Lolita

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Lolita
Primeira edição
Autor (es) Vladimir Nabokov
Idioma Inglês
País  França
Género Romance, tragicomédia
Editora Olympia Press
Lançamento 1955

Lolita é um romance de Vladimir Nabokov, escrito em inglês e publicado em 1955 em Paris, em 1958 em Nova Iorque, e em 1959 em Londres. Mais tarde, foi traduzido por seu autor nativo russo em russo. O romance é notável por seu assunto controverso: o protagonista e narrador não confiável, é um professor de Literatura de 37 para 38 anos chamado Humbert Humbert, que está obcecado por Dolores Haze, de 12 anos, com quem ele se envolve sexualmente depois de se tornar seu padrasto.

"Lolita" é seu apelido particular para Dolores (tanto o nome quanto o apelido são de origem espanhola).

Lolita rapidamente atingiu o status de um clássico; que é hoje considerado uma das principais realizações na literatura do século XX, no entanto, é também um dos mais controversos. O romance foi adaptado ao cinema em 1962 por Stanley Kubrick, e novamente em 1997 por Adrian Lyne. Também foi adaptado várias vezes para o teatro e tem sido objeto de duas óperas, dois balés, e um aclamado, mas comercialmente fracassado musical da Broadway. A sua assimilação na cultura popular é tal que o nome "Lolita" agora é frequentemente usado para descrever uma menina sexualmente precoce.

A própria tradução de Nabokov em russo do livro foi publicada por Phaedra Publishers, em Nova Iorque, em 1967.

Lolita está incluído na lista dos 100 melhores romances em língua inglesa da revista TIME publicados de 1923 à 2005. E também é o quarto na lista de 1998 da Modern Library dos 100 melhores romances do século XX, e ocupa um lugar na Bokklubben World Library, uma coleção de 2002 dos livros mais célebres da história.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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A ação do romance é precedida por um "Prefácio" de um Doutor em Filosofia, John Ray Jr., que afirma ao leitor que o texto a seguir foi escrito sob o título de Lolita, ou A Confissão de um Viúvo de Cor Branca, por um homem cujo pseudônimo é "Humbert Humbert". Consta que Humbert Humbert morreu de trombose coronária ao terminar seu manuscrito. Ele também afirma que a Sra. Richard F. Schiller (Lolita) morreu ao dar à luz uma menina natimorta no dia de Natal de 1952, com a idade de 17.

Humbert Humbert, um estudioso literário europeu, descreve a morte prematura de seu amor de infância, Annabel Leigh. Ele sugere que seu amor não consumado por Annabel causou sua fixação por "ninfetas" (meninas com a idade entre 9 e 14 anos). Ele se entrega a suas fantasias sexuais, fingindo ler um livro em um parque público e sendo excitado por ninfetas brincando perto dele, assim como por visitar uma prostituta que ele acredita ter 16 ou 17 anos e imaginá-la sendo três anos mais jovem. Depois de uma estreita ligação com a polícia, quando ele solicitou uma menina ninfeta de idade de um cafetão, Humbert se casa com uma mulher com maneirismos infantis, Valéria, para sua segurança. Seu casamento com Valéria se dissolve, e depois de outra visita a um hospital psiquiátrico após um colapso mental, ele se muda em 1947 para uma pequena cidade da Nova Inglaterra chamada Ramsdale para escrever.

Humbert fantasia em encontrar e eventualmente acariciar a filha de 12 anos de uma família pobre de quem havia concordado em alugar um quarto, e comprar um saco de brinquedos caros antes de conhecer a família McCoo. Mas chegando lá, ele descobre que a casa na qual estava indo morar, foi destruída em um incêndio, por isso é forçado a procurar novas instalações. Uma Sra. Haze se oferece para acomodá-lo, e Humbert visita sua residência com relutância por educação, como "havendo desaparecido a única razão para [sua] vinda [à Ramsdale]". Ele planeja declinar a oferta da viúva Charlotte Haze, até que ela finalmente lhe mostra o seu jardim e sua filha de 12 anos, Dolores (nascida em 1935[1] ), conhecida como "Lo", "Lola" ou "Dolly". Humbert imediatamente se apaixona, em parte devido à sua estranha semelhança com Annabel; ele secretamente apelida Dolores de "Lolita". Humbert fica em casa apenas para permanecer perto dela.

Enquanto Dolores está fora no acampamento de verão, Charlotte, que se apaixonou por Humbert, diz que ele deve se casar com ela ou sair para evitar constrangimentos. Humbert aceita se casar com Charlotte, a fim de continuar a viver perto de Lolita. Charlotte é alheia a aversão de Humbert para com ela, bem como seu desejo por Lolita, até que ela lê seu diário. Conhecendo os verdadeiros sentimentos e intenções de Humbert, Charlotte planeja fugir e enviar Lolita para um reformatório, ameaçando expor Humbert como uma "fraude detestável, abominável e criminosa". No entanto, o destino intervém em nome de Humbert: como ele anda através da rua em estado de choque, Charlotte é atingida e morta por um carro que passava.

Humbert busca Lolita do acampamento, fingindo que Charlotte foi hospitalizada. Ao invés de voltar para a casa de Charlotte, Humbert leva Lolita para um hotel. Humbert planeja usar o sonífero para drogar e ter relações sexuais com Lolita enquanto ela está inconsciente. Enquanto espera as pílulas terem efeito, ele vagueia pelo hotel e conhece um homem que parece saber quem ele é. Humbert desculpa a si mesmo da conversa e volta para o quarto. Lá, ele tenta molestar Lolita, mas descobre que o sedativo é muito suave. Em vez disso, ela inicia o ato sexual na manhã seguinte, depois de explicar que ela tinha dormido com um menino no acampamento. Mais tarde, Humbert revela a Lolita que Charlotte está morta, não dando-lhe outra escolha a não ser aceitar o padrasto em sua vida em seu termos ou face a assistência social.

Lolita e Humbert dirigem por todo o país, que se deslocam de um estado para outro e de motel em motel. Ao visitar as inúmeras atrações, Humbert tenta criar experiências comuns que se ligam a Lolita e ele. A fim de desencorajar Lolita de ir à polícia, Humbert diz a ela que se for, ele vai ser preso, ela vai se tornar uma tutela do Estado e perder todas as suas roupas e pertences. Ele também suborna-a com comida, dinheiro, ou permissão para participar em eventos de entretenimento em troca de favores sexuais, mas ele sabe que ela não retribui o seu amor e não partilha dos seus interesses. Depois de um ano em turnê na América do Norte, os dois se estabelecem em outra cidade da Nova Inglaterra, Beardsley, onde Lolita está matriculada em uma escola de meninas. Humbert se torna muito possessivo e rigoroso, proibindo Lolita de participar de atividades extra-escolares ou conversar com os meninos. A maioria das pessoas da cidade vêem isso como a ação de um pai amoroso e preocupado, embora ultrapassada.

Lolita pede para ser autorizada a participar na peça da escola, e Humbert relutantemente dá sua permissão em troca de mais favores sexuais. A peça foi escrita por Clare Quilty. Quilty diz ter assistido a um ensaio e ficou impressionado com a atuação de Lolita. Pouco antes de começar a noite, Lolita e Humbert têm uma discussão feroz, e Lolita foge enquanto Humbert assegura aos vizinhos que está tudo bem. Ele a procura freneticamente até que ele descobre sua saída de uma cabine telefônica. Ela está em um clima agradável e radiante, dizendo que ela tentou alcançá-lo em casa e que "tem tomado uma grande decisão". Eles vão comprar bebidas e Lolita diz para Humbert que ela não se importa com a peça e quer retomar suas viagens.

