Distúrbio do déficit de atenção sem hiperatividade

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Distúrbio do déficit de atenção sem hiperatividade
Classificação e recursos externos
CID-9 314.00
DiseasesDB 6158
eMedicine med/
Star of life caution.svg Aviso médico

Distúrbio do déficit de atenção sem hiperatividade (ADHD-I ou ADHD-PI) é um dos três subtipos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ou "Mal de Klosouski".

Esse transtorno é algumas vezes chamado apenas de distúrbio de déficit de atenção pelo público em geral, mas esse termo foi modificado em 1994 pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (DSM-IV), quarta edição.

Descrição e diferenças em relação aos outros subtipos de TDA[editar | editar código-fonte]

As características marcantes desse tipo de transtorno são a facilidade de distração com devaneios frequentes (imaginação "viajante")(são conhecidos como distraídos e vivem imaginando coisas), desorganização, procrastinação, esquecimento e letargia/fadiga. Ao contrário do que ocorre nos outros subtipos, não são comuns traços de hiperatividade. O ADHD-I geralmente é diagnosticado muito mais tardiamente que os outros subtipos de ADHD, provavavelmente porque a falta de sintomas de hiperatividade torna a doença mais discreta. Os sintomas não precisam estar presentes o tempo todo, um dos motivos pelos quais alguns profissionais preferem o termo "inconsistência de atenção" ao invés de "déficit de atenção".

Pais e professores podem interpretar erroneamente as causas das atitudes e comportamentos de uma criança com TDAH-I e, talvez, fazerem frequentemente repreensões inadequadas, como: "você é irresponsável", "você é desorganizado", "você não se esforça", etc. Algumas crianças acabam entendendo que são diferentes de alguma forma, mas, infelizmente, isso não impede que elas aceitem as críticas indevidas, criando uma auto-imagem negativa e, pior ainda, auto-alimentada.

Frequentemente, a ausência de tratamento e diagnóstico faz com que a desatenção, frustrações e baixa auto-estima criem uma série de problemas de relacionamento pessoal, além de problemas de desempenho no ensino superior ou no trabalho (aliados aos problemas de relacionamento, também nesses ambientes). Esse quadro, principalmente considerando-se a baixa auto-estima e as frustrações, acaba levando frequentemente a outros distúrbios (como os de humor ou de ansiedade) e ao uso de drogas.[1]

Alguns especialistas, como o Dr. Russell Barkley,[2] argumentam que TDA-PD (PD = predominantemente desatento) é tão diferente do TDAH tradicional que deveria ser considerada uma desordem distinta. Dr. Russel cita alguns sintomas comuns entre pacientes com TDA-PD — particularmente a quase ausência de desordens de conduta e comportamentos de alto risco — e respostas bastante diferentes a medicamentos estimulantes.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

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Critérios do DSM-IV[editar | editar código-fonte]

O DSM-IV permite o diagnóstico do subtipo predominantemente desatento se o indivíduo apresentar seis ou mais dos seguintes sintomas de desatenção por pelo menos seis meses (chegando ao ponto de ser prejudicial ao seu desenvolvimento):

  1. Frequentemente não dá a atenção devida a detalhes ou comete erros típicos de descuido na escola, no trabalho ou em outras atividades.
  2. Frequentemente tem problemas em manter a atenção em tarefas ou atividades recreativas.
  3. Frequentemente parece não dar ouvidos quando lhe dirigem a palavra.
  4. Frequentemente não segue instruções e falha em concluir tarefas escolares, pequenas tarefas ou obrigações no trabalho (não devido a oposição ou não compreensão das instruções).
  5. Frequentemente tem problemas organizando atividades.
  6. Frequentemente evita, não gosta ou não quer fazer coisas que exigem tempo e esforço mental.
  7. Frequentemente perde coisas necessárias para as tarefas e atividades (ferramentas, brinquedos, canetas, livros, etc).
  8. Frequentemente se distrai.
  9. Frequentemente esquece atividades do dia-a-dia.
  10. Frequentemente esquece senhas, informações pessoais


Um requisito ao diagnóstico de TDA-PI é que os sintomas prejudiciais precisam estar ou ter estado presentes antes dos sete anos de idade e serem observados em pelo menos dois campos distintos da vida do indivíduo (casa e escola ou casa e trabalho, por exemplo). Há, ainda, evidências clínicas de prejuízo no convívio social e no desempenho acadêmico e ocupacional. Observa-se, ainda, que esses sintomas não devem ocorrer exclusivamente durante outras desordens (como esquizofrenia) e não devem ser melhor enquadrados por outros distúrbios (de humor, de ansiedade, de desassociação, de personalidade, etc).

Exemplos de sintomas observados[editar | editar código-fonte]

Crianças [3]

  • Falha ao prestar atenção a detalhes, bem como erros provenientes de descuido ao fazer tarefas escolares ou outras atividades.
  • Problemas para manter a atenção centrada durante tarefas ou brincadeiras
  • Aparentar não ouvir quando lhe dirigem a palavra
  • Falha em seguir instruções ou terminar tarefas
  • Evita tarefas que requerem grande esforço mental e organização, como projetos escolares
  • Perda frequente de itens necessários para facilitar tarefas ou atividades
  • Distrai-se com excessiva facilidade
  • Frequentemente esquece-se das coisas
  • Adia tarefas e tem dificuldade em iniciá-las

Adultos [4]

  • Frequentemente comete erros característicos de descuido quando trabalhando em projetos que não são do seu interesse ou são difíceis
  • Dificuldade em manter a atenção centrada no trabalho.
  • Dificuldade em concentrar-se em conversações.
  • Dificuldade em terminar projetos já iniciados.
  • Dificuldade em organizar-se de forma a concluir as tarefas
  • Evita ou adia o início de projetos que requerem esforço mental
  • Frequentemente guarda em locais inapropriados ou perde coisas em casa ou no trabalho
  • Facilmente distrai-se devido a outras atividades ou ruídos
  • Dificuldade em lembrar de compromissos ou obrigações

Referências

  1. Triolo, Santo. Attention Deficit Hyperactivity Disorder in Adulthood: A Practitioner's Handbook. Philadelphia, PA: Brunner-Routledge, 1998. 65–69 pp. ISBN 0-87630-890-6
  2. "Russell Barkley on AD/HD" (2000)
  3. What we know National Resource Center on AD/HD
  4. WHO adult AD/HD inattentive symptoms [1] National Resource Center on ADHD

Ligações externas[editar | editar código-fonte]