Capital Inicial

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Capital Inicial
Concerto Multishow Ao Vivo do Capital Inicial em Brasília, 21 de abril de 2008, no aniversário de 48 anos da cidade.
Informação geral
Origem Brasília, DF
País  Brasil
Gênero(s) Rock alternativo, pós-punk, pop rock, rock brasileiro
Período em atividade 1982 – atualmente
Gravadora(s) PolyGram, BMG, Abril Music, Sony BMG Music Entertainment, Sony Music
Afiliação(ões) Aborto Elétrico, Legião Urbana, Viper
Página oficial www.capitalinicial.com.br
Integrantes Dinho Ouro Preto
Flávio Lemos
Fê Lemos
Yves Passarell
Ex-integrantes Loro Jones
Bozo Barretti
Murilo Lima

Capital Inicial é uma banda de rock brasileira formada em Brasília, Distrito Federal, em 1982, depois que o grupo Aborto Elétrico encerrou as atividades, dando início também à banda Legião Urbana. A banda é composta pelo vocalista Dinho Ouro Preto, o baixista Flávio Lemos, seu irmão o baterista Fê Lemos, o guitarrista Yves Passarell e, pelos músicos de apoio Robledo Silva (teclado e violões) e Fabiano Carelli (guitarra e violão). Nos últimos anos sofreu grandes modificações em seu estilo, tendo como maior influência o rock inglês.

História[editar | editar código-fonte]

O início[editar | editar código-fonte]

Em 1978, Fê Lemos, voltou de uma estadia na Inglaterra para Brasília, onde seu pai dava aulas na Universidade de Brasília.[1] Ele se juntou a um grupo de jovens fãs de punk rock do conjunto de quatro prédios, apelidado "Turma da Colina",[2] que incluía Renato Russo.[1] Os dois mais o sul-africano André Pretorius fundaram a banda Aborto Elétrico, com Renato no baixo, André na guitarra e Fê na bateria, a banda não possuía ninguém no vocal.[1] Pretorius teve de voltar para a África do Sul para cumprir o serviço militar, então Renato se tornou guitarrista e cantor, enquanto o irmão de Fê, Flávio Lemos, assumiu o baixo.[3] A banda logo se tornou uma das mais populares de Brasília, e um dos seus maiores fãs era Dinho Ouro Preto, um velho amigo de Renato que comparecia a todos os shows.[4]

Surgimento da banda (1983-1985)[editar | editar código-fonte]

Em 1983, Fê e Renato se desentenderam, causando a saída do cantor e a extinção do Aborto Elétrico. Os irmãos Lemos chamaram o ex-guitarrista da Blitx 64, Loro Jones, e uma cantora, Heloísa, para formar outra banda, o Capital Inicial. Depois de um mês tocando em um teatro da Associação Brasiliense de Odontologia com a Plebe Rude e a nova banda de Renato, a Legião Urbana, por pressão dos pais Heloísa sai da banda. Os Lemos fazem uma audição para um novo cantor, e Dinho Ouro Preto assumiu o cargo. Dinho insistiu para que a banda incluísse canções do Aborto no repertório, e mais tarde chamou Renato para concluir a letra de "Música Urbana", que se tornaria um dos primeiros sucessos do Capital.[4] Dinho e Jones haviam antes tocado juntos na banda Dado e o Reino Animal, que incluía os futuros membros da Legião Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. Três meses depois, em julho de 1983, estreiam com um show na Unb, tocando em seguida em São Paulo (SESC Pompeia) e no Rio de Janeiro (Circo Voador). [5]

A banda segue em constantes viagens e apresentações nos principais palcos do underground do rock brasileiro. Em 1984, o ritmo cada vez maior de viagens indica a necessidade de estarem mais próximos do seu principal mercado, as regiões Sudeste e Sul. No final do ano assinam seu primeiro contrato fonográfico, com a CBS (atual Sony), e se mudam para São Paulo no inicio de 1985. Logo em seguida lançam seu primeiro registro em vinil, o compacto duplo "Descendo o Rio Nilo/Leve Desespero". Ainda neste ano integram o elenco da trilha sonora do primeiro "filme-rock" brasileiro, "Areias Escaldantes", de Francisco de Paula, ao lado de Ultraje a Rigor, Titãs,

Lobão e os Ronaldos, Ira!, Metrô, Lulu Santos e May East.

