Campanha Italiana

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Campanha Italiana
Parte da(o) Primeira Guerra Mundial
Italian front (World War I).jpg
Data 23 de Maio de 1915  — 4 de Novembro de 1918
Local Alpes
Desfecho vitória dos Aliados, Tratado de Trianon
Combatentes
Itália Itália
Reino Unido Reino Unido[1]
França França[2]
Estados Unidos Estados Unidos[3]
Flag of Austria-Hungary (1869-1918).svg Áustria-Hungria
Flag of the German Empire.svg Alemanha
Principais líderes
Itália Armando Diaz
Itália Luigi Cadorna
Flag of Austria-Hungary (1869-1918).svg Franz Conrad von Hötzendorf
Flag of Austria-Hungary (1869-1918).svg Svetozar Boroević
Flag of the German Empire.svg Otto von Below

O termo Campanha Italiana refere-se à série de batalhas nas quais se confrontaram os exércitos da Áustria-Hungria e da Itália, ao lado de seu aliados, no norte da Itália entre 1915 e 1918. O reino italiano esperava que juntando-se à Tríplice Entente contra os Impérios Centrais iria ganhar a Trento (também conhecida como Trentino) e o porto de Trieste, assim como as província de Bolzano-Bozen, Ístria e Dalmácia. Apesar das expectativas italianas de começar a guerra com uma ofensiva surpresa em território austríaco, que capturaria rapidamente várias cidades, as forças austro-húngaras conseguiram conter a invasão, e logo a Frente Alpina transformou em uma guerra de trincheiras, a semelhança da Frente Ocidental.

A Itália enviou à guerra cerca de dois milhões de combatentes,[4] e pelos menos um terço destes morreu em batalhas.[4]

Causas da campanha[editar | editar código-fonte]

Apesar de ser integrante da Tríplice Aliança ao lado da Áustria-Hungria e da Alemanha, a Itália não declarou guerra em agosto de 1914, alegando que o pacto era defensivo por natureza, e que como a Áustria-Hungria havia sido a agressora, a Itália não era obrigada a entrar em guerra.

Os povos italianos tinham uma longa história de rivalidade com a Áustria-Hungria, que datava desde o Congresso de Viena de 1815, realizado logo depois das Guerras Napoleônicas, no qual vários territórios importantes da península italiana foram cedidos aos austríacos.

Nos estágios iniciais da guerra, os diplomatas das potências aliadas cortejavam a Itália, tentando garantir sua participação na guerra ao lado da Entente. Este cortejo culminou no Tratado de Londres de 26 de abril de 1915, no qual a Itália renunciou a qualquer obrigação que tivesse com a Tríplice Aliança. Em 23 de maio, a Itália declarou guerra contra a Áustria-Hungria,[5] a Bulgária, a Alemanha e o Império Otomano.

Campanhas de 1915-1916[editar | editar código-fonte]

Frente italiana em 1915-1917: onze batalhas de Isonzo e Ofensiva Asiago. Em azul, as conquistas italianas iniciais.

Primeiras batalhas de Isonzo[editar | editar código-fonte]

A Itália abriu a guerra com uma ofensiva concentrada em capturar a cidade de Gorizia no rio Isonzo (Soča, em esloveno). Entretanto, o exército italiano era deficiente em artilharia, transportes e reservas de munições.[5] No começo da guerra, a Itália tinha apenas seiscentos veículos para mover suas tropas.

Ao lado de veículos militares contemporâneos, o exército italiano também usou cavalos para transporte, e estes falharam em mover suprimentos rápido pelo terreno montanhoso dos Alpes. Além disso, o comandante italiano, Luigi Cadorna,[5] não tenha nenhuma experiência de combate prévia e era altamente impopular entre suas tropas.

