Grande Recessão

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Mapa-múndi mostrando taxas de crescimento real do PIB para 2009. (Países em marrom estão em recessão econômica.)

A Grande Recessão[1] é uma crise económica global que ainda hoje se faz sentir após a crise financeira internacional precipitada pela falência do tradicional banco de investimento estadunidense Lehman Brothers, fundado em 1850. Em efeito dominó, outras grandes instituições financeiras quebraram, no processo também conhecido como "crise dos subprimes".[2] [3]

Alguns economistas, no entanto, consideram que a crise dos subprimes tem sua causa primeira no estouro da "bolha da Internet" (em inglês, dot-com bubble), em 2001, quando o índice Nasdaq (que mede a variação de preço das ações de empresas de informática e telecomunicações) despencou.[4]

De todo modo, a quebra do Lehman Brothers foi seguida, no espaço de poucos dias, pela falência técnica da maior empresa seguradora dos Estados Unidos da América, a American International Group (AIG). O governo norte-americano, que se recusara a oferecer garantias para que o banco inglês Barclays adquirisse o controle do cambaleante Lehman Brothers,[5] alarmado com o efeito sistêmico que a falência dessa tradicional e poderosa instituição financeira - abandonada às "soluções de mercado" - provocou nos mercados financeiros mundiais, resolveu, em vinte e quatro horas, injetar oitenta e cinco bilhões de dólares de dinheiro público na AIG para salvar suas operações. Mas, em poucas semanas, a crise norte-americana já atravessava o Atlântico: a Islândia estatizou o segundo maior banco do país, que passava por sérias dificuldades.[6]

As mais importantes instituições financeiras do mundo, Citigroup e Merrill Lynch, nos Estados Unidos; Northern Rock, no Reino Unido; Swiss Re e UBS, na Suíça; Société Générale, na França declararam ter tido perdas colossais em seus balanços, o que agravou ainda mais o clima de desconfiança, que se generalizou. No Brasil, as empresas Sadia,[7] Aracruz Celulose[8] e Votorantim[9] anunciaram perdas bilionárias.

Para evitar colapso, o governo norte-americano reestatizou as agências de crédito imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac, privatizadas em 1968,[10] que agora ficarão sob o controle do governo por tempo indeterminado.

Em outubro de 2008, a Alemanha, a França, a Áustria, os Países Baixos e a Itália anunciaram pacotes que somam 1,17 trilhão de euros (US$ 1,58 trilhão /≈R$ 2,76 trilhões) em ajuda ao seus sistemas financeiros. O PIB da Zona do Euro teve uma queda de 1,5% no quarto trimestre de 2008, em relação ao trimestre anterior, a maior contração da história da economia da zona.[11]

História[editar | editar código-fonte]

Segundo George Soros, presidente do conselho da Soros Fund Management, a crise atual foi precipitada por uma "bolha" no mercado de residências e, em certos aspectos, é muito similar às crises que ocorreram desde a Segunda Guerra Mundial, em intervalos de quatro a 10 anos. Entretanto, Soros faz uma importante distinção entre essa crise e as anteriores, considerando a crise atual como o clímax de uma superexpansão ("super-boom") que ocorreu nos últimos 60 anos. Segundo Soros, os processos de expansão-contração ("boom-bust") giram ao redor do crédito, e envolvem uma concepção errônea, que consiste na incapacidade de se reconhecer a conexão circular reflexiva entre o desejo de emprestar e o valor das garantias colaterais. Crédito fácil cria uma demanda que aumenta o valor das propriedades, o que por sua vez aumenta o valor do crédito disponível para financiá-las. As bolhas começam quando as pessoas passam a comprar casas na expectativa de que sua valorização permitirá a elas refinanciar suas hipotecas, com lucros. Isso foi o que aconteceu nessa última crise.[12]

Origem[editar | editar código-fonte]

Tudo começou em 2001, com o furo da "bolha da Internet". Para proteger os investidores, Alan Greenspan, presidente do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos, decidiu orientar os investimentos para o setor imobiliário.[13] Adotando uma política de taxas de juros muito baixas e de redução das despesas financeiras, induziu os intermediários financeiros e imobiliários a incitar uma clientela cada vez maior a investir em imóveis, principalmente através da Fannie Mae e da Freddie Mac, que já vinham crescendo muito desde que diferentes governos e políticos dos Estados Unidos as usaram para financiar casas aos mais pobres. O governo garantia os investimentos feitos por essas duas empresas. Bancos de vários países do mundo, atraídos pelas garantias do governo, acabaram emprestando dinheiro a imobiliárias através da Fannie Mae e da Freddie Mac, que estavam autorizadas a captar empréstimos em qualquer lugar do mundo.

