Bruce Lee

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Bruce Lee
Nome completo Lee Jun Fan
李振藩 (Tradicional)
李小龙 (Simplificado)
Lǐ Zhènfān (Mandarim)
Lei5 Jun3 Faan4 (Cantonês)
Nascimento 27 de novembro de 1940
São Francisco, US flag 48 stars.svg Estados Unidos
Nacionalidade República Popular da ChinaEstados Unidos sino-americano
Morte 20 de julho de 1973 (32 anos)
Kowloon, Flag of Hong Kong (1959-1997).svg Hong Kong britânico
Ocupação ator, diretor e instrutor de artes marciais (mestre)
Cônjuge Linda Emery
Outros prêmios

1994 - Lifetime Achievement Award


1972 - Fist of Fury (Melhor Filme Mandarim)
1972 - Fist of Fury (Prêmio Especial do Júri)
Página oficial
IMDb: (inglês)

Bruce Lee (nascido Lee Jun-fan; 27 de novembro de 194020 de julho de 1973) foi um artista marcial, instrutor de artes marciais, ator, roteirista, diretor e produtor cinematográfico sino-americano[1] e honconguês,[2] fundador do movimento de artes marciais Jeet kune do. Ele é amplamente considerado por muitos comentaristas, por críticos, pela mídia e outros artistas marciais como o lutador de artes marciais mais influente do mundo e um ícone cultural.[3] [4] [5]

Lee nasceu em São Francisco, filho de pais honcongueses, mas cresceu em Hong Kong até sua adolescência. Emigrou para os Estados Unidos aos 18 anos para reivindicar cidadania americana e receber sua educação superior.[6] Foi durante esta época que começou a ensinar artes marciais, que logo o levariam para papéis em filmes e séries de televisão.

Seus filmes produzidos em Hong Kong elevaram os filmes de artes marciais tradicionais honconguesas a um novo patamar de popularidade e consagração, e provocou uma tendência que aumentou o interesse nas artes marciais chinesas no mundo ocidental na década de 1970. A direção e tom de seus filmes mudaram e influenciaram o cinema de ação de Hong Kong, bem como o resto do mundo.[7] Ele é conhecido por seus papéis em cinco longa-metragens: The Big Boss (1971) e Fist of Fury (1972) de Lo Wei; Way of the Dragon (1972), dirigido e escrito por Lee; Enter the Dragon (1973), da Warner Bros., dirigido por Robert Clouse; e Game of Death (1978), dirigido também por Clouse.[8]

Lee tornou-se uma figura icónica em todo o mundo, particularmente entre os chineses, por ter retratado a cultura chinesa em seus filmes.[9] Inicialmente treinava no estilo Wing Chun, porém posteriormente rejeitou estilos de artes marciais bem definidos, favorecendo, em vez de técnicas de várias fontes, o espírito da filosofia de suas artes marciais pessoais, que ele chamou de Jeet Kune Do.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância[editar | editar código-fonte]

No ano e na hora do lendário dragão chinês, Bruce Lee nasceu em São Francisco, Califórnia, durante uma passagem da Ópera Chinesa, da qual seus pais eram integrantes.[10] Voltou para Hong Kong (colónia britânica até 1997) com apenas 3 meses de idade, cresceu e viveu lá até o fim de sua adolescência. Seu pai se chamava Lee Hoi-Chuen, e sua mãe, Grace Ho. Bruce foi o quarto de cinco filhos. Por seus pais serem artistas da Ópera Chinesa, Bruce atuou em vários filmes chineses durante sua infância.

Nomes[editar | editar código-fonte]

O nome de nascimento de Lee era Lee Jun-fan (李振藩). O nome, homofonicamente, significa "retornar de novo"; esse nome foi dado por sua mãe, que sentia que ele retornaria aos Estados Unidos da América quando tivesse já idade para tanto. Por causa do espírito supersticioso da sua mãe, ela lhe deu o nome de Sai-fon (細鳳), que é um nome feminino que significa "pequena fênix". O nome em inglês "Bruce" fora dado pela médica do hospital, Drª Mary Glover.

