Søren Kierkegaard

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Søren Kierkegaard
Desenho não terminado de Kierkegaard feito pelo seu primo, Niels Christian Kierkegaard c. 1840
Nascimento 5 de maio de 1813
Copenhague
Dinamarca
Morte 11 de novembro de 1855
Copenhague
Dinamarca
Residência Copenhague, Berlim
Sepultamento Cemitério Assistens
Nacionalidade Dinamarquês
Cidadania Dinamarca
Etnia Dinamarqueses
Progenitores Pai:Michael Pedersen Kierkegaard
Irmão(s) Peter Kierkegaard
Alma mater Universidade de Copenhague (PhD
1841)
Ocupação filósofo, poeta, teólogo e crítico social
Magnum opus Enten - Eller
Escola/tradição Existencialismo (fundador)
Principais interesses Estética
Cristianismo
Filosofia cristã
Epistemologia
Ética
Psicologia
Poesia
Movimento estético fideísmo, existencialismo, existencialismo cristão
Religião luteranismo
Causa da morte câncer de pulmão
Assinatura
Kierkegaard sig.png

Søren Aabye Kierkegaard (( /ˈsɒrən ˈkɪərkəɡɑːrd/ pronúncia SORR-ən KEER-kə-gard; Copenhague, 5 de maio de 1813 — Copenhague, 11 de novembro de 1855) foi um filósofo, teólogo, poeta e crítico social dinamarquês, amplamente considerado o primeiro filósofo existencialista.[1] Durante sua carreira ele escreveu textos críticos sobre religião organizada, cristianismo, moralidade, ética, psicologia, e filosofia da religião, mostrando um gosto particular por figuras de linguagem como a metáfora, a ironia e a alegoria. Grande parte do seu trabalho filosófico aborda as questões de como alguém vive sendo um "único indivíduo", priorizando à realidade humana concreta sobre o pensamento abstrato e destacando a importância da escolha e do comprometimento pessoal.[2] Ele se posicionou contra os críticos literários chamados de idealistas e contra filósofos de seu tempo. Para ele, intelectuais como Swedenborg,[3] Hegel,[4] Goethe, Fichte, Schelling, August Schlegel e Hans Christian Andersen foram todos considerados "scholars" prematuramente.[5]

O trabalho teológico de Kierkegaard centra-se na ética cristã, na instituição da igreja, nas diferenças entre provas puramente objetivas do cristianismo, na distinção qualitativa infinita entre o homem, e Deus (a finitude e temporalidade do homem em contraste com a infinitude e eternidade de Deus), e a relação subjetiva do indivíduo com o Deus-homem Jesus Cristo,[6] que veio por meio da fé.[7][8] Grande parte de seu trabalho trata do amor cristão. Ele foi extremamente crítico com a prática do cristianismo como uma religião de Estado, sobretudo com a posição da Igreja da Dinamarca. O seu trabalho psicológico explorou as emoções e os sentimentos dos indivíduos diante das escolhas da vida.[9]

O trabalho inicial de Kierkegaard foi escrito sob diversos pseudônimos que ele usava para apresentar pontos de vista distintos e interagir uns com os outros em um diálogo complexo.[10] Ele explorou problemas particularmente complexos a partir de diferentes pontos de vista, cada um sob um pseudônimo diferente. Ele escreveu muitos de seus Discursos de Edificação sob seu próprio nome e os dedicou ao "indivíduo único" que pode querer descobrir o significado de suas obras. Notavelmente, ele escreveu: "A ciência[11] e o método escolar querem ensinar que o objetivo é o caminho. O cristianismo ensina que o caminho é tornar-se subjetivo, tornar-se um sujeito".[12] Embora os cientistas possam aprender sobre o mundo pela observação, Kierkegaard negou enfaticamente que essa observação poderia revelar o funcionamento interno do mundo do espírito.[13]

