Ocupação japonesa da Coreia

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大日本帝國朝鮮
Dai-nihon-tei-koku-chōsen
일제시대 (日帝時代)
IIlje Sidae

Domínio Japonês na Coreia

Dependência anexada pelo
Império do Japão

Flag of Korea (1882–1910).svg
1910 – 1945 Flag of Korea (1882–1910).svg
 
Flag of the United States (1912-1959).svg
Flag Brasão
Bandeira Selo do
Governo-Geral
da Coreia
Hino nacional
"Kimigayo"


Localização de Ocupação japonesa da Coreia
Coreia como parte do Império do Japão em 1939.
Continente Ásia
Capital Keijō
Língua oficial Japonês (de jure)
Coreano (de facto)
Religião Oficialmente, nenhuma;
Extra-oficialmente, o Xintoísmo estatal.
Governo Monarquia constitucional
Governador-Geral da Coreia
 • 1910-1916 Terauchi Masatake
 • 1919-1927, 1929-1931 Saitō Makoto
 • 1927, 1931-1936 Kazushige Ugaki
 • 1936-1942 Jirō Minami
 • 1942-1944 Kuniaki Koiso
 • 1944-1945 Nobuyuki Abe
Período histórico Japão Imperial
 • 17 de novembro de 1910 Protetorado japonês
 • 22 de agosto de 1910 Assinado tratado de anexação
 • 29 de agosto de 1910 Anexado pelo Japão
 • 1 de março de 1919 Movimento Primeiro de Março
 • 1939 Ordem Sōshi-Kaimei
 • 15 de agosto de 1945 Rendição do Japão
 • 2 de setembro de 1945 Vitória sobre o Japão
Moeda Yen coreano

A Ocupação japonesa da Coreia começou em 1910 após o colapso do Império Coreano e durou até o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945. O governo japonês sobre a Coreia foi um processo que, na verdade, começou após a assinatura do Tratado de Ganghwa, de 1876, onde uma coalizão de representantes e autoridades militares, econômicas e do governo Meiji buscaram integrar a Península Coreana política e economicamente ao Império do Japão. Em 1905, é assinado então o Tratado de Eulsa, onde o Império Coreano se tornou um protetorado do Japão. A anexação da Coreia pelos japoneses foi oficialmente firmada no Tratado Japão-Coreia de 1910, que na verdade nunca foi assinado pelo governante coreano, o imperador Gojong.[1][2]

Os japoneses impuseram um regime de terror na península coreana. Milhares de pessoas foram jogadas em campos de trabalho forçado ou em fábricas, onde trabalhavam em condições análogas a escravidão. Foi imposto também uma série de leis que visavam suprimir a cultura coreana e iniciar um processo de assimilação forçada. A língua coreana, por exemplo, foi banida, a literatura e canções nacionais foram proibidas e, posteriormente, sob a lei Sōshi-kaimei, nomes de origem coreana foram barrados, com as famílias sendo obrigadas a darem aos seus filhos nomes de origem japonesa. Embora houvesse resistência, a repressão cultural e a brutalização da população nativa coreana pelas mãos dos japoneses persistiu por três décadas e meia. Durante a Guerra do Pacífico (1941-1945), coreanos foram enviados para trabalhar (como escravos) nas nações ocupadas pelo exército imperial japonês, ao mesmo tempo que milhares de mulheres (incluindo crianças) foram forçadas pelos japoneses a prostituição (as chamadas "mulheres de conforto"). Embora, posteriormente, o governo do Japão tenha pedido desculpas pelos seus crimes na Coreia, ainda há nítidas sequelas e a relação entre os dois países no século XXI, ainda que siga amigável e cooperativa, permanece meio tensa, ao menos socialmente falando.[3]

A administração japonesa da Península Coreana foi dirigida pelo chamado Governo-Central. Quando os japoneses se renderam aos Aliados, em 1945, a Coreia foi dividida em duas, com dois sistemas político-econômicos distintos para cada: o Norte comunista, sob influência soviética, e o Sul capitalista, sob influência estadunidense.[3]

O governo imperial japonês sobre a Coreia acabou em 1945, quando tropas dos Estados Unidos e da União Soviética invadiram a península pelo norte e pelo sul, respectivamente, e ocuparam militarmente a região. Em 1965, todos os chamados 'tratados desiguais' assinados entre a Coreia e o Japão Imperial, especialmente aqueles firmados em 1905 e 1910, foram declarados ilegais e, consequentemente, nulos. Um novo tratado de cooperação e boa relação foi assinado entre o Japão e a Coreia do Sul, ainda em 1965.[4]

A industrialização da península coreana começou durante a Dinastia Joseon (através da Reforma Gwangmu, imposta pelo imperador Gojong), quando o país ainda era independente,[5][6][7] mas foi acelerada durante a ocupação japonesa. Os japoneses, contudo, não tinham qualquer interesse em distribuir de forma justa os frutos das reformas econômicas, levando quase todo o resultado do potencial industrial e de agricultura coreana de volta para o Japão, para benefício de sua própria economia.[8] O povo coreano sofreu, forçado a escravidão em seu próprio país, marginalizado, e tendo que ver sua cultura e história serem reprimidas e seus recursos naturais sendo explorados por uma nação estrangeira, com repercussões políticas negativas atingindo as Coreias até os dias atuais, causando muita controvérsia.[3]

Referências

  1. Yutaka, Kawasaki (7 de agosto de 1996). «Was the 1910 Annexation Treaty Between Korea and Japan Concluded Legally?». Murdoch University Electronic Journal of Law. Consultado em 26 de maio de 2018. 
  2. «Treaty of Annexation». USC-UCLA Joint East Asian Studies Center. Consultado em 19 de fevereiro de 2007.. Arquivado do original em 11 de fevereiro de 2007 
  3. a b c «Koreans Suffered Under 36 Years of Harsh Japanese Rule». The New York Times. Consultado em 26 de maio de 2018. 
  4. Hook, Glenn D. (2001). Japan's International Relations: Politics, Economics, and Security; p. 491. [S.l.: s.n.] 
  5. Jae-gon Cho The Industrial Promotion Policy and Commercial Structure of the Taehan Empire. Seoul: Jimoondang Publishing Company (2006)
  6. D.W. Shin, S.I. Hwang (1996). The Historical Interpretation on the Formation of the Modern Health Care System in Late Choson.
  7. «Summer Institute Summaries». Consultado em 5 de janeiro de 2015.. Arquivado do original em 12 de agosto de 2013 
  8. Lee, Jong-Wha. «Economic Growth and human Production in the Republic of Korea, 1945–1992» (PDF). United Nations Development Programme. Consultado em 19 de fevereiro de 2007. 

Ver também[editar | editar código-fonte]