No começo da ofensiva, forças italianas venciam os austríacos em números numa proporção de dois para um, mas falharam em penetrar ao longo das poderosas linhas defensivas dos Alpes. Isso se deveu principalmente ao fato de as forças austríacas estarem em um terreno mais elevado,[5] e por conseqüência, todas as ofensivas lançadas pela Itália envolveriam uma difícil possibilidade de atingir os inimigos antes de muitas baixas. Duas semanas depois, os italianos tentaram montar um outro assalto frontal, com mais artilharia, mas foram derrotados novamente. Outro ataque foi montado entre 18 de outubro de 4 de novembro com 1.200 armas pesadas, mas também não resultou em ganhos.

A Ofensiva Asiago[editar | editar código-fonte]

Na seqüência das desastrosas ofensivas italianas, os austríacos começaram a planejar uma contra-ofensiva (Strafexpedition) baseada em Trentino e dirigida a dominar o Altiplano de Asiago. A ofensiva começou em 11 de março de 1916, com quinze divisões quebrando as linhas italianas. Apesar de avisado sobre a contra-ofensiva que se esboçava, o comandante italiano local escolheu conduzir ofensivas locais ao invés de preparar uma defesa. As despreparadas tropas italianas falharam em manter suas posições e entraram em colapso, fazendo com a Itália escapasse da derrota apenas porque conseguiu transferir rapidamente reforços de outras frentes.

Últimos batalhas no rio Isonzo[editar | editar código-fonte]

Mais tarde em 1916, quatro outras batalhas ao longo do rio Isonzo irromperam. A Sexta Batalha do Isonzo, lançada pelos italianos em agosto, resultou em um sucesso maior que os ataques previamente realizados. Em parte, isto deveu-se ao fato de que a Áustria-Hungria havia transferido muitas tropas para se defender da Ofensiva Brusilov.[5] A ofensiva não teve grande valor estratégico, mas conseguiu tomar a cidade de Gorizia, o que reviveu os ânimos da nação italiana. As sétima, oitava e nona batalhas do Isonzo (14 de setembro  — 4 de novembro) conseguiram apenas pequenos ganhos territoriais de ambas as partes, além de exaustar ainda mais as tropas das duas nações.

1917: Ajuda alemã[editar | editar código-fonte]

A Batalha de Caporetto e o recuo italiano ao longo do rio Piave.

Na seqüência dos minúsculos ganhos da Décima Batalha do Isonzo,[5] os italianos dirigiram um longo ataque contra as forças austríacas ao norte e leste de Gorizia. Os austríacos facilmente contiveram o avanço a leste, mas as forças italianas sob o comando de Luigi Capello conseguiram quebrar as linhas austríacas e capturar o Platô Bainsizza. Mesmo assim, como em quase qualquer outra frente da guerra, os italianos se viram muito distantes de suas linhas de suprimento e não puderam manter o avanço, sendo forçados a desistir.

Os austríacos receberam apoio desesperadamente necessário depois da Décima Primeira Batalha de Isonzo dos exércitos alemães, que haviam acabado de conter a ofensiva russa ordenada por Kerensky (Ofensiva Kerensky) na Frente Oriental. Os alemãs introduziram táticas de infiltração para na Frente Alpina e ajudaram os austríacos a trabalhar em uma nova ofensiva. Enquanto isso, motins e baixa moral minavam as forças italianas. Os soldados viviam em condições miseráveis e se engajavam batalha após batalha sem nunca ver um ganho real. Em 24 de outubro de 1917, as forças austríacas e alemãs lançaram a Batalha de Caporetto (nome italiano para Kobarid) com um imenso ataque de artilharia, seguido pelo uso de infantaria e das táticas de Hutier, aniquilando pontos vitais do inimigo e atacando pelas bases. No final do primeiro dia, os italianos já haviam recuado doze milhares até o rio Tagliamento.