Algumas das idéias-chave de Kierkegaard incluem o conceito de "verdades subjetivas e objetivas", o cavaleiro da fé, a dicotomia de recordação e repetição, a Angst (angústia), a infinita distinção qualitativa, a fé como paixão, e as três etapas do caminho da vida. Kierkegaard escreveu em dinamarquês, e a recepção de seu trabalho foi inicialmente limitada à Escandinávia, mas, no final do século XX, seus escritos foram traduzidos para o francês, o alemão e outras grandes línguas européias. Em meados do século XX, seu pensamento passou a exercer uma influência substancial sobre a filosofia,[14] teologia[15] e toda a cultura ocidental.[16] De acordo com Ludwig Wittgenstein, Kierkegaard foi o filósofo mais profundo do século XIX.[17]

Primeiros anos (1813–1836)[editar | editar código-fonte]

Kierkegaard nasceu em Copenhague, numa família abastada. Sua mãe, Ane Sørensdatter Lund Kierkegaard, trabalhou como empregada doméstica antes de se casar com seu pai, Michael Pedersen Kierkegaard. Ela era uma figura despretensiosa: calma, simples e não foi educada formalmente. Henriette Lund, sua neta, escreveu que ela "empunhava o cetro com alegria e protegia [Søren e Peter] como uma galinha protege seus pintinhos".[18] Ela exerceu influência sobre seus filhos, pois Peter escreveu que seu irmão preservou muitas das palavras de sua mãe em seus escritos.[19] Já seu pai, Michael, foi um comerciante de lã bem-sucedido. Ele foi descrito como "um homem muito severo, seco e prosaico em todos os sentidos, embora essa fachada rústica ocultasse uma imaginação ativa que nem mesmo sua idade avançada pôde embotar".[20] Ele cultivava interesse por filosofia e muitas vezes hospedava intelectuais em sua casa. Por conta da influência de seu pai, o jovem Kierkegaard entrou em contato com filosofia de Christian Wolff.[21] Nos estudos filosóficos, ele priorizou as comédias de Ludvig Holberg,[22] os escritos de Johann Georg Hamann,[23] Gotthold Ephraim Lessing,[24] Edward Young,[25] e Platão, especialmente os escritos que se referem a Sócrates.

Durante as décadas de 1830 e 1840, as ruas de Copenhague eram tortuosas e poucas carruagens passavam por elas. Kierkegaard adorava andar nessas ruas. Em 1848, Kierkegaard escreveu: "Eu tinha verdadeira satisfação cristã no pensamento de que, se não houvesse outro, definitivamente havia um homem em Copenhague com quem todas as pessoas pobres poderiam abordar livremente e conversar na rua; se não houvesse outro, havia um homem que, qualquer que fosse o círculo social que ele mais freqüentava, não evitava o contato com os pobres, mas saudava toda empregada que lhe parecia familiar, todo servo, todo trabalhador comum."[26] A Catedral de Nossa Senhora ficava em uma extremidade da cidade, onde o bispo Jacob Peter Mynster pregava o Evangelho. No outro extremo estava o Royal Theatre, onde Fru Heiberg se apresentava.[27]

Baseando-se em uma interpretação especulativa de publicações inéditas de Kierkegaard, especialmente um rascunho de uma história chamada O Grande Terremoto,[28] alguns estudiosos argumentam que o pai de Kierkegaard acreditava que havia despertado a ira de Deus e que nenhum de seus filhos sobreviveria a ela. Diz-se que ele acreditava que seus pecados pessoais (como amaldiçoar o nome de Deus em sua juventude[20] ou engravidar Ane fora do casamento) provocaram essa punição. Apesar de cinco de seus sete filhos terem morrido antes dele, tanto Kierkegaard quanto seu irmão, Peter Christian Kierkegaard, sobreviveram por anos depois da morte de Michael.[29] Peter, que era sete anos mais velho de Kierkegaard, mais tarde, tornou-se bispo em Aalborg.[29] De acordo com a scholar Julia Watkin, o interesse precoce de Michael na Igreja dos Irmãos Morávios pode ter-lhe despertado uma profunda sensação dos efeitos devastadores provenientes do pecado.[30]

Quando Michael (Mikael) Kierkegaard morreu em 9 de agosto de 1838, Søren havia perdido além de seus pais, todos os seus irmãos e irmãs, exceto Peter, que mais tarde se tornou Bispo de Aalborg na Igreja Luterana do Estado Dinamarquês