Foi assim criado o sistema das hipotecas subprimes, empréstimos hipotecários de alto risco e de taxa variável concedidos às famílias "frágeis", ou seja, para os clientes apelidados de "ninja" (um acrônimo para "sem renda, sem emprego e sem patrimônio"). Na realidade, eram financiamentos de casas, muitas vezes conjugados com a emissão de cartões de crédito, concedidos a famílias que os bancos sabiam de antemão não ter renda familiar suficiente para poder arcar com suas prestações.

Num passo seguinte, os bancos que criaram essas hipotecas criaram derivativos negociáveis no mercado financeiro, instrumentos sofisticados para securitizá-las, isto é, transformá-las em títulos livremente negociáveis - por elas lastreados - que passaram a ser vendidos para outros bancos, instituições financeiras, companhias de seguros e fundos de pensão pelo mundo afora. Por uma razão que se desconhece, as agências mundiais de crédito deram a chancela de AAA - a mais alta - a esses títulos.

Quando a Reserva Federal, em 2005, aumentou a taxa de juros para tentar reduzir a inflação, desregulou-se a máquina; o preço dos imóveis caiu, tornando impossível seu refinanciamento para os clientes ninja, que se tornaram inadimplentes em massa, e esses títulos derivativos se tornaram impossíveis de ser negociados, a qualquer preço, o que desencadeou um efeito dominó, fazendo balançar o sistema bancário internacional, a partir de agosto de 2007.

A jornalista Hanna Rosin argumenta que os milhões de adeptos da teologia da prosperidade podem ter influenciado o problema no mercado imobiliário, que causou a crise econômica de 2008-2009, por ignorar fatores como salários por hora e extrato de conta bancária, bem como causa e efeito, e um cálculo prudente dos gastos oferecidos, em favor de "milagres financeiros e a idéia de que o dinheiro é uma substância mágica que vem como um dom do alto".[14]

A superexpansão (super-boom) de 60 anos[editar | editar código-fonte]

Nos últimos 60 anos, cada vez que a expansão do crédito entrou em crise as autoridades financeiras agiram injetando liquidez no sistema financeiro e adotando medidas para estimular a economia. Isso criou um sistema de 'incentivos assimétricos', conhecido nos Estados Unidos como moral hazard, que encorajava uma expansão de crédito cada vez maior. George Soros comenta: "O sistema foi tão bem sucedido que as pessoas passaram a acreditar naquilo que o então presidente Reagan chamava de "a mágica dos livres-mercados" e que eu chamo de fundamentalismo de livre mercado. Os fundamentalistas de livre mercado acreditam que os mercados tendem a um equilíbrio natural e que os interesses de uma sociedade serão alcançados se cada indivíduo puder buscar livremente seus próprios interesses. Essa é uma concepção obviamente errônea porque foi a intervenção nos mercados, não a ação livre dos mercados, que evitou que os sistemas financeiros entrassem em colapso. Não obstante, o fundamentalismo de livre mercado emergiu como a ideologia econômica dominante na década de 1980, quando os mercados financeiros começaram a ser globalizados, e os Estados Unidos passaram a ter um déficit em conta-corrente".[12]

A globalização permitiu aos Estados Unidos sugar a poupança mundial, e consumir muito mais do que produzia, tendo seu défict em conta-corrente atingido 6,2% do PIB em 2006. Seus mercados financeiros 'empurravam' os consumidores a tomar emprestado, criando cada vez mais instrumentos sofisticados e condições favoráveis ao endividamento. As autoridades financeiras colaboravam e incentivavam esse processo, intervindo - para injetar liquidez - cada vez que o sistema financeiro global se visse em risco. A partir de 1980 os mercados financeiros mundiais começaram a ser desregulamentados, tendo sua supervisão governamental progressivamente relaxada até virtualmente desaparecer.[12]

A superexpansão (super-boom) saiu dos trilhos quando os instrumentos financeiros se tornaram tão complicados que as autoridades financeiras governamentais se tornaram tecnicamente incapazes de avaliar os riscos desses instrumentos financeiros, e passaram a se utilizar dos sistemas de gerenciamento de riscos dos próprios bancos privados. Da mesma maneira, as agências de análise de crédito internacionais se baseavam nas informações fornecidas pelos próprios criadores dos instrumentos sintéticos; às vésperas da quebra da Fannie Mae, essas agências ainda classificavam os derivativos de empréstimos subprime como um risco AAA. "Foi uma chocante abdicação de responsabilidade", classificou Soros.[12]

Riscos e poderes regulatórios[editar | editar código-fonte]