Enquanto Lolita e Humbert dirigem para o oeste outra vez, Humbert tem a sensação de que seu carro está sendo seguido e se torna cada vez mais paranoico, suspeitando que Lolita está conspirando com outros, a fim de escapar. Ela adoece e fica convalescente em um hospital enquanto Humbert fica em um motel nas proximidades, sem Lolita pela primeira vez em anos. Uma noite, Lolita desaparece do hospital, com o pessoal dizendo a Humbert que seu "tio" a levou embora. Humbert embarca em uma busca frenética para encontrar Lolita e seu sequestrador, mas eventualmente desiste. Durante este tempo, Humbert tem um relacionamento de dois anos (que termina em 1952) com uma mulher chamada Rita, a quem ele descreve como um "tipo, bom esporte", que "solenemente aprova" sua busca por Lolita, sabendo nada dos detalhes.

Humbert recebe uma carta de Lolita, agora com 17 anos, que lhe diz que ela está casada, grávida, e precisa desesperadamente de dinheiro. Humbert vai ver Lolita, dando-lhe dinheiro em troca do nome do homem que a sequestrou. Ela revela a verdade: Clare Quilty a levou do hospital depois de segui-los ao longo de suas viagens e tentou fazê-la sua estrela em um de seus filmes pornográficos. Quando ela se recusou, ele a jogou para fora. Ela teve trabalhos estranhos antes de conhecer e se casar com seu marido, que nada sabe sobre seu passado. Humbert pede a Lolita para deixar o marido, Dick, e viver com ele, o que ela se recusa a fazer. Ele lhe dá uma grande soma de dinheiro de qualquer maneira. Quando ele sai, ela sorri e grita adeus de uma maneira "doce, americana".

Humbert encontra Quilty, a quem ele tem a intenção de matar, em sua mansão. Antes de fazer isso, ele primeiro quer que Quilty entenda o por quê ele deve morrer, por se aproveitar de Humbert, um pecador, e por se aproveitar de uma desvantagem. Eventualmente, Humbert atira várias vezes e o mata, e sai da mansão. A narrativa termina com as palavras finais de Humbert para Lolita em que deseja o seu bem, e revela o romance em sua metaficção ser as memórias de sua vida, apenas para serem publicadas depois que ele e Lolita morressem, a fim de que ambos partilhassem a imortalidade.

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Temas eróticos e controvérsia[editar | editar código-fonte]

Lolita é frequentemente descrito como um "romance erótico", tanto por alguns críticos, mas também uma obra de grande referência na literatura de acordo com Facts on File: Companion to American Short Story.[2] A Grande Enciclopédia Soviética chamou Lolita de "uma experiência na combinação de um romance erótico com um instrutivo romance de costumes".[3] A mesma descrição do romance é encontrada no trabalho de referência de Desmond Morris, The Book of Ages.[4] Uma pesquisadora de livros para cursos de Estudos Feministas descreve o romance como um "beijo de língua na bochecha".[5] Os livros voltados para a história da literatura erótica, como o de Michael Perkins, The Secret Record: Modern Erotic Literature também classificam Lolita.[6]

Classificações mais cautelosas incluíram um "romance com temas eróticos"[7] ou "uma série de obras da literatura erótica clássica e artística, e romances que contém elementos de erotismo, como ... Ulisses e O Amante de Lady Chatterley".[8]

No entanto, estas classificações têm sido contestadas. Malcolm Bradbury escreve: "em primeiro lugar, famoso como um romance erótico, Lolita logo ganhou o seu caminho como uma obra literária—de uma tarde modernista destilada de toda a mitologia crucial".[9] Samuel Schuman diz que Nabokov "é um surrealista, ligado à Gogol, Dostoiévski e Kafka. Lolita é caracterizado pela ironia e sarcasmo. Não é um romance erótico".[10]

Lance Olsen escreve: "Os primeiros 13 capítulos do texto, que culminou com a cena muito citada de Lo sem querer esticar as pernas no colo animado de Humbert [...] são os únicos capítulos sugestivos do erótico".[11] O próprio Nabokov observa no posfácio do romance que alguns leitores foram "enganados [pela abertura do livro] ... para assumir que este ia ser um livro indecente ... [esperando] a sucessão crescente de cenas eróticas; quando estas cenas pararam, os leitores também pararam, e se sentiram entediados".[12]

Estilo e interpretação[editar | editar código-fonte]

O romance é uma tragicomédia narrada por Humbert, que codifica a narrativa com jogos de palavras e suas observações irônicas sobre a cultura estadunidense. Seu humor fornece um contraponto eficaz para o pathos da trama trágica. O estilo extravagante do romance é caracterizado por duplos sentidos, trocadilhos multilíngues, anagramas e cunhagens como ninfeta, uma palavra que, desde então, teve uma vida própria e pode ser encontrada na maioria dos dicionários, e o menos utilizado "fauno". Uma das personagens do romance, "Vivian Darkbloom", é um anagrama do nome do autor.

Várias vezes, o narrador pede que o leitor entenda que ele não está orgulhoso por seu estupro de Lolita e está cheio de remorso. Em um ponto ele ouve os sons de crianças brincando ao ar livre, e é acometido pela culpa ao perceber que roubou Lolita de sua infância. Quando Humbert se reencontra com Lolita que agora está com 17 anos, ele percebe que ele ainda a ama, mesmo que ela não seja mais a ninfeta de seus sonhos.

A maioria dos escritores observam Humbert como um narrador não confiável e creditam poderes para Nabokov como um ironista. Para Richard Rorty, em sua interpretação de Lolita em Contigency, Irony, and Solidarity, Humbert é um "monstro da incuriosidade". Nabokov mesmo descreveu Humbert como "um miserável vaidoso e cruel" e "uma pessoa detestável".[13]

Os críticos têm ainda de notar que, uma vez que o romance é uma narrativa em primeira pessoa por Humbert, o romance dá muito pouca informação sobre como Lolita é pessoalmente, que na verdade, foi silenciada por não estar no livro do narrador. Nomi Tamir-Ghez escreve: "Não é só a voz de Lolita que é silenciada, mas também seu ponto de vista, a maneira como ela vê a situação e se sente sobre isso, que raramente é mencionado e só pode ser imaginado pelo leitor... pois é Humbert que narra a história... durante a maior parte do romance, o leitor é absorvido nos sentimentos de Humbert".[14] Da mesma forma, Mica Howe e Sarah Appleton Aguiar escrevem que o romance silencia e objetifica Lolita.[15] Christine Clegg observa que este é um tema recorrente na crítica do romance durante a década de 1990.[16] O ator Brian Cox, que interpretou Humbert em 2009 como um monólogo de palco de um homem só baseado no livro, afirmou que o romance "não é sobre Lolita como uma entidade de carne e osso. É Lolita como uma memória". Ele concluiu que um monólogo de palco seria mais fiel ao livro do que qualquer filme poderia ser.[17] Elizabeth Janeway escrevendo para o New York Times Book Review argumenta que "Humbert é todo o homem impulsionado pelo desejo, querendo sua Lolita tão desesperadamente que nunca lhe ocorre a considerá-la como um ser humano, ou como qualquer coisa além de um sonho-ficção que se fez carne".[18]

Clegg vê na não revelação do romance dos sentimentos de Lolita como diretamente ligados ao fato de que seu nome "real" é Dolores e (no romance, mas não no filme) apenas Humbert se refere a ela como Lolita.[19] Humbert também afirma que ele tem efetivamente "solipsizado" Lolita no início do romance.[20] Eric Lemay da Northwestern University escreve:

A menina humana, aquela percebida pelas não ninfomaníacas, responde a outros nomes, "Lo", "Lola", "Dolly" e, o menos atraente de todos "Dolores". "Mas em meus braços", afirma Humbert, "sempre foi Lolita". E em seus braços ou não, "Lolita" foi sempre a criação da covardia de Humbert.... Como Humbert canta uma canção para si mesmo, seus títulos e sua auto percepção de "Lolita". ... Para transformar Dolores em Lolita, para selar esta triste adolescente dentro de sua auto almiscarada, Humbert deve negar-lhe sua humanidade.[21]