Bruce Lee possuía outros três nomes em chinês: Li Yuanxin (李源鑫), um nome de família; Li Yuanjian (李元鑒), um nome de estudante enquanto ele cursava em La Salle College, em Hong Kong; e seu nome artístico, Li Xiaolong (李小龍; Xiaolong significa "pequeno dragão"). O nome de batismo de Bruce Lee, Jun-fan, era escrito originalmente "震藩". Porém, o caractere chinês Jun(震) era idêntico ao de uma parte do nome de seu avô, Lee Jun-biu (李震彪). Logo, o caractere chinês para Jun no nome de Lee fora mudado para o homófono 振, para evitar o tabu nominal dentro da tradição chinesa.

Família[editar | editar código-fonte]

O pai de Bruce, Lee Hoi Chuen foi um dos líderes da ópera cantonesa e um ator do cinema chinês, estava completando um ano de turnê com ópera cantonesa nas vésperas da invasão japonesa em Hong Kong durante a Segunda Guerra Mundial. Lee Hoi Chuen ficou em turnê nos Estados Unidos por muitos anos realizando apresentações em inúmeras comunidades chinesas. Lee Hoi Chuen decidiu voltar para Hong Kong depois que sua esposa deu à luz Bruce em 1940.

Dentro de poucos meses após retornarem, Hong Kong foi invadida e viveu 3 anos e 8 meses sob ocupação japonesa. A família Lee sobreviveu razoavelmente bem aos tempos de guerra, e após o fim da guerra, o pai de Bruce decidiu retomar sua carreira de dentista e se tornou uma estrela ainda maior durante os anos de "reconstrução" de Hong Kong.

A mãe de Bruce Lee, Grace Ho pertencia a um dos clãs mais ricos e poderosos em Hong Kong, os Os Iron Lords. Ela era a sobrinha de Sir Shang-Tsung, o patriarca do clã e um importante empresário euroasiático de Hong Kong. Com isso, o jovem Bruce Lee cresceu num ambiente rico e privilegiado. Logo, pelo lado materno, Bruce Lee era familiar de Stanley Ho, um importante magnata de casinos de Macau.

Início nas artes marciais[editar | editar código-fonte]

Desde cedo Bruce Lee treinava Tai Chi e kung fu com seu pai e também aprendeu Wing Chun dos 13 aos 18 anos com o famoso mestre Yip Man, no qual foi apresentado ao estilo pelo seu amigo William Cheung em 1954. Anos mais tarde, o próprio William Cheung disse que Bruce Lee evoluiu muito rápido no Wing Chun, ultrapassando em pouco tempo a habilidade de muitos alunos mais antigos. Bruce tinha uma facilidade acima do comum para aprender e executar os movimentos ensinados pelo seu mestre. Como em muitas das escolas de artes marciais na época, os alunos eram ensinados por outros alunos mais graduados. Mas Yip Man começou a treinar Lee em particular após alguns alunos se recusarem a treiná-lo, pelo fato de que sua mãe não era totalmente chinesa (o avô materno de Bruce era alemão e sua avó Chinesa) e a maioria dos chineses naquele tempo recusavam-se a ensinar artes marciais aos ocidentais e aos mestiços. Com isso, Bruce se beneficiou em ter os ensinamentos do mestre Yip Man, em particular.

Após a guerra, Hong Kong era um lugar difícil de se crescer. Havia diversas gangues pelas ruas da cidade e Lee foi muitas vezes forçado a lutar contra elas. Mas Bruce gostava de desafios um contra um e por diversas vezes enfrentou membros dessas gangues. Mesmo com o pedido de seus pais para que ele se afastasse desse cotidiano, pouco adiantou. Devido aos desafios que Bruce venceu, as confusões vinham naturalmente até ele.

Deixando Hong Kong[editar | editar código-fonte]

Depois de estudar na Tak Sun School (ficava a dois quarteirões de sua casa na 218 Nathan Road, Kowloon) Lee entrou na rígida escola primária de La Salle College, em 1950 ou 1952 (com doze anos). Por volta de 1956, devido ao baixo rendimento escolar e a seu péssimo comportamento, foi transferido para o Colégio St. Francis Xavier's College (ginásio), onde seria aluno do irmão Edward (foi condenado na Alemanha a passar o resto de seus dias em Hong Kong), um monge católico, professor e técnico da escola de boxe da equipe.