Para alguns analistas, a primeira metade da década de 2000 será relembrada como a época em que as inovações financeiras superaram a capacidade de avaliação de riscos tanto dos bancos como das agências reguladoras de crédito. O caso do Citigroup é emblemático: o banco sempre esteve sob fiscalização do Federal Reserve, e seu quase colapso indica que não apenas a regulamentação então vigente foi ineficaz como o governo norte-americano, mesmo depois de deflagrada a crise, subestimou sua severidade.[15] O Citigroup não esteve sozinho dentre as instituições financeiras que se tornaram incapazes de compreender totalmente os riscos que estavam assumindo. À medida que os ativos financeiros se tornaram mais e mais complexos, e cada vez mais difíceis de serem avaliados, os investidores passaram a ser reassegurados pelo fato de que tanto as agências internacionais de avaliação de crédito de bônus (bonds) como os próprios agentes reguladores, que passaram a nelas se fiar, aceitavam como válidos os complexos modelos matemáticos - de impossível compreensão para a maioria das pessoas - usados pelos criadores dos produtos financeiros sintéticos, que "provavam" que os riscos eram muito menores do que veio a se verificar na realidade.[15] Na opinião de George Soros, a posição das agências reguladoras financeiras estadunidenses demonstrou "uma chocante abdicação de suas responsabilidades".[16]

Crise do subprime[editar | editar código-fonte]

Em Birmingham, no início de 2007, fila de clientes diante do Banco Northern Rock, o primeiro banco a sofrer intervenção no Reino Unido, desde 1860.

A crise do subprime foi desencadeada em 2006, a partir da quebra de instituições de crédito dos Estados Unidos que concediam empréstimos hipotecários de alto risco (em inglês: subprime loan ou subprime mortgage), arrastando vários bancos para uma situação de insolvência e repercutindo fortemente sobre as bolsas de valores de todo o mundo. A crise foi revelada ao público a partir de fevereiro de 2007, culminando na Crise econômica de 2008.[17] [18]

Subprimes são créditos bancários de alto risco, que incluem desde empréstimos hipotecários até cartões de créditos e aluguéis de carros, eram concedidos, nos Estados Unidos, a clientes sem comprovação de renda e com histórico ruim de crédito – a chamada clientela subprime. As taxas de juros eram pós-fixadas, isto é, determinadas no momento do pagamento das dívidas. Por esta razão, com a disparada dos juros nos Estados Unidos, muitos mutuários ficaram inadimplentes, isto é, sem condições de pagar as suas dívidas aos bancos.

Desde outubro de 2008 a crise financeira global levou à falência muitas instituições financeiras nos EUA e dos países europeus, ameaçando o sistema financeiro global.

A partir do 18 de julho de 2007, essa crise do crédito hipotecário provocou uma crise de confiança geral no sistema financeiro e falta de liquidez bancária (falta de dinheiro disponível para saque imediato pelos correntistas do banco).

O problema que se iniciou com as hipotecas subprime espalhou-se por todas as obrigações com colateral, pôs em perigo as empresas municipais de seguros e resseguros e ameaçou arrasar o mercado de swaps, multitrilionário em dólares. As obrigações dos bancos de investimentos em compras alavancadas se tornaram um passivo. Os hedge-funds, criados para ser supostamente neutros em relação aos mercados, se provaram não tão neutros e tiveram que ser resgatados. O mercado de commercial-papers paralisou-se, e os instrumentos especialmente criados pelos bancos para tirar as hipotecas de seus balanços já não conseguiam mais encontrar fontes externas de financiamento (funding). O golpe final veio quando o mercado de empréstimos interbancário - que é o núcleo do sistema financeiro - paralisou-se. Os bancos centrais de todos os países desenvolvidos se viram obrigados a injetar rapidamente no sistema financeiro mundial um volume de recursos jamais injetado antes, e a estender créditos para uma variedade de papéis financeiros, e tipos de instituições, jamais socorridos anteriormente.[12]

Mesmo os bancos que não trabalhavam com os chamados "créditos podres" foram atingidos. O banco britânico Northern Rock, por exemplo, não tinha hipoteca-lixo em seus livros. Porém, adotava uma estratégia arriscada - tomar dinheiro emprestado a curto prazo (a cada três meses) às instituições financeiras, para emprestá-lo a longo prazo (em média, vinte anos), aos compradores de imóveis. Repentinamente, as instituições financeiras deixaram de emprestar dinheiro ao Northern Rock, que, assim, no início de 2007, acabou por se tornar o primeiro banco britânico a sofrer intervenção governamental, desde 1860.[19]

Na sequência, temendo que a crise tocasse a esfera da chamada "economia real",[20] os bancos centrais foram conduzidos a injetar liquidez no mercado interbancário, para evitar o efeito dominó, com a quebra de outros bancos, em cadeia, e que a crise se ampliasse em escala mundial.

Segundo o FMI declarou em 7 de outubro de 2008, as perdas decorrentes de hipotecas do mercado imobiliário subprime já realizadas contabilizavam 1,4 trilhão de dólares e o valor total dos créditos subprime ainda em risco se elevava a 12,3 trilhões, o que corresponde a 89% do PIB estadunidense.

O socorro governamental[editar | editar código-fonte]

Desde que a crise de confiança se agravou e se generalizou, paralisando o sistema de empréstimos interbancário mundial, o governo estadunidense decidiu pôr de lado suas teorias neoliberais e passou a socorrer ativamente as empresas financeiras em dificuldades.