Em 2003 a expatriada iraniana Azar Nafisi publicou um livro de memórias, Lendo Lolita em Teerã, sobre um grupo de leitura de mulheres encobertas. Em uma entrevista para a NPR, Nafisi contrasta os lados dolorosos e sedutores da personagem Dolores/Lolita. Ela observa que "Porque seu nome não é Lolita, seu verdadeiro nome é Dolores que, como sabem, em latim significa dolour, seu verdadeiro nome é associado com tristeza, com angústia e com a inocência, enquanto Lolita se torna uma espécie de cabeça leve, sedutora com um nome arejado. A Lolita do nosso romance são ambas do mesmo tempo e em nossa cultura aqui hoje associamos com apenas um aspecto daquela menina como a interpretação mais grosseira dela". Na sequência de observações de Nafisi, a entrevistadora da NPR, Madeleine Brand, lista como formas de concretização do último lado de Lolita, "Long Island Lolita, Britney Spears, as gêmeas Olsen, e Sue Lyon no filme de Stanley Kubrick, Lolita".[22]

Para Nafisi, a essência do romance é o solipsismo de Humbert e seu apagamento da identidade independente de Lolita. Ela escreve: "Lolita foi passada a nós como uma criatura de Humbert [...] Para reinventá-la, Humbert deve tomar de Lolita sua própria história real e substituí-la com a sua [...] No entanto, ela tem um passado. Apesar de Humbert tentar isolar Lolita, roubando-a de sua história, aquele passado ainda é dado para nós em vislumbres".[23]

Um dos primeiros leitores do romance, Lionel Trilling, advertiu em 1958 da dificuldade moral na interpretação de um livro tão eloquente e um narrador tão auto-iludido: "nós nos encontramos mais chocados quando percebemos que, no decorrer da leitura do romance, chegamos a praticamente condenar a violação apresentada [...] nós fomos seduzidos para a conivência na violação, porque temos permitido nossas fantasias a aceitarem o que sabemos ser revoltante".[24]

Alguns críticos têm aceitado a versão de Humbert para os eventos pelo valor nominal. Em 1959, o romancista Robertson Davies desculpou inteiramente o narrador, escrevendo que um dos principais temas de Lolita "não é a corrupção de uma menina inocente por um adulto astuto, mas a exploração de um adulto fraco por uma menina corrupta. Este não é um tema agradável, mas é aquele com o qual assistentes sociais, magistrados e psiquiatras estão familiarizados".[25]

Em seu ensaio sobre o stalinismo, Koba the Dread, Martin Amis propõe que Lolita é uma metáfora elaborada para o totalitarismo que destruiu a Rússia da infância de Nabokov (embora Nabokov afirmasse em seu posfácio que ele "[detesta] símbolos e alegorias"). Amis interpreta como uma história de tirania contada do ponto de vista do tirano. "Nabokov, em toda a sua ficção, escreve com uma penetração incomparável sobre a ilusão e a coerção, sobre a crueldade e as mentiras," diz ele. "Mesmo Lolita, especialmente Lolita é um estudo de tirania".

Publicação e recepção[editar | editar código-fonte]

Nabokov terminou Lolita em 6 de dezembro de 1953, cinco anos após inciá-lo.[26] Por causa de seu assunto, Nabokov teve a intenção de publicá-lo sob um pseudônimo (embora a personagem anagramática de Vivian Darkbloom fosse uma ponta de alerta para o leitor).[27] O manuscrito foi recusado, com certo arrependimento, pelas editoras Viking, Simon & Schuster, New Directions, Farrar, Straus e Doubleday.[28] Após essas recusas e avisos, Nabokov finalmente recorreu a publicação na França. Via seu tradutor, Doussia Ergaz, o manuscrito chegou nas mãos de Maurice Girodias da Olympia Press, "[cujo] três quartos da lista de publicação da editora era lixo pornográfico".[29] Desinformado sobre a Olympia, com vista para a aprovação de Girodias da conduta do protagonista, que Girodias havia presumido que era baseado no autor, e apesar dos avisos de Morris Bishop, seu amigo na Cornell, Nabokov assinou um contrato com a Olympia Press para a publicação do livro, que sairia com seu próprio nome.[30]

Lolita foi publicado em setembro de 1955, como um par de livros de bolso verdes "repletos de erros tipográficos".[31] Embora a primeira impressão de 5,000 exemplares esgotasse rapidamente, não houve comentários substanciais. Eventualmente, no final de 1955, Graham Greene, no (London) Sunday Times, chamou o romance de um dos três melhores livros de 1955.[32] Essa declaração provocou uma resposta do (London) Sunday Express, cujo editor John Gordon chamou de "um dos livros mais sujos que eu já li" e "pura pornografia desenfreada".[33] Os funcionários da alfândega britânica foram então instruídos por um Ministério do Interior em pânico para confiscar todas as cópias que entrassem no Reino Unido.[34] Em dezembro de 1956, a França seguiu o exemplo, e seu Ministério do Interior baniu Lolita;[35] o banimento durou dois anos. Sua eventual publicação britânica pela Weidenfeld & Nicolson de Londres em 1959, causou um escândalo que contribuiu para o fim da carreira política de um de seus editores, Nigel Nicolson.[36]

O romance, em seguida, apareceu em traduções dinamarquesas e holandesas. Duas edições de uma tradução sueca foram retiradas a pedido do autor.[37] [38]

Apesar do receio inicial, não houve uma resposta nos Estados Unidos, e sua primeira edição foi emitida pela G. P. Putnam's Sons em agosto de 1958. O livro ganhou uma terceira edição e em poucos dias havia se tornado o primeiro nas listas desde Gone with the Wind vendendo 100,000 cópias em suas primeiras três semanas.[39]

O romance continua a gerar controvérsia hoje como a sociedade moderna tornou-se cada vez mais consciente do dano duradouro causado pelo abuso sexual de menores. Em 2008, um livro inteiro foi publicado sobre as melhores formas de ensinar o romance em uma sala de aula da faculdade, uma vez que "a sua mistura particular de estratégias narrativas, prosa alusiva ornamentada e assunto problemático, complica sua apresentação para os estudantes".[40] Neste livro, um autor exorta professores a notarem que o sofrimento de Lolita está presente no romance, mesmo que o foco principal seja Humbert. Muitos críticos descrevem Humbert como um estuprador, nomeadamente Azar Nafisi em seu best-seller Lendo Lolita em Teerã,[41] embora em uma pesquisa de críticos, David Larmour observasse que outros interpretes do romance têm estado relutantes em usar esse termo.[42] Perto do final do romance, Humbert se acusa de estupro; no entanto, depois de constatar isso, o biógrafo de Nabokov, Brian Boyd, tenta deixar Humbert fora da conexão com o fundamento de que Dolores não era uma virgem e seduziu Humbert na manhã da sua estadia no hotel.[43] Este ponto de vista é vigorosamente contestato por Peter Rabinowitz em seu ensaio "Lolita: Solipsized or Sodomized?".[44]

Hoje, Lolita é considerado como um dos melhores romances escritos do século XX. Em 1998, ficou em quarto lugar em uma lista da Modern Library como um dos melhores romances em língua inglesa do século XX.[45]

Fontes e ligações[editar | editar código-fonte]

Ligações na obra de Nabokov[editar | editar código-fonte]

Um poema nomeado Lilith (Лилит), que descreve uma menina sexualmente atraente que seduz o protagonista masculino só para deixá-lo humilhado em público, foi escrito por Nabokov em 1928.[46] Em 1939 Nabokov escreveu uma novela, Volshebnik (Волшебник), que só foi publicada postumamente em 1986, cuja a tradução para o inglês é The Enchanter. O livro contém muitas semelhanças com Lolita, mas também diferenças significativas: o enredo se passa na Europa Central, e o protagonista é incapaz de consumar seu desejo por sua enteada, levando-o ao suicídio. O tema da efebofilia já foi abordado por Nabokov em seu conto "A Nursery Tale", escrito em 1926. Também, em 1932 no livro Riso no Escuro, Margot Peters tem 16 anos e já teve um caso com um homem de meia-idade chamado Albinus, quando ele se torna atraído por ela.

