Maria Josefina de Saboia

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Maria Josefina
Princesa da Sardenha
Retrato por Joseph Boze, 1786.
 
Marido Luís Estanislau Xavier de França
Casa Saboia
Bourbon
Nome completo
em italiano: Maria Giuseppa Luisa Benedetta
Nascimento 2 de setembro de 1753
Palácio Real de Turim, Turim, Sardenha
Morte 13 de novembro de 1810 (57 anos)
Hartwell House, Buckinghamshire, Inglaterra
Sepultamento Catedral de Cagliari, Cagliari, Itália
Pai Vítor Amadeu III da Sardenha
Mãe Maria Antonieta da Espanha
Assinatura Assinatura de Maria Josefina


Maria Josefina Luísa Benedita de Saboia (em italiano: Maria Giuseppa Luisa Benedetta di Savoia; Palácio Real de Turim, 2 de setembro de 1753 — Hartwell House, 13 de novembro de 1810) foi a esposa do futuro rei Luís XVIII de França. Ela foi uma princesa da Sardenha e do Piemonte por nascimento. Na França, ela é mais conhecida como Marie Josephine de Savoie.

Família[editar | editar código-fonte]

Maria Josefina nasceu no Palácio Real de Turim em 2 setembro de 1753 e era a terceira criança e segunda filha do Príncipe Vítor Amadeu de Sabóia e sua esposa a infanta espanhola Maria Antonieta. No tempo de seu nascimento seu avô paterno, Carlos Emanuel III da Sardenha, era o rei da Sardenha. Como resultado seus pais a intitularam Princesa de Piemonte.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Maria Josefina c. 1771, por François-Hubert.

Maria Josefina se casou em 14 de maio de 1771 com o príncipe Luís Estanislau Xavier de França, filho de Luís Fernando, Delfim da França, e sua esposa Maria Josefa da Saxônia. Seguiu-se um luxuoso baile seis dias depois.[1]

Luís tinha repulsa da esposa, que era considerada feia, tediosa e ignorante dos costumes da corte de Versalhes. O casamento permaneceu sem consumação por anos; biógrafos discordam sobre o motivo. As teorias mais comuns propõem que Luís era impotente ou que sua falta de desejo se devia pela falta de higiene pessoal de Maria Josefina: ela não escovava os dentes, não tirava as sobrancelhas e não usava perfumes.[2] Luís era obeso na época do casamento e bamboleava ao invés de caminhar. Ele não fazia exercícios e se alimentava com enormes quantidades de comida.[3] Maria Josefina engravidou em 1774, tendo superado sua aversão. Entretanto, a gravidez terminou em aborto.[4] Uma segunda gravidez em 1781 também terminou em aborto e o casamento permaneceu sem filhos.[5]

Revolução Francesa[editar | editar código-fonte]

Estados Gerais se reuniram em maio de 1789 para ratificar reformas financeiras.[6] O marido de Maria Josefina era a favor de uma posição forte contra o Terceiro Estado e suas exigências de reformas tributárias. O Terceiro Estado se auto-declarou em 17 de junho a Assembleia Nacional do povo francês. O Conde da Provença pediu ao rei que agisse fortemente contra a declaração, enquanto que o popular Necker tinha a intenção de negociar. Luís XVI permaneceu caracteristicamente indeciso. A assembleia se declarou em 9 de julho a Assembleia Nacional Constituinte com a intenção de escrever uma constituição para a França. O rei dispensou Necker dois dias depois, causando grandes tumultos por toda Paris. Um regimento de cavalaria comandado por Carlos Eugênio de Lorena, Príncipe de Lambesc, atacou em 12 de julho uma multidão reunida nos jardins do Palácio das Tulherias, com a Tomada da Bastilha ocorrendo dois dias depois.[7]