Um pacote, aprovado às pressas pelo congresso estadunidense, destinou setecentos bilhões de dólares de dinheiro do contribuinte americano a socorro dos banqueiros. Desde a quebra do Bear Stearns[21] até outubro de 2008, o governo estadunidense e a Reserva Federal já haviam despendido cerca de dois trilhões de dólares na tentativa de salvar instituições financeiras.

Os países da UE também despenderam várias centenas de bilhões de euros na tentativa de salvar seus próprios bancos.

Em abril de 2009, o G-20, reunido em Londres, anunciou a injeção de US$ 1 trilhão na economia mundial de maneira a combater a crise financeira global.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Oferta de empréstimos sem comprovação de renda, nos Estados Unidos.

As demissões decorrentes da crise têm gerado reações desesperadas na França. Em março de 2009, em três oportunidades trabalhadores franceses fizeram reféns devido a demissões: dia 13, funcionários da Sony detiveram o presidente da empresa no país por uma noite, forçando o pagamento de indenizações maiores pelas demissões; no dia 25, o diretor de operação da 3M foi detido por um dia, sendo libertado após aceitar oferecer melhores condições aos 110 empregados demitidos; e no dia 31, os funcionários da Caterpillar fizeram quatro diretores da empresa reféns, após o anúncio do plano de cortar 733 empregos na unidade.[22]

Por outro lado, as emissões de CO² na União Europeia foram reduzidas em 6% em 2008 em decorrência da crise, de acordo com o instituto de pesquisa Point Carbon, sediado em Oslo.[23]

Brasil[editar | editar código-fonte]

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Evolução do índice Ibovespa entre 1994 e julho de 2009. É possível observar a forte queda do Ibovespa durante o auge da crise.

Alguns economistas defendem que a crise do subprime não afetará significativamente o Brasil.[24] De todo modo, segundo a maioria dos analistas, todos os países do mundo serão tocados, em algum momento, em maior ou menor grau, pelos feitos da crise deflagrada nos Estados Unidos, devido à globalização dos negócios entre países.

No Brasil, o efeito mais imediato foi a baixa das cotações das ações em bolsas de valores, provocada pela venda maciça de ações de especuladores estrangeiros, que se atropelaram para repatriar seus capitais a fim de cobrir suas perdas nos países de origem. Em razão disso, ocorreu também uma súbita e expressiva alta do dólar. Posteriormente, grandes empresas brasileiras exportadoras sentiram o baque da falta de crédito no mercado mundial para concretizar seus negócios com parceiros estrangeiros. A recessão que atingiu uma grande parte dos países desenvolvidos também afetou o comércio externo. Empresas como Embraer e Cummins por exemplo, que têm seus faturamentos altamente dependentes de vendas ao exterior, tiveram que cortar postos de trabalho e reduzir drasticamente o ritmo de produção. Grandes empresas siderúrgicas no Brasil também desligaram alguns fornos. Em efeito cascata, empresas menores fornecedoras desses grandes conglomerados também foram atingidas.

Como o Brasil realizou profundas reformas econômicas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, como o PROER, implementando sistemas mais rígidos de controle ao sistema financeiro doméstico, o Brasil ficou menos exposto ao cerne da crise, que foi a contaminação sistêmica do mercado financeiro internacional. Além disso, a economia brasileira encontra-se numa posição bem mais confortável para enfrentar essa tempestade mundial do que em crises anteriores. O modelo econômico adotado pelo país desde fins dos anos 1990 - metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal - fez com que um colchão de proteção, através da obtenção consistentes reservas cambiais e de forte credibilidade internacional, salvaguardasse a economia. Não obstante, por estar incluso no comércio mundial, o país ainda assim sentiu efeitos colaterais pesados.

De imediato entretanto, os maiores prejuízos com a crise foram das empresas que especulavam com derivativos de câmbio- e fizeram a aposta errada.[7] [8] [9] O governo anunciou que não pretende cobrir, com dinheiro público, as milionárias perdas privadas, decorrentes de apostas mal-sucedidas.

A alta do dólar, embora possa eventualmente causar alguma pressão inflacionária, tende a aumentar a competitividade internacional das exportações do país, já que o preço dos produtos brasileiros, em dólares, cai. No entanto, para os setores da economia brasileira que dependem de importações de produtos industrializados sem similar nacional (máquinas e equipamentos, sobretudo produtos de alta tecnologia) ou mesmo de algumas commodities, como o trigo, o dólar alto é um problema.