No capítulo três do romance The Gift (escrito em russo entre 1935–1937), a similar essência do primeiro capítulo de Lolita está delineada para o protagonista, Fyodor Cherdyntsev, por seu senhorio detestável Shchyogolev como uma ideia de romance que Nabokov iria escrever "com o tempo": um homem se casa com uma viúva só para ter acesso a sua filha, que resiste a todos os seus passes. Shchyogolev diz que isso aconteceu "na realidade" a um amigo dele; fica claro para o leitor que se trata de si mesmo e de sua enteada Zina (com 15 anos na época do casamento de Shchyogolev com a mãe da menina), que se torna o amor da vida de Fyodor.

Em abril de 1947, Nabokov escreveu para Edmund Wilson: "Estou escrevendo... um curto romance sobre um homem que gostava de meninas—e que irá se chamar The Kingdom by the Sea...."[47] A obra se expandiu para Lolita durante os próximos oito anos. Nabokov usou o título A Kingdom by the Sea em seu romance pseudo-autobiográfico de 1974, Look at the Harlequins!, para um livro escrito pelo narrador como em Lolita, além disso, trazendo as viagens com sua filha adolescente Bel de motel em motel após a morte da mãe; sua quarta esposa é sósia de Bel e compartilha o mesmo aniversário.

No romance de Nabokov de 1962 chamado Fogo Pálido, o poema titular do fictício John Shade menciona um Furacão Lolita subindo pela costa leste dos Estados Unidos em 1958, e o narrador, Charles Kinbote (no comentário no final do livro) observa que, questionando por que alguém teria escolhido um obscuro apelido em espanhol para um furacão. Não houve furacões nomeados "Lolita" naquele ano, mas representa o ano em que o romance Lolita foi publicado na América do Norte.

No romance inacabado O Original de Laura, publicado postumamente, apresenta o personagem Hubert H. Hubert, um homem mais velho que deseja a protagonista, então uma menina, chamada Flora. Ao contrário de Humbert Humbert de Lolita, os avanços de Hubert são mal sucedidos.

Pastiches literários, alusões e protótipos[editar | editar código-fonte]

O romance está cheio de alusões à literatura clássica e moderna. Praticamente todas elas foram observadas em The Annotated Lolita, editado e anotado por Alfred Appel Jr. Muitas são as referências ao próprio poeta favorito de Humbert, Edgar Allan Poe.

O primeiro amor de Humbert Humbert, Annabel Leigh, foi criado por parte da "donzela" no poema "Annabel Lee" de Poe; este poema é mencionado muitas vezes no romance, e suas linhas são usadas para descrever o amor de Humbert. Uma passagem no capítulo 11, ele reutiliza a frase literal de Poe ...ao lado de minha querida—minha querida—minha vida e minha noiva.[48] Na abertura do romance, a frase Senhoras e senhores membros do júri, o item número um da acusação é aquilo que invejam os serafins—os desinformados e simplórios serafins de nobres asas, é um pastiche de duas passagens do poema, as asas dos serafins do céu (linha 11), e Os anjos, não contentes no céu, invejavam a mim e a ela (linhas 21–2).[49] Nabokov originalmente pretendia nomear Lolita de The Kingdom by the Sea,[50] com base na rima com Annabel Lee que foi usada no primeiro verso da obra de Poe. Uma variante dessa linha é reprisada na abertura do capítulo um, que se lê: ...se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial. Num principado à beira-mar.[49] [51]

O nome duplo de Humbert Humbert lembra o conto de Poe intitulado "William Wilson", em que o personagem principal é assombrado pelo seu doppelgänger, paralelamente à presença do próprio doppelgänger de Humbert, Clare Quilty. Humbert não é, no entanto, seu nome real, mas um pseudônimo escolhido. O tema do doppelgänger também ocorre no romance inicial de Nabokov, Desespero.

O capítulo 26 da primeira parte, contém uma paródia de fluxo de consciência de James Joyce.[52]

A área de especialização de Humbert Humbert é a literatura francesa (um de seus trabalhos é escrever uma série de obras educativas que comparam escritores franceses a escritores ingleses), e como tal, existem várias referências à literatura francesa, incluindo os autores Gustave Flaubert, Marcel Proust, François Rabelais, Charles Baudelaire, Prosper Mérimée, Rémy Belleau, Honoré de Balzac e Pierre de Ronsard.

Vladimir Nabokov gostava das obras de Lewis Carroll e tinha traduzido Alice no País das Maravilhas para o russo. Ele mesmo chamou Carroll de "o primeiro Humbert Humbert".[53] Lolita contém algumas breves alusões no texto para com os livros de Alice, apesar de Nabokov geralmente evitar alusões diretas para Carroll. Em seu livro, Tramp: The Life of Charlie Chaplin, Joyce Milton reivindica que uma grande inspiração para o romance foi a relação de Charlie Chaplin com sua segunda esposa, Lita Grey, cujo verdadeiro nome era Lilita e é muitas vezes erroneamente transformado em Lolita. Graham Vickers em seu livro, Chasing Lolita: How Popular Culture Corrupted Nabokov's Little Girl All Over Again, argumenta que os dois principais antecessores reais de Humbert são Lewis Carroll e Charlie Chaplin. Embora a abrangente Annotated Lolita de Appel não contenha referências a Charlie Chaplin, outros já pegaram várias referências oblíquas a vida de Chaplin no livro de Nabokov. Bill Delaney observa que no final, Lolita e seu marido se mudam para uma cidade do Alasca, chamada Grey Star, enquanto o filme de Chaplin, Em Busca do Ouro, situado no Alasca, foi originalmente definido para estrelar Lita Grey. O primeiro encontro sexual de Lolita foi com um garoto chamado Charlie Holmes, a quem Humbert descreve como "o silencioso... mas incansável Charlie". Chaplin teve uma pintura da artista Lita Grey, em uma imitação de Joshua Reynolds da pintura The Age of Innocence. Quando Humbert visita Lolita em uma classe em sua escola, ele observa uma cópia do mesmo quadro na sala de aula. O artigo de Delaney observa muitos outros paralelos.[54]

O Prefácio refere-se "a decisão monumental prestada em 6 de dezembro de 1933 pelo Exmo. John M. Woosley em relação a outro, consideravelmente mais direto, livro"—isto é, a decisão no caso United States v. One Book Called Ulysses, em que Woosley determinou que Ulisses, de James Joyce não era obsceno e poderia ser vendido nos Estados Unidos.

No capítulo 29 da segunda parte, Humbert comenta que Lolita parece uma "Vênus ruiva de Botticelli—o mesmo nariz macio, a mesma beleza turva", fazendo referência a representação de Vênus de Sandro Botticelli em, talvez, O Nascimento de Vênus ou Vênus e Marte.

No capítulo 35 da segunda parte, a "sentença de morte" de Humbert em Quilty parodia o ritmo e o uso de anáfora no poema de T. S. Eliot, Ash Wednesday.

Muitas outras referências à literatura clássica e romântica são amplas, incluindo referências a obra de Lord Byron, Childe Harold's Pilgrimage e a poesia de Laurence Sterne.

Outros protótipos reais possíveis[editar | editar código-fonte]

Além dos possíveis protótipos de Lewis Carroll e Charlie Chaplin mencionados acima em alusões, Alexander Dolinin sugere[55] que o protótipo de Lolita tinha 11 anos, Florence Horner, sequestrada em 1948 pelo mecânico de 50 anos, Frank La Salle, que a pegou roubando um caderno de cinco centavos. La Salle viajou por diversos estados por 21 meses e acredita-se que ele a estuprou. La Salle alegou que era um agente do FBI e ameaçou "em transformá-la" pelo roubo e mandá-la para "um lugar para meninas como você". O caso Horner não foi amplamente divulgado, mas Dolinin observa várias semelhanças em eventos e descrições.

