Artes e anarquismo

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O anarquismo desde seu surgimento possui diversas associações com as artes, particularmente com a música e a literatura. A influência do pensamento libertário não é sempre diretamente relacionada a um conjunto de imagens específicas ou figuras públicas, mas pode ser vista em certa instância, em torno da libertação máxima dos seres humanos em conjunto ou individualmente, em relação ao seu poder de expressão, criatividade e imaginação. É necessário porém, não permitir que o caráter intelectual que gira entorno das obras acabe gerando discriminações, seja dentro ou fora do meio artístico.

Pinturas e Movimentos Artísticos[editar | editar código-fonte]

Muitas vezes a arte anarquista é ligada às artes da vanguarda européia que tem um caráter crítico e libertário, seja na pintura, na música (experimentalismo, noise, concreto, entre outros), ou em outras atividades.

O dadaísmo e a anti-arte são os mais comumentes ligado a anarquia, assim como o movimento fluxus. Além deles há diversos outros exemplos, como Carlo Carrà, que representou uma rebelião anarco através de um quadro futurista (que erroneamente tem fama de ser apenas ligado ao fascismo).

Todas as outras vertentes, como o surrealismo e a sua concepção alternativa de realidade, ou o expressionismo, representando por exemplo a pobreza e as angústias de classes menos privilegiadas, também foram amplamente utilizadas.

Cinema e Literatura[editar | editar código-fonte]

Na literatura e poesia também destaca-se muitos anarquistas famosos, como Oscar Wilde, Hugo Ball, John Cage (que também é um famoso compositor de vanguarda), entre outros. Alguns vão além e consideram válida a leitura de autores menos envolvidos como Friedrich Nietzsche, apesar de haver divergências.

No Brasil, Carlos Drummond de Andrade cita e chega inclusive a se caracterizar como anarquista quando jovem em livros como A Rosa do Povo. Diversos artistas da primeira fase do modernismo inclusive flertavam com a anarquia em geral.

No cinema, pouco tem se visto sobre anarquia, apesar de haver diversos documentários sobre anarco-punks e seus derivados. Na Bahia se destacou o cineasta Glauber Rocha, que apesar de não ser um convicto anarquista, se tornou um ícone contra-cultural devido aos seus ideais e provocações em plena ditadura militar.

Em alguns quadrinhos norte americanos existe a presença de personagens como o Anarquia, anti-vilão de Batman, e alguns Graphic novels como V de Vingança (onde o protagonista é um anarquista declarado) que foi adaptado para o cinema.

Música[editar | editar código-fonte]

Além da vanguarda experimental e erudita, há também a música anarquista moderna. Influenciados pelo Rock'n Roll clássico, surgiu na década de 50 e 60 a música experimental de Frank Zappa nos Estados Unidos e o rock'n roll de Raul Seixas no Brasil.

Em 1977 ocorre a explosão do punk rock, com grupos influenciados pela música de Velvet Underground e The Stooges. Apesar das bandas da época anterior, assim como desta época (como Ramones e Sex Pistols) não serem anarquistas, eles se tornaram ícones devido a sua despojada rebeldia.

Finalmente, em meados dos anos 80, surge uma sub-cultura ligada ao movimento punk que é realmente engajada, o Anarcopunk. O princípal intuito é fazer uma música de protesto simples e direto, estritamente ligado à cultura underground e independente (ética Faça você mesmo). O movimento se expande ainda mais com a aceitação de alguns simpatizates do Pós Punk e da Música industrial, estilos musicais com influência do experimentalismo e que em geral costumam flertar com a anarquia.

Usando acordes bem simples, sem muita técnica e com instrumentos baratos, as bandas e grupos Anarcopunks dão ênfase às letras de caráter panfletário usando estilos musicas como o rock e o rap. Dentre as mais influentes estão o Crass, Conflict e Black Flag. No Brasil existem muitos admiradores como o Restos de Nada e o Cólera.

Arte Urbana[editar | editar código-fonte]

Os anarquistas também apreciam muito a arte anônima e urbana. A intervenção urbana, grafite, pichação consciente, arte sabotagem e terrorismo poético tem uma ligação muito forte e profunda com os conceitos da anarquia.

Além de ser uma ação direta, entra em choque com as leis e expressa livremente uma opinião, sendo que a arte não ter nome a faz com que ela seja de todos e para todos. Geralmente isso envolve mensagens diretas ou indiretas que expõe toda a sociedade à uma realidade atual através de algo inusitado. Dependendo do artista e das circunstâncias, essas atividades podem ser inofensivas assim como podem ser um pouco mais extremas, chegando a atos de vandalismo, invasão e roubo para fins artísticos.


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