No mercado interbancário, houve uma paralisação quase total dos empréstimos normalmente concedidos pelos grandes bancos aos menores. Num primeiro momento, o Banco Central do Brasil decidiu isentar os grandes bancos de uma parte do depósito compulsório, a qual deveria ser destinada a empréstimos aos bancos menores. Mas, devido ao clima de quase pânico que se instaurou nos mercados financeiros em geral, tal medida não se revelou suficiente: os grandes bancos continuavam não concedendo empréstimos aos menores. Assim, o Banco Central decidiu adquirir as carteiras de crédito de que os bancos pequenos desejassem se desfazer, desde que oferecessem garantias. Houve pressão ainda para que os bancos estatais comprassem bancos menores em dificuldades. Assim, o Banco do Brasil comprou 49% das ações do banco Votorantim, injetando liquidez, mas não ficando com o controle acionário da instituição.

Para evitar a falta de liquidez (falta de dólares) nos mercados de câmbio, o Banco Central tem realizado leilões de venda de swaps cambiais e, para evitar especulações, em outubro de 2008, realizou até mesmo vários leilões de venda de dólar físico à vista (moeda), utilizando as reservas internacionais do Brasil, o que não era feito desde 2003. Com isto, o BC não pretendia derrubar as cotações do dólar, nem lhes impor um teto, mas somente aumentar a liquidez do mercado.[25]

Por outro lado, o Banco Central tem-se mostrado atento a quaisquer indícios de falta de liquidez no sistema bancário brasileiro, tendo liberado, por mais de uma vez, várias dezenas de bilhões de reais dos depósitos compulsórios, especialmente para os bancos médios e pequenos, preferindo dessa forma irrigar o sistema bancário, em vez de reduzir os juros básicos (taxa Selic), o que ainda poderia provocar pressões inflacionárias. Se a economia mundial entrar em uma conjuntura de deflação, o que não é impossível, só então os juros poderão ser reduzidos sem medo.

Em setembro de 2009, a agência Moody's informou sobre a elevação de rating da dívida do governo para grau de investimento, desde a deflagração da crise econômica de 2008/2009. A classificação também foi dada pelas agências Fitch Ratings e a Standard & Poor's, em 2008. Assim, o Brasil foi o primeiro país a receber a elevação de categoria.[26]

Análises e prognósticos[editar | editar código-fonte]

Soros

George Soros, em seu livro The New Paradigm for Financial Markets (2008), diz que "estamos em meio a uma crise financeira não vista desde a crise de 1929"[27] e declara que essa crise poderia, em tese, ter sido evitada:

Cquote1.svg desgraçadamente temos a idéia de fundamentalismo de livre mercado, que hoje é a ideologia dominante, e que pressupõe que os mercados se corrigem; e isso é falso porque geralmente é a intervenção das autoridades que salvam os mercados quando eles se atrapalham. Desde 1980 tivemos cinco ou seis crises: a crise bancária internacional de 1982, a falência do banco Continental Illinois em 1984 e a falência do Long-Term Capital Management, em 1998, para citar três. A cada vez, são as autoridades que salvam os mercados, ou organizam empresas para fazê-lo. As autoridades têm precedentes nos quais se basear. Mas, de alguma maneira, essa idéia de que os mercados tendem ao equilíbrio e que seus desvios são aleatórios ganhou aceitação geral e todos estes instrumentos sofisticados de investimentos foram baseados nela.[27] Cquote2.svg
Walter Williams

O professor e economista americano Walter Williams, em entrevista ao programa de televisão Milênio, do canal Globo News, fez a seguinte análise:

Cquote1.svg Mas isto (a crise) foi causado pelo governo, pela Fannie Mae, Freddie Mac e outros, e pelas regulamentações do governo americano, que obrigam os bancos a concederem empréstimos a quem eles não concederiam de outra maneira. Foi a chamada Lei de Reinvestimento Comunitário que possibilitou aos pobres comprarem casa própria. Obrigaram os bancos a fazer empréstimos. [...] Eles disseram aos bancos: "Se quiser abrir outra agência, tem que nos mostrar que concedeu empréstimos a pobres, negros ou minorias." E fizeram chantagem com os bancos. [...] Foi causada (a crise) pelo governo. Cquote2.svg
Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente Lula, falando na abertura da reunião do G20 financeiro, que se realizou em novembro de 2008, em São Paulo, para debater alternativas para a crise internacional, ecoando George Soros, também criticou a crença dogmática na auto-regulação dos mercados:

Cquote1.svg Ela (a crise) é conseqüência da crença cega na capacidade de auto-regulação dos mercados e, em grande medida, na falta de controle sobre as atividades de agentes financeiros. Por muitos anos, especuladores tiveram lucros excessivos, investindo o dinheiro que não tinham em negócios mirabolantes. Todos estamos pagando por essa aventura. Esse sistema ruiu como um castelo de cartas e com ele veio abaixo a fé dogmática no princípio da não intervenção do Estado na economia. Muitos dos que antes abominavam um maior papel do Estado na economia passaram a pedir desesperadamente sua ajuda. Cquote2.svg
Luigi Zingales

