Morte de Muammar al-Gaddafi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ambox grammar.svg
Esta página ou secção precisa de correção ortográfico-gramatical.
Pode conter incorreções textuais, podendo ainda necessitar de melhoria em termos de vocabulário ou coesão, para atingir um nível de qualidade superior conforme o livro de estilo da Wikipédia. Se tem conhecimentos linguísticos, sinta-se à vontade para ajudar.

A morte de Muammar al-Gaddafi (7 de junho de 1942 - 20 de outubro de 2011) ocorreu no dia 20 de outubro de 2011, quando o chefe de estado da Líbia tinha 69 anos de idade. Ele foi morto em Sirte, o último redulto de resistência de seus partidários.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Muammar al-Gaddafi foi ditador, político, militar, ideólogo e governante absoluto de seu país, sendo de facto chefe de estado da Líbia de 1 de setembro de 1969 até 23 de agosto de 2011, quando foi deposto após a Guerra Civil Líbia e morto na batalha de Sirte. Durante seus mais de 40 anos como ditador, Gaddafi adquiriu o status de ditador de seu país e impos leis que favoreciam todos os seus partidários e companheiros e oprimiam com forte violencia a seus opositores,[1] adquiriu de forma ilegal uma fortuna estimada em mais de 20 bilhões de dólares.[2]

Relato dos últimos dias[editar | editar código-fonte]

No início de novembro de 2011, Mansour Daou, que foi uma figura proeminente do regime deposto e chefe da guarda pessoal de Muammar al-Gaddafi, concedeu um entrevista à CNN[3] , enquanto aguardava julgamento em um centro de detenção na cidade de Misrata, na qual relatou que:

  1. em 18 de agosto de 2011, Muammar al-Gaddafi deixou Trípoli e fugiu para Sirte, onde viveu seus últimos dias muito atormentado, lendo livros e fazendo anotações, fazendo mudanças de esconderijo em casas abandonadas a cada três ou quatro dias, no final, ele e seus comandados não tinham água, energia ou comunicação com o mundo exterior;
  2. em 20 de outubro de 2011, foi formado um comboio de mais de 40 veículos que deveria fugir de Sirte antes do amanhecer em direção à aldeia de Jaref, localizada a 20 quilômetros a oeste da cidade sitiada, para que o líder deposto pudesse passar seus últimos momentos no local onde havia nascido, mas o comboio somente partiu por volta das 8 horas da manhã e aviões da Otan rapidamente atingiram um dos veículos do comboio, o impacto da explosão acionou os airbags no carro ele estava junto Muammar al-Gaddafi, que sofreu uma lesão leve na cabeça ou no peito, foi um momento de caos, confusão e horror;
  3. um segundo ataque aéreo causou um maior número de vítimas e atingiu o carro onde eles estavam e, por isso, eles tiveram que tentar continuar a fuga a pé, mas foram cercados por partidários do novo regime e tentaram se proteger em tubos de drenagem;
  4. enquanto tentava se proteger, foi atingido por estilhaços nas costas e perdeu a consciência, razão pela qual não sabe de detalhes posteriores relativos à morte do líder deposto;[4]

Captura[editar | editar código-fonte]

Às 08:30h (horário local) um 75 veículos, que além de Muammar Gaddafi, também transportava seu filho Mutassim e o comandante militar Abu Bakr Younis Jabr fugiu de Sirte em alta velocidade, mas foi atingido por um avião de guerra francês a aproximadamente 3 ou 4 Km a oeste da cidade, perto da rotunda ocidental.

Esse primeiro ataque destruiu apenas um veículo e o comboio se dispersou em vários grupos, o grupo onde estava Gaddafi mudou a direção de fuga em direção ao sul e foi atingido por um segundo ataque que destruiu 11 veículos, inclusive o que conduzia o líder deposto, que tentou continuar a fuga a pé, procurando refúgio em dois tubos de drenagem, mas foram cercados por forças rebeldes. Gaddafi foi capturado por volta do meio-dia [5] .

A versão oficial[editar | editar código-fonte]

Segundo o primeiro ministro Mahmoud Jibril, Gaddafi estava bem de saúde por ocasião de sua captura, mas quando ele estava sendo colocado em um caminhão pick-up ocorreu uma troca de tiros entre forças novo regime e apoiadores do líder deposto, e foi durante esse tiroteio que Gaddafi foi baleado na cabeça [6] . Essa versão foi confirmada por Omran al-Oweib, comandante da brigada que capturou Gaddafi.[7] Porém, vídeos feitos com telefones celulares mostravam que tanto Gaddafi quanto seu filho Mutassim estavam vivos ao serem capturados. Diante dessas circunstâncias, que fomentou a pressão dos aliados ocidentais, o CNT prometeu que iria investigar a forma como Gaddafi e seu filho foram mortos[8] .