1918: O fim da guerra[editar | editar código-fonte]

Batalha do Piave[editar | editar código-fonte]

Avançando profunda e rapidamente, os austríacos foram longe demais de suas linhas de suprimento, o que os forçou a parar e reagrupar. Os italianos haviam conseguido estabilizar suas linhas defensivas já próximos de Veneza, no rio Piave, e já haviam sofrido 600.000 baixas. Graças às derrotas devastadoras, o governo italiano teve que chamar às armas todos os Meninos 99 (Ragazzi del '99), ou seja, todos os homens com mais de dezoito anos. Em novembro de 1917, forças do Reino Unido, da França e dos Estados Unidos chegaram e começaram a mudar a situação na frente; os italianos foram capazes de conter a ofensiva austríaca com suas próprias tropas. Muito mais decisiva que a presença das tropas foi a ajuda em materiais estratégicos (carvão, ferro, etc.) dos quais a Itália sempre careceu.

Na primavera de 1918, a Alemanha retirou suas tropas para usá-las na Ofensiva da Primavera.[5] Os austríacos então começaram a debater sobre como deveria ser a ofensiva final contra a Itália. Os generais austro-húngaros discordavam sobre como administrar a ofensiva final. O Arquiduque José Augusto da Áustria decidiu por uma ofensiva de dois exércitos, que provou-se ineficaz, uma vez que as duas forças não conseguiam se comunicar nas montanhas.

A Batalha de Piave começou com um ataque próximo a Passagem de Tonale,[5] de onde os as italianos foram facilmente expulsos. Desertores austríacos traíram a ofensiva que estava sendo preparada, o que permitiu aos italianos avançar com dois exércitos diretamente contra as forças austríacas de um lado. O outro, comandando por Svetozar Boroević von Bojna inicialmente provou-se bem-sucedido, até que os bombardeios aéreos destruíram as linhas de suprimento e os reforços italianos chegaram.

A decisiva batalha de Vittorio Veneto[editar | editar código-fonte]

Frente italiana em 1918 e a batalha de Vittorio Veneto.

Para desapontamento dos aliados da Itália, nenhuma contra-ofensiva se seguiu à batalha de Piave. O exército italiano sofreu grandes perdas na batalha e considerava uma nova ofensiva perigosa. O general Armando Diaz esperou por mais reforços da Frente Ocidental. Em outubro de 1918, a Itália finalmente tinha soldados suficientes para montar uma ofensiva. O ataque estava focado em Vittorio Veneto, do outro lado do rio Piave. Apesar de os exércitos austríacos terem lutado bravamente, a força numérica italiana fez com que eles fossem derrotados. Em 3 de novembro de 1918, 300.000 soldados austríacos se renderam.

A batalha de Vittorio Veneto marcou a dissolução do exército austro-húngaro como uma força efetiva de batalha, e também ajudou na desintegração da Áustria-Hungria.[4] Durante a última semana de outubro, declarações feitas em Budapeste, Praga e Zagreb proclamaram a independência de respectivas partes do antigo império. Em 29 de outubro, as autoridades imperiais pediram um armistício, mas as forças italianas continuaram avançando, chegando a Trento, Udine e Trieste. Em 3 de novembro, a Áustria-Hungria enviou uma bandeira branca para o comandante italiano, pedindo novamente um armistício e negociações de paz. Os termos foram arranjados por telégrafo com as autoridades aliadas em Paris, comunicados ao comandante austríaco, e então aceitos. O Armistício com a Áustria-Hungria foi assinado na Villa Giusti, próxima a Pádua, em 3 de novembro, e teve efeito a partir de 4 de novembro às três da tarde. Posteriormente, Áustria e Hungria viriam a assinar dois acordos em separado, em seguida à desintegração da Monarquia Habsburgo e do colapso do Império Austro-Húngaro.

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Frente italiana na Primeira Guerra Mundial

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. George H. Cassar, The Forgotten Front: The British Campaign in Italy, 1917-1918 (Continuum International Publishing Group, 1998), p.91
  2. Allies in Italy
  3. Doughboys in Italy
  4. a b c Revista da Semana. O soldado da Primeira Guerra (em português). Página visitada em 09/12/08.
  5. a b c d e f g h iNations. com/inations/wwar1.htm A Primeira Guerra Mundial (em português). Página visitada em 09/12/08.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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