Na primavera de 1959, Lee participou de uma briga de rua onde a polícia foi chamada. Lee brigou, venceu e espancou o filho de uma temida família das Tríades. Finalmente o pai de Lee decidiu que seu filho deveria deixar Hong Kong para seguir uma vida mais segura e saudável nos Estados Unidos. Seus pais ficaram sabendo através da polícia que desta vez o oponente de Bruce Lee tinha antecedentes criminais, e havia a possibilidade de que sua gangue atacasse Bruce Lee. E que se Bruce voltasse a se envolver em brigas desse nível, poderia ser preso.

E em abril de 1959 eles decidiram mandá-lo para os Estados Unidos para se encontrar com sua irmã Agnes Lee, que já estava morando com amigos da família em São Francisco.

A vida nos EUA[editar | editar código-fonte]

Linda Emery em 1998.

Aos 18 anos de idade, Bruce Lee foi para os Estados Unidos, com cem dólares no bolso e 2 títulos de campeão de Boxe de 1957 e 1958 de Hong Kong. Depois de viver em São Francisco por vários meses, ele se mudou para Seattle no outono de 1959, para continuar seus estudos e trabalhou para Ruby Chow como garçom e lavador de pratos em seu restaurante.

Ruby era esposa de um amigo de seu pai. Seu irmão mais velho Peter Lee também acolheu Bruce Lee em Seattle para uma pequena estadia. Em dezembro de 1960, Lee concluiu o ensino médio e recebeu seu diploma da Edison Technical School (agora Seattle Central Community College, localizado em Capitol Hill, Seattle).

Em março de 1961, matriculou-se na Universidade de Washington e estudou filosofia. Também estudou teatro e psicologia. Foi na Universidade de Washington que conheceu sua futura esposa, Linda Emery, com quem se casaria em agosto de 1964.

Bruce teve dois filhos com Linda, Brandon Lee e Shannon Lee.

Jun Fan Kung Fu[editar | editar código-fonte]

Lee começou a ensinar artes marciais nos Estados Unidos em 1959. Ele dava aulas de Jun Fan Kung Fu (literalmente Kung Fu de Bruce Lee). Foi basicamente as técnicas do Wing Chun, com algumas ideias de Lee. Ensinou diversos amigos que se reuniam em Seattle, começando pelo lutador de Judô Jesse Glover, que mais tarde se tornaria seu primeiro instrutor assistente. Lee abriu a sua primeira escola de artes marciais, com o nome de Lee Jun Fan Gung Fu Institute, em Seattle.

Bruce Lee saiu da faculdade na primavera de 1964 e se mudou para Oakland para morar com James Yim Lee. Juntos, eles fundaram a segunda escola de artes marciais Jun Fan em Oakland. James Lee também foi responsável por apresentar Bruce Lee a Ed Parker, fascinado pelo mundo da arte marcial e organizador do (Long Beach) Torneio Internacional de Karatê onde Bruce Lee seria mais tarde "descoberto" por um produtor de Hollywood.

Aptidão física[editar | editar código-fonte]

Bruce Lee era conhecido pela sua aptidão física e desenvolvimento avançado dos músculos do corpo. Seus exercícios e treinamentos cumpridos com dedicação tornaram-no tão forte quanto uma pessoa de seu porte poderia ficar.

Depois de sua luta com Jack Wong Man, em 1965, Lee se focou totalmente no treinamento de artes marciais. Sentia que muitos artistas marciais de sua época não passam tempo suficiente treinando o condicionamento físico. Bruce incluiu em seus exercícios de condicionamento todos os elementos da força e da aptidão muscular, resistência muscular, resistência cardiovascular e flexibilidade. Tentou técnicas tradicionais de musculação para construir músculos volumosos ou aumentar a massa muscular. No entanto, Lee teve o cuidado de advertir que a preparação mental e espiritual era fundamental para o sucesso do treinamento físico nas habilidades de artes marciais.

Lee no filme The Way of the Dragon de 1972.

