Meliponicultura

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Meliponicultura é a criação racional de abelhas sem ferrão (Meliponíneos), especialmente dos gêneros melipona e trigona[1]. A meliponicultura já era praticada há muito tempo pelos povos nativos da América Latina, em especial aqueles do Brasil e México. Os objetivos da meliponicultura estão na produção e comercialização de colmeias (ou parte delas), mel, pólen, resinas, própolis e outros substratos como atrativos e ninho-iscas, além das abelhas serem os principais agentes da polinização e a conservação da biodiversidade, ou simplesmente a proteção das espécies contra a extinção. Os povos indígenas já manuseavam as abelhas sem ferrão e utilizavam o seu mel para diversos tratamentos de saúde, como a catarata.

Atividade sustentável[editar | editar código-fonte]

Somente no Brasil há mais de 400 espécies de abelhas silvestres sem ferrão, muitas delas com características específicas e propícias para o desenvolvimento [agroecológico] sustentável. Os seres humanos possuem uma relação de [esclavagismo] interespecífico com as abelhas sem ferrão, se aproveitando do trabalho desempenhado pelas colônias.

A meliponicultura apresenta importância econômica, ambiental e social dentro de diversos nichos e regiões onde ocorrem as abelhas, pois não necessitam de cuidados intensivos e nem investimento elevado na construção de um [meliponário]. A atividade, inclusive, pode ser desenvolvida por meliponicultores de todas as idades, como crianças e idosos. Além disso, podem ser criadas em áreas residenciais, já que as espécies não apresentam riscos de acidentes.

Principais espécies brasileiras[editar | editar código-fonte]

Todas as espécies de meliponas são eussociais, ou seja, possuem uma estrutura de trabalho dividido por castas, onde as operárias realizam a maioria das atividades de sustento do enxame, como construção e manutenção dos discos/cachos de cria, coleta e processamento de alimento, limpeza e proteção da colônia e cuidado com as crias. A rainha é responsável pela postura dos ovos. Os machos são responsável pela fecundação das princesas (rainhas virgens) e tarefas secundárias dentro da colônia. Nas melíponas, um quarto das operárias podem virar rainhas, enquanto nas trigonas a rainha é gerada em uma realeira.

Melíponas[editar | editar código-fonte]

Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) carregando pólen
  • Uruçu verdadeira (Melipona scutellaris)
  • Uruçu amarela (Melipona rufiventris)
  • Mandaçaia (Melipona quadrifaciata)
  • Canudo, tubi, bravo (Scapotrigona sp.)
  • Mandaçaia de buraco (Melipona quinquefaciata)
  • Arapuá, sanharó (Trigona spinipes)
  • Jandaíra (Melipona subnitida)
  • Manduri (Melipona marginata)
  • Tiúba (Melipona compressipes)

Trigonas[editar | editar código-fonte]

Entrada do ninho de Jataí
  • Jataí (Tetragonisca angustula)
  • Moça branca (Frieseomellita varia)
  • Tataíra, caga fogo (Oxytrigona tataira)
  • Cupira (Partamona cupira)
  • Mosquito (Plebeia sp.)

Captura de enxames[editar | editar código-fonte]

O CONAMA emitiu a resolução 346, de 2004, que trata sobre a criação racional de abelhas silvestres nativas no Brasil. Neste documento são permitidas capturas de enxames da natureza, desde que não agridam o meio ambiente. Uma das maneiras é através da atração para os ninho-iscas. Os mais comuns são aqueles confeccionados com garrafas tipo pet de 1,5 a 5 litros embebidas internamente em loção atrativa e envoltas com papelão/jornal e lona plástica preta, imitando o interior oco de árvores. A loção atrativa é produzida com álcool de cereais e material proveniente dos enxames que se tem interesse, como resinas, geoprópolis e cera, na proporção de 3 partes de álcool para uma parte de material. O produto deve ser curtido durante 15 dias, agitando-o diariamente. O ninho-isca deve ser instalado em locais de ocorrência de abelhas e no período de maior enxameação, geralmente, durante a primavera e o verão (entre os meses de setembro a janeiro, dependendo da região). A relação entre ninho-mãe e ninho-filho se encerra, geralmente, quando nascem as primeiras crias[2]. Cerca de 30 dias após a instalação do enxame na isca, deve-se proceder o traslado para o local definitivo/meliponário e a transferência para a caixa racional, que deve estar a mais de 300 metros do local de captura.