Primeiros discos[editar | editar código-fonte]

O primeiro LP, Capital Inicial, já pela Polygram , foi lançado em 1986 e recebeu ótimas críticas. "Um rock limpo, vigoroso, dançante e sobretudo competente, a quilômetros de distância da mesmice que assaltou a música pop brasileira nos últimos tempos", assim o jornalista Mário Nery abre a crítica ao disco no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, em 29 de julho de 1986. O álbum trazia músicas como "Música Urbana", "Psicopata", "Fátima", "Veraneio Vascaína" (censurada pela Polícia Federal), "Leve Desespero" entre outras, e levou o Capital Inicial ao seu primeiro disco de ouro. Em 1987, contando com o tecladista Bozzo Barretti em sua formação, o Capital Inicial lança seu segundo disco, Independência, emplacando "Prova", "Independência", a regravação de Descendo o Rio Nilo, e conquista o segundo disco de ouro.

Neste ano, é convidado para abrir os shows da turnê do cantor inglês Sting em São Paulo (Estacionamento do Anhembi), Rio de Janeiro no Maracanã, Belo Horizonte no Estádio Independência, Brasília no Estádio Mané Garrincha e Porto Alegre no Estádio Olímpico Monumental. Você Não Precisa Entender chega as lojas de todo o país em 1988, com mais hits, "A Portas Fechadas", "Pedra Na Mão" e "Fogo". O ano de 1989 marca o lançamento do álbum Todos os Lados, com destaque para as faixas "Todos os Lados", "Mickey Mouse em Moscou" e "Belos e Malditos". Em 1990 participam do festival Hollywood Rock, realizado em São Paulo e no Rio de Janeiro. O álbum Eletricidade, lançado em 1991, marca o início de mudanças no Capital Inicial, começando pela gravadora. O álbum, lançado pela BMG, trazia uma versão para "The Passenger", de Iggy Pop, batizada de "O Passageiro", e composições como "Cai a Noite", "Kamikaze" e "Todas as Noites". Neste mesmo ano, participam da segunda edição do festival Rock in Rio. O clipe "O Passageiro", foi todo gravado utilizando uma câmera PXL-2000 que armazenava imagens em preto e branco em uma fita cassete de audio.

Divergências[editar | editar código-fonte]

Em 1992, Bozzo Barretti deixa o grupo, e em 1993, divergências musicais e pessoais levam o vocalista Dinho Ouro Preto a seguir carreira solo. Enquanto isso, o Capital Inicial, agora com o santista Murilo Lima (ex-banda Rúcula) nos vocais, lança Rua 47 em 1995. Em 1996 a banda lança Capital Inicial Ao Vivo, o primeiro pela Qualé Cumpadi Records, gravadora independente que a banda monta, e o segundo pela Rede Brasil Discos, atual Alpha Discos. Durante os próximos cinco anos a banda praticamente desaparece da mídia, levando muitos a acreditar que a banda tinha acabado. Mas a verdade é que a banda nunca parou de excursionar e fazer shows, e se manteve ativa numa época de baixa do rock brasileiro.

A volta do Capital Inicial[editar | editar código-fonte]