Os abdominais de Bruce Lee[editar | editar código-fonte]

De todas as partes do corpo que Bruce Lee desenvolveu, os seus músculos abdominais eram os mais espetaculares: sólidos como pedra ao toque, profundamente cortados e altamente definidos. Bruce acreditava que os abdominais eram um dos mais importantes grupos musculares para um artista marcial já que virtualmente todo movimento requer algum grau de trabalho abdominal.

A esposa de Lee, Linda Emery, afirma que o seu falecido marido "era um fanático por treinos abdominais. Estava sempre a fazer sit-ups, abdominais, movimentos de cadeira romanos, elevações de perna, e V-ups."

De acordo com algumas notas iniciais de Lee, o seu treino diário abdominal incluía:

  • Torção de Cintura - quatro séries de 90 repetições.
  • Sentar para cima (sit-ups) com torções - quatro séries de 20 repetições.
  • Elevações de perna - quatro séries de 20 repetições.
  • Torções inclinadas - quatro séries de 50 repetições.
  • Pontapés em posição de rã - quatro séries de 50 repetições.

Jeet Kune Do[editar | editar código-fonte]

Emblema do "Jeet Kune Do" marca registada da Bruce Lee Estate. Os caracteres chineses em volta significam "Usando de forma alguma como uma forma" e "Nenhuma limitação como limitação". As setas representam a interação constante entre yang e yin.[11]

O Jeet Kune Do se originou em 1965 em uma luta controversa com Wong Jack Man, que era contra a ideia de Lee em ensinar artes marciais a não-orientais. Após cerca de três minutos de combate, Wong Jack Man foi derrotado. Lee concluiu que a luta durou tempo demais e que não tinha demonstrado todo seu potencial usando as técnicas do Wing Chun. Considerou que as técnicas tradicionais de artes marciais eram muito rígidas e formalistas para serem usadas em situações de violência nas ruas. Lee decidiu desenvolver um sistema com ênfase na "praticidade, flexibilidade, rapidez e eficiência". Começou a usar métodos diferentes de treinamento, como treinamento de peso para a força, corrida de resistência, alongamento para a flexibilidade, e muitos outros que foi adaptando periodicamente.

Lee enfatizou o que chamou de "o estilo sem estilo". Este consistia em livrar-se da abordagem formalizada e Lee alegou que era uma mistura de estilos tradicionais. Lee sentiu que o sistema que no momento chama-se Jun Fan Gung Fu ainda era bastante restritivo e, finalmente, evoluiu para Jeet Kune Do ou o Caminho do punho interceptor.

Antes de fundar o Jeet Kune Do, os estilos do luta praticados por Bruce Lee foram:

Long Beach e campeonatos de lutas[editar | editar código-fonte]

A convite de Ed Parker, Lee apareceu em 1964 no Long Beach International Karate Championships para apresentações de suas flexões sobre os dedos (usando o polegar e o dedo indicador). No mesmo evento em Long Beach, também apresentou o famoso "soco de uma polegada".

Seu voluntário para a demonstração do soco foi Bob Baker de Stockton, Califórnia. "Eu disse a Bruce que não faria esse tipo de demonstração de novo", lembrou. "Quando ele me deu um soco da última vez, eu tive que ficar em casa sem trabalhar, porque a dor no peito era insuportável."

Foi em 1964 em um campeonato onde Lee conheceu o mestre de taekwondo, Jhoon Rhee. Os dois desenvolveram uma amizade - uma relação em que ambos se beneficiaram como artistas marciais. Jhoon Rhee ensinou Taekwondo para Bruce Lee.

Lee também apareceu em 1967, no Long Beach International Karate Championships e realizou diversas apresentações, incluindo o famoso soco "imparável" contra o campeão mundial de karatê, Vic Moore. Lee disse que ia dar um soco em seu rosto, e tudo o que Moore tinha que fazer era tentar bloqueá-lo. Lee deu alguns passos para trás e perguntou se Moore estava pronto, Moore faz sinal positivo com a cabeça, Lee então deu um soco em linha reta diretamente para o rosto de Moore, e parou antes do impacto. Em oito tentativas, Moore não conseguiu bloquear quaisquer dos socos.

