Movimento de Unidade Nacional Antifascista
Movimento de Unidade Nacional Antifascista | |
|---|---|
| Fundador | Norton de Matos |
| Fundação | 1943 |
| Dissolução | 1945 |
| Ideologia | Anti-ditadura Pró-democracia |
| Espectro político | Sincrético |
O Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF) foi uma organização política clandestina de oposição ao Estado Novo formada em Dezembro de 1943.
Contexto
[editar | editar código]Este movimento foi fundado num momento de viragem na Segunda Guerra Mundial a favor dos aliados e contra o nazismo e o fascismo. Os exemplos de resistência pela Europa fora inspiravam iniciativas de resistência alargada.[1]
Por outro lado, a crise económica e social acentuava-se. O regime recorria ao racionamento, enquanto a população, com fome e falta de bens alimentares, esperava na fila para receber a senha de racionamento.[2]
Naturalmente, as lutas sociais intensificavam-se e o movimento grevista crescia.[2] Momentos de maior agitação popular incluíram Maio de 1944, de Agosto a Outubro de 1945, e Abril de 1947.[1]
Composição política
[editar | editar código]No MUNAF estavam representadas organizações como:
- o Partido Republicano Português,[2]
- o velho Partido Socialista – SPIO (Secção Portuguesa da Internacional Operária), de Ramada Curto[2][1]
- a nova União Socialista,[2][1]
- o Partido Comunista Português, que enfrentava um período de reorganização, tendo aprovado uma “linha frentista de unidade antifascista”, no seu último Congresso.[2]
- CGT. [1]
Assim, num espírito frentista, o MUNAF juntava:[2]
- republicanos,
- socialistas,
- comunistas,
- a Maçonaria,
- o grupo da Seara Nova,
- católicos,
- liberais,
- monárquicos
- anarquistas e anarcosindicalistas.
Direção
[editar | editar código]O Conselho Nacional era presidido pelo general Norton de Matos, com uma composição ampla e prestigiosa. Cada partido ou agrupamento político tinha direito a nomear dois delegados. Adicionalmente, o Conselho Nacional incluía "figuras conhecidas da vida cultural ou intelectual, militares ou representantes de organizações populares"[1]
A Comissão Política integra, entre outros, o presidente do Conselho Nacional, por Barbosa de Magalhães e Bento de Jesus Caraça.
A Comissão Executiva tinha apenas 5 ou 6 membros e incluiu como membros fundadores Fernando Piteira Santos (do PCP), José Magalhães Godinho (da União Socialista), Jacinto Simões (republicano independente), major Moreira de Campos (republicano), Alberto Rocha e Manuel Duarte.[3][4][1].
Atividades
[editar | editar código]Expansão da estrutura, com criação de Comissão regional no Porto, em Coimbra, e nas outras regiões. Seguiram-se depois "comissões locais ao nível de concelho e de freguesia", comissões profissionais nas principais cidades e comissões de trabalhadores nalgumas zonas industriais.[1]
O primeiro comunicado do movimento data de janeiro de 1944, nele sendo apresentados os seus objetivos e orgânica.
Programa de Emergência do Governo Provisório
[editar | editar código]Adoptado pelo Conselho Nacional em Juího de 1944, este documento compilava um programa de emergência a implementar após a libertação do país. A negociação e conciliação de posições foi complexo e demorado. Foi elaborado por um comité com os seguintes membros: Barbosa de Magalhães, Azevedo Gomes, Bento de Jesus Caraça, Álvaro Cunhal, Luís Dias Amado, Jacinto Simões e José Magalhães Godinho.[1]
O programa pugnava pela:
- "a destruição do sistema fascista,
- a introdução dum sistema democrático,
- o melhoramento das condições de vida do povo português,
- a democratização do crédito e das instituições bancárias,
- o desenvolvimento da educação e da cultura,
- a reforma do sistema judicial,
- a reorganização das forças armadas,
- «a defesa da unidade de Portugal e das colónias» (sic),
- o apoio de Portugal aos Aliados e às Nações Unidas" [1]
Estratégias de derrube da ditadura
[editar | editar código]A discussão mais polarizada centrava-se na forma de derrubar o regime.[1]Ambas as estratégias propostas seriam promovidas pelos diferentes protagonistas de forma independente, mas com poucos resultados visíveis.[1]
Os republicanos apostavam numa estratégia de "conspiração militar", em que um golpe derrubasse Salazar e repondo o regime deposto em 1926 (p.693). A derrota do Eixo e um golpe Liberal no Brasil em 1945 consolidam esta via. Levou à tentativa de revolta da Mealhada em Outubro de 1946 (p.698-9).[1]
Em contraste, o Partido Comunista Português apoiava uma estratégia de "insurreição de massas", com um "levantamento nacional antifascista com uma "intensificação das lutas populares" como "greves, manifestações, lutas pelo pão e pelos géneros", e com "destacamentos armados de trabalhadores" (p.693). Apesar de "assaltos pelo povo a celeiros e aos açambarcadores e enfrentamentos violentos com a polícia e a GNR nas greves e manifestações", terão carácter esporádico e espontâneo, e não planeado ou sistemático (p.697).[1]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Raby, D. L. (1984). O MUNAF, o PCP e o problema da estratégia revolucionária da Oposição, 1942-47. Análise Social, 20(84), 687–699. http://www.jstor.org/stable/41010486
- 1 2 3 4 5 6 7 «Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF)». Museu do Aljube. 31 de dezembro de 2020. Consultado em 8 de fevereiro de 2026
- ↑ MUNAF, no site da Fundação Mário Soares.
- ↑ ROSAS, Fernando; BRITO, José Maria Brandão de. Dicionário de História do Estado Novo. Venda Nova: Bertrand Editora, 1966, sv Movimento de Unidade Nacional Antifascista. ISBN 972-25-1017-7