São Paulo, março de 1998, amadurecidos, com o respaldo do lançamento, pela Polygram, do álbum O Melhor do Capital Inicial, da constante execução de suas músicas pelas maiores emissoras de rádio e, principalmente, com o apoio dos fãs; que mantiveram o Capital Inicial vivo, seus quatro integrantes originais decidem voltar aos palcos. Dinho Ouro Preto, Loro Jones, Fê Lemos e Flávio Lemos voltam à estrada com um novo show, uma comemoração aos 15 anos da banda e aos 20 anos do nascimento do rock candango. O repertório traz sucessos, faixas pouco conhecidas e composições de bandas que fizeram parte da cena de Brasília nos anos 80, como Plebe Rude, Legião Urbana e Finis Africae. Em julho do mesmo ano a banda assina com a gravadora Abril Music, e em setembro ruma para Nashville no Tennessee, EUA, onde gravam Atrás dos Olhos. Este disco é produzido por David Zá, que entre outros trabalhou com artistas como Prince, Billy Idol e Fine Young Cannibals. As músicas mais executadas desse disco foram "O Mundo" de Pit Passarell, baixista da banda Viper e amigo da banda, "1999" e "Eu Vou Estar". Todas essas músicas tiveram videoclipes com grande repercussão junto ao público da MTV, sendo que "O Mundo" concorreu a cinco prêmios na edição de 1999 do Video Music Brasil. Este mesmo ano de 1998 assiste ainda o lançamento de mais duas coletâneas pela Universal (ex-PolyGram): um álbum da série Millennium, com vinte músicas pinçadas dos quatro primeiros discos, e um álbum de canções do grupo remixadas por produtores e DJs famosos do Brasil. Infelizmente esta mesma gravadora reluta ainda em relançar os discos originais, apesar do evidente prejuízo que tal atitude traz à banda, e a insatisfação dos fãs.

O ano de 1999 é dedicado à turnê brasileira e, ao longo dos shows, a banda, além dos antigos fãs, encontra um novo público, adolescentes que não conhecem seus primeiros discos. Então surge a ideia de fazer um disco ao vivo, juntando novos e antigos sucessos. Rapidamente esta ideia se transforma no projeto de um disco acústico, em parceria com a MTV. O último ano do século XX começa com a banda se preparando para a gravação do Acústico MTV, que acaba ocorrendo em março com a participação do cantor e compositor Kiko Zambianchi. O disco é lançado dia 26 de maio, e a primeira tiragem rapidamente se esgota nas principais lojas do Brasil. A primeira música escolhida para tocar nas rádios, "Tudo Que Vai", de Alvin L., Toni Platão e Dado Villa-Lobos, é amplamente executada em todo o país, e a banda vê reconhecido o seu empenho em fazer um disco acústico de rock simples, despojado, mas com a mesma atitude dos seus melhores discos.

Em 2001, a banda faz um aclamado show no terceiro Rock in Rio diante de uma plateia de 250 mil pessoas,[5] e o sucesso "Natasha" explode entre as músicas mais executadas nas rádios de todo o Brasil e faz com que as vendas do disco alcançassem mais de 1 milhão de cópias, colocando assim o Capital Inicial como uma das maiores bandas do rock brasileiro.

Em fevereiro de 2002, Loro Jones sai da banda. O guitarrista reclamou do excesso de tempo trabalhando,[6] com mais de 150 shows na década recém-iniciadas, e o agravante do fato de que ao contrário dos companheiros de banda Jones ainda residia em Brasília, levando-o a constantes deslocamentos para São Paulo. Yves Passarel, da banda Viper, assumiu o posto.[5]

Recentemente[editar | editar código-fonte]

O álbum Eu Nunca Disse Adeus é lançado em 2007, com uma sonoridade diferente, tanto melódica quanto vocal, onde Dinho Ouro Preto faz uso de seu timbre grave, não abusando dos gritos que permearam os tres álbuns anteriores (Rosas e Vinho Tinto, Gigante e MTV Especial: Aborto Elétrico). Neste álbum destaque para as faixas, "A Vida É Minha (E Eu Faço o que Eu Quiser)", "Eu e Minha Estupidez", "Aqui", e o primeiro single "Eu Nunca Disse Adeus". Neste mesmo ano venceu o Prêmio Multishow 2007 na categoria Melhor Grupo. Em 2008, lança o álbum ao vivo Multishow ao Vivo: Capital Inicial em Brasília para comemorar os 25 anos da carreira. O disco foi gravado em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, no dia 21 de abril, aniversário da cidade e que contou com mais de 1 milhão de pessoas na plateia. Participaram do show os músicos convidados Robledo Silva e Fabiano Carelli. A primeira música de trabalho do álbum foi "Algum Dia", e a segunda "Dançando com a Lua".