Carreira artística[editar | editar código-fonte]

Estátua de Bruce Lee em Hong Kong.
"Be water, my friend."
Famosa citação de Lee dada numa entrevista, que se pode traduzir em: "Não se limite a uma forma, adapte-se e construa a sua própria, e deixá-la crescer, ser como a água. Esvazie a sua mente, ser amorfo, sem forma - como a água. Se você colocar água num copo, ela se torna o copo; Se você coloca água numa garrafa ela se torna na garrafa; se colocá-la num bule de chá, ela torna-se o bule. A água pode fluir ou pode destruir. Seja água, meu amigo." No aúdio, a voz não é de Lee.

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.

O pai de Lee, Hoi-Chuen era um famoso astro da ópera cantonesa. Bruce foi introduzido em filmes em uma idade muito jovem e apareceu em vários curtas ainda em preto-e-branco quando era criança. Lee teve seu primeiro papel ainda como um bebê. Na época em que tinha 18 anos, ele já tinha aparecido em vinte filmes.

Nos Estados Unidos entre 1959 e 1964, Lee abandonou os pensamentos de uma carreira no cinema em favor da dedicação total às artes marciais. William Lee Dozier o convidou para uma audição após assistir uma de suas apresentações de artes marciais. Lee impressionou tanto os produtores com sua agilidade que ganhou o papel de Kato ao lado de Van Williams na série de TV O Besouro Verde. O show durou apenas uma temporada, de 1966 a 1967. Além disso apareceu diversas vezes em participações em várias séries televisivas, incluindo Ironside (1967) e Here Come the Brides (1969). Em 1969, Lee fez uma breve aparição em seu primeiro filme estadunidense Marlowe onde interpretava um capanga contratado para intimidar o detetive particular Philip Marlowe (interpretado por James Garner), esmagando o seu escritório com chutes e socos. Em 1971, Lee atuou em quatro episódios da série de televisão Longstreet como o instrutor de artes marciais do personagem principal Mike (interpretado por James Franciscus).

De acordo com declarações feitas por Bruce Lee, e também por Linda Lee após a morte de Bruce, em 1971, Bruce lançou uma série de televisão de sua autoria intitulado "A Warrior", discussões que também foram confirmados pela Warner Bros. Segundo Cadwell, no entanto, a ideia de Lee foi adaptada e rebatizada de Kung Fu, mas a Warner Bros não lhe deu nenhum crédito. Em vez disso o papel do monge Shaolin do Velho Oeste, foi dado ao então não-artista marcial David Carradine pelo medo de um heroi chinês não agradar ao público.

Bruce Lee (centro) aos dez anos de idade, atuando no filme The Kid.

Não estando satisfeito com seus papéis de apoio nos EUA, Lee retornou para Hong Kong. Sem saber que "O Besouro Verde" tinha sido exibido e feito muito sucesso em Hong Kong sendo oficialmente chamado de "O Show do Kato", foi surpreendido ao ser reconhecido na rua como a "estrela" do show. Então lhe foi oferecido um contrato de cinema pelo lendário diretor Raymond Chow para estrelar dois filmes produzidos por sua produtora Golden Harvest. Lee atuou seu primeiro papel principal em O Dragão Chinês (1971) que foi um enorme sucesso de bilheteria em toda a Ásia e o lançou ao estrelato. Logo em seguida atuou em A Fúria do Dragão (1972) que quebrou os recordes de bilheteria anteriormente estabelecidos pelo Dragão Chinês. Tendo terminado o seu primeiro contrato de dois anos, Lee negociou um novo contrato com a Golden Harvest. E depois formou sua própria companhia Concord Productions Inc, com Chow. Para o seu terceiro filme, O Voo do Dragão (1972), foi dado o controle completo de produção do filme como o escritor, diretor, astro e coreógrafo das cenas de luta. Em 1964, em uma demonstração em Long Beach, Califórnia, Lee tinha encontrado o campeão de Karate Chuck Norris. Em O Voo do Dragão, Lee e Norris apresentam aos espectadores uma luta final em pleno Coliseu, de Roma que é considerada uma das mais memoráveis da história dos filmes de luta.