O cunhado de Maria Josefina, Carlos, Conde de Artois, fugiu da França em 16 de julho com sua esposa, filhos e vários cortesãos.[8] Ele e a família refugiaram-se em Turim, capital do Reino da Sardenha governado pelo pai de Maria Josefina, junto com a família de Luís José, Príncipe de Condé.[9] O Conde da Provença decidiu ficar em Versalhes.[10] Quando a família real planejou fugir de Versalhes para Metz, o conde aconselhou o rei a permanecer, sugestão que Luís XVI aceitou.[11]

A família real foi forçada a deixar Versalhes um dia após a Marcha sobre Versalhes em 5 de outubro.[12] Eles se mudaram para Paris, com Maria Josefina e Luís alojando-se no Palácio do Luxemburgo enquanto o resto da família ficou no Palácio das Tulherias.[13]

Exílio[editar | editar código-fonte]

A condessa de Provença durante o exílio

Maria Josefina e Luís fugiram em junho de 1791 para os Países Baixos Austríacos, Luís se auto-proclamou regente da França ao chegar. Ele mostrou um documento que havia escrito com Luís XVI[14] antes de fugir, que lhe dava a regência no caso da morte do irmão ou sua incapacidade de realizar suas funções como rei. Luís juntou-se a outros príncipes em exílio em Coblença, onde ele, Carlos e os Condés declararam sua intenção de invadir a França. O rei ficou irritado pelas ações do irmão. O Conde da Provença enviou emissários para várias cortes europeias pedindo por auxílio financeiro, soldados e munição.

A Assembleia Nacional declarou em janeiro de 1792 que todos os nobres exilados eram traidores da França, com suas propriedades e títulos sendo confiscados.[15] A monarquia francesa foi abolida pela Convenção Nacional em 27 de setembro de 1792.[16] Luís XVI foi executado em 21 de janeiro de 1793, assim deixando seu filho Luís Carlos como o rei titular. Os príncipes exilados proclamaram o menino como "Luís XVII de França". O Conde da Provença unilateralmente se declarou como regente do sobrinho, que ainda era muito jovem para liderar a Casa de Bourbon.[17]

Luís Carlos acabou morrendo no cativeiro dois anos depois em junho de 1795. Sua única irmã ainda viva, Maria Teresa, não era considerada uma candidata ao trono por causa da tradicional Lei Sálica. Assim os príncipes exilados declararam que o Conde da Provença era o "Rei Luís XVIII". O novo rei aceitou a declaração logo depois.[18] Luís começou a escrever um manifesto em resposta à morte do sobrinho, conhecido como a "Declaração de Verona", que era uma tentativa de apresentar suas políticas ao povo francês. A declaração acenava para a volta da monarquia, "que por catorze séculos foi a glória da França".

Morte[editar | editar código-fonte]

O Conde de Provence, após a morte de seu irmão e a posterior morte de seu sobrinho Luís Carlos, reivindicou o título com o nome de Luís XVIII. Maria Josefina, no entanto, morreu no exílio em 1810, portanto, não foi capaz de se sentar no trono ao lado do marido.

Ele está enterrado no Santuário dos Mártires, a cripta da catedral de Cagliari, na Sardenha, porque não foi ocupada por Napoleão como é a França e Piemonte.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Mansel 1999, p. 3
  2. Mansel 1999, pp. 13–14
  3. Fraser 2002, p. 114
  4. Mansel 1999, p. 14–15
  5. Mansel 1999, p. 10
  6. Fraser 2002, p. 326
  7. Lever, Evelyne (1985). Louis XVI (Paris: Fayard). p. 508. 
  8. Fraser 2002, p. 338
  9. Nagel 2008, p. 65
  10. Fraser 2002, p. 340
  11. Fraser 2002, p. 342
  12. Fraser 1999, p. 357
  13. Fraser 1999, pp. 361–362
  14. Nagel 2008, p. 113
  15. Nagel 2008, p. 118
  16. Hibbert 1982, p. 180
  17. Nagel 2008, p. 136
  18. Nagel 1999, pp. 152–153
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