No sábado do dia 31 de outubro de 2009, a banda estava fazendo um show em Patos de Minas, Minas Gerais, quando Dinho Ouro Preto teve uma queda de três metros de altura do palco, assustando seus fãs do Brasil. Dinho sofreu traumatismo craniano leve e uma fratura na costela; e após cinco dias de internação, o cantor voltou para a UTI por causa de uma infecção. No dia 30 de novembro, Dinho saiu do hospital, depois de quase um mês internado. Após deixar o hospital Dinho e o integrantes da banda entraram em estúdio para a gravação do décimo quinto álbum do grupo Das Kapital. O disco traz algumas canções que contam um pouco do drama vivido por Dinho. Lançado no dia 2 de junho de 2010, o primeiro single do álbum foi "Depois da Meia Noite", liberado para as rádios de todo Brasil, e depois "Como se Sente", "Vivendo e Aprendendo" e "Vamos Comemorar" a pedido dos fãs. Segundo Dinho, Das Kapital marca o início de uma terceira fase do Capital, depois da inicial e do retorno, "dos discos mais com a nossa cara, com o tipo de som que a gente gosta".[5] A banda também tocou no Rock in Rio 2011, no dia 24 de setembro, considerado pela maioria melhor show nacional de rock, abrindo o show para os californianos do Red Hot Chili Peppers.

No dia 10 de dezembro de 2012, lançam um novo álbum, Saturno. O disco tem uma sonoridade bem crua do rock'n roll e retorna às origens sonoras do grupo no início da década de 80. Teve a produção de David Corcos, e contém 13 faixas, incluindo os singles "O Lado Escuro da Lua" e "Saquear Brasília" e a sensacional "O Bem, o Mal e o Indiferente" que tem tudo pra se tornar uma das principais músicas da banda. No ano seguinte são confirmados no Rock in Rio 2013, no dia 14 de setembro, mesmo dia da banda Muse.

Integrantes[editar | editar código-fonte]

Formação atual[editar | editar código-fonte]

Membros não-oficiais[editar | editar código-fonte]

  • Fabiano Carelli - guitarra, violão e backing vocais
  • Robledo Silva - teclados, violão e backing vocais

Ex-integrantes[editar | editar código-fonte]

Linha do tempo[editar | editar código-fonte]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio[editar | editar código-fonte]

Álbuns ao vivo[editar | editar código-fonte]

Compilações[editar | editar código-fonte]

EP[editar | editar código-fonte]

Prêmios e Indicações[editar | editar código-fonte]

Ano Prêmio Nomeação Categoria Resultado
2007 Prêmio Multishow de Música Brasileira Capital Inicial Melhor grupo Venceu

Referências

  1. a b c Marcelo 2013
  2. Alexandre 2002
  3. Dapieve 2000, pp. 180.
  4. a b Marcelo, Carlos. "A história do Rock-Brasília." (1 2 3). Bizz, 10 de janeiro de 2000.
  5. a b c d Ortega, Rodrigo. (Fevereiro de 2011). "As três vidas do Capital". Billboard Brasil (16): 48-54. BPP. ISSN 977-217605400-2.
  6. Loro Jones, guitarrista do Capital Inicial, abandona a banda, IstoÉ Gente

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Alexandre, Ricardo. Dias de luta: o rock e o Brasil dos anos 80 (em ). [S.l.]: DBA, 2002.
  • Dapieve, Arthur. Renato Russo: o trovador solitário (em ). [S.l.]: Relume Dumará, 2000. ISBN 8573162228.
  • Marcelo, Carlos. Renato Russo: O filho da Revolução (em ). [S.l.]: Agir, 2013. ISBN 8522011680.
  • O Diário da Turma 1976-1986: A História do Rock de Brasília (2001, Conrad Editora)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]