Simbolismo anarquista

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Enquanto muitos anarquistas historicamente tem se recusado a assumir a importância dos símbolos na esfera da política[1] uma parte deles assumiram certos símbolos para sua causa, incluindo o popular A no círculo e a bandeira negra. Desde o ressurgir do anarquismo em fins do século XX, início do XXI, coincidindo com o levante do movimento anti-globalização, símbolos anarquistas têm se mostrado cada vez mais presentes.[2]

Bandeira negra[editar | editar código-fonte]

A bandeira Negra

A Bandeira negra, e a cor negra em geral, tem sido associada a anarquia desde a década de 1880 quando Louise Michel propôs sua utilização como símbolo da luta anarquista. Muitos grupos anarquistas possuem nomes que levam a palavra "negra" graças a bandeira. Existiu também um número considerável de periódicos anarquistas intitulados Bandeira Negra na história do anarquismo.

A negritude uniforme desta bandeira representa a negação a todas as formas e estruturas opressivas. Uma bandeira negra plana é quase uma antibandeira, a negação do estado, de uma nação e de uma pátria, afinal as bandeiras coloridas tem sido geralmente adotadas como símbolos de estados nacionais. Soma-se a isso o fato da bandeira branca ter sido adotada no ocidente como símbolo de rendição a forças superiores, logo a bandeira negra pode ser entendida como uma oposição simétrica a rendição.


A no círculo[editar | editar código-fonte]

A no círculo

O A no círculo é certamente o símbolo anarquista mais conhecido da atualidade. É um monograma que consiste da letra capital "A" cercada pela letra capital "O". A letra "A" deriva da primeira letra da palavra "anarquia" ou "anarquismo" na maioria das línguas européias e é a mesma tanto na alfabeto latino quanto no alfabeto cirílico. O "O" simboliza ordem. Juntos eles significam "Anarquia é Ordem", a primeira parte de uma das mais famosas citações de Proudhon.[3] Esta letra pode ser escrita em Unicode ponto de código U+24B6: Ⓐ. Ou ainda, o símbolo "@" ou "(A)" podem ser usados rapidamente para representar o A no círculo em um computador.

Bandeira vermelha-e-negra[editar | editar código-fonte]

Este ordenamento simboliza a coexistência dos ideais do anarquismo e do socialismo dentro do movimento anarcossindicalista, representando também os meios anarquistas do movimento que têm o anarquismo como meta.

A bandeira vermelha-e-negra é um símbolo adotado tanto pelo movimento anarcossindicalista quanto pelos comunistas libertários. Negro é a cor tradicional do anarquismo, e vermelho foi tradicionalmente adotada pelo socialismo. A bandeira negra-e-vermelha combina as duas cores em partes iguais, com um simples corte diagonal. Tipicamente, a parte vermelha é colocada no topo esquerdo, com o negro no fundo a direita da bandeira. Este ordenamento simboliza a coexistência dos ideais do anarquismo e do socialismo dentro do movimento anarcosindicalista, representando também os meios anarquistas do movimento que têm o anarquismo como meta.

Bandeira Aurinegra[editar | editar código-fonte]

Bandeira anarcocapitalista

A Bandeira Aurinegra é semelhante em design a bandeira vermelha e preta diagonal do anarcossindicalismo, a cor preta é a cor clássica da anarquia e o amarelo a cor do ouro representando o capitalismo de livre iniciativa , ou o Padrão-ouro , utilizado como moeda de comércio não regulado pela a intervenção do Estado . A primeira vez que apareceu esta bandeira foi em uma cerimônia ao ar livre por Robert LeFevre no Colégio Rampart no Estados Unidos em 1963 .

Anarquistas clássicos como coletivistas, anarquistas sociais, anarcocomunistas, anarcossindicalistas e alguns anarcoindividualistas afirmam que anarcocapitalismo não é uma vertente do anarquismo,[4][5][6][7] mas sim do ultraliberalismo. Tradicionalmente, a ideologia anarquista é anticapitalista e contra a propriedade privada.[8][9][10][11] Porém, alguns teóricos do anarquismo individualista, não são contrários ao capitalismo em si,[12] e outros como Proudhon são anticapitalistas.[13][14][15]

Bandeira Anarquismo Verde[editar | editar código-fonte]

Bandeira do Anarquismo Verde

A bandeira do anarquismo verde representa a ecologia social ou profunda, o veganarquismo e o ecoanarquismo. 

Anarquismo Verde ou eco-anarquismo ou, ainda, ecologia libertária  é uma corrente anarquista nascida nos anos 1970, no bojo do movimento antinuclear. Além de se opor à autoridade e à hierarquia, critica a tecnologia, como forma de dominação da natureza pelo homem. Propõe a auto-organização, a autogestão das coletividades, o mutualismo e, além disso, segundo os anarquistas verdes, o movimento libertário, para evoluir, deve rejeitar o antropocentrismo e realizar uma mudança radical nas relações entre homem e natureza.

O eco-anarquismo baseia-se nos trabalhos teóricos do geógrafo Élisée Reclus e de Piotr Kropotkin e é próximo da ecologia social, elaborada pelo americano Murray Bookchin.

Gato negro[editar | editar código-fonte]

Gato Negro (um símbolo do anarquismo) criado por Ralph Chaplin

O símbolo do gato negro, também chamado de símbolo do "gato selvagem" ou "sabot-gato" é um símbolo anarquista associado com o anarcossindicalismo. Foi criado por Ralph Chaplin, da organização trabalhadora internacional Industrial Workers of the World. A imagem faz referência às Greves de gato-selvagem (no inglês, Wildcat strikes), onde manifestantes revidavam a violência exercida pela polícia em pé de igualdade. Este tipo de greve era muito comum nas décadas de 1910 e 1920, momento ápice do sindicalismo libertário.[16]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. "Appendix — The Symbols of Anarchy", An Anarchist FAQ, Infoshop.org. Acessado em 3 de Setembro de 2007.
  2. Williams, Leonard (2007). «Anarchism Revived». New Political Science. 29 (3): 297–312. doi:10.1080/07393140701510160 
  3. Marshall, Peter. Demanding the Impossible. Fontana, London. 1993. p. 558
  4. Sabatini, Peter. Social Anarchism. [S.l.: s.n.] 
  5. Corrêa 2012, p. 79.
  6. Corrêa 2012, p. 115.
  7. Corrêa 2012, p. 107.
  8. Proudhon, Pierre J., What Is Property? (1840) (em inglês). Consultado em 17 de Julho de 2016.
  9. Marshall, Peter (1992). Demanding the Impossible. [S.l.]: Harpercollins 
  10. Clark, John. The Anarchist Moment. [S.l.: s.n.] 
  11. Chomsky, Noam (2002). Understanding Power. [S.l.: s.n.] 
  12. "El anarquismo individualista en los Estados Unidos, en Inglaterra y en otras partes. Los antiguos intelectuales libertarios americanos" - Acessado em 4 de janeiro de 2017
  13. Proudhon, Selected Writings.
  14. George Edward Rines, ed (1918). Encyclopedia Americana. New York: Encyclopedia Americana Corp.. pp. 624. OCLC 7308909.
  15. Hamilton, Peter (1995). Emile Durkheim. New York: Routledge. pp. 79. ISBN 0415110475.
  16. www.portaloaca.com - O gato preto em anarquismo - Acessado 2 de setembro de 2015


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