História de Paraty

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Paraty[1] ou Parati é um município no litoral oeste do estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Dista 258 quilômetros da capital do estado, a cidade do Rio de Janeiro.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Anteriormente ao Descobrimento do Brasil pelos europeus, a região da atual Paraty era habitada por indígenas Guaianás.

Início do povoamento[editar | editar código-fonte]

Nos primeiros anos do século XVI, os portugueses já conheciam a trilha aberta pelos Guaianás (Trilha dos Goianás) ligando as praias de Paraty ao vale do Paraíba, para lá da Serra do Mar. Entretanto, o primeiro registro escrito sobre a região da atual Paraty é o livro do mercenário alemão Hans Staden, "História verdadeira e descrição de um país de selvagens..." (Marburgo, 1557), que narra a estadia deste por quase um ano em aldeias Tupinambás nas regiões de Paraty e de Angra dos Reis.

Embora alguns autores pretendam que a fundação de Paraty remonte à primeira metade do século passado, quando da passagem da expedição de Martim Afonso de Sousa, a primeira notícia que se tem do povoado é a da passagem da expedição de Martim Correia de Sá, em 1597.[2] À época, a região encontrava-se compreendida na Capitania de São Vicente.

O núcleo de povoamento iniciou-se no morro situado à margem do rio Perequê-Açu (depois Morro da Vila Velha, atual Morro do Forte). A primeira construção de que se tem notícia é a de uma capela, sob a invocação de São Roque, então padroeiro da povoação, na encosta do morro. O aldeamento dos Guaianás localizava-se à beira-mar. Em 1636, Maria Jácome de Melo fez a doação de uma sesmaria na área situada entre os rios Perequê-açu e Patitiba (atual rio Mateus Nunes) para a instalação do povoado que crescia, com as condições de que os indígenas locais não fossem molestados e de que fosse erigida uma nova capela, sob a invocação de Nossa Senhora dos Remédios. Essa sesmaria corresponde à região do atual Centro Histórico da cidade.

Emancipação política[editar | editar código-fonte]

A partir de 1654 várias rebeliões se registraram entre os moradores, visando tornar a povoação independente da vizinha Angra dos Reis, o que veio a ocorrer em 1660, como fruto da revolta liderada por Domingos Gonçalves de Abreu, vindo o povoado a ser alçado à categoria de vila. Este ato de rebeldia foi reconhecido por Afonso VI de Portugal, que, por Carta Régia de 28 de Fevereiro de 1667 ratificou o ato dando-lhe o nome de "Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty".[3]

O ciclo do ouro e a Estrada Real[editar | editar código-fonte]

Rua de Paraty pavimentada com pedras irregulares.[2]

Com a descoberta de ouro na região das Minas Gerais, a dinâmica de Paraty ganhou novo impulso. Em 1702, o governador da capitania do Rio de Janeiro determinou que as mercadorias somente poderiam ingressar na Colônia pela cidade do Rio de Janeiro e daí tomar o rumo de Paraty, de onde seguiriam para as Minas Gerais pelo antiga trilha indígena, agora pavimentada com pedras irregulares, que passou a ser conhecida por Caminho do Ouro.[4]

A proibição do transporte de ouro pela estrada de Paraty, a partir de 1710, fez os seus habitantes se rebelarem. A medida foi revogada, mas depois restabelecida. Este fato, mas principalmente a abertura do chamado Caminho Novo, ligando diretamente o Rio de Janeiro às Minas, tiveram como consequência a diminuição do movimento na vila.

A partir do século XVII registra-se o incremento no cultivo de cana-de-açúcar e a produção de aguardente. No século XVIII o número de engenhos ascendia a 250, registrando-se, em 1820, 150 destilarias em atividade. A produção era tão elevada que a expressão "Parati" passou a ser sinônimo de cachaça, produção artesanal que perdura até aos nossos dias.[3]

O século XIX e o ciclo do café[editar | editar código-fonte]

Para burlar a proibição ao tráfico de escravos decretada pelo regente Padre Diogo Antônio Feijó, o desembarque de africanos passa a ser feito em Paraty. As rotas, por onde antes circulava o ouro, passaram então a ser usadas para o tráfico e para o escoamento da produção cafeeira do vale do Paraíba, que então se iniciava.[4]

À época do Segundo Reinado, um Decreto-lei de 1844, do imperador Pedro II do Brasil, elevou a antiga vila a cidade.

Com a chegada da ferrovia a Barra do Piraí (1864) a produção passou a ser escoada por essa ela, condenando Paraty a um longo período de decadência.[2]

O ciclo do turismo[editar | editar código-fonte]

A cidade e o seu patrimônio foram redescobertos em 1954, com a reabertura da estrada que a ligava ao estado de São Paulo - a Paraty-Cunha -, vindo a constituir-se em um polo de atração turística. Desse modo, em 1958, o conjunto histórico de Paraty foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.[3] O movimento turístico intensificou-se com a abertura da Rio-Santos (BR-101) em 1973.

Na década de 1980, indígenas Guaranis embiás, procedentes do sul do país, instalaram-se no município, nas atuais aldeias de Araponga e Paratimirim.

Hoje, a cidade é o segundo polo turístico do estado do Rio de Janeiro e o 17º do país. O jornal The New York Times, destacou a cidade como destino cultural mais rico da Costa Verde.[5] Foi uma das poucas cidades que não são capital de estado a receber a tocha dos Jogos Pan-americanos de 2007 nos dias que antecederam os jogos.

O 1.º conde de Paraty.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Nota ortográfica: Segundo as normas ortográficas vigentes da língua portuguesa, este topônimo deveria ser grafado como Parati.
  2. a b c Brasil Cidade. História de Parati. Visitado em 24 de março de 2012.
  3. a b c d e Paraty Turismo e Ecologia. História, Paraty. Visitado em 24 de março de 2012.
  4. a b c Eco Paraty. 400 anos de História!. Visitado em 24 de março de 2012.
  5. Cidade histórica completa 345 anos hoje com festa A Voz da Cidade (28 de fevereiro de 2012). Visitado em 24 de março de 2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Tricentenário de Paraty: notícias históricas de J. S. A. Pizarro e Araújo. Rio de Janeiro: SPHAN, 1960.
  • Paraty (ed. comemorativa do tricentenário do Município). Rio de Janeiro: IBGE/CNE, 1977.
  • CAMARGO MAIA, Theresa Regina de; MAIA, Tom. Paraty. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1975.
  • CAMARGO MAIA, Theresa Regina de; MAIA, Tom. Paraty: Religião e Folclore. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1976.
  • CAMARGO MAIA, Theresa Regina de; MAIA, Tom. Do Rio a Santos: Velho Litoral. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1976.
  • GURGEL, Heitor; AMARAL, Edelweiss. Paraty: Caminho do Ouro. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1973.
  • MELLO, Diuner José de. Paraty: Roteiro Histórico do Visitante. Ed. do autor, 1976.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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