Em seu livro Luigi Zingales o atual sistema financeiro se arruinou graças a sua falta de coordenação e comunicação, essa falta de estrutura gera uma falha no sistema que as indústrias usam para evitar a regulamentação. Para o autor, a alternativa de centralização representa problemas quanto a sua eficiência e aproximação funcional possui problemas quanto a sua abrangência em situações intercambiáveis (por exemplo o caso de aumento dos empréstimos Citibank, qual era de natureza de segurança de preços e financeira), esse modelo também apresenta problemas quando deve nomear uma agência por tomar responsabilidade por uma má administração, tornando um “jogo de culpa” no qual nenhuma das agências está disposta a tomar a responsabilidade.[28]

Sua sugestão de reforma se inicia considerando os três gols primários do sistema financeiro; estabilidade de preços; proteção de investidores de pequeno e médio porte e estabilidade do sistema. Zingales sugere a criação de uma instituição para cada um desses objetivos, qual a eficiência seria facilmente mensurada via inflação, confiança dos investidores no mercado e outras instituições financeira e o preço de credit default swaps (CDS). Uma das principais preocupações a respeito desse sistema seria restringir as funções entre elas, bem como a ter uma preocupação especial na comunicação interagências. Para solucionar esse problema Zingales sugere que tais agências sejam compostas de pequenos números de representantes nomeados pelo estado, que se ocupariam de uma nova agenda qual deverá ser transparente ao público, similar ao que acontece no atual Conselho de Supervisão para Estabilidade Financeira.

Quanto a estabilidade de preços: O principal agente envolvido é o Federal Reserve, que está responsável por articular a política monetária e promover a estabilidade de preços, a independência dessa agência é importante pois evita fraudes para simulação de uma economia forte. No entanto, com a crise de 2008 o Federal Reserve ultrapassou seus limites iniciais interferindo no sistema monetário para garantir a estabilidade financeira, daí a importância de autoridades independentes no setor monetário e um conselho de estabilidade financeira politicamente responsáveis.

A respeito da proteção do consumidor e inovação financeira: uma das razões pela qual a inovação financeira se faz necessária é a importância de aumentar o as partes que dividem o risco, bem como diminuir os atritos que dificultam as finanças. A inovação financeira de modo geral cria valor, mas também há inovações que são feitas para reduzir impostos e/ou enganar os investidores. No entanto, regular essas inovações seria ineficiente e poderia inibir avanços significativos nas finanças, a melhor forma para lidar com esse problema é consertar os problemas que geram a inovação fraudulenta. Para isso, seria necessário a classificação de investidores em investidores menos sofisticados (quais estariam envolvidos com taxas fixas de hipoteca e index funds), investidores moderadamente sofisticados (quais estariam aptos para trabalhar com hipotecas ajustáveis e individual stocks) e, por fim, investidores sofisticados ( aptos a lidar com double short exchange traded funds e hipotecas de amortização negativa). A classificação desses investidores pode evitar que os investidores sejam enganados. A classificação das operações de gerência é igualmente importante, sendo feitas apenas por pessoal autorizado, para evitar abusos.

A estabilidade liberdade dos mercados é outro fator crucial, indivíduos participantes do mercado podem se beneficiar de restrição de competição, a liberdade sem regras pode condenar o mercado à estagnação, através de restrições, no entanto, no mercado público há um risco de transformação de leis obrigatórias em opcionais. Para o autor o ideal é desregular os mercados públicos e aplicar algumas práticas de transparência nos mercados privados, pois mercados anônimos a reputação não pode evitar a fraude ou praticas abusivas.

O autor aponta para o problema da esfera política de "Grande demais para falir" (do inglês “too big to fail”) e como esta dificulta a análise de risco. Segundo Zingales o real motivo para o resgate dos bancos, não foi o tamanho das empresas em si, mas sim as suas importantes interconexões com outras instituições financeiras. Assim, o "calote" dado por uma empresa pode gerar um efeitos em cascata, de modo que várias outras são prejudicadas. Para o autor a solução é criar duas camadas de capital: a primeira, para proteger obrigações sistemáticas relevantes, pois essas operações geram um efeito cascata mais intenso; a segunda destinada à cobertura de dívidas menores, que não têm tanto impacto sobre o sistema financeiro. A vantagem desse sistema é dar prioridade ao pagamento das dividas sistemáticas, que, uma vez liquidadas, dariam espaço para a resolução de dívidas menores.