Kierkegaard acreditava que ninguém reteria seus pecados. Mesmo que alguém não acreditasse no perdão do pecado, esse alguém não viveria sua própria vida como uma objeção contra a existência do perdão.[31] Ele afirmou que Catão, o Jovem cometeu suicídio antes que César tivesse a chance de perdoá-lo. Para Kierkegaard, esse medo de não encontrar perdão, de acordo com Kierkegaard, é devastador.[32][33] Edna Hong, tradutora das obras de Kierkegaard, citou as passagens sobre o perdão em seu livro de 1984, Forgiveness is a Work As well, a Grace.[34][35][36] Em 1954, Samuel Barber compôs uma cantata chamada Prayers of Kierkegaard, baseada em sua ideia de perdão:[37]

Entre 1821 e 1830, Kierkegaard freqüentou a Escola de Virtude Cívica, Østre Borgerdyd Gymnasium, na época situada em Købmagergade, uma rua comercial localizada no centro histórico de Copenhagu. Lá ele estudou latim e história, entre outras disciplina. Ele passou a estudar teologia na Universidade de Copenhague. Na época, ele tinha pouco interesse em obras históricas, sobretudo as filosóficas, pois ele não conseguia dedicar-se a tarefas especulativas.[38] Ele escreveu: "O que eu realmente preciso fazer é esclarecer sobre o que devo fazer", não o que devo saber. Ele gostaria de "levar uma vida completamente humana e não apenas de conhecimento".[39] Kierkegaard não queria ser um filósofo no sentido tradicional ou um seguidor de Hegel,[40] tampouco gostaria de pregar um cristianismo que fosse uma ilusão.[41] Segundo o próprio Kierkegaard, "ele aprendeu com seu pai que alguém pode fazer o que quisesse, e a vida de seu pai não contradisse essa teoria."[42]

Uma das primeiras descrições da aparência física de Kierkegaard veio de Hans Brøchner, um convidado para a festa de casamento do seu irmão Peter em 1836: "Eu achei [sua aparência] quase cômica. Na época ele estava com vinte e três anos de idade. Ele tinha algo bastante irregular em toda a sua forma e usava um penteado estranho. Seu cabelo subiu quase seis centímetros acima de sua testa em uma forma de crista desgrenhada que lhe dava uma estranha aparência de espanto".[43] Kierkegaard se descreveu como alguém de composição física frágil:

"Franzino, raquítico e fraco para poder valer como um homem completo, quando comparado com outros, no ponto de vista das condições físicas que me foram negadas, melancólico, submetido ao sofrimento interior, profundamente ferido de muitas maneiras no íntimo da alma, a mim só uma coisa me foi concedida: uma inteligência eminente, com certeza para que eu não ficasse inteiramente desarmado[44]

Outra descrição provém da sobrinha de Kierkegaard, Henriette Lund: Quando Søren Kierkegaard era um garoto, ele "era de aparência esbelta e delicada, e usava uma pequena túnica vermelha. Ele costumava ser chamado de "garfo" por seu pai, por causa de sua tendência, desenvolvida bem cedo, a fazer observações satíricas. Embora um tom sério e quase austero invadisse a casa de Kierkegaard, tenho a firme impressão de que lá também era um lugar de vivacidade juvenil, ainda que mais silenciosa e caseiro do que a que estamos acostumados hoje em dia. A casa estava aberta à uma 'hospitalidade antiquada' "(1876).[45]

A mãe de Kierkegaard "era uma mulher simpática com uma disposição equilibrada e feliz", segundo a descrição de um neto. Ela nunca foi mencionada nos trabalhos de Kierkegaard. Ane morreu em 31 de julho de 1834, 66 anos, possivelmente de tifo.[46] Seu pai morreu em 8 de agosto de 1838, aos 82 anos. Em 11 de agosto, Kierkegaard escreveu: "Meu pai morreu na quarta-feira (8) às 2:00 da manhã. Eu desejei profundamente que ele vivesse mais alguns anos ... Agora eu sinto que há apenas uma pessoa (E. Boesen) com quem eu realmente posso falar sobre ele. Ele foi um 'amigo fiel.”[47] Troels Frederik Lund, seu sobrinho, foi fundamental para fornecer aos biógrafos muitas informações sobre Søren Kierkegaard. Lund foi um bom amigo de Georg Brandes e Julius Lange.[48] Aqui está uma anedota sobre o Michael, seu pai, encontrada nos diários de Kierkegaard.