Multiplicação de enxames[editar | editar código-fonte]

A melhor época para a divisão das colônias é o mesmo período de ocorrência de enxameação natural, ou seja, durante o aumento da oferta de alimento. Geralmente a multiplicação envolve dois enxames fortes (acima de cinco discos de cria) para a formação de um terceiro. Sempre é necessário tomar cuidados no manuseio dos discos/cachos de cria, da rainha, e dos potes de alimento, já que são bem frágeis. O procedimento deve ser realizado em dias de sol e sem ventos.

Melíponas[editar | editar código-fonte]

Para as melíponas, em especial aquelas espécies de colônias com populações pequenas, como a Mandaçaia, o procedimento é o seguinte:

  • ENXAME UM doa rainha e campeiras para ENXAME TRÊS
  • ENXAME DOIS doa discos de cria maduros para o ENXAME TRÊS
  • ENXAME TRÊS toma o lugar do ENXAME UM
  • ENXAME UM vai para outro local distante do meliponário para que as campeiras não retornem

Trigonas[editar | editar código-fonte]

Já para a divisão das trigonas, como a Jataí, deve-se atentar para a existência de realeiras. Normalmente ficam nas bordas dos discos de cria e são cerca de três vezes maiores que as crias comuns. Nesse caso, o procedimento é o seguinte:

  • CAIXA FILHA recebe discos de cria maduros com realeiras, campeiras e metade do alimento (mel e pólen)
  • CAIXA MÃE permanece com a rainha e discos de cria verdes
  • CAIXA FILHA toma o lugar da CAIXA MÃE
  • CAIXA MÃE vai para outro local distante do meliponário

Cuidados[editar | editar código-fonte]

Os cuidados com as colônias deve ocorrer nas transferências e nas divisões. É neste momento que o podem haver infestação de forídeos, um pequena mosca da família dos Dipteros que se infiltra na caixa e deposita seus ovos nos potes de pólen abertos. Se não tomadas as devidas providências, em dez dias haverá eclosão de novos forídeos e o ciclo recomeça, até a extinção do enxame. Se detectados precocemente, podem ser removidos manualmente, ou através de armadilhas contendo vinagre de maçã. A recomendação é nunca deixar a caixa infestada de forídeo no meliponário, já que há risco de contaminar outras colônias. Para evitar a proliferação das moscas, os potes de alimento, em especial os de pólen, devem ser manuseados com cuidado e, se rompidos, devem ser removidos da caixa. Todas as frestas devem ser vedadas com cerume ou fita crepe.

Caixa Racional[editar | editar código-fonte]

A Caixa racional é uma estrutura construída para abrigar as colônias de abelhas nativas dada a facilidade de manuseio, diferindo da caixa rústica. Diversos modelos já foram desenvolvidos, cada qual com uma finalidade em destaque e de acordo com as características do enxame. De modo geral, a caixa racional é segmentada em dois compartimentos: ninho e melgueira. O ninho, pode ainda, ser subdivido entre ninho e sobre-ninho, em criações que visam a multiplicação não-natural dos enxames. Este é o local onde estarão os discos/cachos de cria e a rainha. Já a melgueira é o compartimento onde serão estocados os potes de mel e/ou pólen.

O material utilizado para a confecção da caixa racional é prioritariamente a madeira, tendo também experimentos em concreto, isopor e outros materiais que possuem características de isolamento térmico, acústico, de umidade e de luminosidade, buscando a semelhança com os locais de nidificação encontrados na natureza e a proteção contra predadores.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

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