Morte segundo a mídia[editar | editar código-fonte]

Muammar al-Gaddafi foi anunciado oficialmente como morto após o Conselho Nacional de Transição da Líbia dar uma nota à Al Jazeera.[9] [10] De acordo com algumas fontes, Gaddafi teria sido encontrado em um boeiro e ferido nas pernas ou teria levado dois tiros no peito.[11] [12] Outros acreditam ter sido subjulgado pelas forças de oposição. Imagens de um vídeo amador mostram o corpo ensaguentado do ex-ditador, ainda vivo, sendo carregado como um troféu em Sirte.[13] Jornais e portais de notícias pelo mundo também levantaram a hipótese de participação estrangeira na morte. Falando sobre as eleições parlamentares no seu país, o então primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou, sem mostrar qualquer evidência, que a ação teria sido realizada por aviões americanos não-tripulados.[14] Outras fontes, de países da África do Norte, denunciaram que Gadaffi teria sido supostamente assassinado por um agente do serviço secreto francês agindo sob ordens do então presidente daquele país, Nicolas Sarkozy.[15] Todas as teorias foram negadas pelas partes envolvidas.[15]

Relatório do Human Rights Watch[editar | editar código-fonte]

Cerca de um ano após o evento o Human Rights Watch publicou um relatório com as seguintes conclusões[16] :

  1. antes da captura, Gaddafi foi ferido por estilhaços de uma granada de mão, que matou seu ministro da defesa Abu Bakr Younis Jabr;
  2. após a captura sofreu perfurações no traseiro causadas por uma baioneta que resultaram em uma grande hemorragia que deu causa à sua morte;
  3. Gaddafi já estaria morto quando uma bala atingiu sua cabeça;
  4. os partidários do novo regime também executaram seu filho Mutassim e mais de sessenta partidários do regime deposto;
  5. o médico que realizou a necrópsia foi ameaçado de morte para manter suas descobertas em segredo;

Enterro em local secreto[editar | editar código-fonte]

Após a morte o corpo foi colocado em uma câmara frigorífica na cidade de Misrata, ao lado do corpo de seu filho Mutassim e do comandante militar Abu Bakr Younes, o enterro foi adiado, em meio a disputas para determinar onde os corpos seriam enterrados, na época debatia-se se o enterro ocorreria em Misrata, em Sirte (cidade natal do líder morto) ou em outro lugar, no final decidiu-se enterrá-los em um lugar secreto para evitar que o local do enterro se convertesse em um santuário[17] .

Em 23 de outubro de 2011, foi revelado o testamento de Muammar Gaddafi, no qual ele revelava o desejo de ser enterrado no túmulo de sua família em Sirte e pedia aos seus partidários que continuassem a resistir e a lutar contra qualquer agressão estrangeira contra a Líbia[18] [19] , mas seu desejo de ser enterrado em sua cidade natal não foi atendido, apesar dos apelos de sua tribo, que também queria enterrar seu patrono e líder em Sirte, pois em 25 de outubro, Muammar Gaddafi, seu filho Mutassim e o comandante militar Abu Bakr Younes foram enterrados em um local secreto no deserto líbio, antes do enterro houve uma cerimônia religiosa, presidida três líderes religiosos que apoiaram o líder deposto até o fim: Khaled Tantoush, Medina Shwarfa e Samira Jarousi, que contou também com a presença de: Sharif al-Gaddafi, sobrinho neto de Gaddafi; de dois primos: Mansour Daou e Ahmed Ibrahim; Huneish Nasr, motorista pessoal por um longo período; e de dois filhos de Younes, todos capturados no dia 20 de outubro[8] [17] .

Reações[editar | editar código-fonte]

  • altos funcionários do CNT declararam que sua morte permitiria declarar a libertação do país após oito meses de derramamento de sangue;
  • o Presidente norte-americano, Barack Obama disse que aquela morte marcava o fim de um capítulo longo e doloroso para a Líbia, que agora teria a oportunidade de determinar seu próprio destino;
  • o Primeiro-ministro britânico, David Cameron, após a notícia, disse que a população da Líbia tinha uma chance ainda maior para construir, por conta própria, um futuro forte e democrático;
  • o chanceler francês Alain Juppé demonstrou contentamento com o "fim de 42 anos de tirania" na Líbia e disse que a França estava "orgulhosa" por ter ajudado a trazer a liberdade ao país[20] ;
  • o Presidente venezuelano, Hugo Chávez, declarou que a morte de Gaddafi foi um "assassinato", e afirmou que o líder deposto seria agora lembrado como um "mártir"[21] ;
  • a população de Niamey, capital do Níger, recebeu com amargura e frustração a notícia da morte do "Guia líbio"[23] , outras comunidades subsaarianas tiverem uma reação semelhante, pois tinham uma imagem positiva do líder morto, devido às políticas sociais dirigidas aos povos da África durante o regime deposto[24] , um senador nigeriano disse a imprensa local de seu país que "Gaddafi foi um dos grandes líderes africanos" e fez menção ao papel politico dele na região[24] , em Uganda, 30 mil pessoas compareceram numa celebração religiosa para demonstrar luto pela morte do ex-líder líbio.[25] ;
  • em uma entrevista concedida em 15 de dezembro de 2011, o primeiro ministro russo, e candidato à presidência daquele país, Vladimir Putin, acusou forças especiais dos EUA de estarem envolvidas no assassinato de Gaddafi[26] , por sua vez, os militares norte-americanos ridicularizaram a acusação[27] ;