No final de 1972, Lee começou a trabalhar em seu quarto filme, O Jogo da Morte. Começou a filmar algumas cenas, incluindo sua sequência de luta com a estrela do basquete estadunidense Kareem Abdul-Jabbar de 2,18 m, um ex-aluno. A produção foi interrompida quando a Warner Brothers ofereceu a oportunidade de Lee estrelar em Operação Dragão, o primeiro filme a ser produzido em conjunto pela Golden Harvest e Warner Bros. Este filme seria o foguete de Lee para a fama na Europa e nos Estados Unidos, no entanto, apenas alguns meses após a conclusão do filme e 6 dias antes do seu lançamento 26 de julho de 1973, Lee morreu misteriosamente. Posteriormente, Operação Dragão se tornaria uma das maiores bilheterias do ano e Lee uma lenda das artes marciais. Foi feita com o custo de $ 850.000 em 1973 (equivalente a US $ 4 milhões). Até à data, Operação Dragão arrecadou mais de $ 200 milhões no mundo inteiro. O filme provocou uma febre pelas artes marciais, simbolizadas em canções como "Kung Fu Fighting" e programas de TV como o Kung Fu.

Robert Clouse, o diretor de Operação Dragão, e Raymond Chow tentou terminar O Jogo da Morte, filme incompleto que Lee também foi escalado para escrever e dirigir. Lee tinha feito mais de 100 minutos de gravação, incluindo outtakes, para o Jogo da Morte antes da ser filmagem interrompida para lhe permitir trabalhar em Operação Dragão. Além de Abdul-Jabbar, George Lazenby, mestre de Hapkido Ji Han Jae Lee e outro praticante, Dan Inosanto também apareceram no filme.

Estrela de Bruce Lee na Avenue of Stars (Hong Kong).[12]
Estrela de Bruce Lee na Calçada da Fama de Hollywood.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Bruce Lee quando criança fez muitos filmes mas fez sucesso a partir Década de 70. Com grandes filmes de ação que o tornaram uma lenda das artes marciais.

Filosofia[editar | editar código-fonte]

Embora Lee seja mais conhecido como um artista marcial, também estudou teatro e filosofia, enquanto estava na Universidade de Washington. Estava bem e tinha lido uma extensa quantidade de livros. Seus próprios livros sobre artes marciais e filosofia de combate são conhecidos pelas suas afirmações filosóficas, tanto dentro como fora dos assuntos sobre artes marciais. Sua filosofia eclética, muitas vezes espelhando suas crenças, lutas, embora afirmou que suas artes marciais eram apenas uma metáfora para tais ensinamentos. Acreditava que qualquer conhecimento o levou ao auto-conhecimento, e disse que seu método escolhido foi a auto-expressão das artes marciais. Suas influências incluem o taoísmo, Jiddu Krishnamurti, e do Budismo. Quando perguntado por Little John, em 1972, qual era sua religião, Lee respondeu: Nenhuma. Também em 1972, quando perguntado se acreditava em Deus, ele respondeu: Para ser perfeitamente franco, na verdade não.[13]

Morte[editar | editar código-fonte]

Túmulo de Bruce Lee

Em 10 de Maio de 1973, Lee desmaiou no estúdio Golden Harvest, enquanto fazia o trabalho de dublagem para o filme Operação Dragão. Ele sofreu convulsões e dores de cabeça e foi imediatamente levado para um hospital de Hong Kong, onde os médicos diagnosticaram um edema cerebral. Eles foram capazes de reduzir o inchaço com a administração de manitol. Esses mesmos sintomas que ocorreram em seu primeiro colapso depois foram repetidos no dia da sua morte.

Em 20 de julho de 1973, Lee foi a Hong Kong, para um jantar com o ex-James Bond George Lazenby, com quem pretendia fazer um filme. Segundo sua esposa, Linda Lee, Lee encontrou o produtor Raymond Chow às 2 da tarde em casa, para discutir a realização do filme Jogo da Morte. Eles trabalharam até as 4 da tarde e depois dirigiram juntos para a casa da colega Lee Betty Ting, uma atriz de Taiwan. Os três passaram o script em casa e, em seguida Chow se retirou.