Nassim Nicholas Taleb

Nassim Taleb, ex-corretor de derivativos e atual professor de engenharia de risco do Polytechnic Institute da New York University, descreve o mundo socioeconômico como pouco influenciado por ações cotidianas. Segundo o autor, o que realmente muda o curso da história são eventos imprevisíveis, que abalam todo o sistema. Sua proposta se concentra no que ele denomina de antifragilidade, ou seja, a capacidade de instituições de resistir a tais eventos, que ele chama "cisnes negros". Taleb propõe cinco regras que podem ajudar a estabelecer a antifragilidade como um princípio da nossa vida socioeconômica.[29]

  1. Pense na economia mais como um gato do que como uma lavadora. Segundo Taleb, a economia funciona como um organismo vivo, com capacidades próprias, e não como um objeto inanimado que, para ser reparado, precisa da ajuda de um terceiro.
  2. Favoreça os negócios que se beneficiam dos próprios erros e não aqueles em que os erros se infiltram por dentro do sistema. As linhas aéreas e os restaurantes, por exemplo, aprendem com os erros e buscam aprimoramento, como na teoria da evolução. No entanto, os bancos não funcionam dessa maneira. Se houvesse esses aprendizado, a falência de um banco não afetaria todo o sistema financeiro, pois o sistema saberia evitar o efeito dominó e proteger-se do risco sistêmico decorrente de falhas individuais.
  3. Pequeno é bonito e também é eficiente. Quanto maior o projeto ou a instituição, mais frágil será e maiores serão os riscos. O tamanho, quando excede um certo limite, produz fragilidade e pode anular todos os ganhos de escala. Quanto maior o número de partes envolvidas (e quanto menores forem essas partes) melhor. O autor também acredita que a descentralização do governo e a processos decisórios que fluem de baixo para cima ajudariam a reduzir os déficits públicos. Ele compara o sucesso das decisões tomadas nos cantões da Suíça (de baixo para cima) com as falhas de regimes autoritários, onde as decisões são tomadas de cima para baixo, como no caso da extinta União Soviética) .
  4. O método de tentativa e erro supera o conhecimento acadêmico. Mas, segundo Taleb, isso se aplica quando os erros têm baixo custo, e os acertos têm um alto benefício. Nesse caso, o método de tentativa e erro se mostra mais eficiente do que o conhecimento acadêmico. Por isso a inovação deve ser feita por pessoas com amplo conhecimento prático.
  5. Tomadores de decisões devem sofrer as consequências. Para garantir que o sistema financeiro funcione de forma eficiente, deve existir um sistema sanções financeiras para aqueles que escondem riscos para debaixo do tapete, isto é, deve haver algo que afete diretamente seus ganhos.

Crise das dívidas soberanas[editar | editar código-fonte]

O desdobramento mais recente da crise financeira e econômica internacional de 2008-2009 foi o da insolvência das nações desenvolvidas. O grande acúmulo da dívida governamental fez estourar a capacidade de endividamento dessas nações e causou uma enorme turbulência financeira ao provocar o temor de que essas nações não pudessem honrar com seus compromissos e decretassem o calote da dívida[30] . A principal consequência da crise das dívidas soberanas foi a grande instabilidade social causada pelos cortes dos benefícios sociais[31] .

Em nações como o Japão - que detém o maior percentual de endividamento - a relação dívida-PIB já ultrapassa os 200% [32] [33] . Nos Estados Unidos, entretanto, está a maior dívida bruta entre todas as nações do mundo, que já supera os 14,3 trilhões de dólares[34] . Nesse ponto, aliado às recentes crises de insolvência na Grécia, Irlanda e Portugal, e ao temor de que a Espanha, a Itália e o Reino Unido[35] também não consigam honrar seus compromissos, o mercado financeiro sofreu um forte abalo[36] .

Porém, o estopim da segunda crise - que já vem sendo chamada de "déjà vu de 2008"[37] , por acontecer exatamente três anos depois do primeiro estouro da crise do subprime - se deu pela desconfiança de que talvez os EUA não conseguissem honrar seus compromissos. A crise do limite de dívida dos EUA, que levou a um longo processo negocial e de debate no Congresso Americano sobre se o país deveria aumentar o limite de dívida, e, caso afirmativo, em que montante, fez crescer a especulação internacional sobre a real capacidade de solvência americana[38] . A crise forjou um fim quando um acordo complexo entre ambas as partes conseguiu elevar o limite de gastos em 31 de julho de 2011. Após a sua aprovação no Congresso e Senado, foi ratificado pelo Presidente Barack Obama, ficando o acordo conhecido como Budget Control Act of 2011 em 2 de agosto, data limite para o acordo[39] . Porém o mercado não reagiu positivamente ao acordo, e nos dias que se seguiram, a maior parte das bolsas de valores mundiais fecharam em forte queda[40] .