Diários[editar | editar código-fonte]

Página de rosto de um livro, intitulado "AS JORNADAS DE SØREN KIERKEGAARD"
A capa da primeira edição em inglês de "The Journals", editada por Alexander Dru em 1938

Segundo Samuel Hugo Bergmann, "os diários de Kierkegaard são uma das fontes mais importantes para uma compreensão de sua filosofia".[50] Kierkegaard escreveu mais de 7.000 páginas em seus diários sobre eventos, reflexões, pensamentos sobre suas obras e observações cotidianas.[51] Toda a coleção de periódicos dinamarqueses (Journalen) foi editada e publicada em 13 volumes, consistindo 25 ligações separadas, incluindo índices. A primeira edição inglesa dos periódicos foi editada por Alexander Dru em 1938.[52] O estilo desses escritos é "literário e poético".[53]

Kierkegaard queria que Regine Olsen, sua noiva fosse a confidente de seus escritos, mas considerou isso impossível, então ele deixou para "meu leitor, aquele único indivíduo" a incumbência de se tornar seu confidente. Ele se perguntou se era se alguém pode ou não ter um confidente espiritual, escrecrevendo a seguinte passagem em seu postcript conclusivo: "Com relação à verdade essencial, uma relação direta entre espírito e espírito é impensável. Se tal relação é assumida, na verdade significa que a parte deixou de ser espírito."[54]

Os diários de Kierkegaard foram a fonte de muitos aforismos creditados ao filósofo. A passagem seguinte, de 1º de agosto de 1835, é talvez seu aforismo mais citado e uma citação-chave para os estudos existencialistas:

"O que eu realmente preciso é ter clareza sobre o que devo fazer e não o que eu preciso saber, a não ser na medida em que o conhecimento deve preceder cada ato. O que importa é encontrar um propósito, para ver o que realmente é que Deus quer que eu faça; o mais importante é encontrar uma verdade que é verdade para mim, encontrar a ideia pela qual estou disposto a viver e morrer."

Ele escreveu a seguinte passagem sobre comunicação indireta no mesmo diário:

“Somente quando o homem se entende em profundidade e contempla a passagem do seu caminho, só então a sua vida adquire paz e significado, só então ele é libertado daquele pesado e fatal companheiro de viagem - essa ironia da vida que "se manifesta na esfera do conhecimento e convida o verdadeiro saber para começar com um não saber” (Sócrates) à semelhança de Deus que criou o mundo do nada. Mas nas águas da moralidade estão em casa aqueles que ainda não entraram nos ventos alísios da virtude. Nelas o homem se vira de uma maneira horrível. Por um tempo ele se sente feliz e satisfeito com o objetivo de um avanço linear, mas então afunda no abismo do desespero. Muitas vezes o homem está entorpecido com a ideia de que "isso não poderia ser de outra forma", e de repente, acorda com um interrogatório implacável. Ele frequentemente deixa cair um véu de esquecimento sobre seu passado, e então retorna novamente a cada insignificância mínima, para realçá-lo com uma luz viva. Quando ele se esforça para alcançar um caminho linear e fica feliz por ter superado o poder das tentações, bem no momento da vitória mais perfeita, uma circunstância exterior aparentemente insignificante o empurra como Sísifo da ponta da rocha. Quando ele consegue concentrar toda a sua força em uma coisa, muitas vezes há alguma circunstância mínima do lado de fora que aniquila tudo. (Eu diria: como um homem que está cansado de viver, ele queria se jogar no Tamisa, mas foi atrasado pela picada de mosquito apenas no momento decisivo). Muitas vezes o homem tuberculoso sente-se melhor quando na verdade está pior. Em vão, tenta resistir a isso, mas ele não tem força suficiente, e o fato de ter atravessado a mesma coisa muitas vezes não contribui em nada; esse tipo de treinamento não funciona nessa ocasião.”[55]