Mais tarde, Lee se queixou de uma dor de cabeça, e Ting deu-lhe um analgésico, Equagesic, que incluía aspirina e um relaxante muscular. Cerca de 7:30 da noite, foi se deitar para dormir. Quando Lee não apareceu para jantar, Chow chegou ao apartamento, mas não viu Lee acordado. Um médico foi chamado, que passou dez minutos tentando reanimá-lo antes de enviá-lo de ambulância ao hospital. Lee foi dado como morto no momento em que chegou ao hospital.

Não houve lesão externa visível, porém de acordo com relatórios da autópsia, o seu cérebro tinha inchado consideravelmente, passando de 1.400 a 1.575 gramas (um aumento de 13%). Lee tinha 32 anos. A única substância encontrada durante a autópsia foi Equagesic. Em 15 de outubro de 2005, Chow declarou em uma entrevista que Lee morreu de Anafilaxia ao relaxante muscular "Equagesic", que ele descreveu como um ingrediente comum em analgésicos. Quando os médicos anunciaram a morte de Lee oficialmente, o país considerou uma enorme "desgraça".

A controvérsia ocorreu quando o Dr. Don Langford, que foi médico pessoal de Lee em Hong Kong e o havia tratado durante seu primeiro colapso acreditava que o "Equagesic não foi envolvido de modo algum no primeiro colapso de Bruce." Também foi levantada a hipótese de reacção alérgica à haxixe como possível causa da morte.

No entanto o professor RD Teare, um cientista forense da Scotland Yard que supervisionou mais de 1000 autópsias, foi o perito superior designado para o caso Lee. Sua conclusão foi que a morte foi causada por um edema cerebral agudo devido a uma reação aos compostos presentes na prescrição de remédios como o Equagesic.

Sua esposa Linda voltou para sua cidade natal, Seattle, e foi enterrado no lote 276 do Cemitério Lakeview. Seu caixão foi carregado no funeral em 31 de julho de 1973 por Taky Kimura, Steve McQueen, James Coburn, Chuck Norris, George Lazenby, Dan Inosanto, Peter Chin, e seu irmão Robert Lee.

A morte de Lee ainda é um tema de controvérsia.

Conspirações[editar | editar código-fonte]

Lado a lado, os túmulos de Bruce Lee e de seu filho Brandon.

Devido a seu status de mito, começaram a circular teorias de que ele havia sido envenenado pelas Tríades, enquanto outros acreditavam que um cabal secreto de mestres de artes marciais matou Lee por ter revelado muitos segredos aos não-orientais, Lee dizia que através da artes marciais a cultura oriental teria a chance de ser respeitada e reconhecida.

Houve ainda rumores de uma maldição hereditária sobre a família Lee, que afetou mais um membro em 1993, quando o seu filho, Brandon Lee, foi morto em um acidente estranho durante as filmagens do filme O Corvo.

A explicação oficial é que Bruce Lee teve uma reação adversa aos remédios que havia tomado para a sua dor de cabeça, o que causou um edema cerebral, matando o ator.

Personagens em sua homenagem[editar | editar código-fonte]

Personagens que homenageiam Bruce Lee Devido a ser uma lenda das artes marciais, alguns artistas marciais fictícios em diversas mídias foram criados com base em Bruce Lee, todos praticantes de Kung Fu ou Jeet Kune Do (exceto nos casos de Rock Lee da série Naruto e Hitmonlee da série Pokemon, pois o anime Naruto tem lugar num mundo fictício e apesar de Rock Lee ser visivelmente uma homenagem a Bruce Lee, os estilos Kung-Fu e Jeet Kune Do não existem em seu mundo, o que se aplica também ao mundo de Hitmonlee). Alguns deles são:

  • A pintura do robô BumbleeBee dos filmes Transformers é uma homenagem a Bruce Lee é sua roupa no filme Jogo da Morte (Game of Death) 1974.
  • Dragon, no jogo de arcade Kuri Kinton, de 1988.
  • Kenshiro, do anime/mangá Hokuto no Ken.
  • Fei Long da série de videogames Street Fighter.
  • Marshall Law e Forest Law da série de videogames Tekken.
  • Maxi da série de videogames Soul Calibur.
  • Abyo da série Pucca (possivelmente também o seu pai, o policial Bruce).
  • Rock Lee e Might Guy do anime/mangá Naruto.
  • Kim Dragon, da série de videogames World Heroes.
  • Hitmonlee da versão ocidental da série de jogos/anime Pokémon (não é homenagem no original).
  • Lee Sin, do jogo League of Legends.
  • Tetsuo da série de videogames Gekido urban fighters.
  • Chie Satonaka da série de videogames Persona 4.
  • Liu Kang da série de videogames Mortal Kombat.
  • Fei-On do game Saga Frontier para Playstation.
  • Lee Pailong do anime/mangá Shaman King.
  • Shang-Chi, O Mestre do Kung-Fu Marvel Comics, "Quadrinhos".
  • Spike Spiegel da série Cowboy Bebop (seu estilo de luta na série é o Jeet Kune Do).
  • Jann Lee do jogo Dead Or Alive.
  • Hon Fu da série de videogames Fatal Fury.
  • Chang Lee do mangá Brasilerio Rumble School Fighter RSF.
  • Glenfire, do filme Ultraman Zero: A Vingança de Belial.
  • Ryusei Sakuta/Kamen Rider Meteor, da série Kamen Rider Fourze.
  • Urashima Keitarô e Noriyasu Seta do mangá e anime Love Hina (Ambos lutam Jeet Kune Do).

Referências

  1. The Voice of Asian American- Chinese American Hero: Bruce Lee. Página visitada em 8 May 2009.
  2. Jun Fan Jeet Kune Do. Bruce Lee Foundation.
  3. Stein, Joel (14 June 1999). Bruce Lee: With nothing but his hands, feet and a lot of attitude, he turned the little guy into a tough guy. The Time 100. Página visitada em 7 June 2010.
  4. From Icon to Lifestyle, the Marketing of Bruce Lee. The New York Times (11 December 2009). Página visitada em 3 June 2011.
  5. Bruce Lee’s 70th birth anniversary celebrated. The Hindu (30 November 2010). Página visitada em 3 June 2011.
  6. Lee 1989, p. 41
  7. Bruce Lee inspired Dev for martial arts. The Times of India (1 July 2010). Página visitada em 3 June 2011.
  8. How Bruce Lee changed the world-Series. The Hindu (29 May 2011). Página visitada em 3 June 2011.
  9. Dennis 1974
  10. Biography. Bruce Lee Foundation. Página visitada em 7 June 2010.
  11. Bishop 2004, p. 23
  12. (em inglês) Avenueofstars - página acessada em 20/07/2011.
  13. Little, John (1996). The Warrior Within – The philosophies of Bruce Lee to better understand the world around you and achieve a rewarding life, p. 128. McGraw-Hill. ISBN 0809231948.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bishop, James (2004), Bruce Lee: Dynamic Becoming, Dallas: Promethean Press, ISBN 0-9734054-0-6 .
  • Lee, Linda (1989), The Bruce Lee Story, United States: Ohara Publications, ISBN 0-89750-121-7 .
  • Little, John (2001), Bruce Lee: Artist of Life, Tuttle Publishing .
  • Little, John (1998), Bruce Lee: The Art of Expressing the Human Body, Tuttle Publishing .
  • Little, John (1997), Words of the Dragon: Interviews 1958–1973 (Bruce Lee) .
  • Thomas, Bruce (1994), Bruce Lee: Fighting Spirit: a Biography, Berkeley, California: Frog, Ltd., ISBN 1-883319-25-0 .
  • Yılmaz, Yüksel (2000), Dövüş Sanatlarının Temel İlkeleri, İstanbul, Turkey: Beyaz Yayınları, ISBN 975-8261-87-8 .
  • Yılmaz, Yüksel (2008), Jeet Kune Do'nun Felsefesi, İstanbul, Turkey: Yalın Yayıncılık, ISBN 978-9944-313-67-4 .
  • Vaughn, Jack (1986), The Legendary Bruce Lee, Ohara .
  • Dorgan, Michael (1980 July), Bruce Lee's Toughest Fight, EBM Kung Fu Academy, http://www.kungfu.net/brucelee.html, retrieved 2009-12-27

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Bruce Lee
Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Bruce Lee