Enquanto Nabokov já tinha usado a mesma ideia básica—isto é, de um molestador de menores e sua vítima reservando um hotel como pai e filha—em sua obra inédita de 1939, Volshebnik (Волшебник), o caso Horner é explicitamente mencionado no capítulo 33 da Parte II:

Será que eu tinha feito com Dolly o mesmo que aquele tal de Frank La Salle, um mecânico de cinquenta anos, fizera com Sally Horner, de onze anos, em 1948?[56]

"Lolita" de Heinz von Lichberg[editar | editar código-fonte]

O livro do acadêmico alemão Michael Maar, The Two Lolitas,[57] descreve sua recente descoberta de um conto alemão de 1916 intitulado "Lolita", cujo narrador de meia-idade descreve viajar para o exterior como estudante. Ele toma um quarto como inquilino e instantaneamente se torna obcecado por uma menina pré-adolescente (também chamada Lolita), que vive na mesma casa. Maar especulou que Nabokov pode ter tido criptomnésia (uma "memória oculta" da história que Nabokov desconhecia), enquanto ele estava compondo Lolita durante os anos 1950. Maar diz que até 1937 Nabokov viveu na mesma seção de Berlim que o autor, Heinz von Eschwege (pseudônimo: Heinz von Lichberg), e foi provavelmente familiarizado com sua obra, que foi amplamente divulgada na Alemanha durante a época que Nabokov esteve lá.[58] [59] The Philadelphia Inquirer, no artigo, "Lolita at 50: Did Nabokov take literary liberties?" diz que, de acordo com Maar, acusações de plágio não devem ser aplicadas e cita-se dizendo: "A literatura sempre foi um grande cadinho no qual temas familiares são continuamente reformulados... Nada do que nós admiramos em Lolita pode ser encontrado no conto, o primeiro de modo algum deduz o último". Jonathan Lethem também nota isso em seu ensaio "The Ecstasy of Influence: A Plagiarism", na Harper's Magazine sobre esta história.[60]

Nabokov sobre Lolita[editar | editar código-fonte]

Posfácio[editar | editar código-fonte]

Em 1956, Nabokov escreveu um posfácio para Lolita ("Sobre um Livro Intitulado Lolita"), que apareceu inicialmente na edição dos Estados Unidos e então em outras edições.[61]

Uma das primeiras coisas que Nabokov faz questão de dizer é que, apesar da afirmação de John Ray Jr. no Prefácio, não existe moral para a história.[62]

Nabokov acrescenta que "o frêmito inicial de inspiração" para Lolita "foi de alguma forma provocado por certo artigo de imprensa sobre um macaco no Jardin des Plantes, o qual, após ser persuadido durante meses por um cientista, enfim produziu o primeiro desenho feito por um animal: nele só apareciam as grades da jaula da pobre criatura".[63] Nem o artigo nem o desenho foram recuperados.

Em resposta para um crítico estadunidense que caracterizou Lolita como o registro de Nabokov "de um caso de amor com a literatura romântica", Nabokov escreve que "a substituição de 'literatura romântica' por 'língua inglesa' tornaria mais correta essa elegante formulação".[64]

Nabokov conclui o posfácio com uma referência à sua amada língua nativa, que ele abandonou como um escritor quando se mudou para os Estados Unidos em 1940: "Minha tragédia pessoal—que não pode e, na verdade, não deve interessar a ninguém—é que tive de abandonar meu idioma natural, minha rica, fluida e infinitamente dócil língua russa em troca de um inglês de segunda categoria".[64]

Estimativa[editar | editar código-fonte]

Nabokov avaliou altamente o livro. Em uma entrevista para a BBC Television em 1962, ele disse:

Lolita é um favorito especial meu. Foi o livro mais difícil—que tratava de um tema que era tão distante, tão remoto, da minha própria vida emocional que ele me deu um prazer especial para usar meu talento de combinações para torná-lo real.[65]

Mais de um ano depois, em uma entrevista para a Playboy, ele disse:

Nunca me arrependerei de Lolita. Ela era como a composição de um belo quebra-cabeça—sua composição e solução ao mesmo tempo, uma vez que é o espelho retrovisor do outro, dependendo da maneira como você olha. É claro que ela eclipsou completamente minhas outras obras—pelo menos aquelas que eu escrevi em inglês: A Verdadeira Vida de Sebastian Knight, Bend Sinister, meus contos, meu livro de recordações; mas não tenho rancor dela. Há um encanto estranho, um charme tenro sobre aquela mítica ninfeta.[66]

No mesmo ano, em uma entrevista com a revista Life, Nabokov foi perguntado qual dos seus escritos o agradaram mais. Ele respondeu:

Eu diria que de todos os meus livros Lolita me deixou com a mais prazerosa fosforescência—talvez porque é o mais puro de todos, o mais abstrato e cuidadosamente planejado. Sou provavelmente o responsável pelo estranho fato de que as pessoas parecem não nomear mais suas filhas de Lolita. Tenho ouvido falar de jovens poodles fêmeas recebendo esse nome desde 1956, mas nenhum ser humano.[67]

Tradução russa[editar | editar código-fonte]

Nabokov traduziu Lolita em russo; a tradução foi publicada por Phaedra Publishers de Nova Iorque em 1967.

A tradução inclui um "Postscriptum"[68] em que Nabokov reconsidera seu relacionamento com sua língua nativa. Referindo-se ao posfácio da edição em inglês, Nabokov afirma que apenas "o escrúpulo científico levou-me a preservar o último parágrafo do posfácio estadunidense no texto russo..." Ele explica ainda que "a história dessa tradução é a história de uma decepção. Minha 'maravilhosa língua russa', que eu imaginava, ainda me espera em algum lugar, que floresce como uma fiel primavera atrás de um portão trancado para que eu, depois de tantos anos, embora ainda possuísse a chave, acabasse por ser não-existente, que não restasse nada além do portão, com exceção de alguns tocos queimados e um vazio outonal sem esperança, com a chave na minha mão não parecendo mais do que uma gazua".

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Lolita foi filmado duas vezes, foi um musical, quatro peças de teatro, uma ópera concluída, e dois balés. Há também um roteiro não filmado (e reeditado) de Nabokov, uma ópera inacabada com base na obra, e uma "ópera imaginada", que combina elementos de ópera e dança.