Embora seus diários esclarecessem alguns aspectos de seu trabalho e de sua vida, Kierkegaard teve o cuidado de não revelar demais. Mudanças abruptas no pensamento, na escrita repetitiva e reviravoltas incomuns são algumas das muitas táticas que ele usou para afastar os leitores. Consequentemente, existem muitas interpretações variadas de seus diários. Kierkegaard não tinha dúvidas sobre a importância que seus diários teriam no futuro. Em dezembro de 1849, ele escreveu: “Se eu morresse agora, o efeito de minha vida serial excepcional, muito do que eu simplesmente anotei de maneira descuidada nos diários teriam grande importância e grandes consequências; por conta deles as pessoas teriam se reconciliado comigo e seriam capazes de me conceder o que era, e é, meu direito ".[56]

Regine Olsen e graduação (1837–1841)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Regine Olsen
Regine Olsen, por volta de 1840s

Em 8 de setembro de 1840, Kierkegaard formalizou o pedido de noivado a Olsen. No entanto, Kierkegaard logo se sentiu desiludido com as perspectivas de se casar. Quebrou o noivado a 11 de agosto de 1841, apesar de se acreditar que havia um amor profundo entre eles. Nos seus Diários, Kierkegaard menciona a sua crença de que sua "melancolia" o tornava impróprio para o casamento, mas o motivo exacto para o rompimento do noivado permanece pouco claro.[29][58]

Ainda em 1841, Kierkegaard escreveu e defendeu a sua dissertação O conceito de ironia constantemente referido a Sócrates, que foi considerada pelo painel universitário como um trabalho digno de registo e bem estruturado, mas demasiado informal para uma tese acadêmica séria.[59] Kierkegaard graduou-se na universidade a 20 de outubro de 1841 com um Magister Artium, que nos nossos dias designaria um Philosophiæ Doctor (Ph.D.). Com a herança da sua família, no valor de 31 mil rigsdalers (então moeda dinamarquesa), Kierkegaard pôde custear a sua educação, a sua vida e várias publicações das suas primeiras obras.[52]

Primeira fase como autor e o caso Corsair (1841–1846)[editar | editar código-fonte]

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Caricatura publicada em The Corsair, um jornal satírico

Apesar de Kierkegaard, na sua juventude e nos tempos universitários, ter escrito vários artigos sobre política, a mulher, e entretenimento, muitos académicos, como Alastair Hannay e Edward Mooney, acreditam que a sua primeira obra digna de nota é a sua tese universitária O conceito de ironia, com referência continua a Sócrates, apresentado em 1841, ou a obra prima e presumivelmente maior trabalho, Enten - Eller, publicado em 1843.[58][60] Ambas as obras, que focaram grandes figuras do pensamento ocidental, Sócrates na primeira e menos directamente Hegel e Friedrich von Schlegel na segunda, mostraram o estilo de escrita único de Kierkegaard. O filósofo adotou o pseudônimo de Victor Eremita, enquanto escrevia Enten - Eller, a obra mais importante de sua própria história literária e filosófica.[61] O livro foi escrito quase na sua totalidade durante a estadia de Kierkegaard em Berlim, tendo sido completado no Outono de 1842.[60] Kierkegaard terminou Enten - Eller com as palavras "...apenas a verdade que é construída é verdade para ti."[62][63] Enten - Eller foi publicado a 20 de fevereiro de 1843. Posteriormente publicaram-se Dois Discursos Edificantes (1843) e Três Discursos Edificantes (1843). Estes discursos foram publicados sob seu próprio nome em vez de um pseudónimo. Kierkegaard continuou a publicar discursos, escritos sob um ponto de vista cristão, até ter completado a obra O Conceito de Angústia. Os discursos foram discutidos em relação a Enten - Eller na obra Ponto de Vista Explicativo da Minha Obra de Escritor e nas entradas do seu Diário.

