10 May 2005). Beyond Red vs. Blue.». Consultado em 4 de maio de 2012 
  24. Maranto, Redding, Hess (2009). The Politically Correct University: Problems, Scope, and Reforms. [S.l.]: The AEI Press. pp. 25–27. ISBN 978-0-8447-4317-2 
  25. «Kurtz, H. (29 March 2005). College Faculties A Most Liberal Lot, Study Finds. The Washington Post. 29 de março de 2005. Consultado em 21 de abril de 2017 
  26. Gallup, Inc. (21 de abril de 2017). «"Conservatives" Are Single-Largest Ideological Group». Gallup.com 
  27. Gallup, Inc. «Conservatives Remain the Largest Ideological Group in U.S.». Gallup.com 
  28. «The changing colors of America (1960–2004)». 10 de novembro de 2004. Consultado em 22 de abril de 2017 

Ver também[editar | editar código-fonte]

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