  • Lolita foi dirigido em 1962 por Stanley Kubrick, e estrelado por James Mason, Shelley Winters, Peter Sellers e Sue Lyon; Nabokov foi nomeado para um Óscar por seu trabalho na adaptação do roteiro deste filme, embora pouco deste trabalho chegasse à tela; Stanley Kubrick e James Harris reescreveram substancialmente o roteiro de Nabokov, embora nenhum dos dois tomasse crédito. O filme expandiu muito o personagem de Clare Quilty, e removeu todas as referências da obsessão de Humbert para com meninas antes de conhecer Dolores. O arranjador veterano Nelson Riddle compôs a música para o filme, cuja trilha sonora inclui o single de sucesso, "Lolita Ya Ya".[69]
  • O livro foi adaptado em um musical em 1971 por Alan Jay Lerner e John Barry, sob o título Lolita, My Love. Os críticos elogiaram a peça por traduzir com sensibilidade a história para o palco, mas ainda assim foi encerrada antes que pudesse chegar em Nova Iorque.[70]
  • A própria versão reeditada e condensada de Nabokov do roteiro (revisada em dezembro de 1973), inicialmente proposta para o filme de Kubrick (antes de sua extensa reescrita por ele e Harris) foi publicada pela editora estadunidense McGraw-Hill em 1974. Um novo elemento é que a peça de Quilty, Os Caçadores Encantados, encenada no colégio de Dolores, contém uma cena que é uma cópia exata de uma pintura no lobby do hotel, Os Caçadores Encantados, no qual Humbert deixa que Lolita seduza-o.[71]
  • Em 1982 Edward Albee adaptou o livro para uma peça, Lolita. Foi atacada pela crítica, com Frank Rich nomeadamente prevendo o dano fatal para a carreira de Albee.[72] Rich observou que a leitura da peça do personagem de Quilty parecia tirada do filme de Kubrick.
  • Em 1992 o compositor russo Rodion Shchedrin adaptou o livro para uma ópera em língua russa, Lolita, que estreou em sueco em 1994 na Ópera Real Sueca. A primeira apresentação em russo estreou em Moscou em 2004. A ópera foi indicada ao prêmio Máscara de Ouro da Rússia.[73] A sua primeira apresentação em alemão estreou em 30 de abril no Hessisches Staatstheater Wiesbaden na abertura da noite do Internationale Maifestspiele Wiesbaden em 2011. A versão alemã foi reduzida de quatro horas para três, pois notaram que a morte de Lolita na conclusão, tinha sido omitida da versão inicial. Considerou-se bem encenada, mas musicalmente monótona.[74] Em 2001 Shchedrin extraiu "fragmentos" para a orquestra sinfônica a partir da partitura da ópera, que foram publicados como Lolita-Serenade.
  • O filme de 1997 Lolita foi dirigido por Adrian Lyne, estrelando Jeremy Irons, Dominique Swain, e Melanie Griffith. O filme recebeu críticas mistas. Foi adiado por mais de um ano por causa de seu assunto controverso, e não foi lançado na Austrália até 1999. Várias críticas notaram que este filme removeu todos os elementos de comédia de humor negro da história. Charles Taylor do site Salon diz que "o filme substitui a crueldade e a comédia do livro com um lirismo e romantismo manufaturado".[75]
  • Em 1999, o compositor com sede em Boston, John Harbison começou uma ópera de Lolita, que ele abandonou devido ao escândalo clerical de abuso de menores em Boston. Ele abandonou-a até 2005, mas fragmentos foram tecidos em um pedaço de sete minutos, "Darkbloom: Overture for an Imagined Opera". Vivian Darkbloom é um anagrama de Vladimir Nabokov, que é uma personagem de Lolita.[76]
  • Em 2003 o diretor russo Victor Sobchak escreveu uma segunda adaptação para o teatro, desta vez não-musical, que foi encenada no teatro de franja Lion and Unicorn em Londres. Retira o personagem de Quilty e atualiza a história para a Inglaterra moderna, e inclui longos trechos de prosa da locução de Nabokov.[77]
  • Também em 2003, uma adaptação teatral do roteiro não utilizado por Nabokov foi realizada em Dublin adaptado por Michael West. Foi descrito por Karina Buckley (no Sunday Times de Londres), mais como uma peça de commedia dell'arte italiana do que um drama obscuro sobre pedofilia.[77] Hiroko Mikami observa que o encontro sexual inicial entre Lolita e Humbert foi encenado de forma que deixou esta adaptação particularmente aberta à acusações de colocar a culpa por iniciar a relação com Lolita e normalizar o abuso sexual de menores; no entanto, Mikami desafiou esta leitura da produção,[78] observando que a devastação final dos acontecimentos na vida de Lolita é devidamente anotada na peça.
  • O compositor estadunidense Joshua Fineberg e a coreógrafa Johanne Saunier criaram uma "ópera imaginada" de Lolita. Com duração de 70 minutos, estreou em Montclair, Nova Jérsei, em abril de 2009. Enquanto os outros personagens silenciosamente dançam, Humbert narra, muitas vezes, de costas para o público, enquanto sua imagem é projetada em telas de vídeo. Escrevendo no The New York Times, Steve Smith observou que a ópera salienta Humbert como um monstro moral e louco, e não um sedutor suave, e que não faz nada para "sugerir simpatia" em qualquer nível de Humbert.[80] Smith também descreveu como "uma ópera que está menos no sentido convencional do que um monodrama multimídia". O compositor descreveu Humbert como "profundamente sedutor, mas profundamente mau". Ele expressou sua vontade de ignorar o enredo e os elementos do romance de paródia, em vez de colocar o público "na mente de um louco". Ele considerava estar duplicando o efeito de Nabokov de colocar algo na superfície e pôr em causa, um efeito que Saunier pensou que a música foi especialmente adaptada.
  • Em 2009 Richard Nelson criou um drama de um homem só, o único personagem no palco sendo Humbert falando em sua cela. Estreou em Londres, com Brian Cox interpretando Humbert. Cox acredita que este é mais fiel ao espírito do livro do que as outras apresentações ou adaptações de filmes, já que a história não é sobre Lolita em si mesma, mas sobre as memórias imperfeitas de Humbert dela.[81]
  • Four Humors criaram e encenaram uma versão no Minnesota Fringe Festival chamada Four Humors Lolita: A Three-Man Show, em agosto de 2013. O show foi anunciado como "uma peça de teatro, baseada em duas horas e meia do filme de Stanley Kubrick, com base no roteiro de cinco horas de Vladimir Nabokov, baseado no romance de 300 páginas de Vladimir Nabokov, como dito por 3 idiotas".[82]

Obras literárias derivativas[editar | editar código-fonte]

  • O romancista e estudioso italiano[83] Umberto Eco publicou uma pequena paródia do romance de Nabokov chamado "Granita" em 1959.[84] Apresenta a história de Umberto Umberto (Umberto sendo tanto o primeiro nome do autor e da forma italiana de "Humbert") e sua obsessão ilícita pela mais velha "Granita".[85]
  • Publicado em 1992, o livro curto Poems for Men who Dream of Lolita de Kim Morrissey contêm poemas que se propõem a ser escritos por Lolita, refletindo sobre os acontecimentos da história, uma espécie de diário em forma de poesia. Morrissey retrata Lolita como uma inocente alma ferida. Em Lolita Unclothed, um documentário de Camille Paglia, Morrissey reclama que no romance Lolita "não tem voz".[86] A releitura de Morrissey foi adaptada em uma ópera do compositor Sid Rabinovitch, e foi apresentada no New Music Festival em Winnipeg em 1993.[87]
  • O romance de 1995 Diario di Lo (Diário de Lô) de Pia Pera reconta a história do ponto de vista de Lolita, fazendo algumas modificações para a história e os nomes. (Por exemplo, Lolita não morre, e seu sobrenome agora é "Maze"). Os detentores dos direitos de Nabokov tentaram impedir a publicação da tradução em inglês (Lo's Diary), mas o romance foi protegido pelo tribunal como "paródia".[88] "Existem apenas duas razões para tal livro: fofocas e estilo", escreve Richard Corliss, acrescentando que Diário de Lô "falha em ambos os sentidos".[89]
  • Steve Martin escreveu o conto Lolita at Fifty (incluído em sua coleção Pure Drivel), que é um olhar delicadamente bem-humorado sobre como a vida de Dolores Haze poderia ter sido. Ela poderia ter passado por vários maridos. Richard Corliss escreve que: "Em seis páginas Martin habilmente esboça uma mulher que tenha conhecido e utilizado seu fascínio por tanto tempo—desde que ela tinha 11 anos e conheceu Humbert Humbert—que havia se tornado sua carreira".[89]
  • Emily Prager afirma no prefácio de seu romance Roger Fishbite que ela escreveu principalmente, como uma paródia literária de Lolita de Vladimir Nabokov, em parte como uma "resposta tanto para o livro e para o ícone que a personagem Lolita se tornou".[90] O romance de Prager, ambientado na década de 1990, é narrado por uma personagem Lolita, de treze anos chamada Lucky Lady Linderhoff.