Após a morte de Gaddafi[editar | editar código-fonte]

Após sua morte em 20 de outubro, as Nações Unidas pediram uma investigação para saber se o ditador líbio foi morto em combate ou se foi executado o que seria um crime pois se fosse capturado vivo deveria ser julgado oficialmente, seu corpo foi enterrado em 25 de outubro, em algum lugar secreto do deserto Líbio, Gaddafi assim que foi morto foi levado para uma câmara fria e ficou exposto para visitação pública, juntamente com o corpo de seu filho Mo'tassim e do chefe militar do regime Abu Bakr Yunis Jaber, durante 4 dias,[30] dando um fim ao governo autoritário do ditador Líbio, Segundo Mahmoud Jibril primeiro ministro do Conselho Nacional de Transição (CNT), a autópsia determinou que o líder deposto foi morto por um ferimento de bala na cabeça. Existem duvidas se Gaddafi foi capturado vivo e executado ou se foi morto após os ultimos dias da batalha de Sirte.

Referências

  1. 42 years of Gaddafi Dictatorship Muslimvillage.com. Visitado em 20 de novembro de 2011.
  2. Salah Uddin Shoaib Choudhury. Gaddafi and his hidden wealth worth billions Blitz. Visitado em 20 de novembro de 2011.
  3. Top aide: Gadhafi's 'suicidal' flight to birthplace, em inglês, acessado em 25 de março de 2012
  4. allAfrica.com – Gaddafi's Last Stand in Sirte allAfrica.com. Visitado em 27 October 2011.
  5. Muammar Gaddafi: How he died, em inglês, acessado em 07 de abril de 2012
  6. Mahmoud Jibril: 'Colonel Gaddafi hit by crossfire', em inglês, acessado em 07 de abril de 2012
  7. Libyan commander describes Muammar Gaddafi's last moments, em inglês, acessado em 07 de abril de 2012
  8. a b Gaddafi é enterrado em local secreto no deserto líbio, acesso em 09 de abril de 2012
  9. BBC News - Libyan forces 'capture Gaddafi' Bbc.co.uk (18 de setembro de 2011). Visitado em 20 de novembro de 2011.
  10. Weaver, Matthew. Libya: fall of Sirte - live updates | World news | guardian.co.uk Guardian. Visitado em 20 de novembro de 2011.
  11. NTC claims capture of Gaddafi - Africa Al Jazeera English. Visitado em 20 de novembro de 2011.
  12. Kadhafi é capturado e morto na Líbia Al Jazeera English. Visitado em 20 de outubro de 2011.
  13. Muammar Kadhafi foi morto em ataque, diz novo governo da Líbia (em português) G1. Visitado em 25 de outubro de 2011.
  14. "The Russian leader also accused the US special forces of being involved in the killing of deposed Libyan dictator Moamer Gaddafi" The Telegraph. Visitado em 12 de outubro de 2012.
  15. a b Peter Allen (30 de setembro de 2012). Gaddafi was killed by French secret serviceman on orders of Nicolas Sarkozy, sources claim Daily Mail. Visitado em 12 de outubro de 2012.
  16. Colonel Gaddafi died after being stabbed with bayonet, says report, em inglês, acesso em 02 de novembro de 2012
  17. a b Gaddafi buried in unmarked grave in Libya desert to avoid creating shrine, em inglês, acesso em 09 de abril de 2012
  18. Revelado testamento de Kadhafi, acesso em 08 de abril de 2012
  19. Gaddafi's will tells Libyans: we chose confrontation as a badge of honour, em inglês, acesso em 08 de abril de 2012
  20. Muammar Gaddafi is killed in Libya, em inglês, acessado em 08 de abri de 2012
  21. Chávez diz que Kadhafi será lembrado como 'mártir' e 'lutador', acessado em 08 de abri de 2012
  22. ANC regrets Gaddafi's 'gruesome' death, em inglês, acessado em 08 de abri de 2012
  23. La mort de Kadhafi crée désolation et frustration chez les Nigériens (SYNTHESE), em francês, acessado em 08 de abril de 2012
  24. a b Many in Sub-Saharan Africa Mourn Qaddafi’s Death, acessado em 08 de abril de 2012
  25. Tears as Muslims pay respect to Col. Gaddafi, acesso em em 08 de abril de 2012
  26. Vladimir Putin sets record for live phone-in as he is confronted over democracy, em inglês, acessado em 08 de abril de 2012
  27. Putin says US involved in Kadhafi killing, em inglês, acesso em 08 de abril de 2012
  28. Morte de Kadhafi pode ser considerada crime de guerra, acesso em 08 de abril de 2012
  29. Filha de Khadafi quer que TPI investigue morte do pai, acesso em 08 de abril de 2012
  30. Corpo de Muammar Kadhafi foi sepultado em local secreto. Página visitada em 25 de outubo de 2011.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Portal A Wikipédia possui o
Portal da Síria
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Morte de Muammar al-Gaddafi