Esquartejamento

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Gravura de Jan Luyken representando o esquartejamento de São Paio em Córdova, no ano de 925

Esquartejamento é o ato que consiste em cortar um corpo em diversas partes. Ao longo da história, esse foi um método de execução ou punição aplicado por diversos meios, em especial ao regicídio, sendo também utilizado por assassinos.

Portugal[editar | editar código-fonte]

Usada em Portugal desde a Idade Média, essa forma de execução popularizou-se na Inquisição e foi aplicada sempre que houve motivo, do ponto de vista da coroa.[1]

Mascarenhas Barreto, na sua História da polícia em Portugal, refere a instauração pelo marquês de Pombal da tortura de esquartejamento, exemplificada na sentença: «(..) ali, vivo, lhe sejam cortadas as mãos e que, depois, seja tirado e desmembrado por 4 cavalos, sendo o seu corpo feito em pedaços».[2]

Em Portugal em Junho de 2009 foi registrado um crime no qual uma mãe foi assassinada e esquartejada pelo próprio filho.[3]

Brasil[editar | editar código-fonte]

Tiradentes Esquartejado, 1893, Museu Mariano Procópio

Em 1792 teve lugar em Minas Gerais a execução de Tiradentes, um dos conjurados de 1789 na luta pela Independência do Brasil. O suplício teve lugar no campo de São Domingos, da cidade do Rio de Janeiro, sendo primeiro enforcado e depois esquartejado, conforme a certidão da época:

Francisco Luiz Álvares da Rocha, desembargador dos agravos da relação desta cidade e escrivão da comissão expedida contra os réus da conjuração formada em Minas Gerais: Certifico que o réu Joaquim José da Silva Xavier foi levado ao lugar da forca levantada no campo de São Domingos e nela padeceu morte natural, e lhe foi cortada a cabeça e o corpo dividido em quatro partes; e, do como assim passou na verdade, lavrei a presente certidão, e dou a minha fé. Rio de Janeiro, 21 de abril de 1792.(Assinado - Francisco Luiz Álvares da Rocha)[4]

A execução inspirou os quadros Tiradentes Esquartejado, de Pedro Américo, e O esquartejamento de Tiradentes, de Cândido Portinari.[5]

A 9 de dezembro de 1835 o escravo Elesbão foi condenado ao enforcamento em Campinas, seguido de esquartejamento, consistindo na decapitação e decepação das mãos do escravo. A cabeça seria remetida à vila de Jundiaí, onde ficaria exposta em poste em lugar público, enquanto as mãos ficariam na vila de Campinas também em poste em local público.[6] No ofício que relata os custos do processo, é referido "um facão com grossura e tamanho suficientes para decepar cabeça e mãos".[7]

Virgulino Ferreira da Silva e seu grupo, tiveram suas cabeças arrancadas e os corpos esquartejado quando finalmente foram presos pela tropa do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva, abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.

Na ditadura militar, diversos casos de desaparecimento de políticos foram apontados como esquartejados para facilitar o desaparecimento do cadáver.

No mundo[editar | editar código-fonte]

Henrique VIII de Inglaterra, no Palácio de Westminster durante a conspiração da pólvora esquartejou católicos romanos, que colocaram explosivos debaixo do palácio e pretendiam detoná-los durante o Estado de Parlamento Aberto, foram descoberto e os conspiradores foram mais tarde julgados, por Alta Traição, no Westminster Hall, tendo sido condenados a além de esquartejamento, a decapitação e afogamento.

Francisco de Valois, delfim da França, delfim da França e duque da Bretanha após uma partida de tênis, pediu um copo d'água, o que lhe foi trazido por seu secretário, o Conde Montecuccoli. Depois de bebê-lo, Francisco adoeceu e morreu dias depois. (Montecuccoli, que fora trazido à corte por Catarina de Médici, foi acusado de ter sido pago por Carlos V, e quando seus aposentos foram vasculhados, um livro sobre tipos diferentes de veneno, foi encontrado). Sob tortura, Montecuccoli confessou o envenenamento do Delfim. Ele foi condenado ao esquartejamento, a punição tradicional para regicídio.

Na Tanzânia, uma criança albina foi esquartejada por praticantes de rituais macabros, tendo sido partes do seu corpo vendidas para esses rituais, por acreditarem que albinos eram de alguma forma, especiais para o ato. Números indicam que, desde 2006, pelo menos 75 albinos foram esquartejados naquele país, entre eles um bebê de sete meses. [8]

Inglaterra Willian Wallace foi enforcado até ficar quase inconsciente, e então, amarrado a uma mesa, estripado, e suas entranhas, queimadas, ainda presas a ele. Provavelmente foi também castrado e, então finalmente, foi libertado do seu sofrimento inimaginável, pela decapitação. Seu corpo foi esquartejado, e os pedaços, enviados para Newcastle upon Tyne, Berwick, Perth e Stirling. Sua cabeça foi colocada em um pique na Ponte de Londres, de modo que todos a vissem, como advertência para outros possíveis "traidores".

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Suplício judiciário: A vingança de Portugal
  2. Pág. 75 da referida obra, publicada em 1979.
  3. Esquartejou e congelou corpo da mãe
  4. Paranhos Junior, José Maria da Silva [Barão do Rio Branco] (1938), Efemérides Brasileiras (2ª ed.), São Paulo: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, p. 294 
  5. 21 de Abril...Tiradentes www.ihgrgs.org.br. Página visitada em 2010-07-08.
  6. Amaral Lapa 1996, p. 68
  7. Amaral Lapa 1996, p. 73
  8. Trio que esquartejou albino condenado à forca na Tanzânia

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Amaral Lapa, José Roberto do (1996), A cidade: os cantos e os antros : Campinas, 1850-1900, EdUSP, pp. 361 páginas, ISBN 9788531403378