Referências na mídia[editar | editar código-fonte]

Memória literária
  • Lendo Lolita em Teerã é um livro de memórias sobre o ensino de clássicos literários ocidentais proibidos pelo governo para as mulheres no mundo de um Irã islâmico, que a autora Azar Nafisi descreve como dominado na década de 1980 por "esquadrões de moralidade" fundamentalistas.[91] As histórias sobre a vida dos membros de seu clube do livro são intercaladas com comentários críticos sobre Lolita e outros três romances ocidentais. Lolita em especial é apelidado como o melhor romance "proibido" e se torna uma metáfora para a vida no Irã. Embora Nafisi afirma que a metáfora não é alegórica (p. 35), ela quer traçar paralelos entre "vítima e carcereiro" (p. 37). Ela implica que, como o personagem principal de Lolita, o regime no Irã impõe seu "sonho em nossa realidade, nos transformando em suas invenções da imaginação". Em ambos os casos, o protagonista comete o crime de "solipsizar outra pessoa". Em fevereiro de 2011 houve a estreia de um concerto de uma ópera baseada em Lendo Lolita em Teerã na University of Maryland School of Music, com a música da doutorando Elisabeth Mehl Greene e um libreto co-escrito do poeta iraniano-estadunidense Mitra Motlagh. Azar Nafisi estava pessoalmente envolvida no desenvolvimento do projeto e participou de uma sessão de perguntas e respostas após a estreia.[92]
Filme
  • Em "The Missing Page", um dos episódios mais populares (a partir de 1960) do seriado britânico Hancock's Half Hour, Tony Hancock havia lido praticamente todos os livros da biblioteca, exceto Lolita, que está sempre emprestado. Ele pergunta repetidamente se o livro foi devolvido. Quando finalmente retornou, há uma comoção entre os usuários da biblioteca em que todos querem o livro. Este incidente específico no episódio é discutido em um artigo de 2003 sobre a redução do uso de bibliotecas públicas no Reino Unido por G.K. Peatling.[93]
  • No filme de Woody Allen, Manhattan (1979), quando Mary (Diane Keaton) descobre que Isaac Davis (Allen) está namorando uma jovem de 17 anos (Mariel Hemingway), ela diz, "Em algum lugar Nabokov está sorrindo". Alan A. Stone especula que Lolita havia inspirado Manhattan.[94] Graham Vickers descreve o papel principal feminino no filme de Allen como "uma Lolita que é permitida expressar seu próprio ponto de vista" e emerge da relação "graciosa, generosa e otimista".[95]
  • No filme de 1999, Beleza Americana, o nome do protagonista Lester Burnham—um homem de meia-idade, com uma queda pela melhor amiga de sua filha—é um anagrama de Humbert learns ("Humbert aprende"). O sobrenome da jovem é Hays, que recorda Haze. Tracy Lemaster vê muitos paralelos entre as duas histórias, incluindo as suas referências a pétalas de rosa e esportes, argumentando que a cena da líder de torcida do filme deriva diretamente da cena do jogo de tênis em Lolita.[96]
  • No filme de Jim Jarmusch, Flores Partidas, o personagem de Bill Murray se depara com uma menina abertamente sexualizada chamada Lolita. Embora o personagem de Murray diz que é "uma interessante escolha de nome", Roger Ebert nota que "Nem a filha nem a mãe parecem saber que o nome Lolita tem associações literárias".[97]
Televisão
  • Um episódio de janeiro de 2012 da série de televisão Pretty Little Liars revelou que a personagem de Alison (que leu Lolita) tem uma alter-ego chamada Vivian Darkbloom (um pouco mais velha e com o cabelo diferente), em homenagem a uma personagem de Lolita (e também de Ada de Nabokov). Um crítico da TV Fanatic sugere que isto lança uma estranha luz em vários pares de homens mais velhos e mulheres mais jovens da série, em particular a relação de Ali com Ian.[98] Huffington Post descreve a série como geralmente tendo um forte tema Lolita, observando que o romance se tornou um ponto da trama em um grande episódio.[99]
Música popular sobre o romance
  • Na música da banda The Police, Don't Stand So Close to Me, sobre a queda de uma aluna por seu professor, no verso final, o professor "começa a tremer e a tossir / como aquele velho homem naquele livro do Nabokov", uma referência direta para o protagonista masculino de Lolita.[101]
  • Na música título de seu álbum de estreia, One of the Boys, Katy Perry diz que "estudou Lolita religiosamente", e a capa do álbum contém referências a aparência de Lolita do filme de Stanley Kubrick. Perry admitiu em várias ocasiões um fascínio e identificação com a personagem Lolita e seu conceito.[102]
  • A música de Marilyn Manson, Heart-Shaped Glasses (When the Heart Guides the Hand), foi indiretamente inspirada no romance e os óculos em forma de coração usados por Lolita no cartaz para o filme de Stanley Kubrick. Em uma entrevista para a BBC Radio One, Manson disse que tinha lido o romance como consequência de agora ter uma namorada muito mais jovem, Evan Rachel Wood. Ela consequentemente apresentou-se para encontrá-lo um dia usando óculos em forma de coração (que ela também havia usado no vídeo da música).[103]
  • A cantora mexicana Belinda lançou em 2010 uma música anônima, extraída de seu álbum Carpe Diem. A música se refere na linha de "Sin duda Nabokov fue el que me escribió", que se traduz literalmente como "Sem dúvida, Nabokov foi quem me escreveu". Tornou-se um sucesso moderado nas listas venezuelanas.[104]
  • A revista Rolling Stone notou que o álbum de 2012 de Lana Del Rey, Born to Die, é "carregado de referências à Lolita",[105] e tem uma faixa bônus intitulada "Lolita". Ela se descreve como a persona do álbum para um crítico do The New Yorker como uma combinação de "uma gangster Nancy Sinatra" e "Lolita perdida no bairro". A crítica observa que "Suas invocações de Sinatra e Lolita são inteiramente apropriadas para as faixas de apoio suntuosas", e que um dos singles do álbum, Off to the Races, repetidamente cita a frase de abertura do romance: "luz da minha vida, fogo do meu lombo".[106]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Nabokov, Vladimir. Lolita. Second Vintage International ed. New York: Random House, 1997. p. 32.
  2. Whelock, Abby. 'Facts on File: Companion to the American Short Story'. [S.l.]: Infobase Publishing, 2008. p. 482.
  3. Prokhorov, Aleksandr Mikhaĭlovich. Great Soviet encyclopedia, Volume 17. [S.l.]: Macmillan, 1982. p. 292.
  4. Morris, Desmond. The book of ages. [S.l.]: J. Cape, 1983. 200 p. ISBN 9780224021661
  5. Lanigan, Esther F.. Women's studies:a recommended core bibliography. [S.l.]: Loeb Libraries Unlimited, 1979. p. 329. ISBN 9780872871960
  6. Perkins, Michael. The Secret Record: Modern Erotic Literature. [S.l.]: Masquerade Books, 1992. 106–108 p. ISBN 9781563330391
  7. Curtis, Glenn Eldon. Russia: a country study. [S.l.]: DIANE Publishing Inc, 1992. p. 256. ISBN 9780844408668
  8. Kon, Igor Semenovich. Sex and Russian society. [S.l.]: Indiana University Press, 1993. p. 35. ISBN 9780253332011 O livro é uma antologia de ensaios editados por Igor Kon. A abertura do ensaio da qual esta citação é retirada por Kon.
  9. Bradbury, Malcolm. Dangerous pilgrimages: transatlantic mythologies and the novel. [S.l.]: Viking, 1996. p. 451. ISBN 9780670866250
  10. Schuman, Samuel. Vladimir Nabokov, a reference guide. [S.l.]: G. K. Hall, 1979. p. 30.
  11. Olsen, lance. Lolita: a Janus text. [S.l.]: Twayne Publishers, 1995. 143 p. ISBN 9780805783551
  12. Afterword to Lolita Vintage edition p. 313.
  13. Citado em Levine, Peter. (April 1995). "Lolita and Aristotle's Ethics". Philosophy and Literature 19 (1): 47.
  14. Vladimir Nabokov's Lolita: a casebook por Ellen Pifer, p. 24
  15. He said, she says: an RSVP to the male text by Mica Howe, Sarah Appleton Aguiar p. 132
  16. Vladimir Nabokov: Lolita by Christine Clegg Chapter 5
  17. Grove, Valerie. "Brian Cox plays Humbert Humbert in Lolita", The Times, 29 de agosto de 2009.
  18. Citado em Jong, Erica. "Summer Reading; Time Has Been Kind To The Nymphet: 'Lolita' 30 Years Later", June 5, 1988.
  19. See "Over her dead body: death, femininity and the aesthetic" por Elisabeth Bronfen p. 379
  20. Lolita Random House 1997 p. 60
  21. Eric Lemay. Dolorous Laughter. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  22. 2a porção de áudio de 50 Years Later, 'Lolita' Still Seduces Readers NPR. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  23. Azar Nafisi, Reading Lolita in Tehran (New York: Random House, 2003) p. 36.
  24. Citado por Leland de la Durantaye em Boston Globe escrevendo no 50° aniversário de Lolita em 28 de agosto de 2005. Requer inscrição Leland de la Durantaye (28 de agosto de 2005). The seduction Boston Globe. Visitado em 2 de outubro de 2014.
  25. Davies, Robertson. Lolita's Crime: Sex Made Funny. [S.l.: s.n.]. Página visitada em 2 de outubro de 2014.
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  36. Laurence W. Martin, "The Bournemouth Affair: Britain's First Primary Election", The Journal of Politics, Vol. 22, No. 4. (Nov. 1960), pp. 654–681.
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  44. O ensaio aparece em Jost, Walter. A companion to rhetoric and rhetorical criticism. [S.l.]: John Wiley & Sons, 2004. p. 230. ISBN 9781405101127
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  69. Maygarden, Tony. SOUNDTRACKS TO THE FILMS OF STANLEY KUBRICK The Endless Groove. Visitado em 10 de maio de 2015.
  70. Broadwayworld.com Lolita, My Love
  71. Os nomes são paralelos no romance, a duplicação da imagem não.
  72. Article in The New York Times (requer registro).
  73. Expat.ru. Recuperado em 13 de março de 2008.
  74. Expat.ru e neste artigo na Time. Veja também Graham Vickers, Chasing Lolita: how popular culture corrupted Nabokov's little girl all over again, p. 141.
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  82. Minnesota Fringe Festival
  83. Eco é por profissão um semiótico e medievalista Página de Eco na amazon
  84. Originalmente publicada no periódico literário italiano Il Verri em 1959, apareceu em uma antologia italiana da obra de Eco em 1963. Publicada em inglês pela primeira vez na antologia de Eco Misreadings (Mariner Books, 1993)
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  86. Transcrito em Camille Paglia "Vamps and Tramps". A citação está na p. 157.
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  90. Emily Prager, author's note, Roger Fishbite (Vintage, 1999).
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  92. Andrew Beaujon (18 de fevereiro de 2011). How 'Reading Lolita in Tehran' became an opera TBD Arts. Visitado em 15 de março de 2015.
  93. Libraries and Culture, Volume 38, No. 2 (Spring 2003), 'Discipline and the Discipline: Histories of the British Public Library', pp. 121–146.
  94. Alan A. Stone (Fevereiro–Março de 1995). Where's Woody? Boston Review. Visitado em 15 de março de 2015.
  95. Vickers, Graham. Chasing Lolita: how popular culture corrupted Nabokov's little girl all over again. [S.l.]: Chicago Review Press, 2008. 85–86 p. ISBN 9781556526824
  96. Tracy Lemaster, "The Nymphet as Consequence in Vladimir Nabokov's Lolita and Sam Mendes's American Beauty", Trans: Internet-Zeitschrift für Kulturwissenschaften 16 (Maio 2006). Recuperado em 6 de fevereiro de 2011.
  97. Roger Ebert's review of Broken Flowers, 5 de agosto de 2005.
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  99. Morgan Glennon (19 de março de 2012). The Feminism of Pretty Little Liars Huffington Post. Visitado em 15 de março de 2015.
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  101. JR Huffman, JL Huffman (1987), "Sexism and cultural lag: The rise of the jailbait song, 1955–1985", The Journal of Popular Culture, doi:10.1111/j.0022-3840.1987.2102_65.x 
  102. Ela se identifica com a personagem (Clayton Perry (18 de julho de 2008). Interview: Katy Perry - Singer, Songwriter and Producer. Visitado em 15 de março de 2015.), nomeou uma guitarra dela de Lolita (Scott Thill (16 de junho de 2008). Katy Perry: Not just one of the boys: A minister's daughter turned pop provocateur brings some candy-colored girl power to the Warped Tour Katy Perry Forum. Visitado em 15 de março de 2015.), e teve seu senso de moda em uma idade jovem influenciada pelas roupas de Swain no final do filme de Adrian Lynne (Harris, Sophie. "Katy Perry on the risqué business of I Kissed a Girl", The Times, 30 de agosto de 2008. Página visitada em 15 de março de 2015.).
  103. Reproduzido em mansonquotes.com
  104. Lolita de Belinda, la canción de la telenovela Niñas mal
  105. Rob Sheffield (30 de janeiro de 2012). Lana Del Rey:Born to Die Rolling Stone. Visitado em 15 de março de 2015.
  106. Sasha Frere-Jones (6 de fevereiro de 2012). Screen Shot: Lana Del Rey's fixed image New Yorker Magazine. Visitado em 15 de março de 2015.