Diante do quadro da crise, a agência de classificação de notas de crédito Standard & Poor's (S&P) rebaixou pela primeira vez na sua história a nota da dívida pública dos Estados Unidos de AAA para AA+, devido à crescente dívida e ao pesado déficit de orçamento[41] . Imediatamente ao rebaixamento da nota de crédito dos EUA, as bolsas de valores mundiais calcularam altíssimas perdas. Seguiu-se ainda que os dados divulgados no mês de agosto apontavam que as economias da Zona do Euro haviam crescido menos do que o previsto, sendo que algumas já estavam em profunda recessão[42] . Depois de inúmeras perdas, algumas ações de bancos se recuperaram nas semanas seguintes de agosto, com os mercados acionários globais, em parte, recuperados após o rebaixamento da nota da dívida estadunidense[43] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. *Wessel, David. "Did 'Great Recession' Live Up to the Name?", The Wall Street Journal, 2010-04-08.
  2. Evans-Pritchard, Ambrose. "IMF fears 'social explosion' from world jobs crisis", The Daily Telegraph, 2010-09-13.
  3. Zuckerman, Mortimer. "Why the jobs situation is worse than it looks", US News, 2011-06-20.
  4. Segundo Paul Krugman, "para combater a recessão, o Fed precisa de mais do que uma recuperação rápida; precisa aumentar dramaticamente as despesas das famílias para compensar o moribundo investimento das empresas. E, para fazer isso, como Paul McCulley da Pimco coloca, Alan Greenspan precisa criar uma bolha imobiliária para substituir a bolha do Nasdaq. Paul Krugman em The New York Times, 2 de agosto de 2002. Dubya's Double Dip?. "Dubya" é um dos apelidos do ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, derivado da pronúncia texana da letra W: "dubya". Double dip refere-se ao padrão da curva de evolução do PIB, em que uma recessão é seguida de uma curta recuperação e de nova recessão.
  5. Lehman CEO Fuld: Where Was Our Bailout?, Agência REUTERS, 6 de outubro de 2008, 15:57 ET
  6. FRANCE-PRESSE, Islândia nacionaliza segundo maior banco do país., 7 de outubro de 2008, 09:21
  7. a b Ações da Sadia despencam quase 30% com perdas milionárias, Folha Online, 26 de setembro de 2008, 11h21
  8. a b BIANCONI, Cesar. Aracruz: perdas poderiam ser de R$ 1,95 bi em setembro. São Paulo: Agência Estado, 3 de outubro de 2008, 07h48
  9. a b Votorantim admite perdas de R$ 2,2 bi com operações de câmbio. São Paulo, Folha Online, 10 de outubro de 2008, 12h51
  10. Governo americano assume o controle da Fannie Mae e Freddie Mac. O Globo, Valor Online, 8 de setembro de 2008, 8:19
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  12. a b c d e SOROS, George. The worst market crisis in 60 years, Londres: Financial Times, 23 de janeiro de 2008, 02:00 GMT, in GerogeSoros.com
  13. Crises financières à répétition: quelles explications? quelles réponses, Fondation Res Publica, Paris, 2008
  14. Did Christianity Cause the Crash? Hanna Rosin, December 2009
  15. a b Floyd Norris (2008). News Analysis: Another Crisis, Another Guarantee, The New York Times, November 24, 2008
  16. George Soros (2008) The worst market crisis in 60 years. London: The Financial Times, January 22 2008 19:57, last updated: January 22 2008 19:57
  17. Instituto europeu vê agravamento da crise sistêmica
  18. LEAP/2020 : Annonce Spéciale Crise Systémique Globale Septembre 2008
  19. "Economia mundial em crise – Onde estamos agora?" por Mick Brooks", 25.01.2008
  20. C'est quoi l'économie réelle ?, por Sophie Verney-Caillat.
  21. GOLDSTEIN, Matthew. Bear Stearns' Subprime Bath. Business Week, June 12, 2007, 6:15PM EST
  22. Folha Online - Funcionários da Caterpillar na França mantêm diretores como reféns
  23. Emissões de dióxido de carbono na União Europeia caíram 6% com a crise
  24. KANITZ, Stephen "Vamos Definir Crise Corretamente". 15 de fevereiro de 2009.
  25. OLIVEIRA, Kelly. Banco Central volta a vender dólar à vista. Brasília: Agência Brasil, 10 de Outubro de 2008, 11h14, última modificação 10 de Outubro de 2008, 11h29
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  31. Salvar o euro ou evitar a crise social Jornal de Angola Online. Página visitada em 3 de agosto de 2011.
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  34. Obama precisa de acordo com o Congresso para evitar moratória Estadão. Página visitada em 5 de agosto de 2011.
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  37. Com tensão generalizada, mercado tem déjà-vu de 2008 iG economia. Página visitada em 5 de agosto de 2011.
  38. Bolsas afundam Jornal Correio do Brasil. Página visitada em 5 de agosto de 2011.
  39. The Next Deficit Deal: There's a Rough Road Ahead abc News. Página visitada em 5 de agosto de 2011.
  40. Ibovespa tem pior queda entre principais bolsas globais iG economia. Página visitada em 5 de agosto de 2011.
  41. Rebaixamento de nota dos EUA derruba bolsas asiáticas Estadão. Página visitada em 29 de agosto de 2011.
  42. Comissão Europeia prevê recessão de um por cento do PIB em 2011 Publico Portugal. Página visitada em 29 de agosto de 2011.
  43. A crise da dívida da Zona do Euro em nova fase Carta Capital. Página visitada em 29 de agosto de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]