No mesmo ano em que se publicou Enten - Eller, Kierkegaard soube que Regine Olsen se encontrava para se casar com Johan Frederik Schlegel (1817–96), um funcionário público. Isso afetou profundamente Kierkegaard e seus escritos subsequentes. Em Temor e Tremor, um discurso sobre a natureza da fé publicado no fim de 1843, pode ser interpretada uma passagem da obra como dizendo "Kierkegaard espera que através que um ato divino, Regine possa voltar para si".[64] Em A Repetição, publicado no mesmo dia que Temor e Tremor, é uma exploração do amor, da experiência religiosa e da linguagem, reflectida numa série de histórias sobre um jovem que deixa a sua amada. Várias outras obras neste período fazem insinuações sobre a relação entre Kierkegaard e Olsen[64] Após ter completado A Repetição ele escreveu Quatro Discursos edificantes (1842), Dois Discursos Edificantes (1844) e Três Discursos Edificantes (1844).

Outros trabalhos importantes neste período incluem críticas a Georg Wilhelm Friedrich Hegel e formam uma base para a psicologia existencial.

Interpretações[editar | editar código-fonte]

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Por Ernest Gellner[editar | editar código-fonte]

Ernest Gellner menciona no seu livro de 1992, Pós-modernismo, Razão e Religião, Kierkegaard para ilustrar o fundamentalismo religioso. Segundo Gellner, Kierkegaard está associado à ideia de que a religião é, no seu fundamental, não uma persuasão da verdade de uma doutrina, mas sim a dedicação a uma posição que é inerentemente absurda, ou que dá "ofensa", o termo usado por Kierkegaard. Para Kierkegaard, nós obtemos a nossa identidade ao acreditar em algo que ofenda profundamente a nossa mente, o que não é uma tarefa fácil. Para existir, teríamos de acreditar e acreditar em algo que seja ominosamente difícil de acreditar. Esta é a essência do processo existencialista em Kierkegaard, que associa a com a identidade.

Por Theodor Adorno[editar | editar código-fonte]

A tese doutoral de Theodor Adorno fora sobre Kierkegaard com a temática A construção do estético.

Obras selecionadas[editar | editar código-fonte]