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Appel, Alfred, Jr. The Annotated Lolita (em inglês). revisada ed. Nova Iorque: Vintage Books, 1991. ISBN 0-679-72729-9 Um dos melhores guias para as complexidades de Lolita. Publicado pela editora estadunidense McGraw-Hill em 1970. (Nabokov comentou sobre as anotações de Appel, criando uma situação que Appel descreveu como John Shade revisando os comentários de Charles Kinbote sobre o poema de Shade em Fogo Pálido. Curiosamente, esta é exatamente a situação que o estudioso sobre Nabokov Brian Boyd propôs para resolver as complexidades literárias em Fogo Pálido).
  • Appel, Alfred, Jr. Nabokov's Dark Cinema (em inglês). Nova Iorque: Oxford University Press, 1974. ISBN 0-19501-834-6 Um estudo pioneiro de interesse sobre Nabokov e usos literários de imagens do filme.
  • Boyd, Brian. Vladimir Nabokov: The American Years. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1991. ISBN 0-691-06797-X
  • Clegg, Christine. Vladimir Nabokov, Lolita: A reader's guide to essential criticism (em inglês). Cambridge: Icon Books, 2000. ISBN 1-84046-173-X Uma pesquisa sobre a recepção do romance, organizada por década.
  • Connolly, Julian W. The Cambridge Companion to Nabokov (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press, 2005. ISBN 0-521-53643-X Ensaios sobre sua vida e romances.
  • Johnson, Kurt, & Coates, Steve. Nabokov's Blues: The Scientific Odyssey of a Literary Genius (em inglês). Nova Iorque: McGraw-Hill, 1999. ISBN 0-07-137330-6 Um dos maiores estudos sobre Nabokov, frequentemente mencionando Lolita.
  • Lennard, John. Vladimir Nabokov, Lolita (em inglês). Tirril: Humanities-Ebooks, 2008. ISBN 978-1-84760-097-4 Uma introdução e guia de estudo no formato PDF.
  • Nabokov, Vladimir. Lolita (em inglês). Nova Iorque: Vintage International, 1955. ISBN 0-679-72316-1 A edição original do romance.
  • Pifer, Ellen. Vladimir Nabokov's Lolita: A casebook (em inglês). Oxford & Nova Iorque: Oxford University Press, 2003. ISBN 0-679-72316-1 Ensaios sobre o romance, principalmente entre 1980 e 1990.
  • Wood, Michael. The Magician's Doubts: and the Risks of Fiction (em inglês). Princeton: Princeton University Press, 1994. ISBN 0-691-04830-4 Uma monografia amplamente elogiada lidando extensivamente com Lolita.
  • Dauster, Jorio. Lolita, Vladimir Nabokov (em português). São Paulo: Companhia das Letras, 1994. ISBN 85-7164-400-4 A edição brasileira de 1994 do romance.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]