Capa de Migalhas Filosóficas (1844), escrito sob o pseudônimo Johannes Clímacus

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Kierkegaard, Søren (1849). «A New View of the Relation Pastor–Poet in the Sphere of Religion». JP VI 6521 Pap. X2 A 157 (em inglês). [S.l.: s.n.] Christianity has of course known very well what it wanted. It wants to be proclaimed by witnesses—that is, by persons who proclaim the teaching and also existentially express it. The modern notion of a pastor as it is now is a complete misunderstanding. Since pastors also presumably should express the essentially Christian, they have quite rightly discovered how to relax the requirement, abolish the ideal. What is to be done now? Yes, now we must prepare for another tactical advance. First a detachment of poets; almost sinking under the demands of the ideal, with the glow of a certain unhappy love they set forth the ideal. Present-day pastors may now take second rank. These religious poets must have the particular ability to do the kind of writing that helps people out into the current. When this has happened, when a generation has grown up that from childhood on has received the pathos-filled impression of an existential expression of the ideal, the monastery and the genuine witnesses of the truth will both come again. This is how far behind the cause of Christianity is in our time. The first and foremost task is to create pathos, with the superiority of intelligence, imagination, penetration, and wit to guarantee pathos for the existential, which ‘the understanding’ has reduced to the ludicrous. .
  2. Gardiner 1969
  3. Emanuel, Swedenborg The Soul, or Rational Psychology translated by Tafel, J. F. I. 1796–1863, also see Eighteen Upbuilding Discourses, Hong trans., p. 332ff (The Thorn in the Flesh) (arrogance)
  4. Søren Kierkegaard 1846, Concluding Unscientific Postscript to Philosophical Fragments, Hong p. 310-311
  5. Concluding Unscientific Postscript to Philosophical Fragments, A Mimical-Pathetic-Dialectical Compilation an Existential Contribution Volume I, by Johannes Climacus, edited by Soren Kierkegaard, Copyright 28 February 1846 – Edited and Translated by Howard V. Hong and Edna H. Hong 1992 Princeton University Press p. 9-10
  6. Point of View by Lowrie, p. 41, Practice in Christianity, Hong trans., 1991, Chapter VI, p. 233ff, Søren Kierkegaard 1847 Upbuilding Discourses in Various Spirits, Hong p. 225-226, Works of Love IIIA, p. 91ff
  7. Duncan 1976
  8. Concluding Unscientific Postscript to Philosophical Fragments, Hong trans., pp. 15–17, 555–610 Either/Or Vol II, pp. 14, 58, 216–217, 250 Hong
  9. Ostenfeld & McKinnon 1972
  10. Howland 2006
  11. Soren Kierkegaard, Works of Love, 1847 Hong 1995 p. 283
  12. Concluding Unscientific Postscript, Hong trans., 1992, p. 131
  13. Philosophical Fragments and Concluding Postscript both deal with the impossibility of an objectively demonstrated Christianity, also Repetition, Lowrie 1941 p 114-115, Hong p. 207-211
  14. Stewart, Jon (Ed.) Kierkegaard's Influence on Philosophy, Volume 11, Tomes I–III. Ashgate, 2012.
  15. Stewart, Jon (Ed.) Kierkegaard's Influence on Theology, Volume 10, Tomes I–III. Ashgate, 2012.
  16. Stewart, Jon (Ed.) Kierkegaard's Influence on Philosophy, Volume 11, Tomes I–III. Ashgate, 2012.
  17. Wittgenstein and Kierkegaard on the ethico-religious by Roe Fremstedal in Ideas in History Vol. 1 (2006)
  18. Glimpses and Impressions of Kierkegaard, Thomas Henry Croxall, James Nisbet & Co 1959 p. 51 The quote came from Henriette Lund's Recollections of Søren Kierkegaard written in 1876 and published in 1909 Søren was her uncle. http://catalog.hathitrust.org/Record/001396450
  19. Bukdahl, Jorgen (2009). Soren Kierkegaard and the Common Man. Eugene, Oregon: Wipf and Stock Publishers. 46 páginas. ISBN 9781606084663 
  20. a b Gabriel, Merigala (2010). Subjectivity and Religious Truth in the Philosophy of Søren Kierkegaard. Macon, Georgia: Mercer University Press. 9 páginas. ISBN 9780881461701 
  21. Dorrien 2012, p. 13
  22. «See David F. Swenson's 1921 biography of SK, pp. 2, 13». Archive.org. Consultado em 17 de julho de 2013 
  23. Kierkegaard's indebtedness to the Anti-Enlightenment author is explained in this book by Smith G Hamann 1730–1788 A Study In Christian Existence (1960) by Ronald Gregor Smith
  24. Either/Or Part I Swenson, 1944, 1959 p. 1967ff Concluding Unscientific Postscript, Hong trans., p. 72ff
  25. Either/Or Part I title page, Stages on Life's Way, p. 150, 216, 339
  26. The Point of View of My Work as An Author: A Report to History by Søren Kierkegaard, written in 1848, published in 1859 by his brother Peter Kierkegaard Translated with introduction and notes by Walter Lowrie, 1962, Harper Torchbooks, pp. 48–49
  27. Hohlenberg, Johannes (1954). Søren Kierkegaard. [S.l.]: Pantheon Books. OCLC 53008941 
  28. Watkin 2000
  29. a b c Garff 2005
  30. Outstanding Christian Thinkers, Soren Kierkegaard 1997 p. 8ff – Watkin taught philosophy at University of Tasmania and ran The Kierkegaard Research Center
  31. Papers VI B 13 n.d 14-145, Søren Kierkegaard Works of Love, Hong p. 380 (1848), Concluding Unscientific Postscript, Hong p. 226ff, Sickness Unto Death, Hannay p. 154ff
  32. Caesar did many an illustrious deed, but even if nothing were preserved but one single statement he is supposed to have made, I would admire him. After Cato committed suicide, Caesar is supposed to have said, "There Cato wrested from me my most beautiful victory, for I would have forgiven him." Stages on Life's Way, Hong p. 384, 481–485 he wrote more about this in 1847 and linked forgiveness to self-denial.

    In eternity you will not be asked how large a fortune you are leaving behind-the survivors ask about that; or about how many battles you won, about how sagacious you were, how powerful your influence-that after all, becomes your reputation for posterity. No, eternity will not ask about what worldly things you leave behind you in the world. But it will ask about what riches you have gathered in heaven, about how often you conquered your own mind, about what control you have exercised over yourself or whether you have been a slave, about how often you have mastered yourself in self-denial or whether you have never done so, about how often you in self-denial have been willing to make a sacrifice for a good cause or whether you were never willing, about how often you in self-denial have forgiven your enemy, whether seven times or seventy times seven times, about how often you have suffered, not for your own sake, for your own selfish interests’ sake, but what you in self-denial have suffered for God’s sake. Søren Kierkegaard 1847 Upbuilding Discourses in Various Spirits, Hong p. 223-224

  33. Johann Goethe was also very much interested in suicide and wrote about it in his autobiography where he described external methods used for committing suicide ("Suicide" from The Auto-biography of Goethe).
  34. Edna Hong, Forgiveness is a Work as Well as a Grace, 1984 Augsburg Publishing House p. 58.
  35. Søren Kierkegaard 1847 Upbuilding Discourses in Various Spirits, Hong, pp. 246–247.
  36. Søren Kierkegaard Works of Love, 1847 Hong p. 342-344, 384–385.
  37. a b Review of the premiere of the work in Time Magazine December 20, 1954
  38. Johannes Climacus by Søren Kierkegaard, p. 29
  39. Kierkegaard's Journals Gilleleie, 1 August 1835. Either/Or Vol II pp. 361–362
  40. Johannes Climacus by Søren Kierkegaard, pp. 22–23, 29–30, 32–33, 67–70, 74–76
  41. Point of View by Lowrie, pp. 28–30
  42. Johannes Climacus by Søren Kierkegaard, p. 23
  43. Garff 2005, p. 113 Also available in Encounters With Kierkegaard: A Life As Seen by His Contemporaries, p. 225.
  44. KIERKEGAARD, 1978, X2 A619, p.20.
  45. Thomas H. Croxall, Glimpses & Impressions of Kierkegaard, 1959, James Nisbet & Co. Ltd. From ‘Recollections From Home’ by Henriette Lund, p. 49
  46. Kierkegaard by Josiah Thompson, Published by Alfred P. Knoff, inc, 1973 pp. 14–15, 43–44 ISBN 0-394-47092-3
  47. Journals & Papers of Søren Kierkegaard IIA 11 August 1838
  48. Born at Copenhagen in 1840 Frederik Troels-Lund comes of a family distinguished in art and letters. The famous naturalist P. W. Lund was his uncle. Soren Kierkegaard, the Danish Philosopher, exerted a great influence oved the young man, the first wife of Frederik’s father having been the sister of Kierkegaard. The early environment was one almost entirely of men and women fond of literature and often writers of note. Among Troels-Lunds student contemporaries were Georg Brandes, Julius Lange and others who have won fame at home and abroad. The Sun., November 14, 1915, SIXTH SECTION, Page 4, Image 40
  49. Journals X3A78
  50. Hugo Bergmann Dialogical Philosophy from Kierkegaard to Buber p. 2
  51. Given the importance of the journals, references in the form of (Journals, XYZ) are referenced from Dru's 1938 Journals. When known, the exact date is given; otherwise, month and year, or just year is given.
  52. a b Dru, 1938
  53. Conway & Gover 2002, p. 25
  54. Concluding Postscript, Hong trans., p. 247
  55. (Søren Kierkegaard's Journals & Papers IA Gilleleie, 1 August 1835)
  56. Dru 1938, p. 354
  57. Dru, 1938, p. 70; entrada no diário no dia 2 de fevereiro de 1839.
  58. a b (Hannay, 2003)
  59. Kierkegaard, 1989
  60. a b Mooney, 2007
  61. Westfall, Joseph (2007), The Kierkegaardian Author: Authorship and Performance in Kierkegaard's Literary and Dramatic Criticism [O autor kierkegaardiano: autoria e desempenho na crítica literária e dramática de Kierkgaard] (em inglês) .
  62. Either/Or, II .
  63. Hong p. 354
  64. a b Lippitt, 2003

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

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